30 Outubro 2014

Bullshitómetro

O que devia ser obrigatório nos blogues era o bullshitómetro, volto a insistir. O bullshitómetro,  instalado no canto superior direito do écran,  havia de avisar os incautos do nível de coisas sem jeito nenhum de cada post, caixas de comentários incluídas e ninguém havia de alegar que desconhecia o nível da coisa, pois se o bullshitómetro estava no nível máximo...

Enquanto ninguém inventa o bullshitómetro, ficamos pelo número de visitas diárias, o melhor indicador de quanto mais, pior é a coisa.

29 Outubro 2014

Pipoco explica por que quase nunca responde a comentários nem dá muita conversa a quem, abnegadamente, o acarinha

Desde os meus primórdios nisto dos blogues, parecendo que não já vai para mais de sessenta e dois anos que a minha vida é isto, aprendi que não posso jogar com qualquer um. Ao princípio tentei, juro que tentei, mas, que querem?, de cada vez que me aproximava para jogar, as pessoas fugiam espavoridas, eu era apenas um doce e fofinho peluche, que só queria jogar um pedacinho e depois ia para casa, mas o que as pessoas viam era um enorme e aterrorizador ogre, que tudo derrubava à sua passagem, um monstro horrível que, para onde quer que se virasse, aleijava as pessoas. Sem querer, está claro.

E lá estava eu, sozinho, no meio da estrada, perguntando-me por que ninguém jogava comigo por muito tempo, alguns havia que ate me desafiavam para jogar mas, logo nos primeiros lances, que afinal não, que estavam só ali de passagem e que já bastava. Outras havia que diziam que era uma brutalidade, que não havia necessidade de ser tão agressivo e eu ali, a só querer jogar a sério, a única maneira que conheço.

É por isso que deixei de jogar. As pessoas passam por aqui e às vezes parece-me, mas parece-me mesmo, que querem jogar. E eu, pobre de mim, a apetecer-me também jogar, mas a vir-me à memória aquilo das pessoas a debandar, sujeitas a ficar com mazelas para o resto da vida delas e eu penso de mim para comigo que não vale a pena correr o risco, que as pessoas têm lá as suas ideias, às vezes acham piada a ver-me aqui jogar sozinho, mas isto nunca se sabe, e o melhor é continuar a recrear-me, solitário, uma vez por outra lá faço de conta que jogo com as pessoas, mas nada de muito prolongado, é mesmo só fazer de conta.

Até que apareceu a Palmier. Palmier Encoberto, que eu nunca trato as pessoas só pelo nome próprio. Parece que sim, que é bem capaz de se aguentar ao jogo e ainda fazer uns floreados e, calhando, fazer meia dúzia de pontos. Estou aqui tentado, a afastar as imagens aziagas de quantos, antes de Palmier Encoberto,se melindraram, se abespinharam e me deixaram a pensar que não devia ter levado o jogo tão a peito. Espero que seja das rijas. Mas se calhar não...

(jogo? não jogo? ah, a indecisão...)

28 Outubro 2014

Em verdade vos digo

Os blogues estão a ficar mais parolos. Não são só os das botas, não são só os da roupa do dia com maus cenários por trás, não são só os que nos querem vender coisas nem são só os da poesia inenarrável.

Os blogues estão a ficar mais parolos, genericamente. Vejam lá isso.

27 Outubro 2014

Provavelmente

A Maria Guedes é bem capaz de ser a miúda com  melhor ar daqui dos blogues.

Ainda não decidi.

E hoje era isto

O que era mesmo de valor era que aquilo de atrasar a hora acontecesse todos os dias, um homem atrasava-se para a primeira reunião, derivado das circunstâncias adversas do tráfego, mas não havia novidade, afinal estava era adiantado dez minutos, um homem levantava-se e ainda tinha tempo para uma matinal corrida com o seu cão, afinal a hora era uma hora antes, um homem deparava-se com demasiada gente no aeroporto e a sua secretária não tinha tratado de assegurar Green Way, mas estava tudo nos conformes, era menos uma hora e havia tempo para ainda ir comprar o desportivo e confirmar que sim, que estávamos três pontos mais perto do primeiro.

