19 Março 2012

As coisas são como são

A verdade, minhas senhoras, é que isso de as regras obrigarem a servir-vos em primeiro lugar a vitela estufada com redução de beringela e espuma de coentros não tem a ver com cavalheirismo, tem a ver com alguém ter que ser o sacrificado com a comida fria.

Ainda do Clooney

Tanta menina que gostaria de estar no lugar do polícia que algemou o rapaz.

Dia do pai

Nós deixamos que as mães acreditem que, sim senhores, aquilo de nove meses em exclusiva ligação, a umbilicalidade, e tal, que a coisa não pode mudar, a ligação forte é com a mãe, mas, em verdade vos digo, depois eles adormecem em cima dos nossos peitos peludos, depois nós passamos pelos quartos deles para um último beijo de boa noite e são duas da manhã e eles abraçam-nos a dormir, depois eles acordam e está escuro e nós ficamos ali a mimá-los até que eles adormeçam de novo, depois eles espantam-se porque nós também sabemos de ligações dos átomos e de corolas e de equações e sabemos dos Miguelistas, depois eles sabem que quando nos marcam um golo será porque realmente o marcaram e não porque o deixámos entrar de propósito e eles podem ficar contentes de verdade, depois vamos às compras com elas à Bershka e aguentamos aquela música mais tempo do que elas estavam à espera, depois ensinamo-los a esquiar e a ler e a gostar das nossas músicas e andar de bicicleta, depois vemos com eles o Rei Leão as vezes que eles decidirem, até ambos sabermos as falas de cor, depois vamos ver juntos os jogos da nossa equipa, e comemos uma bifana e sabemos quando é para falar e quando não. E é por isso que podemos ir fazendo de conta que sim, que o cordão umbilical é para a vida, mas, se quereis a verdade, isto de ser pai não o é menos.

(e se há coisa que as dos baby-blogs, as dos blogs das roupas da Zara, as dos blogs com estrelas, as do blogs que são diários de bordo e os dos blogs da esquerda e da direita estão de acordo é que cada um deles tem o melhor pai do mundo e, sendo certo que o melhor pai do mundo é o meu, têm todos e todas muita razão, mesmo muita razão)

18 Março 2012

What else?

Mais facilmente acredito que o Clooney negociou umas cápsulas de Volluto com Deus como contrapartida de Ele providenciar que não lhe caísse um piano em cima, do que acredito que aquilo de aparecer com as mãos atadas e ter que pagar cem dólares para sair da prisão não tenha sido um golpe para o filme novo.

(e agora é verter umas gotas de Bushmills sem gelo no copo, colocar Cecilia Bartoli no prato do gira-discos e esperar pelos comentários em que as palavras "activista", "Sudão" e "montanhas de Nuba" serão gritadas aos meus ouvidos insensíveis por quem não faz a mínima ideia do que se está a passar)

Créditos

Ficasse este blog lá onde estava e tudo estaria bem, seria um blog James Dean, que nos teria deixado demasiado cedo, tanto ainda para dar, coitadinho, os Deuses querem junto de si os mais capazes. Mas não, as coisas são como são, agora é só cuidar que a coisa não se transforme no Mickey Rourke, aquele do Wrestler, que não o do Nove Semanas e Meia, e não será fácil aguentar a coisa, isso é certo, valha-me deus que desta vez não há tempos definidos, alguma coisa havemos de aprender com a vida, desta vez a coisa nasce e morre quando me apetecer, e, em me apetecendo, as coisas acontecem mesmo.

16 Março 2012

Ruben Patrick

Anda um homem todo a dia dentro de um fato às riscas, fazendo as coisas difíceis que só os homens que vivem dentro de fatos às riscas estão capacitados para fazer, dizer que não, pedir café sem açucar, cumprimentar pessoas com um aceno de cabeça e traçar cenários alternativos para a possibilidade de o Patrício ter menos dois centímetros de mão direita, e vens tu, Ruben Patrick, perguntar-me no final de um dia como o de hoje se é mais acertado tocar ao de leve com a mão, disfarçadamente, enquanto simulas apanhar o guardanapo que te caiu do colo, na zona superior do joelho da mulher que estará defronte de ti ou se será melhor fazê-lo descalçando o sapato e tocando-a em movimentos suaves e rectilíneos com o pé descalço, continuando a falar do grau de frescura da lagosta e da temperatura do Bucellas?

