18 Setembro 2014

De onde fica claro que Pipoco Mais Salgado não se revê nas "coisas de gajas" que o talentoso J. Rentes de Carvalho insinua exitirem

Meu caro J. Rentes de Carvalho, nem é tanto o desejo de guerrear que me move, sou de paz e estou cá pelo convívio. Move-me, isso sim, o enormíssimo bocejo em que se vai transformando esta coisa dos blogues, esta concórdia, esta vontade de a todos agradar, este fazer de conta que sim, que, diga o parceiro a maior barbaridade, di-lo muito bem e lá terá as suas razões, que nós somos nós e as nossas circunstâncias. Tirando o meu caro, tudo é remanso (vê, como funciona o contágio?...).

Mas não é sobre isso que lhe queria falar. Então o meu caro ousa escrever "Gajas"? E logo por duas vezes? Ousa insinuar que há uma categoria de acções que se podem catalogar como "coisas de gajas", sorrir displicente e passar adiante, incólume? Fique o meu caro J. Rentes de Carvalho sabedor que "gajas" é coisa que um homem não pode dizer. Elas, as senhoras, podem dizê-lo entre si, encolher os ombros e passar adiante. A nós não nos é permitido tal, é como falar mal da nossa cidade, nós podemos, mas ai do estrangeiro que ouse falar com menos respeito da nossa calçada ou com desdém da nossa maneira patusca de conduzir e verá como elas mordem.

"Coisas de gajas", meu caro, remete-nos para ambiências que são do senso comum e que dispensam mais palavreado mas, caramba, não as podemos escrever assim, com tamanha crueza, conforme o fez. Temos que ser gentis, as "coisas de gajas" terão que se transformar em "idiossincrasias do género feminino", sob pena de perdermos os favores das senhoras leitoras dos nossos escritos(ou melhor, eu perderei, o meu caro usufrui de uma espécie de protecção eterna).

E agora, meu caro J. Rentes de Carvalho, poderemos esgrimir (podendo e querendo o meu caro, bem sei que terá mais que fazer, de mim sabe bem que a minha condição me permite sempre disponibilizar-me com grato prazer para cavaquear), podemos esgrimir, dizia eu, os nossos argumentos. O que não podia era, depois de ler os protestos na caixa de comentários do post abaixo, deixar passar em claro o "coisas de gajas" sem o admoestar com severidade, que tenho cá a minha fé que este ainda está para ser um blogue que as mulheres apreciem e o caminho é não pactuar com estes excessos de linguagem e não arriscar perder o meu nicho de mercado.

Fora isto, aprecio muito o que escreve e acho-o uma pessoa de bem, com as suas idiossincrasias, está bem de ver, mas isto nós somos nós e as nossas circunstâncias, pois não é?

17 Setembro 2014

Vamos lá a isto

J. Rentes de Carvalho, na sua costumeira forma de colocar as questões, conta-nos que os escritores de agora já não agitam as águas como os de antigamente, que é tudo salamaleques, que não há quem desalinhe, que as palmadinhas nas costas de hoje terão retorno certo um destes dias, que faz falta uma boa quezília.

Sinto o mesmo com os blogues. Tirando as insufladas diatribes dos da política, quase sempre encomendadas, quase sempre previsíveis, tirando as dos blogs de cascar na casaca da parceira, que aparecem e desaparecem logo a seguir (as pessoas enjoam, fartam-se, a coisa esmorece e é lá se vai mais um blog desses irónicos), pouco resta.

Falta uma boa polémica defendida com garbo, falta quem se defenda com um bom argumentário e quem ataque com mestria, quem dispare com elegância e inteligência e quem seja capaz de responder na mesma moeda. Falta quem responda à letra a quem ataca com menoridades sobre o que fulana veste, ou quanto sicrana pesa. Falta quem não se abespinhe quando lhe fazem um reparo consistente e falta quem não se vergue, falta quem não alinhe na chacota, fazendo-se cá da malta só para não lhe zurzirem mais nas orelhas.

Falta-me ter mais tempo para isto.

16 Setembro 2014

E era isto

Boa parte das pessoas que passam os olhos por isto do Pipoco acreditam que isto é um boneco, que as coisas não são como são, que não pode haver ninguém tão pedante,  tão arrogante, tão desagradavelmente desapegado da emoção.

