24 abril 2013
Da felicidade e outras barbaridades
Se eu mandasse, sim, sei que não mando, a primeira coisa que mandava ensinar na escola às criancinhas, ainda antes de lhes ensinar a tabuada ou de lhes ensinar a história do Sporting, era explicar-lhes que ser feliz é uma coisa que não existe, ninguém é feliz, a Kate Winslet não é feliz, o Rui Patrício não é feliz, eu próprio não sou feliz. Depois, quando as criancinhas abrissem a boca de espanto, havia de lhes explicar que o caminho é estar feliz, estar feliz já é coisa que se pode atingir, jantamos uma sopa de cação no Dom Joaquim em Évora e estamos felizes, passa-nos logo a seguir se o vinho não for um Cartuxa branco, vemos o nascer do sol enquanto corremos pelo meio dos sobreiros, o nosso cão preto com um pau na boca e estamos felizes, a felicidade acaba logo a seguir quando torcemos um pé para não pisar um ouriço que se cruzou no caminho, o que as criancinhas haviam de aprender logo era que a ciência está em esticar ao limite os momentos em que estamos felizes, que isso de se ser feliz é coisa que nunca se viu e ainda bem.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Amém!
ResponderEliminarsc
Sabe qual é o seu problema? A razão de alguns dos seus males? O motivo pelo qual o seu grau de exigência não quadra com o da sua satisfação?
ResponderEliminarL.
Mensagem recebida, chefe! Obrigada.
ResponderEliminarIsso de se ser feliz vê-se, na minha opinião e vale o que vale, desde que saibamos colar bem todos os bocadinhos que se atravessam no nosso caminho. Primeiro saber quais são os que valem a pena agarrar e entretanto colá-los. Acho que é simples, mas não tenho bem a certeza. Aquela parte de saber quais são os que valem a pena, é que me troca as voltas todas.
ResponderEliminarTrocava o Cartuxa por um mel e noz que, no Dom Joaquim, é divino.
ResponderEliminarMas isso sou eu que não sei o que é apreciar a felicidade de beber um vinho.
De facto, uma boa sopa de cação é coisa para me fazer feliz. Mas se, porventura, se dá o caso de eu ter pedido sopa de cação e se atreverem a servir-me cação de coentrada, vai-se me logo a felicidade pelo cano abaixo... Acho que percebi a sua ideia.
ResponderEliminarTambém acho que se devia dizer às meninas que os príncipes encantados não existem. E aos meninos também!
ResponderEliminarSE eu mandasse, ficava com os sapos e mandava os príncipes ás urtigas... Pode-se ser Tão mas Tão feliz por simplesmente se poder dormir uma pequena sesta...Exageros, Senhor..
ResponderEliminarhttp://en.wikipedia.org/wiki/Chris_Gardner
ResponderEliminarE agora tenham estômago para sopas de cação, mel e noz, e digam a uma criança nessa situação a filosofia da vossa vida. Limita-se a isso "da vossa vida" ou já viveram a de mais alguém?
E a propósito de contos, não se iludam, as crianças sabem que é apenas uma história. Nesse momento "viveram felizes para sempre", como diz o tio pipoco.
"Glória, glória, acabou-se a história"
Perdi-me na criptica ligação entre o Gardner e as sopas de cação.
EliminarNão se preocupe, posso sempre contar-lhe uma história :)
EliminarO post que eu mais gostei até hoje.
ResponderEliminarCaminante, no hay camino,
ResponderEliminarse hace camino al andar.
O Pipoco andou a conviver com o Jorge Cadete? É que isso de estar contente não tem mesmo nada a ver com o ser feliz. Nem com sopa de cação ou Cartuxa branco. Não sei do Rui Patrício mas, por acaso, supeito que a Kate Winslet é feliz.
ResponderEliminarPenso que deviam era ensinar os "grandes" que, nao podendo ser felizes, ainda podem estar felizes. Esses e' que esquecem essa verdade.
ResponderEliminar