20 Outubro 2014

No princípio, disse ela

Hoje ela confessou-me que no princípio me achou arrogante.

Os problemas das mulheres

Não interiorizar que existiu um tempo em que as cabeças se voltavam quando elas passavam.

E que já não é esse tempo.

17 Outubro 2014

Mulher de verdade? (by Ruben Patrick)

Que tenha boas mamas. Grandes. Que saiba respeitar o estado de negação que nos tolda o raciocínio quando o Sporting perde. Que saiba como servir cerveja. Que considere relevante não deixar faltar pistácios e caju. E tremoços. Que não acorde quando chegamos a casa. Que saiba que peixe escalado não é uma opção. Que cozinhe sem Bimby. Que saiba que o café se bebe sem açucar. Que use poucas palavras para explicar as coisas.

Mulher de verdade?

Que ganhe mais do que eu, que me derrote no xadrez, que me ensine vinhos novos, que saiba ir às compras sozinha, que saiba estar calada quando é caso disso, que tenha uma moral sexual igual à minha, que tenha amigos que sejam meus amigos, que tenha um carro melhor que o meu, que tenha amigas que não me achem piada nenhuma, que diga coisas que eu só perceba dois dias depois, que tome conta de mim sem eu lhe pedir, que não faça de conta que concorda comigo, que goste de cães, que jogue poker pior do que eu.

(Ruben Patrick, e para ti?)

16 Outubro 2014

Entretanto Sara Sampaio, the body, também se queixa de situações

E o blogue de Jessica Ataíde (só seria Athayde se o primeiro nome fosse Benedita ou Francisca, Jessica Athayde é tão natural como Fábio de Sottomayor) que era daqueles pobrezinhos, do género desses com poemas e pensamentos positivos, onde ninguém ia, agora parece daqueles com contadores de visita aditivados...

15 Outubro 2014

Há seis minutos o nome de Jessica Athayde não me produzia nenhuma memória,nem sequer das que se instalam no hipotálamo, ou lá onde se alojam as memórias que não sabemos que temos

A Jessica desfilou lá no não sei quê da moda. Convidada, parece.  Diz que de biquini. Parece que os retratos lá daquilo da Jessica em biquini não estavam assim nada de especial. Parece que as mulheres, sempre elas, deram forte e feio na Jessica, que ali havia situações que, enfim, e tal. Parece que a Jessica aproveitou a situação e transformou uma aparente fraqueza em força e agora cá temos a Jessica como porta-voz das mulheres que sofrem todos os dias a maçada da opinião alheia, que não está certo, não há direito que mulheres mais, digamos assim, inapropriadas para capa de revista, sejam julgadas como se nada mais houvesse qua não um corpo. A Jessica das revistas, da televisão, do estereotipo da mulher que parece que os homens apreciam e as mulheres querem ser iguaizinhas a ela, é agora o estandarte das oprimidas, das que sofrem das que libertam o grito de que basta, das que a Dove convidaria para um anúncio, das mulheres reais. Eu? Eu continuo a achar piada às coisas, nada a fazer.


13 Outubro 2014

Eu, que...

... sei por que o Ricardo Quaresma nunca terá um blog no Sapo, que sei que a velocidade da luz não é de trezentos mil quilómetros por segundo, que sei que o melhor leitão não se come na Mealhada, que sei que o maior exportador de café do mundo não produz um grão de café, que sei que as girafas não emitem sons, não faço a menor ideia do conceito da Casa dos Segredos.

Cats no Campo Pequeno?

E eu no meio da claque do Benfica e francesinhas em Alfama e Lamborghini com motor a gasóleo e fado no Maracanã e cerveja com gelo e sardinha assada com batatas fritas e Cristiano Ronaldo a guarda-redes e Jesus Cristo Superstar em Kobani e futebol de praia na Suiça e os U2 no Teatro Virgínia.

11 Outubro 2014

A evolução que se esperava

Houve um jogador da selecção que não disse" agora temos que levantar a cabeça" .

10 Outubro 2014

Post em tempo real

Eram uns miúdos que ali estavam a falar-me de benchmarking, do forecast e de quando se atingiria o breakeven.

Antes de lhes fazer as perguntas certas, reparei que nem sequer tinham os sapatos engraxados e um deles tinha uma nódoa pequena na gravata. E tive menos pena.

Da paz

E se ontem todas sabiam das letras do tal francês, hoje todas são Malala.
Eu também.

09 Outubro 2014

Joyce nunca ganhou o Nobel (e é bem feito...)

Claro que já todas leram Modiano, todas terão já pré-reservado Pour que tu ne te perdes pas dans le quartier, todas terão percebido logo em La Place de l'étoile que ali estava um potencial Nobel, todas falarão com desenvoltura do novo Proust, todas suspirarão com o velho hábito de Modiano não dar entrevistas, todas invocarão essa Paris ocupada que dá o ambiente a Modiano, todas elas terão lido tanto Modiano como eu li Jelinek ou Transtromer.