Nota mental para a reunião das nove

Dizia-se de São Tomás de Aquino que, depois de uma grande discussão entre dois frades do seu convento, um dos frades foi ter com ele e desabafou, contando-lhe a sua posição. Depois de o ouvir, S. Tomás disse-lhe "Tem razão, irmão. Mas é que tem mesmo muita razão". De seguida o outro frade foi também procurar S. Tomás e explicou-lhe o seu ponto de vita, oposto ao do primeiro frade. S. Tomás ouviu-o e, no fim, concluiu "Tem razão, irmão. Mas é que tem mesmo muita razão".

Um terceiro frade, que tinha assistido a tudo, disse a S. Tomás: "Como pode ser isto, frei Tomás? O primeiro frade conta-lhe a sua posição e diz-lhe que ele tem razao, chega o segundo frade com uma versão completamente diferente e diz-lhe também qe ele tem muita razão. Ora isso não pode ser". S. Tomás ouviu o terceiro frade com a sua habitual paciência e respondeu-lhe: "Tem razão, irmão. Mas é que tem mesmo muita razão".

15 Março 2012

Oxigénio, tragam-me oxigénio...

Está bem, sim senhores, eliminámos o City, mas também já descolávamos do Marítimo, ou quê?

Falta uma hora e tudo vai bem

Neste momento, estou eu e o Menezes de Mello, o Fagundes Telles e o Villarubia Meirelles, fumando tranquilamente os nossos Cohiba Lanceros e vertendo Old Bushmills nos nossos copos, canapés de vieiras com redução de caramelo à nossa frente, enquanto discutimos as últimas do FT. O Ruben Patrick anda de um lado para o outro, com a lata de Sagres na mão, enquanto revê a equipa provável que o Record Online avançou.

Por mim, aposto que Xandão não marcará golos de calcanhar, que o João Pereira não será expulso, que o Polga terá uma perda de bola que só não dará golo porque o Patrício estava lá, que o Izmailov vai falhar um penalty, que o Balotelli marcará um golo e o Carriço também, que perdemos por 2-1 com o nosso golo a ser marcado nos descontos da segunda parte.

Pipoco, o livro (work in progress)

Era uma perda que este blog não tivesse um livro e eu, habituado que estou a espalhar o Bem, cá estou para providenciar que tudo se resolva.

A minha visão é que um livro de blog não passa disso mesmo, de um livro de blog. Mas percebo que os leitores desta minhas Escrituras não passem sem o cheiro do Navigator 2000, que é uma categoria de papel, uma coisa em bom.

Para além de ser um livro em versão "low cost", impresso na fotocopiadora lá do escritório, ainda promove a interacção entre o autor e o leitor, basta que fiqueis embevecidos a olhar para o papel que sai da fotocopiadora, o papel a sair impresso de um lado, a voltar para dentro da máquina e, finalmente, a regressar já impresso dos dois lados (mensagem ecológica subliminar).

Ah, e tal, mas Pipoco, este blog só tem quatro ou cinco posts, o livro assim sai fininho. Tranquilos, não desespereis, eu vou sacrificar a estética desta segunda temporada do blog, estava tudo tão bonito, um post de Março de 2010, outro de Março de 2011 e, toque supremo, um terceiro post de Março de 2012. Vou estragar esta suave dinâmica e publicarei os cinquenta posts que mais gosto me deram escrever na primeira temporada, num rigoroso exclusivo para o livro, que isto era material que nunca mais veria a luz do dia e, de uma penada só, ainda levamos um resumo das Escrituras ao conhecimento destes novos leitores que só agora chegaram. Se alguém desejar um post da primeira temporada que lhe diga ao coração, que lhe tenha mostrado a luz para mudar de vida, é dizer.

Ah, e tal, Pipoco, mas é um livro sem figuras. Tranquilos, não desespereis, para alguma coisa servirá a rubrica " Que estás a fazer neste momento, Pipoco?".

Ah, e tal, mas falta uma capa. Tranquilos, não desespereis, estou a tratar disso.

Ah, e tal, mas falta um prefácio. Tranquilos, não desespereis, aqui existirá interacção entre o autor e a imensa massa leitora, escolherei de entre os melhores prefácios que tenhais a amabilidade de me enviar para a caixa de comentários.

De maneiras que é isto.

14 Março 2012

Pipoco, o livro

Grandes novidades, amanhã.

(Estou tão nervoso...)

