21 julho 2013
19 julho 2013
À atenção dos parentes e amigos de Mário Soares
Tomem conta do vosso parente e amigo. Levem-no a passear, deixem-no dormir a sesta o tempo que lhe aprouver. Se houver câmaras de televisão e microfones por perto, distraiam-no, não deixem que o vosso parente e amigo abra a boca. Falem-lhe das tartarugas das Seychelles e da entrevista do "Olhe que não", se for necessário façam de conta que as coisas ainda são como naquele tempo, o Alexander do Goodbye Lenine fez a mesma coisa com a mãe e resultou.
Tomem conta do vosso parente e amigo, deixem que o senhor permaneça na nossa memória como um ancião simpático, amigo das artes e bom conversador, não o queremos recordar um ressabiado que não recuperou de um tareão numas eleições, um desatinado que não se lembra do que disse ontem, alguém que afinal não percebe nada do que se está a passar.
Tomem conta do vosso parente e amigo, deixem que o senhor permaneça na nossa memória como um ancião simpático, amigo das artes e bom conversador, não o queremos recordar um ressabiado que não recuperou de um tareão numas eleições, um desatinado que não se lembra do que disse ontem, alguém que afinal não percebe nada do que se está a passar.
18 julho 2013
As coisas são como são
Estes são os miúdos que escrevem palavras que não existem e respondem "lol" quando não têm nada que dizer, que exigem televisão nos quartos, que gastam tempo a comentar não-coisas nas redes sociais. São os miúdos que não precisam de trabalhar nas férias para ter o último modelo de telemóvel, são os miúdos que não têm a ida aos festivais de verão indexada a bons resultados escolares, são miúdos que não falam porque lhes bastam as mensagens escritas. Estes são os miúdos sem deveres, sem esforço, sem regras, a quem tudo lhes é perdoado, porque o contexto é adverso, porque os professores são péssimos, porque a escola não tem condições, porque a culpa nunca é deles.
Estes são os filhos dos pais que não leram, com um mundo que acaba nos programas de televisão medíocres, cuja viagem de sonho é um resort na praia em regime de tudo incluído, que preferem os centros comerciais às livrarias, que não querem saber porque também para eles o contexto é adverso, o chefe é um imbecil, isto está cada vez pior, o governo, os outros.
Por que razão havemos de nos espantar por estes miúdos terem levado um banho de realidade com notas miseráveis a Português e Matemática?
Estes são os filhos dos pais que não leram, com um mundo que acaba nos programas de televisão medíocres, cuja viagem de sonho é um resort na praia em regime de tudo incluído, que preferem os centros comerciais às livrarias, que não querem saber porque também para eles o contexto é adverso, o chefe é um imbecil, isto está cada vez pior, o governo, os outros.
Por que razão havemos de nos espantar por estes miúdos terem levado um banho de realidade com notas miseráveis a Português e Matemática?
15 julho 2013
Pipoco, esse misógino
Uma das três razões que justificam uso de armas é quando alguém, geralmente um tipo gelatinoso e com o fato demasiado apertado proclama que "por detrás de um grande homem há sempre uma grande mulher". Quando estas palavras fossem pronunciadas, seria legítimo, e até incentivado, que a mulher montasse o silenciador da sua UZI Micro, que uma luzinha encarnada aparecesse na testa do energúmeno e que, na janela temporal em que o tipo fizesse menção de se levantar da poltrona de veludo, o Cutty Sark com gelo caído no chão, ela disparasse, sorridente, one shot, game over.
(em coeficiente de filhadaputice encapotada de cavalheirismo, a coisa está ao nível daquela situação de servir em primeiro lugar a mulher, que agurdará, comida a esfriar, que o último homem, o da comida quente, seja servido)
(em coeficiente de filhadaputice encapotada de cavalheirismo, a coisa está ao nível daquela situação de servir em primeiro lugar a mulher, que agurdará, comida a esfriar, que o último homem, o da comida quente, seja servido)
14 julho 2013
Pipoco, a conhecer pessoas desde há muitos anos
Havia qualquer coisa no indivíduo que me escapava, não sabia exactamente o quê, o indivíduo chegou a horas, explicou sem rodeios o que pretendia, usou o Prezi na justa medida, o casaco era de bom corte, botões de punho a condizer com a gravata discreta, não colocou o telemóvel em cima da mesa, pediu café e não o adoçou, terminou a reunião dez minutos antes da hora, o tempo exacto para eu colocar as minhas perguntas. Ainda assim, eu sentia que algo não estava certo, que me escapava algo importante, que alguma coisa não fazia sentido.
