29 janeiro 2015

Talvez Fermina e Florentino não soubessem isto

Os amores eternos são os que nunca chegaram a acontecer.

De onde se explica que a Pipoca Mais Doce é o Pingo Doce dos blogues e a Cocó na Fralda é o Continente

As pessoas aborreceram-se com o Pingo Doce por ocasião dos descontos no Primeiro de Maio, detestaram a musiquinha do "Venha Cá", rebelaram-se por causa da situação dos vinte euros, gargalharam com isto da comida para levar para casa, as pessoas só se aborrecem com o Continente por alturas da Popota.

Vou ali confirmar quem é que está a capitalizar mais em Bolsa.

Em verdade te digo, Ruben Patrick

Uma mulher pode perdoar que não repares nos sapatos caros, pode perdoar que sugiras dividir a conta do almoço, pode perdoar quando gabas o decote da melhor amiga, pode perdoar que não aprecies Bublé.

Agora perdoar que eclipses o link para o seu blogue? Não esperes tanto.

28 janeiro 2015

Tenho estado a pensar nisto

As pessoas de quem mais gosto são as que sabem discutir comigo.

O que aprendo em lendo blogues?

Que elas são mesmo velhacas umas para as outras.

(deixem lá a miúda entrar para o grupo, pá...)

(nem que seja uma substituição, até vos posso aconselhar nesse ponto)

(e não estará na hora de mudar quem marca a agenda? É que o Tio Pipoco sabe bem que é que bomba para aqui visitas que só visto...)

Era um desses dias em que jogava o Sporting

Da mesma forma que nós, Ruben Patrick, por maior que seja a tentação, acabamos por não escolher sempre a que tem as maiores mamas, também elas quase nunca escolhem o mais bonito, elas ponderam , atentam nos pormenores, testam os limites e acabam por eleger o que sabe de livros e corre maratonas, o que gosta de cães, o que que exala sensibilidade mas dirige com braço de ferro, o que sabe de vinhos e é abstémio, o macho alfa que gosta de poesia, o que as faz rir.

(nós? ora, escolhemos as que dão luta...)

27 janeiro 2015

Então qual é o problema da publicidade nos blogues?

Eu estou preparado para a publicidade. Toda ela. Estou preparado para a publicidade a canetas Montblanc nas revistas, estou preparado para a publicidade que parece mesmo uma notícia de jornal e afinal não, lá está o "PUB" no cantinho superior, estou preparado para o Bond, James Bond me mostrar as horas num Omega e conduzir um Ford ou um BMW, depende de quem paga mais, estou preparado para a conferência de imprensa do treinador de futebol com um boné com publicidade a empresas de construção, cinco garrafas de bebidas à sua frente e logótipos de marcas no painel atrás dele, estou preparado para as cenas em cafés e supermercados das telenovelas com prateleiras cheias do mesmo produto, estou preparado para a publicidade antes do filme que paguei para ver, estou preparado para o Cristiano Ronaldo vestir sempre a mesma marca

Então qual é o problema da publicidade nos blogues?

O problema é que quem lê estabelece relações com quem escreve nos blogues. Por entre as palavras há sempre um pedaço de quem escreve e esse vislumbre cria relações de confiança, de repugnância, de afecto. No meu caso, que me esforço por não deixar passar muito de mim, haverá sempre quem estabeleça empatia pelos livros de que falo, pela forma como escrevo. Sei que consigo arrancar um sorriso num dia mau, sei que consigo irritar quando insisto numa visão extrema, sei que consigo fazer suspirar pelo boneco. E, ao fim de alguns anos, habituamo-nos uns aos outros, há quem adivinhe a que comentários responderei, que post virá a seguir, há quem estranhe quando saio fora do registo habitual. E eu noto os que não comentam como habitualmente, respondo aos comentários dos mais antigos ou dos que me mostram outro ponto de vista, aprendo.

E é essa quebra de confiança que nos dói, não reclamamos com os blogues que nos dizem logo ao que vêm, aos que anunciam perfumes e cremes desde sempre e para sempre. Reclamamos com os blogues com pessoas lá dentro, que nos permitiram que fizéssemos parte dos seus confidentes, aqueles com quem rimos, que nos emocionaram, que nos responderam, com quem empatizámos, aqueles que são uma espécie de amigos nossos. A esses não lhes perdoamos que nos digam um dia que o Dacia é que é e no dia seguinte nos assegurem que o Seat afinal é que é bom, não admitimos que nos digam que não há nada que se compare ao Club Med e que no dia seguinte afiancem que o turismo rural no Alentejo, não toleramos que nos confundam com as bolachas que não engordam, ficamos sentidos quando percebemos que afinal não se esqueceram do Toblerone no meio dos livros, afastamo-nos quando nos querem fazer crer que não há nada que se compare aos detergentes de máquina da louça dissolvidos em leite sem gluten, e que as margarinas com sabor a manteiga combinam bem com tudo.

E, em se perdendo a confiança...

Jorge Jesus acalmando o seu jegador


(igualzinho a isto dos blogues, elas a contar-nos uma história e nós a ver que não...)

26 janeiro 2015

Será dos meus olhos ou..

