10 setembro 2015
Em verdade te digo, Ruben Patrick
Graças aos céus, Ruben Patrick, não desapareceram de todo as mulheres que, mesmo depois de três doses de gin tónico, mesmo depois de duas horas de sono em classe turística numa viagem intercontinental, mesmo depois de serem despachadas sem razão pelo cretino que usufruía da sua (dela) atenção, mesmo quando conduzem carros franceses, não perdem o bom ar.
Diz-se delas que têm um je ne sais quoi. Não restam muitas, concedo.
Diz-se delas que têm um je ne sais quoi. Não restam muitas, concedo.
09 setembro 2015
Pipoco comenta o debate (XIII)
Não sei quem ganhou.
Sei que eu perdi, podia perfeitamente ter visto dois episódios de Breaking Bad durante esta hora e meia.
Sei que eu perdi, podia perfeitamente ter visto dois episódios de Breaking Bad durante esta hora e meia.
Pipoco comenta o debate (XII)
As perguntas finais pareciam perguntas desses inquéritos de Verão que se fazem às pessoas das telenovelas.
Pipoco comenta o debate (X)
Se eu, lá na minha vida de assalariado, me baralhasse tanto com os números e fosse tão confuso a passar uma ideia como se baralham e confundem os dois homens que pretendem governar o meu país, estava bem fodido.
Pipoco comenta o debate (IX)
O buzz que ficará do debate será "O senhor está a debater comigo e não com o Engenheiro Sócrates".
Pipoco comenta o debate (VIII)
O "não vá por aí..." de António Costa soou ao bom velho "olhe que não...".
Pipoco comenta o debate (VI)
António Costa não leva botões de punho. O eleitorado não costuma perdoar estes lapsos.
(aquele nó de gravata também não ajuda nada...)
(aquele nó de gravata também não ajuda nada...)
Pipoco comenta o debate (V)
As ideias-chave são "plafonamento", "termino já" e "quem chamou a Troika foi o senhor".
Pipoco comenta o debate (III)
Talvez seja dos meus olhos, mas parece-me que a rapariga da linguagem gestual está sempre a fazer o mesmo gesto. Receio que seja "Não estão a perder nada por não estarem a ouvir...".
08 setembro 2015
07 setembro 2015
Pipoco decide ver uma série
Após aturado processo de escolha, optei por Breaking Bad.
Gostei dos dois primeiros episódios.
Gostei dos dois primeiros episódios.
À atenção de Cocas, o Sapo
"Anos depois da guerra, depois dos casamentos, dos filhos, dos divórcios, dos livros, ele veio a Paris com a mulher. Telefonara-lhe. Sou eu. Ela reconhecera-o logo pela voz. Ele dissera: queria só ouvir a sua voz. Ela dissera: sou eu, bom dia. Ele estava intimidado, tinha medo como dantes. A sua voz tremia de repente. E com o tremor, de repente, ela voltara a encontrar a pronúncia da China. Ele sabia que ela tinha começado a escrever livros, soubera-o pela mãe dela que voltara a ver em Saigão. E depois dissera-lho. Dissera-lhe que era como dantes, que ainda a amava, que nunca poderia deixar de a amar, que a amaria até à morte."
Marguerite Duras, "O amante"
Marguerite Duras, "O amante"
05 setembro 2015
03 setembro 2015
As coisas são como são
Primeiro foi aquilo da guerra e morrerem muitos meninos, mas é da natureza da guerra morrerem meninos e aquilo era lá para os lados do Iraque ou do Afeganistão, esses lugares muito longe, que têm lá as suas tradições de andar sempre aos tiros, as fotografias da guerra são muito parecidas umas com as outras, e nós, e eu, seguimos cá com as nossas vidas.
