A verdade, Ruben Patrick, é que estamos fora de moda, já ninguém aprecia uma boa prosa sobre o prazer do gin tónico em fim de tarde, se anunciarmos que apreciamos um bom Pierde Almas, logo uma boa alma nos insinuará que mais valia um gin local, um Gotik se estivermos no Ribatejo, um NAO se estivermos pelas bandas do Porto, sempre se reduzia a pegada de carbono do transporte do gin de terras lá tão longe e, de caminho, promovia-se a economia local, em menos de dez segundos estariam a falar-nos disso da sustentabilidade, não fossemos nós quem somos e talvez nos soubesse pior o gin depois de tamanha dose de politicamente correto, com as mulheres é a mesma coisa, Ruben Patrick, tudo o que nos ensinaram temos que desaprender, se nos atrevermos a notar que uma mulher é apresentável, logo nos farão sentir o peso de sermos julgadores sem emenda, de menorizarmos as de pior figura, não tardará nada até que uma longa dissertação sobre os movimentos libertários que promovem as minorias e o seu direito à diferença, a conversa a entrar-nos por um ouvido e a sair por outro, o cérebro a desconectar-se devagarinho, a boa samaritana que nos quer trazer para os caminhos da luz a ficar difusa, e que não falemos de viaturas alemãs das razoáveis, logo desdenharão do nosso apego ao supérfluo, uma bicicleta faz o mesmo efeito e, calhando ser na cidade, tem a vantagem de se estacionar melhor e não ser tão intrusiva para o binómio pessoas e cidade.
30 julho 2019
29 julho 2019
28 julho 2019
26 julho 2019
Ninguém sabe para o que está guardado
Eu, que nunca tirei um retrato com o vértice da pirâmide do Louvre na ponta do meu dedo indicador, que nunca tirei um retrato com ar esforçado a evitar que a Torre de Pisa se estatele de vez, que nunca tirei um retrato a atravessar uma certa passadeira na Abbey Road, que nunca tirei um retrato de braços abertos em frente ao Cristo Redentor, que nunca tirei um retrato a beijar as estátuas da Ilha de Páscoa, que nunca tirei um retrato com um avião a aterrar na minha cabeça e eu na praia de não sei quê, sou bem capaz de tirar um desses retratos cliché na próxima viagem grande.
24 julho 2019
Talvez...
...o Eusébio nunca devesse ter jogado no Beira-Mar, talvez a Kim Basinger nunca devesse ter feito nada depois de "Nove Semanas e Meia", talvez Julio Iglesias nunca devesse ter cantado o que quer que fosse em inglês, talvez García Márquez nunca devesse ter escrito "Memória das minhas putas tristes", talvez os Queen nunca devessem ter sobrevivido a Freddy Mercury, talvez a Porsche nunca devesse ter lançado o 928.
Talvez a Netflix nos devesse ter poupado a esta última temporada de "Casa de Papel".
Talvez a Netflix nos devesse ter poupado a esta última temporada de "Casa de Papel".
20 julho 2019
Da problemática da escolha do livro para a próxima viagem grande
A pouco mais de uns pares de semanas da segunda viagem grande do ano, não tenho livro escolhido, não há nenhum que assente bem no propósito desta próxima viagem grande, também não recordo nenhum (com excepção de um livro grosso de autor português, excluído porque já o li) que se desenrole naquelas relativas lonjuras, é um problema inédito, nunca, até hoje, me faltaram livros que me contassem histórias das minhas escolhas para viagem grande.
Talvez me decida por Corto Maltese, afinal sempre se trata de lugares de muito mar e aventuras tamanhas e a Corto Maltese, por mais vezes que o leia, volta-se sempre.
Talvez me decida por Corto Maltese, afinal sempre se trata de lugares de muito mar e aventuras tamanhas e a Corto Maltese, por mais vezes que o leia, volta-se sempre.
19 julho 2019
O próximo 007 será uma mulher
Já cá venho dizer o que me suscita esta temática, ou seja, uma uma ode ao politicamente incorrecto e à misoginia.
14 julho 2019
Esta semana...
