15 janeiro 2017

Por pouco isto não foi uma guerra de bloggers (moral da história)

Gentis leitoras, vamos agora dissecar o que aprendemos com esta desagradável história em que quase me aborreci com o jovem Ruben Patrick que, com o ímpeto da sua juventude e com a carga que é ser um menino resgatado a uma vida de dificuldades, se arvorou em conhecedor de situações e ousou inquietar-me.

Ora aconteceu que todas vós, gentis leitoras, pressentindo o dano, logo decidísteis aconselhá-lo por bem, fazendo-o vislumbrar o caminho da verdade e da paz. Estou grato a todas vós pela sensatez com que agísteis, chamando um jovem à razão, mostrando-lhe que uma amizade de tantos anos não pode ser vilpendiada de uma forma tão atroz, afinal isto não são só blogs, foi a vossa perícia nas artes da inteligência emocional que resgatou um quase-foragido da razão, um putativo perdido para as delícias de uma blogosfera sadia.

O meu bem-haja a todas vós, por terdes interrompido uma tarde de domingo certamente passada junto de uma lareira crepitante na companhia de quem vos ama, para meterdes um pouco de tranquilidade na cabeça deste bom rapaz. Evitásteis assim uma zanga desagradável e bem podeis ficar de bem com as vossas consciências por terdes tido a coragem de intervir e evitar um desaguisado de consequências quiçá irreparáveis.

Retomarei a agradável sequência de bons, suculentos e educativos posts, promovendo uma concórdia saudável e ciente de que este exemplo de como a blogosfera se pode unir para salvar uma amizade perdurará pelos tempos e será usada como estandarte sempre que a discórdia volte a espreitar.

Oh não, será isto mais uma guerra de bloggers?... (Capítulo III)

Ai ele é isso, Tio Pipoco? Então vou tomar medidas drásticas: vou tirar o link para o seu blog da minha lista!

(incha...)

Oh não, será isto mais uma guerra de bloggers?... (Capítulo II)

Ruben Patrick, eu ensinei-te o clássico “comece a usar os talheres de fora para dentro”, eu ensinei-te que, depois de usados, os talheres não devem voltar para a mesa, devem ficar apoiados dentro do prato, eu ensinei-te que de forma alguma deves gesticular com os talheres nas mãos, eu ensinei-te que deves sinalizar que terminaste a refeição colocando o garfo e a faca alinhados no prato, sendo o garfo ao lado esquerdo ou abaixo da faca, nas posições do ponteiro do relógio quando atinge nas 4 horas, eu ensinei-te que as facas de carne são utilizadas apenas para carnes vermelhas e aves e que para os peixes existe faca própria, eu ensinei-te que as omeletes e legumes devem ser cortados com o garfo, eu ensinei-te que o esparguete não deve ser cortado, enrolas no garfo e levas à boca, eu ensinei-te que quando comes sopa deves levar a colher à boca pela lateral, e tu agora fazes-me uma destas, seu desaforado?

Oh não, será isto mais uma guerra de bloggers?... (Capítulo I)

Tenho saudadinhas dos tempos em que o Tio Pipoco aqui escrevia coisas tão, mas tão, engraçadas, de rebolar a rir de tão engraçadas que eram. Não percebo este novo registo do Tio. Todos os dias as minhas preces vão para o regresso do Tio e para que as coisas voltem a ser como eram...

Insónia


10 janeiro 2017

Uma coisa nova por dia

Rir das coisas do Ricardo Araújo Pereira só por respeito.

09 janeiro 2017

Há uma forma de ler Ulisses (*)

É imaginar Joyce sentado ao meu lado, a distância segura, eu a poder dizer-lhe sempre que me apetecer que o parágrafo está uma bela merda, Joyce a abespinhar-se, explicando-me o que lhe ia na cabeça quando escreveu o que escreveu, dizendo-me que é legítima a minha dúvida, que a coisa carece de contexto, eu a perceber, a passar ao parágrafo seguinte, Joyce tamborilando com os dedos na mesa, tenso, aguardando enervado o meu próximo julgamento, eu olhando Joyce e fazendo menção de pedir novas explicações, decidindo prosseguir no ultimo segundo sem questionar Joyce, Joyce apaziguando-se, eu avançando, Joyce não podendo fazer coisa nenhuma antes de eu terminar, Joyce tentando apressar as coisas, ansiando por uma dose dupla de whiskey. eu acenando que não, que tenho o meu tempo.

