12 setembro 2018

Se me quiseres aborrecer de verdade

Fala-me do tempo, de preferência comparando este Verão com Verões de antigamente, tira retratos à comida que acaba de chegar à mesa, calça Stan Smith que não sejam verdes, conta-me histórias tuas com demasiada informação, diz-me que a barba me dá um ar mais pesado, oferece-me livros ruins, fala-me da vida de outras pessoas que não sejam o Senhor Pereira ou Madame Pereira, dá erros ortográficos que não sejam o meu erro ortográfico de estimação.

Dizei-me lá

É normal um blog ir-se abaixo nos números, só porque o autor não escreveu um par de semanas?

11 setembro 2018

À atenção das Capazes (XXXVIII)

Aquela situação da mais nova das manas Williams, a tentar disfarçar um tareão dos antigos com não sei quê de sexismo não ajuda nada a causa, pois não?

09 setembro 2018

Das viagens grandes e outras histórias

As viagens grandes, esses dias mágicos de Agosto que me preparam para o ano novo que chega sempre nos primeiros dias de Setembro, não servem de nada se não aprenderemos, e aprender não é só deslumbrar-me com sítios estranhos, conduzir sem vozes que me mandem sair na rotunda, terceira saída, não são os sabores estranhos nem os nomes impronunciáveis das terras, aprender é ter vontade de mudar, é providenciar que aquilo que vimos, aquilo que nos pareceu fazer sentido, entre na nossa vida, devagar, mas entre mesmo, foi a seguir às viagens grandes que comprei uma bicicleta para as viagens curtas, que me decidi pela meditação, que me tornei vegetariano de tempos a tempos, que passei a descalçar-me quando entro em casa, que me viciei em livros de história de países que não são o meu, que aprendi italiano, que fiquei mais tolerante e com menos certezas.

28 agosto 2018

A cabana junto à praia

Nadar no Báltico, andar de bicicleta com chuva de frente, livros com histórias de criaturas míticas de bosques mágicos, conduzir em estradas com sinais de trânsito a dizer que os alces são um perigo, jantar salmão selvagem, almoçar ostras com cerveja fria, não falar português durante muitos dias, rede de dados inacessível, pensar que esta é capaz de ser a melhor viagem grande desde a das praias do desembarque.

23 agosto 2018

Uma coisa nova por dia

Beber uma cerveja em Christiania.

18 agosto 2018

E foi o dia primeiro

Há um espanta-espíritos estrategicamente pendurado na ponta da minha rede do telheiro, quando o cão grande se aproxima para me oscular e lembrar-me que a vida não são só livros lidos na rede, o espanta-espíritos dá o seu sinal metálico e o cão grande afasta-se, temeroso dos poderes mágicos do espanta-espíritos que afinal é um espanta-cães grandes.

17 agosto 2018

Da empatia e outras histórias

Durante duas ou três semanas por ano, eu sou o tipo que calcorreia as Alfamas e as Madragoas das cidades onde escolho ir acordar.

É por isso que gosto de os ver na minha cidade, afinal somos da mesma tribo, também eu os aborreço com os meus retratos, também eu lhes tiro lugar no restaurante favorito, também eu escuto histórias inventadas dos lugares que me mostram e, às vezes, acredito.

16 agosto 2018

Ah, o Algarve em Agosto...

Estatisticamente falando, a cabana de madeira com o Báltico de um lado e a floresta com um lago do outro, onde me dedicarei a leituras durante o dia e a ver o céu estrelado à noite nos próximos tempos, não deverá ser abençoada com um estabelecimento comercial nas proximidades que tenha o logotipo dos Cafés Camelo, isto digo eu, que sou pessoa de se por a adivinhar futuros e, estatisticamente, lá está, as coisas acontecerem como eu previ que acontecessem, razão pela qual dei por mim a vasculhar a parte mágica do meu sótão, a que tem as inutilidades que, nunca se sabe, talvez um dia venham a ter segunda vida, e lá descobri, por entre os esquis com correias de couro e o boneco do Naranjito, a minha fiel máquina de café individual, uma peça em ferro que se divide em duas, por baixo coloca-se a água, por cima o café moído, depois é colocar ao lume e esperar que a água suba, que se misture com o café e, finalmente, aguardar que o café desça, gota a gota, para a chávena de grés com o símbolo do Sporting e me aconchegue as noites de salmão selvagem e boa cerveja nórdica.

05 agosto 2018

Para memória futura

O dia mais quente do século passei-o eu meio submerso nas águas da ribeira de Loriga, entre cinquenta páginas de Torga e uns peixinhos do rio de escabeche.

30 julho 2018

À atenção das Capazes (LVII)

Onde está esse post de solidariedade com a irmã do Ricardo Robles, que deve estar inconsolável?

26 julho 2018

Sem ser a saga Millenium, evidentemente

Quem segue com atenção (e são muitos) a minha vastíssima obra escrita sabe que, de entre as minhas quase nenhumas idiossincrasias, há uma que em acompanha desde tenra idade e que é a de me fazer acompanhar do livro adequado ao meu destino das minhas curtas e muito merecidas férias. Jo Nesbo na Noruega, "Quem matou Sarah Gross?" em Cracóvia, um certo Hemingway em Paris, Nemésio nas Flores, "Capitães da Areia" no Rio, enfim, uma longa tradição que desejo manter.

Mas, dizei-me cá, que livro se leva para dez dias numa cabana de madeira junto a um rio selvagem na Suécia profunda?

23 julho 2018

Aos que receberam do meu dinheiro para reconstruir casas onde não moravam

Estou certo que são amigos do seu amigo, que não negam um copo de tinto da casa a quem vos pedir, que dizem que todos os políticos roubam, aliás, são os políticos e os da companhia da luz, estou certo que todos reclamaram dos sacanas dos árbitros, todos comprados, não tenho dúvidas que os vossos amigos, em vez de vos apontarem na rua, de vos desprezarem, vão dar-vos umas boas palmadas na costas e dizer-vos "grande malandro me saíste!".

Seus filhos da puta miseráveis.

22 julho 2018

Uma coisa nova por dia


(A ponte Vasco da Gama vista de baixo)