...dormi duas noites no Porto e três em Paris, esqueci-me de uma coisa que não devia ter esquecido, comi vieiras com um vinho branco bastante razoável, disseram-me que afinal ainda tenho metade um menisco, dormi menos do que aquilo que preciso (e preciso de quatro horas e meia por noite), li o "Mau tempo no Canal" e não achei genial, encontrei um motorista da Uber que sabe mais de Aznavour do que eu, prometi fazer uma coisa que não sei se consigo mesmo fazer, precisei que tomassem conta de mim.
Já passou.
12 julho 2019
08 julho 2019
Enquanto houver estrada para andar
Vimos como num instantinho se estraçalhou a carreira miúda que queria uma mala, assistimos, com a sapiência dos que sabem como acabam estas coisas, ao definhar das sociedades de mulheres a escreverem no mesmo blog, antecipámos, com a certeza de as coisas serem como são, a agonia dos blogs irónicos, comprámos livros à miúda do gato que queria ir para Bruges, divertimo-nos largueiro com a zanga da rapariga a quem não deram um telefone igual ao das outras, bebemos à saúde dos blogs inventados para escreverem bizarrias sobre a nossa escrita escorreita, descobrimos como se fabricam suspiros com base em coisa nenhuma, espantámo-nos com a forma como as criancinhas podem render umas férias de tudo incluído, aborrecemo-nos com as que escrevem tonterias para auto-motivar as mais pobres de espírito, cofiámos a barba, taciturnos, a cada texto sobre as mulheres precisarem que outras mulheres tomem conta delas, rimo-nos quando elas sugeriam umas às outras Ferrante e o livro do Segredo como se fosse coisa de valor, passámos incólumes pelos cupcakes e pelos jantarinhos de bloggers, sobrevivemos aos retratos de pés na areia da praia e de pratos de comida, vimos como as que vendiam bugigangas se tranformaram em influencers, apesar de continuarem a impingir-nos bugigangas, resistimos ao facebook e ao instagram e ao twitter.
E nós cá estamos, Ruben Patrick.
E nós cá estamos, Ruben Patrick.
07 julho 2019
Blog, esse repositório de memórias
Bem pode este ter blog uma fórmula que mistura na dose que se afigura a mais acertada episódios que aconteceram precisamente como aqui estão contados com outros que podiam muito bem ter acontecido da maneira que aqui se relatou, mas, em verdade vos digo, sempre que me escapa a precisão sobre quando foi que determinada situação ocorreu, é aqui que venho tirar as dúvidas.
02 julho 2019
Da nobre arte de cozinhar polvo e outras histórias
Don José Alves, o maior de todos os apanhadores de polvo em toda a largueza do sotavento, e talvez possa incluir também metade do barlavento, homem de poucas mas acertadas falas, excelente bebedor de cerveja preta e a melhor companhia que se pode ter quando o que nos apetece é tomar um gin de final de dia a acompanhar marisco da costa, estende-me dois cefalópodes magníficos, informando-me que aquilo é material que eu, nas minhas vidas de homem das cidades, jamais degustaria, não fossem as suas artes ancestrais, a sua mão hábil.
Mais me acirrou Don José Alves, desdenhando dos meus conhecimentos colaterais de cozinha, insinuando que eu não teria traquejo suficiente para preservar o potencial de prazer proporcionado por aqueles exemplares, atrevendo-se mesmo a afirmar não estar certo das minhas capacidades de aplicar as melhores práticas ou, pior, não estar seguro de que não adicionaria ingredientes menores ao petisco.
Don José Alves havia de apreciar os meus resultados, tivesse ele aparecido pela lezíria ontem à noite.
Mais me acirrou Don José Alves, desdenhando dos meus conhecimentos colaterais de cozinha, insinuando que eu não teria traquejo suficiente para preservar o potencial de prazer proporcionado por aqueles exemplares, atrevendo-se mesmo a afirmar não estar certo das minhas capacidades de aplicar as melhores práticas ou, pior, não estar seguro de que não adicionaria ingredientes menores ao petisco.
Don José Alves havia de apreciar os meus resultados, tivesse ele aparecido pela lezíria ontem à noite.
