20 julho 2016

Coisas que me arrependo de não ter feito

Devia ter sido mais gentil com a Rita "Palito", minha colega de turma do oitavo ano, que tinha óculos de lentes grossas e pedia para jogar futebol connosco e que agora é a Doutora Rita, CEO numa empresa dessas a sério, viaja para sítios melhores que os meus, tem um carro mais potente que o meu, sabe mais de vinhos do que eu e tem infinitamente melhor ar que eu.

Devia ter comprado o Dois Cavalos do Noronha de Vasconcellos quando ele pedia cinquenta contos por aquilo.

Devia ter dado ouvidos à minha mãe, quando ela me dizia para me sentar direito.

Devia ter apostado cem libras no Leicester, em Janeiro.

Devia ter comprado acções da Nintendo no mês passado.

Homem correndo com seu cão às sete da manhã


18 julho 2016

Pipoco pergunta

Quantas vezes se pode ser feliz num dia?

Os problemas das mulheres

Aborrecerem-se mesmo a sério com os bonecos dos blogs.

17 julho 2016

Homem do povo

Ouvi o disco dos Scritti Politti e li livros de Dan Brown. Comprei bilhetes para um concerto dos Time Bandits e gastei tempo a ler blogs sofríveis. Esquiei em Serra Nevada e comi sushi em centros comerciais. Almocei cozido em Canal Caveira e vi filmes onde entrava o Stallone.

Porque razão não havia de descarregar o Pokemon Go?

16 julho 2016

Da revolta e da impotência

Uns cantarão "A Marselhesa", outros escreverão "Je suis Nice". Uns acenderão velas em memória dos que já cá não estão, outros não deixarão de ver as imagens do preciso momento em que. Uns recordarão que um dia jantaram precisamente ali, no Passeio dos Ingleses, e podia ter sido naquele dia, outros dirão que ainda ontem estavam no Rossio a ver futebol num écran e podia ter sido naquele dia. Uns pedirão ao seu Deus que intervenha, outros dirão que a solução é mandá-los a todos para a terra deles.

Todos terão a sua razão, todos estarão unidos no essencial.

(no dia a seguir a Nice, como já tinha acontecido a seguir a Paris, apeteceu-me ir de metro para  o aeroporto em vez de ir de táxi, decidi ir ao teatro em vez de me recolher em casa, escolhi uma esplanada com gente em vez de um restaurante recatado)

14 julho 2016

Isto anda tudo ligado

Por causa da senhora velhinha que copia coisas fiquei com uma música do Jorge Palma na cabeça todo o dia...

E tu Pipoco, não te pronuncias sobre a senhora velhinha que pranta escritos alheios?

Por um lado, não faço ideia de que haverá por lá meu, imagino que bastantes coisas, são os danos colaterais de só escrever preciosidades,  mas não aderi a isso do Facebook, não tenho como confirmar.

Por outro lado, divirto-me muito mais com o clamor das que não são grande exemplo de ética nisto de andar pelos blogs.

Agora mais a frio

O Eder continua a ser uma bela merda de jogador.

Ah, esta sensação...

...daqueles cinco segundos que demoro a perceber em que lugar estou a acordar...

12 julho 2016

As coisas são como são

Gosto de Camembert e de ostras da costa da Normandia, de vinho de Bordéus e de Champagne, de Sartre e Verne, Beauvoir e Duras, já fui feliz em Chamonix no inverno e em Biarritz no verão, gosto da Volta à França e das 24 horas de le Mans, conheço todas as cantinas universitárias de Poitiers e os bons restaurantes de Paris já andei de bicicleta na Ile de Ré e já escalei nos Alpes, já dormi ao relento no Champ de Mars e numa cama do Ritz, já me deixei levar pela fantasia no Futuroscope e na Eurodisney, já vi Truffaut e Godard, já me apaixonei pela Isabelle Adjani e pela Juliette Binoche, vibrei com as vitórias de Prost e de Yannick Noah, com os golos de Platini e as defesas de Barthez, já fui Paris e Charlie, já me emocionei com Aznavour e com Monet.

Ninguém me ouvirá apoucar França e os Franceses.