O Nobel da Literatura?

Os que não se querem comprometer dirão que talvez seja Roth ou Murakami, os mais excêntricos acreditarão em Thiong'o, os que não percebem nada disto do Nobel dirão que Lobo Antunes é uma possibilidade.

E no final ganha o Kadare.

08 Outubro 2014

Fosse Pipoco um desses bloggers que acham que lhes sentimos a falta

Ah, e tal, tenho andado muito ocupado, não tenho podido escrever nada, ah, se soubessem o quão agitada é a minha vida, prometo que voltarei assim que tiver tempo, tenho tido muitas saudades de por aqui passar, mas, que querem?, há tanta coisa a acontecer, assim que puder contarei, é mesmo uma coisa em bom, mas agora não vos posso contar, era só para dizer que é por isso que não tenho podido cá passar, bem sei que têm sentido a minha falta (têm, não têm?), mas que querem?, a minha vida tem andado tão agitada, tão sem tempo para cá vir saber das vossas coisas, ...

06 Outubro 2014

Dos bons blogues

"Queres antes aprender a voar?" é provavelmente o segundo melhor nome de blog que conheço.

Substituiu o Maradona, que desistiu de escrever. Não era qualquer um que substituía o Maradona.

Post em tempo real

A miúda do Kia cinzento (podia ser um Hyundai, eu destes carros percebo pouco), cabelo encaracolado e óculos grandes, desses rectangulares, estava mesmo à minha frente na segunda circular, braço direito a rodopiar com a mão em cima da cabeça, eu a guardar a distância de segurança que se impõe nestas situações, a miúda cada vez mais possuída, cabeça a abanar, os caracóis a ondular, a mão no volante a levar perigosamente o carro ora para a esquerda ora para a direita, que o diga o tipo da mota das encomendas expresso que a ultrapassava naquele momento, eu acabei mesmo por decidir afastar-me e passar para a esquerda da miúda, a miúda de janela aberta, os movimentos de dança que não paravam, quando estava ao lado da miúda percebi que la também cantava, afinal era qualquer coisa dos Muse, quase lhe perdoei a condução.

05 Outubro 2014

Quase a maçar-me tanto quanto as dos blogues das criancinhas com lacinhos na cabecinha...

...sempre limpinhas e amiguinhas das irmãzinhas, surge,  numa escalada vertiginosa, a categoria dos blogs do querer bem para estar bem, desses que nos dizem que, se as papas de rúcula são boas para a nossa digestão, logo os nossos pulmões funcionam melhor, logo as "nossas pessoas" ficam mais bonitas e, naturalmente, a paz no mundo surge enfim, corolário das papas de rúcula comidas com regularidade.

Eu, que sei bastante de felicidade, apesar de já ter visto o Sporting perder uma final europeia em casa, sei que os momentos de felicidade aparecem sempre a seguir ao caos e nunca a seguir às cozinhas arrumadas, aparecem sempre a seguir à vida virada do avesso e nunca depois da tranquilidade de um pequeno almoço tomado tranquilamente com "as nossas pessoas", aparece sempre a seguir aos momentos em que nos entretivemos a esforçar-nos mesmo a sério em vez de olharmos à volta e pensarmos que está tudo num equilíbrio cósmico.

A verdade é que não basta uma cozinha branca, alfazema ao sair da porta, um cão cor de mel e um pequeno almoço com frutas acabadas de colher. A felicidade é outra coisa.

04 Outubro 2014

Cohen e Saramago

O meu mais profundo desejo era passar por cima daquela da situação do Saramago, olvidar de vez que me venderam "um livro inédito" e afinal eram só umas poucas páginas, foi como se me tivessem vendido o último Bentley e afinal era só o volante, um bonito volante revestido a couro de bisonte abatido com chumbo de prata por um caçador diplomado, mas apenas um volante, foi como se me tivessem vendido Barca Velha do meu ano, afinal sempre havia, mas, vendo melhor, era só a rolha, uma bonita rolha de cortiça de sobreiro alentejano, pirogravada com o meu ano de nascimento, mas apenas uma rolha. Mas não, li hoje no saco do Expresso que a Fundação José Saramago e a Porto Editora continuam a falar de um "livro inédito", a dizer que "O prémio Nobel continua vivo" e que a coisa é "uma última viagem na sua permanente vocação para agitar consciências", incomodou-me tanto que virei o saco para o lado em que a TAP me diz que tem um cartão de crédito para mim, estará o  mundo do avesso?, talvez tenha um fundo de racionalidade, chama-se ter um plano B para quando os aviões estão no chão, podia ser isto ou a Montblanc ter uma linha de perfumes, o quê?, a Montblanc tem perfumes?, céus...

(por outro lado, o último Cohen está muito bem. "Slow" é uma delícia, "Almost like the Blues" também. É verdade que há ali um abuso de backvocals, mas é Cohen inteirinho, oitenta anos de Cohen justificam umas ajudas que o levem ao colo e eu, aos de quem gosto, suporto tudo)