Ao almoço, na hora de pedir as bebidas, o indivíduo pediu um "panaché". Descontraí finalmente.
Ao almoço, na hora de pedir as bebidas, o indivíduo pediu um "panaché". Descontraí finalmente.
12 julho 2013
Os Lamborghinis roxos, caramba!
Eles existem. Céus, eles existem mesmo!
http://www.tabonito.pt/ricaco-do-qatar-exibe-o-seu-lamborghini-aventador-roxo-metalico-com-riscas-laranja/
(eternamente agradecido a uma gentilíssima e certamente lindíssma leitora que me mostrou que os sonhos podem transformar-se em realidade)
http://www.tabonito.pt/ricaco-do-qatar-exibe-o-seu-lamborghini-aventador-roxo-metalico-com-riscas-laranja/
(eternamente agradecido a uma gentilíssima e certamente lindíssma leitora que me mostrou que os sonhos podem transformar-se em realidade)
11 julho 2013
Às vezes acho que tenho demasiado tempo livre
O Henrique Monteiro, do Expresso, fez uma recauchutagem de uma coisa engraçada e associou personagens de Eça aos dias de hoje. Desde o óbvio "O Conde de Abranhos é o Miguel Relvas" até ao forçadíssimo "O Conselheiro Acácio é o Luís Filipe Meneses", a coisa não está mal.
Dei por mim a associar personagens de Eça a isto dos blogues. Jacinto, Fradique Mendes, a Gouvarinho, o Padre Amaro e Dâmaso Salcede foram associações imediatas e óbvias. João da Ega e Amélia foram os que mais me divertiram associar à persona blogosférica, embora a associação seja mais subtil.
Dei por mim a associar personagens de Eça a isto dos blogues. Jacinto, Fradique Mendes, a Gouvarinho, o Padre Amaro e Dâmaso Salcede foram associações imediatas e óbvias. João da Ega e Amélia foram os que mais me divertiram associar à persona blogosférica, embora a associação seja mais subtil.
Em percebendo isto, acabamos por gostar delas. De todas elas.
As pessoas, todas as pessoas, se repararmos com atenção, têm escrito nos olhos, com tinta de cores fortes "Gosta de mim. Por favor, gosta de mim".
10 julho 2013
Que aprendeste ontem, Pipoco?
Que, com a banda sonora adequada, se demora uma hora e tal para chegar ao Porto, que os filetes de polvo do Aleixo continuam bons, o problema é o arroz que acompanha, que a A1 se mantém fiel à tradição e está em obras, que os emigrantes já chegaram, vê-se pela taxa ocupação da faixa do meio, que os dias demasiado longos são compensados pelas noites curtas.
08 julho 2013
Há alturas em que não sei porque gosto tanto disto aqui
Desde que me lembro sempre pertenci a vários sítios. O sítio para onde os bancos me mandam cartas já mudou muitas vezes, passo muito tempo, talvez demasiado do meu tempo, em sítios onde não pertenço mas no fim de contas é aqui que gosto de voltar.
Mas, mais que tudo, é pelas pessoas, não será pelas pessoas que mandaram fazer rotundas com estátuas lá dentro, Quarteira e Albufeira, auto-estradas onde ninguém passa, leis que ninguém percebe para que servem, mas as pessoas que ainda acreditam nisto, que se fazem à vida, que tentam uma e outra vez, que percebem a vantagem de fazer bem à primeira, que apanham lixo do chão e o colocam no caixote e não está ninguém a ver, essas pessoas mais o queijo de Nisa, a manteiga de Azeitão, o vinho alentejano, o pôr-do-sol na Comporta, as manhãs na serra de Sintra, o pão de Mafra, o peixe grelhado, o café curto, Saramago e Eça, os dias luminosos, o cheiro do mar, as esplanadas com cerveja fresca, Évora e Marvão e Óbidos no inverno, a música em São Carlos, Serralves que me fazem continuar a acreditar que sim, que não há outra solução senão isto compor-se de uma vez por todas.