Está bem...

15 Setembro 2014

Vamos então ao terceiro "hit post" no mesmo dia, só para mostrar que ainda não perdi o jeito...

Não foi ela não saber que o "Grito" de Munch não é um quadro único, não foi ela não saber que houve dois Pieter Bruegel, não foi ela ter conjugado Zara com Versace.

O que realmente me incomodou foi ela nunca ter reparado que os relógios que aparecem na publicidade marcam sempre dez horas e dez minutos.

Post em tempo real

Era um desses hotéis com um número de estrelas superior a quatro e inferior a seis (Pipoco esforça-se para não ser demasiado pedante) e, talvez influenciado por Pipoco se apresentar fora de horas, sem reserva e com ar visivelmente carente de cama (Pipoco, esse eterno apaixonado dos duplos sentidos), pretende cobrar a tarifa de balcão, um exagero.

Pipoco respira fundo e incentiva o recepcionista a praticar um preço de mercado (Pipoco, esse incorrigível negociador de consensos). Sem resultado.

Pipoco respira fundo e desvia-se para um dos lados do balcão, dando passagem a duas jovens que estavam atrás de si na fila. Pipoco tira do bolso o seu banalíssimo smartphone (Pipoco, esse farol do espartano). Pipoco digita um endereço electrónico e, em três passos, reserva quarto no hotel para essa noite, a metade do preço de balcão (Pipoco esse negacionista das causas perdidas). Pipoco vai até ao bar e pede uma bebida, enquanto aguarda confirmação da reserva. Cinco minutos depois, Pipoco, talvez demasiado sorridente, dirige-se ao balcão e informa o recepcionista do número da sua reserva para essa noite.

Pipoco acreditava que já não havia hotéis assim, dos que preferem perder cem euros e pagar uma comissão ao broker, em vez de fazer um desconto de cinquenta euros ao Cliente e fazê-lo feliz e agradecido.

Post a pedido (I) - Quiescente

Uma das coisas que me tira o sono é nunca ter chegado a nenhuma conclusão sobre o tema de qual terá sido a cena de filme mais potencialmente erótica de todos os tempos. O cinéfilo médio dirá, sem pensar, que o "Nove semanas e meia" contribui com três cenas para a causa, a saber, a cena do cubo de gelo, a cena das escadas e a cena do "You can leave your hat on". (a cena das frutas também? sim, está bem). Mas não, não é por aí, melhor seria a cena da manteiga de "O último tango em Paris" ou a cena do leite de "Lua de mel, lua de fel". Noutro contexto, para os que têm mais graus de liberdade nisso das possibilidades, talvez a cena dos mascarados na mansão de "Eyes wide shut" ou até mesmo a cena dos cowboys na tenda de "Brokeback Mountain". A cena do hotel, depois da tempestade de areia em "O paciente inglês"? Pode ser.

Mas, tivesse eu de escolher, e havia de escolher a cena do concurso de dança de "Pulp Fiction", Mia Wallace e Vincent Vega, a tensão de saber que ela era a mulher de chefe, a informação do acidente que aconteceu ao tipo que só tinha feito uma massagem aos pés da mulher do chefe, a mulher do chefe ser a Uma Thurman de há vinte anos, a mulher do chefe a esticar a corda. E "You never can tell" a tocar. Talvez sim.

14 Setembro 2014

E, no entanto...

Não escrevo sobre a beleza que existe num pequeno-almoço de domingo porque os meus pequenos-almoços são sempre iguais, com tudo aquilo que mereço, sempre frugais e tranquilos. Não escrevo sobre a algazarra que fazem os meus vizinhos de cima porque não tenho vizinhos de cima, nem de baixo, nem de lado. Não escrevo sobre como vai a minha dieta porque "a minha dieta" é um conceito que desconheço. Não escrevo sobre os pequenos nadas que os meus filhos dizem ou fazem porque, quando leio sobre os pequenos nadas dos filhos dos outros fico sempre com a sensação de vergonha alheia, a coisa pode ter muito impacto lá na família, mas contada a terceiros fica constrangedora. Não escrevo sobre como o meu chefe é incompetente e mal-formado porque eu sou o meu chefe e os meus chefes são competentes e mais capazes do que eu. Não escrevo sobre como seria a minha casa de sonho porque já vivo na minha casa de sonho. Não escrevo sobre como o meu trabalho é mal pago e pouco estimulante porque o meu trabalho é aquele que eu escolhi, para o qual me preparei e dá-se o caso de não ser mal pago. Não escrevo sobre quão tontinha é a minha mulher porque a minha mulher é infinitamente menos tonta do que eu, para além de muito mais bonita. Não escrevo sobre programas de televisão porque, tirando os jogos da bola e um ou outro filme que ninguém vê, não vejo televisão.