Post das oito

Se há coisa que me fascina na vida, e há muitas, é aproximar-me desta idade em que os homens compram Porsches e continuar a tomar conhecimento de situações.

(Ontem disseram-me que aquilo do camelo passar pelo buraco da agulha não deve ser entendido literalmente, que o "camelo" é como chamavam ao cabo que une o barco ao cais, faz muito mais sentido a parábola invocar a pouca probabilidade de uma corda grossa passar pelo buraco da agulha, embora me pareça mais divertido imaginar o camelo, mai-las suas duas bossas, a esforçar-se para demonstrar que aos ricos não está vedada entrada no reino dos céus)

13 Março 2012

Apontado ao livro

Sinto-me como o primo da França, que veio cá passar Agosto, já cá não vinha desde o ano que passou e é como se ainda no último fim de semana tivéssemos visto o jogo do Benfica no Café Central e nos tivéssemos abraçado todos, custou muito, o Paços de Ferreira é um gigante mas nós fomos ainda mais, venham de lá esses ossos, co'a breca.

Amanhã, mais refeitos deste apertar de ossos, eu a estacionar o Opel Calibra Biturbo com a senhora de Fátima colada no tablier e o logotipo da Federação estampado no capot, trezentos cavalos debaixo daquele capot, caramba, mas, dizia eu, nós mais descansadinhos, banho tomado e noite bem dormida, havemos de nos sentar aqui e eu estou capaz de vos perguntar se somos gente de fibra para um destes dias este blog dar em livro, o meu nome na capa, Pipoco Mais Salgado e por baixo, para as pessoas perceberem quem é a figura, estar explicadinho "autor do blog snob-chic mais lido de Portugal".

Pois por cá, já que perguntam...

...deixei-me dos títulos de post a começar por "Da (preencher com uma trapalhada qualquer)", fiz cume de montanhas, estendi-me ao sol na relva, tenho um relógio novo, voltei a gostar de gin tónico, continuei a ir a Alvalade e a sair de lá a perguntar-me porque tinha ido, não perco um mau filme e continuo a achar que as coisas são como são.

(quase me esquecia, o Ruben Patrick comprou um Hyunday Coupé de importação, amarelo)

Post das oito

Então e novidades disto dos blogs?

Psst, Ruben Patrick...

Um ano passou num instante, não foi?

12 Março 2011

Pipoco Mais Salgado famous last words

Era uma noite de Março e os amigos de uma vida jantavam no Museu do Arroz e, depois da terceira garrafa de vinho, falávamos de blogs e eu expliquei-lhes que até o Rato Mickey conseguia ter dez mil visitas por dia em menos de um ano, desde que falasse dos temas certos, adoptasse o tom certo e mantivesse a postura certa. E surgiu a aposta, uma espécie de desafio. E eu gosto de desafios, e escolhi o nome certo para o blog e arranjei umas rubricas certas para o blog e investiguei o que era isso dos cup-cakes e das leggins e quase não acredito que consegui escrever sobre isso. Percebi cedo que os temas se esgotavam em menos de um mês e que me faltava tempo para interagir, para responder aos comentários que gentilmente me deixavam e que é essa interacção e o facto de as pessoas sentirem que têm retorno que gera visitas, também percebi que só comentando outros blogs e tornando-me seguidor de outros tantos, chegaria a essa meta e também percebi que ajudaria se comprasse uma boa troca de insultos com alguém. Infelizmente não tenho tempo livre para responder a todos os generosos comentários, nem conseguir arranjar tempo para plantar comentários nos blogs certos e não me motiva especialmente perder tempo com guerras blogosféricas.

A partir do segundo mês o Pipoco já era, a espaços, o "meu blog" e tive que me esforçar para que se mantivesse o registo que quis que tivesse. E no segundo mês já os amigos de uma vida me diziam que estava bem assim, que já chegava, que já tinham entendido o que eu lhes tinha querido dizer.

E mimaram-me com livros em formato pdf na caixa de correio electrónico e deixaram-me queijo de azeitão na bilheteira de uma casa de espectáculos e deixaram-me cêdês com o cheiro da casa das pessoas que os ofereciam e deixaram-me livros na recepção de um banco e deixaram-me mensagens a dizer que gostavam do que liam e também me deixaram mensagens a dizer que não gostavam e porquê, e desejaram-me um bom ano, só porque sim. Não deixei uma única mensagem de correio electrónico por responder, mesmo as que surgiam nas segundas-feiras-a-seguir-ao-Sporting-perder. E valeu a pena.

