Diz o que te vai na alma, afinal és como és e isso é que importa.
(mas quando a turba te cair em cima porque te espalhaste, não te esqueças de pedir muitas desculpas)
06 junho 2016
05 junho 2016
Em verdade vos digo
O monólogo do convite de casamento, no Arte, de Yasmina Reza, feito pelo Adriano Luz, não é inferior ao que fazia o Miguel Guilherme.
03 junho 2016
Não queiram ter a minha vida
Na segunda quis ir almoçar ao Belcanto mas esqueci-me que o Belcanto fecha às segundas, na terça fodi um tornozelo porque a sacana da cadela viu um coelho e atravessou-se-me à frente, na quarta enganei-me no terminal em Madrid e quase perdi o avião, na quinta dois dos amigos com quem ia ver um jogo do Euro acagaçaram-se com não sei quê do terrorismo e desistiram de ir, o dia de hoje ainda não acabou.
Breve exemplo da imperfeição do mundo
Lá na terra onde eu moro posso escolher entre tomar café num sítio que tem a televisão permanentemente sintonizada na Correio da Manhã TV, num volume demasiado alto, e serve um café absolutamente magnífico, de qualidade, bem tirado, com espuma cremosa, ou tomar café num sítio que tem a televisão sintonizada na SIC Notícias, em modo silêncio, com música jazz a sair das colunas num volume aceitável, mas que tem um café sofrível, tirado sem arte e sempre servido com açúcar a acompanhar, apesar de saberem que o meu café deverá ser servido sem açúcar.
02 junho 2016
Chegaram as férias, miudagem!
E agora é jogar à bola mesmo a sério, sem ser com um comando na mão, é chamar os amigos para ir andar de bicicleta, chamar mesmo a sério, sem ser por telemóvel, é comprar bandas desenhadas da Marvel na Feira da Ladra para a mesada render mais, é ir acampar até o dinheiro se vos acabar, é ir ao cinema sem comprar pipocas nem sorver refrigerantes, é ler livros lá fora, na rua, é jogar às cartas sem ser a dinheiro, é ficarem apaixonados o verão todo e contarem-lhe quase no fim das férias e ainda ser a tempo, é visitarem os vossos avós e afinal ser um dia fantástico, é ver os jogos da selecção com os amigos e gritar se Portugal marcar um golo, é não fazerem rigorosamente nada se vos apetecer, é apreciar cada segundo sem as vossas mãezinhas ao vosso lado a perguntar-vos em que ano conquistámos Ceuta.
31 maio 2016
Não tens acompanhado o que realmente interessa? Pipoco sintetiza.
O Nuno Markl caiu no fosso da jaula dos trasmontanos e tiveram que anestesiar o José Cid, mas o José Cid ficou muito agressivo e cortou às postas fininhas o miúdo do Mastechef que deu dicas erradas ao coleguinha.
30 maio 2016
Isso sim, é a blogosfera a voltar aos velhos tempos de glória
Não sei se fale de trasmontanos desdentados, de gorilas que, em sendo anestesiados, nunca se sabe o que podem fazer a crianças ou da categoria que é o hino da nossa selecção.
(entretanto, pelos comentários que, de tão cabeludos, não tive coragem de publicar, este blog ainda é uma casa de gente de bem, percebi que não amar a escrita da Ferrante é tema sensível, havemos de dissecar...)
(entretanto, pelos comentários que, de tão cabeludos, não tive coragem de publicar, este blog ainda é uma casa de gente de bem, percebi que não amar a escrita da Ferrante é tema sensível, havemos de dissecar...)
Opinião final e irrevogável sobre os livros da Ferrante
É uma terça-parte da técnica Danbrowniana, sempre a abrir e sem deixar o leitor respirar, outra terça-parte de temática cara às mulheres, a velha história das amigas para a vida, a amargura de competir entre si, os amores improváveis, enfim, esse tipo de menoridades, e, finalmente, uma terça-parte de técnica perfeita de aniquilação de neurónios, esse efeito que às vezes procuramos no fim de um dia intenso, qualquer coisa que não nos mace o cérebro nem exija grande atenção aos pormenores, essa certeza de podermos passar dez páginas sem querer e ainda assim não se perder o fio à história.
Gostei muito, portanto.
Gostei muito, portanto.