(*) o tal sinal

08 janeiro 2017

Uma espécie de blogger-Sísifo

Há nisto dos blogs uma blogger que se esforça de forma quase enternecedora na nobre tarefa de captar a minha atenção, a cada dia que passa a sinto mais abnegada, com novas forças, uma vontade tão deliciosamente férrea que quase me faz repensar a minha decisão de não a achar extraordinária e dar-lhe uma oportunidade. É nessa altura, no momento em que está quase a chegar lá, que a tal blogger escreve uma patetice qualquer e lá recomeça tudo de novo.

06 janeiro 2017

Os problemas das mulheres

Abandonarem homens que nem sequer conhecem.

04 janeiro 2017

Assim de repente...

...para além da mala da Pepa e do sarilho da Pipoca Mais Doce com a não sei quê Fane, que recordamos nós dos blogs que já se tenha passado há mais de quarenta e oito horas?

03 janeiro 2017

Pipoco pergunta

Pode um blog ter reputação?

02 janeiro 2017

Acabou de acontecer

Era uma vez um jantar de Natal já em Janeiro e uma mulher com aquele brilhozinho nos olhos que quer dizer "Jogas?" e eu fiz de conta que não era comigo e nem sequer quis saber qual era o jogo.

Escrever num blog é então a tua primeira decisão de novo ano? Pipoco ajuda-te a singrar

Inventa uma boa polémica com quem escreva um blog do mesmo campeonato que o teu,  uma coisa em crescendo, a começar em adagietto e a finalizar em molto vivace, não há nada que arrebite um blog em modo definhativo como dois pares de mãos nas ancas.

Se queres multiplicar por dois o número de comentários, responde a toda a gente, para efeitos contabilísticos responder com "lol" vale tanto como responder invocando a sequência Fibonacci.

Se quiseres multiplicar por três os número de comentários, inventa uma espécie de partenaire que te dê as deixas certas a que tu, com inteligência e graça, responderás "Ainda bem que pergunta, Anónima, ...", criando assim a narrativa que te for mais conveniente. Não te esqueças de fazer logout.

Nisto dos blogs, a tradução de "és amigo para a vida, seremos inseparáveis, até ao fim, fortes como o aço" é "em menos de dois dias vai-se espalhar a notícia de seres o infeliz proprietário de uma genitália ao nível do cidadão japonês".

Um dia estarás debaixo de fogo nisto dos blogs. Não te preocupes, isso de estares debaixo de fogo são só coisas da tua cabeça, as pessoas dos blogs estão-se positivamente nas tintas para ti e, se não estiverem, não demora mais de um dia a que a artilharia se vire para outro desgraçado qualquer, podes tirar as mãos dos ouvidos, sair da posição fetal e verificar com os teus próprios olhos que já não está lá ninguém dos maus.

Nisto dos blogs a ironia é coisa de valor e muito apreciada. Desde que não sejas tu o ironizado, está claro.

Se te parecer que estão a ser maus para ti, lembra-te que podes sempre carregar em "Sair", deixar os mauzões ali à conversa entre eles enquanto tu estás entregue à nobre tarefa de degustar um gin tónico.

Não te deixes iludir pela beleza da escrita nem pelo léxico, se as pessoas dos blogs fossem realmente interessantes e divertidas, estariam a fazer coisas interessantes e divertidas, não a escrever para ti.

As pessoas dos blogs não são bem apessoadas, fixa-te nesta máxima. Por mais que te falem de Cohibas e de corridas com cães ao lado, eles são na verdade sexagenários de camisola interior daquelas com alças e buraquinhos, palitando cáries enquanto bebem vinho directamente do pacote.

Diverte-te. Isto são só blogs e os blogs não têm poderes mágicos.

01 janeiro 2017

Primeiro post de dois mil e dezassete

Para já começou maravilhosamente isto do ano novo, cozinhar para vinte e tal pessoas com duas horas de sono e a boca a saber a Cohibas e a grappa de ainda agora pode ser uma experiência das boas, isto de dominar razoavelmente as artes da cozinha, muitos anos da coisa na óptica do utilizador, pode ser coisa que faz bem à lenda de um homem, é isso e o sentido de humor, mas havia de ser na situação em que um homem tem o palato apurado, isto de ser num dia em que o copo de vinho que está sempre ao alcance da mão do Chef ter que ser substituído por uma honesta garrafa de Água das Pedras não é bom augúrio, nestas condições um homem socorre-se do que resulta sempre, coisas que as pessoas podem comer no Avillez ou noutro sítio qualquer, os olhos, sempre os olhos a sobrevalorizar os sabores, correu bem, corre sempre, os pequenos truques de informar que serão umas bodas de Canã ao contrário, o melhor vinho será servido primeiro, os menos capazes a concordarem que sim, que o segundo vinho não se igualava ao primeiro e o terceiro era o menos capaz, um homem a sorrir para dentro, isto das pequenas tropelias é coisa que está no sangue, mas, dizia eu, tudo estava a correr nos conformes até ao momento em que um homem tem que tomar a primeira decisão do ano, coisa importante, coisa crítica, uma velha tradição, a de escolher o primeiro livro do ano, o novo DeLillo ou "A Mansão" de Faulkner?

