06 julho 2015

03 julho 2015

Retomando

Quando não chego a ter uma coisa que estive prestes a ter, fico mais atento aos pormenores. Uma camisa sem vincos passa a ter uma importância quase igual a calçar uns sapatos confortáveis, o tipo do café que me serve sem eu pedir nada e sem acrescentar o dispensável pacote de açucar tem o mesmo valor que ainda haver bilhetes para o teatro e só faltarem dez minutos para começar a peça.

O pior é o outro lado, quando dou por mim a reparar que os que me parecem ter menos posses são exactamente os que não dispensam garrafas grandes de refrigerantes de má qualidade em vez da água da torneira ou que os mais trôpegos são exactamente aqueles que atravessam sempre fora da passadeira.

01 julho 2015

Os problemas das mulheres

Forçarem a nossa ida a jogo sem precaver se terão estrutura para aguentar a parada.

Mais um segundo

O tempo bastante para decidir que afinal não a vamos deixar ir embora, para recusar o último gin tónico, o tempo suficiente para o William Carvalho deixar cair o guarda redes para um lado e depois, só depois , rematar, o tempo necessário para reagirmos ao carro em contramão, para escolhermos um livro melhor do que aquele que ainda agora tínhamos nas mãos, para mudar de opinião para uma melhor que a nossa, o tempo suficiente para olhar uma mulher nos olhos.

Hoje tens mais um segundo. Aproveita-o bem.

29 junho 2015

É tão boa...

...a publicidade da Trivago.

(não faço ideia do que oferece a Trivago, mas aqueles anúncios dão-me vontade de viajar)

Coisas que têm o poder de me aborrecer

Fulano de tal, que faz o favor de ser meu amigo, ...

Não quer saco? Mas é oferta!

Pode dar-me um segundo da sua atenção?

A cozinha fecha às dez.

Cá se vai andando. Mas enquanto formos andando...

Então, já te habituaste à ideia do Jesus? (e riem, os cabrões...)

28 junho 2015

Palavra do Senhor

Mesmo que teime em manter-se no teu ângulo de visão periférico, como um quadro do menino da lágrima numa exposição de El Greco, não tenhas pena, Ruben Patrick. Ainda que se te afigure que está em todo o lado, falando alto e acenando desajeitadamente para que não duvides que está ali, não tenhas pena. Ainda que estejas à conversa com gente de bem, a discutir a obra-prima do mestre, e te apareça do nada, a mostrar que sabe tudo sobre a prima do mestre de obras, não tenhas pena. Ainda que te questiones porque razão opta por ter o sentido de oportunidade do Emplastro, embora, talvez, com melhores dentes, não tenhas pena. Ainda que estejas certo de não haver ninguém mais desprovido de sentido para a vida, não tenhas pena.

Há sempre uma razão para as coisas serem como são, Ruben Patrick, nem sempre os nossos olhos nos dizem tudo, nem sempre sabemos as histórias do lado lunar. E um homem só tem pena de alguém quando não há mais nenhuma opção.

Herman José

Resisti até onde me foi possível mas, no fim do dia, razões cá dos meus afectos foram mais fortes e dei por mim num concerto de Herman José. No tempo em que o humor de Herman foi genial não havia nada que me fizesse perder "Hermanias" ou "O tal Canal". Era o tempo em que eu era feliz e não sabia. O meu medo era que Herman, o grande Herman José que me recuso ver há anos, perdido que está em programas da tarde, ou lá onde anda ele metido agora, o meu medo, dizia eu, era que ninguém estivesse lá para o aplaudir, que ninguém se lembrasse de quão grande foi Herman, que Herman fosse ignorado, que fosse como se Cristiano Ronaldo se arrastasse numa equipa de terceira divisão e que as pessoas estivessem lá apenas para não lhe perdoar o passe mal medido e não para o aplaudir pela magia que lhes tinha trazido nos bons tempos.

Mas não. Quem lá esteve, esteve pelos velhos tempos. Sabiam as músicas, aplaudiram, souberam acarinhar o bom velho Herman, o genial Herman.

Herman ainda é uma estrela. E sermos agradecidos é dizer-lhe exactamente isso, que temos memória.

(Sim, a fotografia está uma bela merda. Não me fodam...)

27 junho 2015

Não me perguntes como sei eu estas coisas, Ruben Patrick.

