02 março 2015

Estou aqui a reler Eça

E fiquei feliz por o passar do tempo não ter atenuado o asco que me causam personagens como Gonçalo Mendes Ramires.

Quisesse eu

Tirava-te desse torpor, havias de tomar conta de mim outra vez, de me levar de novo pela mão, mostrando-me o caminho certo, havias de dedicar cada dia da tua vida a ensinar-me a maneira mais conveniente de encostar a minha cabeça no teu ombro, a recolher os livros que deixo por todo o lado, a desligar o gira-discos que, como é da natureza dos gira-discos, não se desliga sozinho, a lembrar-me que estou atrasado, que estou sempre atrasado, havias de sorrir quando eu dormisse até tarde ou quando preferisse ouvir má música só porque preciso de descansar.

Quisesse eu.

01 março 2015

Coisas que me aborrecem

A minha equipa levar um banho de bola. Da equipa errada.

De como Pipoco aposta que não perdeis nada não transpondo a porta da barbearia

Fosse eu o Deus das Barbearias, que não sou, e também eu impediria que vos fosse franqueada a entrada, mas entendo, eu sou dos que entendem as coisas sem terem que me explicar muitas vezes, que a curiosidade não se aguenta, que estais à espera que alguém que lá tenha estado venha contar-vos o que se passa dentro de uma barbearia, que sacrossanto espaço é esse que não vos deixa penetrar nos seus insondáveis mistérios, felizmente eu cá estou, traindo os velhos códigos que nos impedem de falar, tudo em nome de um bem maior, que nunca mais tenhais que fazer de conta que sois o melhor amigo do homem.

Numa barbearia trata-se de assuntos de quem tem barba e, todos o sabemos, quem tem barba fica-se sempre pelos assuntos menores, as teorias dividem-se, há quem, como eu, profira apenas seis palavras, a saber "o costume" quando me sento e "bom fim de semana" quando me levanto da cadeira, há quem disseque o último jogo do glorioso, detendo-se no detalhe de como o árbitro os prejudicou, traçando paralelismos com um cento jogo contra o Beira-Mar, em mil nove e oitenta e dois, que preconizava o sucedido no último jogo, agigantam-se os do meu clube, que não se podem queixar, que não jogo em que os outros acabem com dez, aproveitam os da casa para nos lembrar que isto está mau, que não há direito, que são todos uns canalhas, que nenhum se aproveita, que eles querem é encher-se, isto até alguém dizer que a Merkel nem às escuras, e todos se riem, acenando que não, alguns ainda de semblante mais carregado, percebe-se que foram os que imaginaram a Merkel sem ser às escuras, todos enfim irmanados no mesmo ideal, gozando o silêncio de a coisa não estar assim tão má, pois se há a possibilidade de a Merkel sem ser às escuras...

Poupar-vos a isto é coisa de valor, pois não é?

28 fevereiro 2015

Caixa Geral dos Depósitos

Chega-me a escalfeta, Ruben Patrick. E um cobertor dos grossos, que esta friagem entranha-se-me nos ossos. Traz-me chá com mel de rosmaninho. Agora chega-te à minha beira, rapaz, que te quero falar, acerca-te mais, que eu estou aqui que mal me mexo, são muitos anos neste cadeirão, a ver as coisas do mundo, longe vai o tempo em que eu era uma ode ao viço, em que fazia com que tudo corresse cá a meu modo, as pessoas a acenar que sim senhor, que obra pia e santa aqui se fazia. Mas um homem esmorece, Ruben Patrick. E chegam os mais novos, mais capazes de arrebatar, e eu cá me vou aconchegado no meu canto, faço o que posso, cada vez com menos vigor.

Mas, Ruben Patrick, eu ainda sou do tempo em que as croissanterias eram as novas lojas de alugar vídeos, em que as lojas de cupcakes eram as novas croissanterias, em que as hamburgerias gourmet eram as novas lojas de cupcakes, não é novidade que os blogues de homem delico-cool sejam as novas hamburgerias gourmet. Por mim, cá vou fazendo as coisas à maneira de antigamente, segurando as portas, pagando o jantar, escolhendo o vinho, deixando.me conduzir no meu velho Bentley que nem mudanças automáticas tem, lendo o que posso e indo realmente aos sítios certos.

E, em verdade te digo, Ruben Patrick, eu, que apesar dos meus achaques ainda tenho boa cabeça, também me alvoroço quando os vejo chegar. E também se me aperta o coração quando os vejo ir à vida deles, que isto não é para todos.

Pondo a escrita em dia

Vamos lá a ver, escrevo primeiro sobre a Caixa Geral de Depósitos dos blogues ou sobre barbearias?

(o primeiro comentário decide)

The reports of my death have been greatly exaggerated

E então, por cá, tudo na forma do costume? e novidades, como estamos de novidades, o quê, e deixam entrar cães mas não deixam entrar mulheres?!!! que maçada, de facto não se compreende, e o blogger andou a aborrecer as pessoas? espantoso, devíamos rebelar-nos, um abaixo-assinado, qualquer coisa, e afinal a saia era azul e preta ou verde e cinzenta? ainda não se sabe? pois é, estas coisas o melhor é cada um ficar com a sua ideia, mais vale, e temos blogue novo, é? e viçoso? ah, já acabou? percebo, isto não se pode confiar, eu? eu cá vou andando, já percebi que as temáticas foram de valor, sim, talvez me apeteça fazer uns reparos, é trazerem-me a mantinha, que isto vai devagar, um dia de cada vez, as pessoas não reparam no que realmente importa, ainda ontem só se falava no Zeinal a esquecer-se de tudo, também já não caminha para novo, e eu a fascinar-me com aquela pulseirinha do Senhor do Bonfim que ele trazia, a cismar que não se pode confiar num homem que usa uma coisa daquelas, mas as coisas? ora, as coisas são como são.