Sobra pouca coisa, bem sei.

13 Setembro 2014

Do Natal e outras situações

Talvez devesse ser ponderada a existência de um sniper, posicionado atrás das câmaras da Sport TV, alguém que estivesse atento ao discurso dos que perdem e que, assim que eles iniciassem a resposta à sacramental pergunta "E agora?" com a sucessão de palavras "agora temos que...", havia de se lhes lançar a luz vermelha da mira da shotgun, a luzinha vermelha na testa do jogador, só naquela de avisar, eles já sabiam o que significava a luz vermelha cravada na testa e haviam de interromper o o discurso, continuassem eles com as palavras "...levantar a cabeça", ficando a resposta completa o preguiçoso "agora temos que levantar a cabeça" e o chefe do sniper havia de fazer um sinal, assentindo que sim, que disparasse e havia de ser uma maçada para todos em geral e para os que apreciam o Nani em particular.

(porque levantar a cabeça não é nada, rapazes. espera-se é que joguem à bola, é-nos completamente indiferente para se o fazem de cabeça levantada ou não, o que se espera é que não discutam com árbitros, especialmente se já tiverem um cartão amarelo e, já agora, que esses chutões à baliza sem sentido nenhum fiquem para os jogos de veteranos, que eu sei bem como é)

Ruben Patrick teve que ir à loja sueca dos móveis e conta como foi

Céus...

(pode alguém suportar mais de dois minutos dentro daquilo?)

12 Setembro 2014

Bagagem

Nas manhãs a seguir às noites de dormir (ainda) menos que o costume, nesse tempo que demoro entre os dois lugares da minha vida e que, com parcimónia, dedico a pensar nas coisas que realmente interessam, dou conta que estou a decidir melhor e mais depressa, dou conta que consigo evitar com amis mestria o que me enfastia, que aprimorei a arte de evitar quem não (me) interessa, distinguindo aqueles que têm que ser evitados com elegância e os outros, os que requerem tratamento mais assertivo, dou conta que prefiro agora os melhores livros e as melhores películas, que procuro as melhores pessoas e que distingo agora os pormenores que fazem a diferença e os que nada acrescentam.

A este estado de espírito, alguns chamam maturidade. Eu chamo-lhe bagagem.

11 Setembro 2014

Quanto tempo demorará...

...até começarmos a ouvir que  Paulo Bento afinal não era mau rapaz, não lhe deram foi tempo, lá competente é ele?

08 Setembro 2014

Isto é só uma suposição, é claro (II)

E se "Os Maias", o filme, for mais uma etapa  rumo ao degrau fundeiro dessa saga que é "O pior filme que já vi na vida"?

Isto é só uma suposição, é claro.

E se, de repente, eu, já nesta idade em que não falta assim tanto tempo para comprar um Porsche e começar a gostar de jogar golfe, se de repente, perguntava eu, eu desse por mim a pensar que no fim de contas não percebo assim tanto de mulheres?

07 Setembro 2014

Ice Bucket Challenge - Pipoco Mais Salgado, o Vídeo

Grande plano de monitor. O inconfundível e exclusivo header do blog Pipoco Mais Salgado ocupa todo o ecrã. O piano de Rachmaninoff toca em fundo. A camara desvia-se para a esquerda, de forma a que o público possa vislumbrar o fumo de um Cohiba Lanceros. Ulisses, o livro maldito, aparece de relance, o marcador é o recibo comprovativo de transferência para a APELA. Um copo de whiskey sem gelo completa o quadro. É nesta altura que a voz de Pipoco Mais Salgado, grave e pausada, cumprimenta o venerável público, informando que foi desafiado por Isa e desafiou Susana e Mãe Preocupada. Suspensos da voz envolvente e máscula de Pipoco, viajamos pela explicação do desafio, sempre com a esperança de, algures lá à frente, todas as doenças neurológicas degenerativas possam ter cura.