Muito obrigado aos que por aqui passaram, foi um privilégio saber que alguns se divertiam com isto do Pipoco.

03 Março 2011

Ruben Patrick

Podes entrar, Ruben Patrick, senta-te na poltrona que está junto à lareira enquanto preparo uma bebida para nós, um Royal Salute 38 anos sem gelo para mim, um Cutty Sark novo com duas pedras de gelo para ti, distende-te Ruben Patrick, talvez Brahms te descontraia, não, Mika não tenho, que ideia a tua, Ruben Patrick, escuta, temos que falar, o Tio Pipoco vai ter que deixar de te aconselhar, a vida é mesmo assim, algum dia havíamos de nos separar, atenta nisto, Ruben Patrick, tivesse eu que te dar uma última orientação espiritual e dir-te-ia para rodares um Cohiba Lanceros por entre os dedos, escolhe uma esplanada com sol e pede um café duplo sem açucar e sorri, Ruben Patrick, porque, em verdade te digo, por mais que procures, nada encontrarás de mais estimulante que uma mulher inteligente.

25 Fevereiro 2011

Pipoco adopta pela primeira vez o tratamento por tu, mas é o Tolan, praticamente um amigo

Foda-se, Tolan, as coisas não são exactamente assim, repara, é bem verdade que o Sporting é a única equipa que não consegue ganhar em Alvalade, que é sim senhores, que dói ver o Grimi a encostar-se atrás das moitas e a ter ataques de pavor de cada vez que há um ressalto de bola e ele tem que lhe tocar, nota, Tolan, que não falo de passe de colegas de equipa, os colegas passam-lhe tanto a bola como eu passava ao Pancrácio, o badocha do décimo segundo éfe do D. Pedro Quinto nos idos de, deixa cá ver, finais dos anos oitenta, também é verdade que entras em Alvalade e aquilo, só por si, já é um mau karma danado, lembra-me uma secretária que tive, bastava eu entrar e dar os bons dias que ela entrava logo numa taquicardia que derruba o café, enganava-se nos telefonemas e até me tratava por doutor, vê lá tu o desplante, isto para além de ser a única equipa que conheço que desiste à primeira facilidade, é marcar um golinho e ficamos ali a saborear o momento, sem cuidar que a coisa ainda não acabou, isto para além daquilo do treinador, caramba, para termos um tipo que masca pastilha, já agora que saiba motivar a rapaziada e que, não sabendo o que dizer, esteja calado, e agora lembrei-me de outra secretária que tive, adiante, essa falava muito mas compensava e sempre tinha sobrancelhas.

Agora o que não é verdade, Tolan, é isso de na reuniões de conselho de administração nos darem palmadinhas nas costas, e tal, vê-se à légua que a tua experiência nisso de conselhos de administração é escassa e um gajo com o teu potencial, caramba, até se me dá os nervos, mas eu, não me perguntes como sei isto, em verdade te digo que a coisa não se dá assim, chegamos, a secretária segreda-nos o que está nos papéis, dizemos que todos se podem sentar e, na cabeceira da mesa de madeiras caras, exibimos os botões de punho com o nosso monograma e ninguém se atreve a indagar o nosso semblante taciturno e grave, aliás, até nos dá aquele je ne sais quoi que contribui para a lenda da nossa eficácia.

E aquilo das esposas perguntarem não sei quê e nós, e tal, a chorar resignados, também não se dá exactamente assim, para início de conversa nós não temos esposas, temos as nossas mulheres, que sabem exactamente o que se passa e não precisam de perguntar, é por isso que são nossas mulheres, passaram por um aturado crivo de selecção, afinado ao longo de gerações, não precisam de perguntar as coisas, intuem, e nós, Tolan, homens que somos, habituados à dureza da vida, isto de ser sportinguista é assim mesmo, que o digam os meus filhos, nós, dizia eu, não choramos, isso de chorar por causa da bola é um conceito com um tal coeficiente de abichanamento que nem disso temos nos nossos clubes-satélite.

21 Fevereiro 2011

Generation gap

Ela diz-me que se nota que eu sou de outra geração porque ainda uso relógio, gosto de relógios, ela diz que o relógio é um objecto inútil, monofuncional, ninguém precisa de um objecto que só dá as horas.

Ainda tentei dizer-lhe que o meu relógio também me informa da data, mas acho que ela já não me ouviu.