25 fevereiro 2015

Os problemas das mulheres

Acreditar que é fácil escrever como um homem.

24 fevereiro 2015

Post em tempo real

Pela primeira vez em muito tempo (anos? ), estou a almoçar sozinho.

Tão,  mas tão bom...

Por falar na retoma do Brent

Diz-se de Giotto que o Papa Bonifácio, não me recordo agora de qual Bonifácio, cada vez ligo menos a números, o contratou por Giotto ter desenhado um círculo perfeito, assim mesmo, de uma só penada, isto já sou eu a dizer.

Talvez a perfeição seja isto, a perfeição da simplicidade (não confundir com a simplicidade da perfeição, isso sei eu o que é).

23 fevereiro 2015

De onde Pipoco filosofa sobre a vida antes de prantar um retrato que pretende ser enigmático

Uma dessas pessoas que gostam de me impressionar com os seus vastos saberes invocava Coco Chanel, que dizia que as melhores coisas da vida são grátis e as segundas melhores são demasiado caras.

Fiquei a pensar nas vezes em que na vida me deparei com situações que, parecendo grátis, acabaram por sair demasiado caras

Hoje escrevo na Maria das Palavras

É que a Maria das Palavras foi tão gentil na abordagem ...

Isto dos Oscares...

...mais dia menos dia está ao nível do Festival da Canção.

22 fevereiro 2015

Estas são as minhas

Good  morning, Vietnam; Frankly, my dear, I don’t give a damn; I’m gonna make him an offer he can’t refuse; Houston, we’ve had a problem; I love the smell of napalm in the morning; If she can stand it, I can. Play it!; Good evening, Clarice; Louis, I think this is the beginning of a beautiful friendship; Shaken, not stirred; I have always depended upon the kindness of strangers; Ao infinito e mais além!

18 fevereiro 2015

Em verdade te digo, Ruben Patrick

Talvez a maturidade seja saber como se evitam colisões, dominar a arte de saber estar num outro lugar e num outro espaço quando a névoa é demasiada e nós sem saber bem os contornos da estrada.

Às vezes pode parecer demasiada prudência. Outras não.

Hoje escrevo na Pipoca Arrumadinha

Um velho sonho de infância finalmente realizado.

17 fevereiro 2015

Cá estamos

Com aquela situação das bonecadas com o Profeta percebemos que sim, somos tolerantes, e é um descanso ser tolerante e perceber que somos dessa estirpe dos que acreditam que todos têm direito à verdade, à sua verdade, embora (somos humanos) vacilando sempre que a verdade dos outros surge na caixa de comentários do nosso blogue, ainda assim, somos tolerantes com a fé e com os fracos de espírito.

Mas, apesar de sermos capazes de invocar a nossa tolerância, ultrapassou-se agora o limite do razoável, um novo nível de afronta se nos depara, uma nova fronteira se abre para o vitupério, surge agora um novo paradigma para o agravo, justifica-se agora que peguemos em varapaus e nos organizemos contra os infiéis, que trucidaremos sem clemência, não deixaremos que fique pedra sobre pedra, zurziremos a nossa revolta sobre esses sarracenos que, gratuitamente, insultaram a mais sagrada das nossas crenças, o mais basilar dos nossos princípios.

Sim, meteram-se com o Rui Patrício.

15 fevereiro 2015

Depois disso do dia dos namorados

Talvez o maior poder da música seja clarear as pessoas aos nossos olhos, acontece termos há muito esquecido a música e a pessoa, nem uma nem outra valiam grande coisa, mas, basta que a música nos apareça sem avisar, muitos anos depois, e logo a pessoa nos surge, despida de tudo quanto é mau, agora é só aquela pessoa no preciso momento em que escutámos aquela música, o que aconteceu depois agora não interessa nada, o que lá vai, lá vai.

Depois passa, evidentemente.

13 fevereiro 2015

Mais vale rica e bonita que pobre e feia

Almocei hoje com um desses tipos que me lembram os Cars, ou os Europe ou mesmo os Opus, um desses tipos "One Hit Wonders", desses que carregam o fardo de, algures no tempo, terem feito algo vagamente impactante mas que, desde esses dias de glória, não mais brilharam, como se tivessem concentrado num único momento a inspiração de uma vida.

O tipo pareceu-me meio acabado, mas não pude deixar de notar que tem um carro melhor que o meu.

Vasconcellos de Mennezes e Sá

Quem também era agora Charlie era o Vasconcellos de Mennezes e Sá, isso sim, um Charlie em bom, muita experiência, já tinha sido VestidoDeBranco, NãoPagamos, Indignado e Malala, via-se que era Charlie em condições, dizia-se até que tinha conseguido um exemplar do jornal a seguir àquilo de Paris, lá dos muçulmanos ou o que era, o Vasconcellos de Mennezes e Sá é que sabia dos pormenores, à época tinha visto os debates na televisão, depois veio isto da Grécia e o Vasconcellos de Mennezes e Sá, como também já tinha sido NãoPagamos, afeiçoou-se à causa, era um homem de causas e isso via-se, agora era isto das relações do Sporting e do outro clube, que não havia direito, uma coisa assim nunca se tinha visto, indignava-se o  Vasconcellos de Mennezes e Sá e indignamo-nos todos, que somos gente de bem. E de causas.