Depois foi aquilo das pessoas nos barcos, alguns salvavam-se, outros não, mas aquilo eram números de pessoas que tinham morrido, não havia fotografias nem nada, e quando havia eram só uns barcos vazios e umas roupas e uns sapatos desirmanados a boiar sem ninguém lá dentro e nós, e eu, seguimos cá com as nossas vidas.
Depois foi aquilo de Palmira, que é uma espécie de tempo de Diana mas sem Évora à volta, parece que aquilo era uma coisa antiga e as pedras, merecendo-nos respeito porque eram pedras de valor, afinal não passam de pedras, está claro que é uma pena para o turismo de Palmira, onde quer que seja Palmira, e nós, e eu, seguimos cá com as nossas vidas.
Depois foi aquilo dos refugiados a chegar à Hungria, que é um sítio que também é lá muito longe, diz até que já foram comunistas, e as fotografias eram de polícias a bater em pessoas, olha a novidade, isso até nós cá temos, havia também fotografias de arame farpado mas via-se bem que qualquer bom alicate cortava aquilo num instante, havia também um caso com umas pessoas dentro de uma camioneta, mas as únicas fotografias que havia era da camioneta a ser levada por um reboque, e nós, e eu, seguimos cá com as nossas vidas.
Agora há isto da fotografia do menino na praia. Está ali debaixo dos nossos olhos, ainda vestido e calçado. E nós, e eu, embora desta vez nos custe mais um pedacinho, seguiremos cá com as nossas vidas. Muito emocionados e revoltados, que a nós quem nos tira a revolta e a emoção tira-nos tudo...
(e havemos de nos ir entretendo a comentar que aquilo é tudo malandragem do Estado Islâmico, pois se eles têm todos bigode e ar façanhudo, que aquilo é gente que assim que se veja com subsídios hão-de atacar a nossa fé cristã, que eles vêm é ocupar os nossos empregos, pobres de nós que nem temos dinheiro para comprar aquelas camisolas do Real Madrid e aqueles telemóveis que eles trazem).
Depois foi aquilo das pessoas nos barcos, alguns salvavam-se, outros não, mas aquilo eram números de pessoas que tinham morrido, não havia fotografias nem nada, e quando havia eram só uns barcos vazios e umas roupas e uns sapatos desirmanados a boiar sem ninguém lá dentro e nós, e eu, seguimos cá com as nossas vidas.
Depois foi aquilo de Palmira, que é uma espécie de tempo de Diana mas sem Évora à volta, parece que aquilo era uma coisa antiga e as pedras, merecendo-nos respeito porque eram pedras de valor, afinal não passam de pedras, está claro que é uma pena para o turismo de Palmira, onde quer que seja Palmira, e nós, e eu, seguimos cá com as nossas vidas.
Depois foi aquilo dos refugiados a chegar à Hungria, que é um sítio que também é lá muito longe, diz até que já foram comunistas, e as fotografias eram de polícias a bater em pessoas, olha a novidade, isso até nós cá temos, havia também fotografias de arame farpado mas via-se bem que qualquer bom alicate cortava aquilo num instante, havia também um caso com umas pessoas dentro de uma camioneta, mas as únicas fotografias que havia era da camioneta a ser levada por um reboque, e nós, e eu, seguimos cá com as nossas vidas.
Agora há isto da fotografia do menino na praia. Está ali debaixo dos nossos olhos, ainda vestido e calçado. E nós, e eu, embora desta vez nos custe mais um pedacinho, seguiremos cá com as nossas vidas. Muito emocionados e revoltados, que a nós quem nos tira a revolta e a emoção tira-nos tudo...
(e havemos de nos ir entretendo a comentar que aquilo é tudo malandragem do Estado Islâmico, pois se eles têm todos bigode e ar façanhudo, que aquilo é gente que assim que se veja com subsídios hão-de atacar a nossa fé cristã, que eles vêm é ocupar os nossos empregos, pobres de nós que nem temos dinheiro para comprar aquelas camisolas do Real Madrid e aqueles telemóveis que eles trazem).
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