...as pessoas estão hesitantes entre "Je suis Syriza" e "Je ne suis pas Pingo Doce"?

Demis Roussos já não está no meio de nós

Diverte-me sempre a extrema esquerda, por isso vai ser divertido ver como Tsipras vai cumprir os prometidos amanhãs que cantam e, já agora, perceber se a rapaziada grega entende que a devolver a dignidade a um povo não quer dizer que se possam voltar a reformar aos quarenta e cinco anos nem que as más contas estão de volta.

Para já, um tipo que faz o discurso de vitória com Cohen a anunciar que "First we take Manhattan, then we take Berlin" (lá está, eu faria ao contrário...), um tipo que chama Ernesto a um filho, merece que tudo lhe corra bem, assim como eu mereço que não prejudique o valor da minha carteira de acções.

Em verdade te digo, Ruben Patrick

Ainda que ela te tranquilize e repita que sim, que foi bom, nunca dês como certo que tenha sido realmente bom, não te deslumbres, talvez seja vagamente verdade, considera sempre a possibilidade de ela se referir a ter acabado depressa ou ao jantar que pagaste antes.

25 janeiro 2015

Há quanto tempo não tínhamos um "eu já"?

Já vi Tony Carreira em concerto na Pampilhosa da Serra e Barenboim a dirigir em Milão, já dormi ao relento no Champ de Mars e no Intercontinental da Ópera de Paris, já li Nicholas Sparks e James Joyce, já voei em executiva para o Porto e no banco de cockpit para Nova Iorque, já comi bifanas nas roulottes de Alvalade e carpaccio de não sei quê naquele restaurante de que se fala em Copenhaga, já vi o Sporting ganhar ao Manchester United e perder com o Gençlerbirliği, já bebi do melhor Champanhe e "vinho cá do nosso", já conduzi um carro que tinha um tapete grosso para tapar os buracos no chão e já conduzi um carro sem preço, já vi um homem morrer-me nas mãos e já vi outro nascer diante dos meus olhos, já morei numa residência de estudantes e nesta casa onde vivo agora, já fiz mulheres felizes e outras nem por isso.

As coisas? Ora, são como são...

Fui então verificar o que era isso da Violetta e percebi que era um espectáculo desses de as mães fazerem um esforço muito grande para cumprir o sonho das suas meninas, "mas ela queria tanto", e lá foram, menina que  não possa dizer na segunda feira que esteve naquilo da Violetta é menina muito infeliz, sem amiguinhas, vale bem a pena o esforço, de caminho diz-se que foi um bilhete muito caro, "mas ela queria tanto", e mostra-se o bilhete, aproveita-se para marcar território, que isto, mesmo tendo estado lá, há maneiras de se mostrar que se esteve lá em bom, e as meninas ficaram muito felizes, ("e os bilhetes? Caríssimos. Mas ela queria tanto..."), e afinal isso é que importa, crianças felizes e mães que foram com as suas meninas, porque elas queriam mesmo muito e vieram muito felizes, mas o que me traz cá é que não vi nenhum pai a fazer cumprir o sonho das meninas, os pais são pessoas de trabalho e de estar com os amigos e não estão cá para cumprir sonhos de meninas que queriam tanto.

24 janeiro 2015

Eu...

...que sei que o Nik Kershaw já foi vocalista dos Kajagoogoo, que sei que o Jean Michel Jarre deu um concerto na China, que sei que o outro tipo dos Wham se chamava Andy, que sei que o indivíduo que era baterista dos Genesis tocou nos dois Live Aid, que sei quem foram os Human League, que sei em que ano tocaram os Duran Duran em Lisboa, não faço a mais pequena ideia de onde saiu esta Violetta.

23 janeiro 2015

O leitor decide

Escrevo sobre aquela bizarria de ontem ou sobre posts que parecem ser boa ideia mas afinal não?

Obrigado, Lamborghini

O que eu queria mesmo era escrever um post assim, com o título ali de cima, a Lamborghini acabadinha de me enviar um 400 GT, em roxo, pois claro, eu havia de mostrar os comandos da chauffage, a maneta das mudanças em cabedal, o rádio a sintonizar onda média, havia de me exceder nos encómios, adjectivando o conforto, afirmando que, sim senhores, ali estava uma suspensão em bom, e a Lamborghini havia de concluir que tinha valido a pena ofertarem-me o automóvel, que o investimento tinha sido ligeiramente fora do budget, que tinham tido muitas dificuldades para me convencer, mas afinal, estando tudo bem quando acaba bem, tinha valido a pena, haviam de emoldurar este post "Obrigado Lamborghini" em moldura de cedro colombiano e cristal do baixo Reno e colocá-lo em todas as oficinas, substituindo os calendários de ninfas meio desnudadas e todos haviam de concordar que estava tudo muito bem assim.

22 janeiro 2015

Por um mundo melhor

Falar menos, mas com mais palavras.

Está tudo doido, não está?

2,65 M€ pelo Maurício?...

19 janeiro 2015

Estar sozinho numa cidade muito longe de casa...

...dá-me aquela paz igual à de quem vê lenha a arder na lareira, de quem escuta Grieg sem pensar em mais nada, de quem contempla a mulher que dorme ao lado, sem a acordar.