07 julho 2013
Ruben Patrick explica a semana política que passou
Na minha leitura, Tio Pipoco, o que aconteceu esta semana foi como se um jogador marcasse um penalty decisivo, mas, ao partir para a bola, escorregou e o penalty foi tão mal marcadinho que a bola saiu tão alta que estava quase a sair do estádio, deixando em êxtase os adeptos de um dos clubes e em profundo desânimo os do outro, que começaram a abandonar o estádio. Porém, uma ave de grande porte que passava por ali chocou com a bola, inverteu-lhe o sentido e, numa espécie de carambola, um vento suão que soprava forte precisamente naquele momento empurrou a bola, entretando regressada aos limites da pequena área, para dentro da baliza deserta, nem o guarda-redes lá estava, empenhado que estava a ser felicitado pelos companheiros de equipa, apesar de não ter tido grande mérito no processo. Foi golo, portanto.
Pipoco comenta a semana política que passou
E, se no meio de tudo isto, afinal Portas e Passos são brilhantes? Se afinal Portas subiu de divisão no governo porque geriu até ao limite o efeito cénico da sua demissão, se afinal Passos, com aquilo de não aceitar a demissão de Portas e de dizer que o País é que importa, e tal, teve um rasgo que acaba por ser entendido pela rapaziada como de grande estadista, o homem certo no momento certo? Se afinal ambos nos fizeram um desenho para que percebamos melhor que, sem eles, os juros sobem, a Troika fica aborrecida, a bolsa perde e, muito pior que tudo o resto, o Tó-Zé, esse poço de saberes das vidas dos bravos socialistas de Valdevez de Baixo e Carrazeda de Malaguste, ficava a mandar nisto tudo?
Já agora, mais do que no verdadeiro significado da palavra "irrevogável", vale a pena pensar nisto...
Já agora, mais do que no verdadeiro significado da palavra "irrevogável", vale a pena pensar nisto...
05 julho 2013
04 julho 2013
Queres então ter um blog?
Queres então ter um blog irónico? Que ideia tão bonita, bem precisados estamos, desde o "Meu Pipi" que não temos um blog irónico em condições. Tem atenção, o campeonato dos blogs irónicos não é para todos, isto as coisas são como são, se deres por ti a ter que apregoar, post sim, post não, que o que ali tens é um blog irónico, se calhar tens apenas um blog tonto e tendencialmente confrangedor, se as pessoas não perceberem à primeira que a coisa é irónica é uma maçada para todos em geral e para ti em particular.
Queres então ter um blog colectivo? Boa ideia, bem precisados estamos, desde o "Sociedade Anónima" que não temos um blog colectivo em condições. Tem atenção, nos blogs colectivos as pessoas tendem a aborrecer-se umas com as outras, ora porque um artista brilha mais que os outros, ora porque há sempre alguém que coloca um post sobre bola cinco minutos depois do teu tratado sobre filosofia das relações que tanto trabalho te deu a escrever e, toda a gente sabe isto, os posts de bola rendem noventa e sete vezes mais comentários que os posts sobre filosofia das relações, principalmente, se os da bola estiverem por cima. Blogs colectivos de mulheres? Humm, eu não me metia nisso, mas a vida é tua...
Queres então ter um blog de fotografias de gatinhos bebés e crianças a beijar-se com um malmequer na mão e pensamentos sobre a importância da amizade e da paz no mundo? Isto é uma democracia, mas não sei se é do teu conhecimento que a pessoa abre o teu blog de gatinhos fofinhos, as pálpebras começam a piscar, a pessoa começa a enervar-se, o batimento cardíaco a aumentar, a boca a abrir-se de forma a oxigenar mais o cérebro e, de acordo com um estudo americano, nos dois segundos que a pessoa dá atenção ao teu blog de gatinhos fofinhos, a pessoa transfigura-se e torna-se uma má pessoa, capaz de fazer o pior aos cabrões dos gatinhos fofinhos. Ainda queres ter um blog de fotografias de gatinhos bebés e crianças a beijar-se com um malmequer na mão e pensamentos sobre a importância da amizade e da paz no mundo? Bem me parecia...
Queres então ter um blog snob-chic? Muito boa ideia, genial mesmo. Não dá trabalho nenhum, as pessoas vão passando, sempre na esperança de algum sinal, descobrem que estás sempre a escrever o mesmo post, mas vão tendo paciência, se os outros gostam porque não haviam elas de gostar também?