É o momento da verdade e Pipoco ordena a Ruben Patrick que dê início ao processo do banho de água fria. Um copo de cristal surge por cima do ecrã e são despejadas pedras de gelo écran abaixo. Pipoco grita com o frio, não perdendo, no entanto, um pingo da sua lendária presença de espírito. Naturalmente, o público percebe que o grito é uma simulação, afinal trata-se apenas de pedras de gelo que caem sobre um ecrã aberto nessa página mítica que é pipocomaissalgado.blogspot.com.

(não consigo introduzir o vídeo, essa é que é essa...)

04 Setembro 2014

Pipoco aceita o desafio de Isa para aquela situação da água fria e desafia as suas duas bloggers-fetiche

Estava aqui a pensar, entre uma baforada de um Cohiba que alguém que me quer bem me ofertou e um  Bordéus ainda em estado bastante razoável e que tinha ficado esquecido nas partes baixas da minha garrafeira, que as pessoas são estranhas com isto do Ice Bucket Challenge. Não faço ideia de como começou a história, nem me interessa, sei que há uma quantidade de associações que estão a lucrar com a coisa e sei que a as associações que lidam com a esclerose múltipla amiotrófica, doença de que, pelas melhores razões, nunca tinha ouvido falar, estão a ter dinheiro para a sua causa, muito mais do que aquele que nem nos seus melhores sonhos teriam.

Ignorando a parte importante, que é estar a entrar dinheiro a sério que será usado numa boa causa, as estranhas pessoas preocupam-se com o folclore da coisa, com o facto de a água ser um bem precioso e que é uma dor vê-la desperdiçada assim, com a preocupação que é a mão esquerda ficar a saber o que a mão direita digitou o NIB da associação e fez uma transferência para a sua conta.

Eu podia já ter escolhido entre a Cruz Vermelha, a ANIMAL, a Fundação Sporting ou  Associação APELA e ter já feito uma transferência? Podia. Mas só hoje, com o desafio da Isa, do Eça é que Essa, é que o fiz. E esse é o poder do desafio, levar-nos a fazer a coisa certa, aquela que já poderíamos, e deveríamos ter feito, mas só com este desafio concretizámos. Estou-me positivamente nas tintas para se a coisa é uma moda, para a poupança de água (eu escolhi uma modalidade em que não gastei muita água), para o potencional exibicionismo.

(Isa, a massa já está do lado de lá e isso é que é importante. O vídeo vem um destes dias)

E desafio as minhas bloggers preferidas neste momento, as que estão em melhor forma nisto de escrever:

Susana Rodrigues e Mãe Preocupada, vamos a isso. Com t-shirt branca, que é como mandam as regras.

(se a Susana e a Mãe aceitarem o desafio eu ponho aqui uma fotografia minha, na praia)

03 Setembro 2014

Em verdade vos digo

Foi aqui que soubeste que o ano novo pode começar depois das férias, foi aqui que leste pela primeira vez que os retratos se podem prantar, foi aqui que aprendeste a colocar aquilo que vês da tua janela, foi aqui que achaste boa ideia partilhar com os demais por que lês tu blogs, foi aqui que viste pela primeira vez um post que se chamava "O que estás a fazer neste momento?".

E as coisas são como são...

01 Setembro 2014

Pipoco, esse desalinhado

Ainda ninguém me desafiou àquilo do balde de água fria, estou para aqui com os nervos porque ninguém me diz se o William Carvalho fica ou não fica, fui à FNAC e não mexi em tudo o que me apareceu à frente para depois devolver às prateleiras, ainda não tive nenhum acesso de nostalgia de fim de férias, ainda não me queixei a ninguém de que a água estava fria.

Porque hoje é o dia em que começa um novo ano.

Que se troque o fato de mergulho pelo fato às riscas, que se troquem os óculos escuros pendurados ao pescoço pela gravata, que se troquem as "t-shirts" dos Monty Phyton pelas camisas com botões de punho, que se troquem as botas de monhanha pelos sapatos pretos, que se troque a vista de mar pela vista do escritório, que se troque a janela aberta pelo ar condicionado, que se troquem os livros de férias pelos relatórios com gráficos, que se troquem a vida à hora que ela nos apetece pelas reuniões às horas certas.