30 junho 2019
29 junho 2019
23 junho 2019
Crónicas do Sul (II)
O dono do bar ofereceu-me camarão e sardinhas fritas, imperiais e aguardente de medronho, só porque eu lhe respondi que não se preocupasse quando ele me veio apresentar desculpas pela demora do serviço.
Fico tão diferente de férias, eu.
Fico tão diferente de férias, eu.
22 junho 2019
Notícias do Sul (I)
Todos os finais de junho, quando é chegado o dia mais longo, eu, os meus calções caqui, a minha camisa branca, os meus Stan Smith, os meus livros meio lidos e o meu carro alemão descemos a Sul, regressarei com barba de uma semana, a pele marcada pelo sal e pronto para os dois meses que me separam da viagem grande.
Nestes dias de Sul certifico-me que as melhores conquilhas são as do sítio que tem vai para um ror de anos as melhores conquilhas, que os ingleses continuam a apanhar monumentais escaldões ao fim do primeiro dia, que a melhor hora para ir à água é depois das oito da noite, que não há peixe fresco como umas boas sardinhas, que é imbatível o prazer de um bom livro depois de um mar bravo.
(talvez estes dias de Sul não sirvam para mais nada que não para me convencer que o bom velho mundo, no essencial, continua igual ao que sempre foi)
Nestes dias de Sul certifico-me que as melhores conquilhas são as do sítio que tem vai para um ror de anos as melhores conquilhas, que os ingleses continuam a apanhar monumentais escaldões ao fim do primeiro dia, que a melhor hora para ir à água é depois das oito da noite, que não há peixe fresco como umas boas sardinhas, que é imbatível o prazer de um bom livro depois de um mar bravo.
(talvez estes dias de Sul não sirvam para mais nada que não para me convencer que o bom velho mundo, no essencial, continua igual ao que sempre foi)
11 junho 2019
Narciso Rodriguez
O bom de herdar os livros de uma pessoa da nossa vida é que o cheiro da pessoa vem com os livros e fica ali a planar um par de semanas até que os livros, lentamente, se impregnam com o meu cheiro e acaba-se a espécie de magia.
10 junho 2019
Para não falar das poucas vergonhas com o Pedro...
O homem com cara de avô da Heidi que estava na mesa em frente à minha olhava-me fixamente com aquele olhar que só acontece quando se nos afigura que conhecemos alguém e não nos lembramos das circunstâncias em que a pessoa se cruzou na nossa vida, pareceu-me que pelo menos um par de vezes o homem com cara de avô da Heidi fez menção de se me dirigir, desistindo no último instante, talvez por causa da minha fraca empatia e da aura de indisponibilidade que trago por estes dias, o homem com cara de avô da Heidi não esmoreceu e quase me sorriu, acabámos por ir cada um de nós às nossas vidas, o homem com cara de avô da Heidi sem saber de onde me conheceria, eu estando absolutamente certo de que os homens com cara de avô da Heidi nunca me mereceram grande estima, aquelas situações que acontecem nos primeiros dias de Heidi nas montanhas sempre me deixaram inquieto.
09 junho 2019
Em verdade te digo, Ruben Patrick
Resumindo, Ruben Patrick, se algum dia alguém se dedicar a esmiuçar os meus dias para os resumir no epitáfio perfeito, há-de escrever "aquele que fugia das coisas que desejava assim que as conseguia".
02 junho 2019
Onde é que estávamos?
Aos poucos, muito devagar, em suaves prestações diárias, Paris começa a desapetecer-me, primeiro foram os cheiros, que apelavam ao melhor de nós e agora vão direitinhos ao cérebro, sobem-nos as defesas de agressivos que são, depois foram os meus olhos, antes mostravam-me uma cidade limpa, onde talvez me apetecesse viver um dia, nada destas temporadas de umas poucas semanas, agora há sítios que me doem de olhar. depois foram os museus, houve um tempo em que se encontrava paz em Orsay, nada de sermos empurrados por magotes de parolos de telefones ao alto, finalmente a comida, antes requintada e servida com tempo, agora servida a despachar e toda igual, acompanhada de maus Bordéus.
Tenho medo que um destes dia me desapeteça Lisboa.
Tenho medo que um destes dia me desapeteça Lisboa.
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