E assim sucessivamente, não sei se todos perceberam a ideia, mas era isto.

26 Outubro 2014

Post bastante difícil de ler

Amofinam-se as dos blogues que, não tendo coisas lá das suas vidas, vivem de se amofinar com as coisas das vidas dos outros, que não há direito, que anda tudo a vender formações para não sei quê, que as pessoas não precisam, que temos que reagir, que isto não é coisa que se faça às pessoas.

E eu, que sei destas coisas, sei que quase nada do que nos vendem tem realmente préstimo, sei que não temos precisão de quase nada daquilo que compramos, sei que precisamos tanto de uma formação que nos ensine a cozinhar esparguete como de mais um par de sapatos, sei que precisamos tanto de uma formação para deixar de ser gordo como precisamos do terceiro gin tónico, sei que precisamos tanto que as dos blogues de dizer coisas se amofinem como precisamos que o glorioso ganhe hoje em Braga.

Plácidos Domingos

Às vezes os domingos são assim, eu deitado na cadeira de lona verde, com um livro junto de mim, fechado por ser impossível ler com sol de frente, Ulisses, o cão, deitado aos meus pés, eu mando-o sentar e ele deita-se aos meus pés, os cães rafeiros têm este hábito de fazer a coisa certa pelo caminho errado, são os cães rafeiros e as pessoas, e o sol força-me a fechar os olhos e, com os olhos fechados, ouve-se perfeitamente o sino das aldeias aqui perto, cada uma à vez, é conforme o vento, e ouvem-se os pássaros e a respiração de Ulisses, o cão, e, quando abro os olhos, vejo umas pintinhas hexagonais que, quando desaparecem e o meu olhar se foca de novo, não eu, que eu estou constantemente focado, quando o olhar se foca de novo, vejo cegonhas a voar lá em cima, ou serão águias?, e volto a fechar os olhos e está tudo muito bem assim, e sim, Calvin&Hobbes.

25 Outubro 2014

O Bando, Quarentena

Atafulhado de coisas cá da minha vida, é importante vir aqui dizer que o "Quarentena", d' "O Bando", é coisa que não se devia perder, embora já deva estar mais que esgotado para hoje e amanhã, mas achei que se devia saber isto, até porque fui eu a única pessoa disto dos blogues a ter visto a peça.

(sai-se dali do Cine-Teatro São João, em Palmela, e depois é deixarmo-nos ir, que as noites têm estado bem boas e aquilo mete jantar e tudo)

23 Outubro 2014

Em verdade vos digo

Tipos com fios de ouro ao pescoço, com tatuagens com nomes de mulheres escritas com letras desenhadas, tipos com camisola interior à vista de quem lhes olhar para a parte cimeira da camisa, tipos que dizem "a minha esposa", que têm um penduricalho do Glorioso no espelho do carro "(a máquina", como eles lhe chamam), tipos que usam camisas com bolso, tipos que usam gravata com camisas de botão no colarinho, tipos com calças de ganga e camisa de seda preta, tipos com maus sapatos, tipos que palitam os dentes, tipos que contam piadas e perguntam se percebemos, tipos com cabelo penteado para trás com gel?

Não são estes os que devem evitar a todo o custo.

21 Outubro 2014

Perdemos um jogo, não foi?

Está um homem na sua tranquilidade, diante de uma caña e uma tábua de queijos aqui no Cheese Bar, que sai da Castellana e entra na José Abascal, a temperatura que está em Madrid, senhores, e um homem está ali na sua quietude e começa a receber recados dos amigos do Benfica, a dizer que até a eles lhes custou, um homem resiste a interromper o seu momento de paz e o solomillo que lhe agitará as papilas gustativas, um homem antecipa o pior, já não está na sua quietude, as mensagens enigmáticas continuam a chegar, que deve doer, aos noventa e tal minutos, um homem desliga o telefone, há tempo para saber o que se terá passado.