29 maio 2016
Lago Tanganica, edição especial (flamingas que estudam com jovens flamingos)
De todas as lendas do Lago Tanganica, a que todos os anciãos transmitem aos aprendizes de ancião em longos serões à volta de fogueiras alimentadas de ramagens de azevinho, enquanto se espalham fumos de incenso que dão ao momento a chancela de material sagrado, é a lenda das mães flamingas que, tendo na mira a melhoria da espécie, se sacrificam estudando com os irrequietos jovens flamingos, tentando preparar os mais incapazes para suportar os altos voos que as correntes quentes que emanam do Lago Tanganica proporcionarão aos melhores e, além disso, agradar a Sansão, o Pássaro-Alfa, aquele a quem todas as mães querem agraciar entregando-lhe os seus rebentos preciosos, preparados duramente ao longo da infância, ministrando-lhes integrais triplos quando equações de primeiro grau serviriam perfeitamente, levantando-os da cama antes que o sol nasça sobre o lago, transmitindo-lhes uma última dose de saber, não vão os jovens e imprudentes flamingos ficar mal no exame, esse momento onde tudo se decide, onde só os mais capazes sobreviverão, e elas, as mães dos avaliados com um número mais alto, desgrenhadas e mais magras, elas que submergiram no mundo dos números imaginários, logo elas que não tinham estudado senão história das artes, haverão de contar-nos que sim, que valeu a pena, que o jovem flamingo, vergado à sua vontade, acabou por voar mais alto que todos os demais, mal sabem elas que, chegado o momento da verdade, o momento em que Sansão, o Pássaro-Alfa emitir o seu veredicto, há-de começar a ler os CV's como lê os jornais, pelo fim, nem chegará à parte em que os jovens flamingos escreveram orgulhosos o número final com que acabaram os estudos e decidirá pelo que fez voluntariado, pelo que estudou fora daqui, pelo que sabe esquiar.
28 maio 2016
27 maio 2016
E a tua mãezinha também estudava contigo, Pipoco?
Não. Claro que não. Definitivamente, não. Era só o que faltava...
(e no entanto...)
(e no entanto...)
23 maio 2016
22 maio 2016
Quatro
Nestas escassas horas de remanso, em que me auto-declaro homiziado das coisas que não me apetecem fazer, compro na praça uma boa corvina de mar e dois sargos, que daqui a nada estarão a assar em brasa de bom carvão, eu a cuidar da assadura perfeita enquanto me sirvo de um Bordéus que comprei esta semana, a minha cadela a querer atenção, o vento sul a levar o aroma de peixe assado para a mesa e eu a aproveitar estes momentos e a pensar que a vida é isto, nuns dias faltam-me minutos, noutros parece que tenho todas as horas que pedir.
20 maio 2016
Não é mau
Um homem levanta-se cedo, antes das seis, corre com o seu cão, toma um café enquanto passa os olhos pelas cotadas no Nymex, conduz o seu potente carro alemão até um desses sítios onde acontecem reuniões de decidir coisas de valor, almoça num restaurante da moda que lhe asseguraram ser apropriado para a ocasião e afinal é só mais um que serve comida bonita, acaba a tarde com um gin com vista de rio com um amigo que está só um par de horas em Lisboa, contorce-se no carro para trocar o fato às riscas e a gravata Hermès por umas Levi's 501 e um blusão, assiste a um grande concerto do Boss, duas horas e três quartos sempre a aviar, a artilharia pesada guardada para o fim, um homem chega a casa e são quatro da manhã, toma um banho e volta ao fato às riscas, conduz de novo até ao aeroporto, mesmo a horas do avião das sete para Madrid, há-de escrever este post junto à porta de embarque D56, à espera do voo que o levará de volta à sua cidade, mesmo a tempo de fazer uma apresentação sobre coisas que um homem quer que se façam, assim o voo não se atrase, um homem há-de acabar o dia a dizer que aquilo não são os Queen, os Queen eram outra coisa, e é nisto que um homem reflectirá quando se deitar, quarenta e seis horas depois de se ter levantado.
19 maio 2016
Mulheres a discutir vestidos nas redes sociais...
... é como acidentes de automovel: todos paramos para ver mas ninguém gostaria que fosse consigo ou com algum dos seus.
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