(há mais categorias? queiram informar-me e continuamos esta agradável partilha de saberes)
Queres então ter um blog colectivo? Boa ideia, bem precisados estamos, desde o "Sociedade Anónima" que não temos um blog colectivo em condições. Tem atenção, nos blogs colectivos as pessoas tendem a aborrecer-se umas com as outras, ora porque um artista brilha mais que os outros, ora porque há sempre alguém que coloca um post sobre bola cinco minutos depois do teu tratado sobre filosofia das relações que tanto trabalho te deu a escrever e, toda a gente sabe isto, os posts de bola rendem noventa e sete vezes mais comentários que os posts sobre filosofia das relações, principalmente, se os da bola estiverem por cima. Blogs colectivos de mulheres? Humm, eu não me metia nisso, mas a vida é tua...
Queres então ter um blog de fotografias de gatinhos bebés e crianças a beijar-se com um malmequer na mão e pensamentos sobre a importância da amizade e da paz no mundo? Isto é uma democracia, mas não sei se é do teu conhecimento que a pessoa abre o teu blog de gatinhos fofinhos, as pálpebras começam a piscar, a pessoa começa a enervar-se, o batimento cardíaco a aumentar, a boca a abrir-se de forma a oxigenar mais o cérebro e, de acordo com um estudo americano, nos dois segundos que a pessoa dá atenção ao teu blog de gatinhos fofinhos, a pessoa transfigura-se e torna-se uma má pessoa, capaz de fazer o pior aos cabrões dos gatinhos fofinhos. Ainda queres ter um blog de fotografias de gatinhos bebés e crianças a beijar-se com um malmequer na mão e pensamentos sobre a importância da amizade e da paz no mundo? Bem me parecia...
Queres então ter um blog snob-chic? Muito boa ideia, genial mesmo. Não dá trabalho nenhum, as pessoas vão passando, sempre na esperança de algum sinal, descobrem que estás sempre a escrever o mesmo post, mas vão tendo paciência, se os outros gostam porque não haviam elas de gostar também?
(há mais categorias? queiram informar-me e continuamos esta agradável partilha de saberes)
03 julho 2013
Maias
Ao princípio estranha-se, eu nem sabia que se podiam alterar coisas perfeitas, é como se permitissem que o David Ghetta escrevesse um terceiro acto para Don Giovanni ou se a senhora velhinha do Ecce Uomo fosse convidada a transformar o 3 de Mayo num tríptico.
Desde a descrição da casa que os Maias vieram habitar em Lisboa no Outono de 1875 até à corrida final de Carlos da Maia e João da Ega, "Os Maias" é o livro perfeito e, não sei se já tinha dito, eu pensava que na perfeição não se toca.
Depois a ideia entranha-se. Primeiro por razões menores, o puro gozo de imaginar três dos seis autores a patinar e a não agarrarem a coisa. Depois imaginamo-nos na nossa poltrona favorita, um cálice de um Porto Quinta do Noval na mão, a ler aquilo e a pensar que não está mal engendrada a continuação que os outros três autores, os capazes, imaginaram.
E afinal de contas, é capaz de ser uma coisa divertida, isso de termos quem nos conte Carlos da Maia no momento seguinte àquele em que teve que correr por alguma coisa.
Desde a descrição da casa que os Maias vieram habitar em Lisboa no Outono de 1875 até à corrida final de Carlos da Maia e João da Ega, "Os Maias" é o livro perfeito e, não sei se já tinha dito, eu pensava que na perfeição não se toca.
Depois a ideia entranha-se. Primeiro por razões menores, o puro gozo de imaginar três dos seis autores a patinar e a não agarrarem a coisa. Depois imaginamo-nos na nossa poltrona favorita, um cálice de um Porto Quinta do Noval na mão, a ler aquilo e a pensar que não está mal engendrada a continuação que os outros três autores, os capazes, imaginaram.
E afinal de contas, é capaz de ser uma coisa divertida, isso de termos quem nos conte Carlos da Maia no momento seguinte àquele em que teve que correr por alguma coisa.
01 julho 2013
Como Gaspar perturbou a linha editorial de Pipoco
Tinha aqui um post tão bonito sobre o que acho da iniciativa do Expresso de colocar o Gonçalo M. Tavares e o Zé Luís a pensar na continuação de "Os Maias", e vem-me o Gaspar a roubar-me o soundbite com esta bizarria de se ter demitido...
Em verdade te digo, Ruben Patrick
Se nunca sentiste a potência do momento imediatamente a seguir ao último abraço, não falo de abraços que ambos sabem ser o último, falo do momento a seguir a um abraço que só tu conheces a circunstância de ser o último, então não sabes nada do que é isso da tristeza na sua forma mais tremenda.
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