20 Outubro 2014

No princípio, disse ela

Hoje ela confessou-me que no princípio me achou arrogante.

Os problemas das mulheres

Não interiorizar que existiu um tempo em que as cabeças se voltavam quando elas passavam.

E que já não é esse tempo.

17 Outubro 2014

Mulher de verdade? (by Ruben Patrick)

Que tenha boas mamas. Grandes. Que saiba respeitar o estado de negação que nos tolda o raciocínio quando o Sporting perde. Que saiba como servir cerveja. Que considere relevante não deixar faltar pistácios e caju. E tremoços. Que não acorde quando chegamos a casa. Que saiba que peixe escalado não é uma opção. Que cozinhe sem Bimby. Que saiba que o café se bebe sem açucar. Que use poucas palavras para explicar as coisas.

Mulher de verdade?

Que ganhe mais do que eu, que me derrote no xadrez, que me ensine vinhos novos, que saiba ir às compras sozinha, que saiba estar calada quando é caso disso, que tenha uma moral sexual igual à minha, que tenha amigos que sejam meus amigos, que tenha um carro melhor que o meu, que tenha amigas que não me achem piada nenhuma, que diga coisas que eu só perceba dois dias depois, que tome conta de mim sem eu lhe pedir, que não faça de conta que concorda comigo, que goste de cães, que jogue poker pior do que eu.

(Ruben Patrick, e para ti?)

16 Outubro 2014

Entretanto Sara Sampaio, the body, também se queixa de situações

E o blogue de Jessica Ataíde (só seria Athayde se o primeiro nome fosse Benedita ou Francisca, Jessica Athayde é tão natural como Fábio de Sottomayor) que era daqueles pobrezinhos, do género desses com poemas e pensamentos positivos, onde ninguém ia, agora parece daqueles com contadores de visita aditivados...

15 Outubro 2014

Há seis minutos o nome de Jessica Athayde não me produzia nenhuma memória,nem sequer das que se instalam no hipotálamo, ou lá onde se alojam as memórias que não sabemos que temos

A Jessica desfilou lá no não sei quê da moda. Convidada, parece.  Diz que de biquini. Parece que os retratos lá daquilo da Jessica em biquini não estavam assim nada de especial. Parece que as mulheres, sempre elas, deram forte e feio na Jessica, que ali havia situações que, enfim, e tal. Parece que a Jessica aproveitou a situação e transformou uma aparente fraqueza em força e agora cá temos a Jessica como porta-voz das mulheres que sofrem todos os dias a maçada da opinião alheia, que não está certo, não há direito que mulheres mais, digamos assim, inapropriadas para capa de revista, sejam julgadas como se nada mais houvesse qua não um corpo. A Jessica das revistas, da televisão, do estereotipo da mulher que parece que os homens apreciam e as mulheres querem ser iguaizinhas a ela, é agora o estandarte das oprimidas, das que sofrem das que libertam o grito de que basta, das que a Dove convidaria para um anúncio, das mulheres reais. Eu? Eu continuo a achar piada às coisas, nada a fazer.


13 Outubro 2014

Eu, que...

... sei por que o Ricardo Quaresma nunca terá um blog no Sapo, que sei que a velocidade da luz não é de trezentos mil quilómetros por segundo, que sei que o melhor leitão não se come na Mealhada, que sei que o maior exportador de café do mundo não produz um grão de café, que sei que as girafas não emitem sons, não faço a menor ideia do conceito da Casa dos Segredos.

Cats no Campo Pequeno?

E eu no meio da claque do Benfica e francesinhas em Alfama e Lamborghini com motor a gasóleo e fado no Maracanã e cerveja com gelo e sardinha assada com batatas fritas e Cristiano Ronaldo a guarda-redes e Jesus Cristo Superstar em Kobani e futebol de praia na Suiça e os U2 no Teatro Virgínia.