Um dia perdes-te por causa disso do amor, Ruben Patrick. Não será no momento em que a levares a jantar num restaurante de moda e cada um comer morangos que o outro lhe levará à boca nem será quando fizerem batalhas de almofadas de penas num hotel demasiado caro, antes de bom sexo, sequer será quando fizerem o número de quem desliga primeiro o telefone.

Um dia perdes-te de amor mesmo a sério e nem saberás de que terra és, farás coisas sem nexo, terás os nervos sempre eriçados, nada mais contará senão o que ela faz, o que ela pensa, sairás de casa sem casaco, vais esquecer-te de almoçar (e era um pargo tão bom...), chegarás a casa mais tarde porque deste por ti numa estrada secundária e nem sequer vinhas ao telefone a resolver os problemas do mundo, Jameson novo vai saber-te pela vida, jantarás em restaurantes baratos, não te preocuparás se ela tiver livros de Paulo Coelho no carro (mas desviarás o olhar...).

25 junho 2015

Nunca expliques um post. A não ser que sejas mesmo muito imaginativo.

Imaginemos que um membro da tripulação de uma companhia simpática, dessas onde os pilotos não fazem greves, tem o direito de se fazer acompanhar por um amigo numa sua deslocação a um sítio qualquer. Imaginemos que o amigo escolhido sou eu. Imaginemos que, chegados ao tal sítio, a única pista capaz de receber aquele avião não está operacional, havia mau tempo ou um cão na pista e acabamos por aterrar noutro sítio qualquer, digamos a uns trezentos e setenta quilómetros. Imaginemos que a tripulação de cabine, por coisa lá da segurança deles já não pode voar mais horas sem o necessário tempo de descanso e o tempo de avião parado conta, de maneiras que não podem trabalhar mais. E, sem tripulação, os passageiros têm que sair e esperar voo de ligação lá para as vidas deles. Todos os passageiros? Não, um deles não sai. Imaginemos que o avião é mesmo necessário no aeroporto onde se previa que aterrasse, há gente à espera para embarcar, estas companhias são mesmo assim, os aviões são para estar no ar. Imaginemos que a pista do aeroporto inicial já está de novo operacional. Imaginemos que o avião, sem tripulação de cabine nem passageiros (menos um), levanta voo. Imaginemos que não resisto a fazer uma coisa que me apeteceu muito.

É só uma hipótese. E bem imaginativa.

Uma coisa nova por dia

Lourignac.

Nunca expliques um post

(A não ser que estejas extremamente bem disposto e te dê uma súbita vontade de não passares por mentiroso, que é uma coisa que tende a aborrecer-te)

(já cá volto, isto é só um teaser...)

O bairro dos blogues (uma rubrica de divulgação das nossas letras)

"As duas manas Lousadas! Secas, escuras e gárrulas como cigarras, desde longos anos, em Oliveira, eram elas as esquadrinhadoras de todas as vidas, as espalhadoras de todas as maledicências, as tecedeiras de todas as intrigas. E na desditosa cidade, não existia nódoa, pecha, bule rachado, coração dorido, algibeira arrasada, janela entreaberta, poeira a um canto, vulto a uma esquina, bolo encomendado nas Matildes, que seus olhinhos furantes de azeviche sujo não descortinassem e que sua solta língua, entre os dentes ralos, não comentasse com malícia estridente."

Eça de Queirós, in "A Ilustre Casa de Ramires"

Que estás a fazer neste momento, Pipoco?

24 junho 2015

We´re gonna need a bigger boat...

Estou aqui a olhar para os próximos tempos da minha vida e lembrei-me do tipo do Jaws, quando dá de caras com o tamanho do tubarão.

Palmier, isto é mesmo guerra a sério?

Os problemas das mulheres

Não lidarem maravilhosamente com a realidade.

Isto anda tudo ligado

A secção de peixaria do Pingo Doce. O Oceanário.

22 junho 2015

Talvez

Talvez eu devesse ouvir mais as pessoas. Talvez, uma vez por outra, quem sabe? não fosse má ideia ouvir até ao fim o que têm para me dizer. Talvez não devesse ser tão obstinadamente obcecado com isto de não contar com mais ninguém a não ser comigo, talvez devesse perder algum do meu tempo, não muito, só um momento, a preparar planos alternativos que envolvam dependências de terceiros. Talvez nem tudo na vida seja "one shot", talvez devesse mostrar que sou cuidadosamente descuidado, talvez seja altura de acreditar que sou um falso tranquilo.

(mas entretanto...)