11 julho 2016

Segue jogo

Ainda com ostras e champanhe a perturbar-me a memória de longo prazo, ou no hipotálamo, ou lá o que é que as ostras e os champanhe perturbam, cofiando a barba de três dias, no ritmo possível a quem dormiu cinco horas nas últimas setenta e duas, matuto nos ensinamentos que esta nova condição de campeões da Europa da bola contribuirá para que o nosso futuro comum seja mais alinhado com desígnios grandiosos, que nos unam como povo, que nos transformem no farol da nações, detenho-me na mensagem tremenda que há num "se falharmos, que se foda", nessa ousadia que será a nossa nova marca no mundo, vamos a isto, a coisa está mais ou menos orientada, é arriscar, se falharmos, olha, que se foda, acontece, reflicto ainda na profundidade que há na estratégia de jogar pouco e ainda assim ganhar, o ganhar ser aquilo que realmente importa, finalmente penso na história do patinho feio que se transformou num cisne maravilhoso, o jogador desajeitado que jogava a avançado e que tinha o problema desagradável de, não só não marcar golos, como falhá-los artisticamente nas suas múltiplas variantes e, ainda assim, marcar o golo que me fez abraçar desconhecidos que estavam na fila de trás, enquanto proclamava as jubilosas e sábias palavras "caralho, é desta!", e foi mesmo.

Depois, reflicto melhor e penso que o Correio da Manhã continuará a sair todos os dias, que as pessoas continuarão a ir de fato de treino e camisola de alças passear no centro comercial em dias de sol, que o Jorge Jesus continuará a dizer bizarrias, e acendo um Cohiba, coloco os óculos escuros, e penso que isto é como um livro de Eça, nada há a temer, as coisas continuarão a ser como são.

Ainda a Pipoqueana voz...


08 julho 2016

Em resumo

Se eu já imaginava que as pessoas que escrevem os blogs que eu gosto de ler são todas bonitas, fiquei a saber que não há vozes desagradáveis nisto dos blogs.

Obrigado a todos e a todas pela generosidade de nos mostrar a que soa a sua voz. É quase magia escutar aqueles que nos habituámos a ler.

(um agradecimento especial à Palmier Encoberto que respondeu "claro que sim" a um mail que lhe enviei, morto de tédio por ter de esperar uma hora enquanto  me mudavam os pneus do carro anteontem ao fim do dia, e deu o primeiro passo nesta ideia)

07 julho 2016

Movimento "Queremos ouvir os bloggers a declamar poesia" - Ponto de situação

Quando lemos os blogs que nos agradam, talvez nos demoremos um par de segundos a pensar que aquele que escreve podia muito bem ser uma boa companhia para um gin tónico de fim de tarde ou que nos podia aconselhar o próximo livro. É só um par de segundos, logo a seguir voltamos a pensar que está tudo muito bem assim, que os blogs são os blogs e as pessoas são as pessoas.

Mas depois há a magia da voz. Se vos apetecer, e já apeteceu à Palmier Encoberto, sempre pronta para tornar isto dos blogs um lugar divertido e ao não menos disponível para alinhar nestas pequenas bizarrias, Senhor Ministro (que passa a figurar partir de hoje nesse altar sagrado que é a minha lista de bons blogs), é deixarem-nos escutar as vossas vozes, a declamar a vossa poesia favorita.

Isto em vos apetecendo, é claro...

Adenda:

(Cuca, quase a comover-me. Obrigado)

(E a NM tem uma voz tão doce, não tem?)

(Don Xilre, que tem a voz perfeita e me fez colocar o som no máximo e mesmo assim tive que encostar o ouvido às colunas)

(Caminho Sem Saber, absolutamente delicioso ouvir  declamar mesmo a sério. Lindíssimo)

(Isa, na prosa mas com o espírito. Um vozeirão, como era de esperar)

(A Mirone nunca nos falha. Um castelhano cristalino, digno de Lorca)

(A Loira, com aquela pronúncia do Norte que valoriza qualquer mulher)

(A voz potente de C.N. Gil, num poema incrível sobre um dos meus sítios favoritos)

(E a voz da Linda Blue. Outra surpresa...)

(Mãe Preocupada. Uma beleza.)

(A voz maviosa e imaculada da Isa B., uma grande amiga desta casa, na interpretação segura de um poema brilhante que elabora sobre o periclitante tema da higiene íntima)

(Terminando o dia com chave de ouro, a Susana Rodrigues. Tão, mas tão bom...)

(E a Regina Machado, que não tem blog mas tem uma voz encantadora ,a dizer o nosso Herberto Helder)

(A Carla, a dizer um dos poemas que, por coisas cá da minha vida, é um dos meus favoritos. Isto está cada vez melhor...)

(A Maria Roque, uma maravilha. Se um dia me apetecer ter alguém que tome conta de mim, há-de ter uma voz assim)

(O enorme Impontual, que não podia declamar outro que não Bukowski)

(A Té, num poema muito bonito e numa voz ainda mais bonita)

(A No Name, com Carlos Drummond de Andrade, um poema belíssimo)

(A Maria Eu, com uma voz daqui até à lua e um grande poema de Herberto Helder)

Movimento "Queremos ouvir as vozes dos bloggers a declamar poesia"


A sempre imprevisível Palmier Encoberto declama "O Mostrengo", de Fernando Pessoa