30 dezembro 2016

Combinei comigo próprio sair do boneco uma vez e meia a cada trezentos e sessenta e cinco dias

Comecei o ano a pedir desculpas e não doeu nada. Não repeti a experiência. Fui ao teatro mais vezes do que aterrei em Madrid. Aterrei mais de trinta vezes em Madrid. Decidi ir ver a final do Euro. Correu bem. Validei a ideia de que as pessoas têm um blog porque precisam. Eu não tenho um blog, isto é outra coisa qualquer. Tomei consciência de os meus pais precisarem agora mais de mim. O meu pai já me deixa ser eu a escolher o vinho e a minha mãe lembra-me mais vezes que eu não lhe telefono todos os dias. Fiz uma das viagens da minha vida. Fui feliz na Normandia. Validei a ideia de ser prudente não assumir que isto dos blogs serve para fazer amigos. Isto são só blogs, os amigos são outra coisa. Não terminei Ulisses, de Joyce. Um dia destes tive um estímulo adicional para terminar, não sei se será suficientemente forte. Tive um cão novo, aliás uma cadela. Temos uma boa química. Tive o meu momento alto nisto dos blogs. Foi aquilo de ouvir pessoas extraordinárias a declamar poemas. Não fiz amigos novos. Mas conheci pessoas que isto nunca se sabe. Deixei de fazer voluntariado a meio do ano. Troquei pelo Ioga. Acho que o blog que mais vezes me fez ler duas vezes o mesmo post foi o da Isabel Duarte Soares. Tive genuína pena de pessoas que escrevem em blogs. Não esquiei. Fez-me falta, é por isso que estou tão cansado.

29 dezembro 2016

Aliados, o filme

É uma espécie de mistura de Mr. & Mrs. Smith com Inglourious Basterds e com um travozinho a O Paciente Inglês e a Casablanca.

(é notável como uma boa ideia de filme pode ser tão estragada)

28 dezembro 2016

Às vezes um homem avalia mal as situações

Capitã Cuca, sempre na vanguarda das ideias geniais para posts extraordinários, lembrou-se (onde desencantará Capitã Cuca estas preciosidades?), lembrou-se, dizia eu, de fazer um rol, bem catita por sinal, de coisas para fazer no ano que é já na semana que vem e eu, que não posso ver nada, inspirei-me e cá vai disto, as Pipoquenas resoluções são

Optar por níveis de energia mínima nas coisas cá da minha vida que me interessam pouco mas que têm mesmo que ser

Deixar de resolver problemas que não tenho a certeza que existam

Voltar a comprar rolos de fotografias

Recomeçar a ler Ulysses desde o princípio, para ver se assim faz mais sentido

Passar uma noite em pelo menos três hotéis da minha lista de hotéis em que tenho que passar pelo menos uma noite uma vez na vida

Ir tratar disto da microrutura

Jogar menos

Ler o livro do filho do Escobar e ver se bate certo com o Narcos

Ver a segunda parte do Ivan, o Terrível, de Eisenstein


E, claro, a única decisão que cumpro todos os anos: ser imortal.

26 dezembro 2016

Nós, os grandes bloggers de referência...

...podemos expressar a nossa exasperação com o movimento de pessoas que se deslocam às nossas lojas só para ver, podemos aborrecer-nos com tanto jantar de Natal que patrões mal-parecidos  convocam para os restaurantes onde escolhemos ir em boa companhia, podemos divertir-nos observando o cidadão a adquirir bugigangas de última hora em lojas de má fama, podemos agastar-nos com a boa-vontade com prazo de validade, podemos indignar-nos com criancinhas atoladas em brinquedos sem jeito nenhum, mas, na verdade, é só porque isto da indignação dá posts razoáveis, em verdade vos digo, nós, os grandes bloggers de referência, não desgostamos disto do natal.