17 março 2017

Há semanas em que que chegam muitos mails, ...

... uns querendo saber se eu continuo a estimar J. Rentes de Carvalho, outros desejando muita saúdinha para mais umas semanas de Pipoco, outros ainda abalando dramaticamente a minha autoestima mandando dizer que as minhas sábias palavras não chegam aos seus empedernidos corações.

De todos os mails, que agradeço efusivamente, continuo a maravilhar-me que me escrevam, um houve que me deixou a pensar e que, resumindo, me perguntava qual o propósito de continuar a escrever coisas variadas.

E há um propósito, trata-se do gozo que me dá ter um blog é contar uma história sem powerpoint lá atrás, trata-se de escrever palavras que contem uma história, a melhor história possível, que as palavras se transformem em imagens na mente de quem lê, que as letras, encavalitadas umas nas outras, sem contaminação nem ruído de imagens, só palavras umas a seguir às outras de tal maneira que consigam contar uma boa história, tenham o poder de fazer sorrir as pessoas, ou enfurecê-las, que as façam perder um par de segundos a imaginar o que lhes quero contar.

É uma espécie de magia, não é?

15 março 2017

Pipoco pergunta

A partir de que ponto da nossa vida se volta a precisar de Deus?

14 março 2017

Post em tempo (quase) real

Está ali atrás da minha potente viatura de marca alemã um casal muito afrontado, ela, muito loura e com óculos de sol a segurar-lhe o cabelo, gesticula virada para ele, nota-se que está a gritar muito alto, a viatura deles é pequena, há alturas em que parece que ela quase lhe toca na cara, tão largo é o esbracejar, ele nem sequer olha para ela, fixa o olhar em frente, as duas mãos agarradas ao volante, a cara de jogador de póquer dele parece enfurecê-la ainda mais, o trânsito entretanto arranca, passa jazz na Antena Dois, eu primeiro penso que má coisa terá feito o homem da cara de póquer, depois ocorre-me que se calhar não fez nada e é só este meu mau hábito de achar que a culpa nunca é delas.

13 março 2017

Sete anos disto do Pipoco. E tudo vai bem.

O que sucede, Ruben Patrick, é que é um prejuízo as palavras andarem por aí desirmanadas pelos posts, têm que ser alinhadas umas com as outras de forma que consigas dizer a mesma coisa mas de uma maneira só tua, depois tens que saber que nem sempre o boneco se aguenta, há ocasiões em que tens que ser tu a ajudá-lo, as pessoas hão-de notar e isso é um problema, os bonecos querem-se rijos, depois, Ruben Patrick, há que falar do que se sabe, a coisa pode não ter ocorrido mesmo assim mas é da tua conveniência que tenha acontecido maioritariamente assim, as pessoas não são tontas, quem te lê sabe o que fizeste no Verão passado, a seguir, Ruben Patrick, não te esqueças de ser gerir o ambiente, se a coisa começar a ficar desgovernada, só porque falaste do cão grande ao teu lado, tu com uns jeans velhos e uma camisa branca, acabado de chegar de Nova Iorque e com um bom livro defronte dos teus olhos, terás que falar a seguir de como a tua mulher te percebe os silêncios, ainda não falámos de que tens que ser razoavelmente capaz de conduzir os acontecimentos, as pessoas dos blogs não podem decidir o caminho da coisa, és tu quem conduz, um dia por um caminho, outro dia por outro caminho diferente, se não te apetecer dizer para onde vais, espera que te chega a vontade, chega sempre, entretanto vai falando de velhinhas à procura de portas de embarque ou de problemáticas de mulheres, as pessoas esperam por ti, esperam sempre, e, para terminar, por mais que te digam que não, que isto são mais do que só blogs, nunca percas de vista que isto são mesmo só blogs, que a vida mesmo a sério é outra coisa.

(Obrigado a todos os que lêem isto do Pipoco, os que lêem sem gostar, os que lêem porque se divertem com a coisa, os que lêem por hábito, os que lêem só para se aborrecerem, os que lêem só porque sim, todos fazem parte desta espécie de meu divertimento.)

12 março 2017

Isto do Pipoco faz amanhã sete anos

Qual o ponto de situação dessas prendas?...

10 março 2017

Dias da Mulher

Celebremos então as que se envergonham com quotas por género, as que sabem escolher vinho sem se enganarem muito, as que sabem interpretar silêncios, as que sabem perder um jogo, as que sabem estacionar à primeira, as que não se deslumbram porque o parceiro sabe descascar batatas, as que sabem sair de cena sem maçarem as pessoas, as que, para além dessa, conhecem outras artes de encantar um homem, as que sabem ficar invisíveis, as que dizem uma coisa e a coisa não quer dizer outra coisa, as que descodificam quando  há alturas em que não nos apetece, as que nos falam de lugares onde nunca estivemos e de livros que nunca lemos, as que nos dizem que não, as que nos fazem rir, as que nos acompanham num gin tónico no fim da tarde e é só um gin tónico ao fim da tarde, as que gostam de andar à chuva, as que ganham mais do que nós, as que nem sequer consideram a possibilidade de nós não sabermos como se trata de um filho doente.

(*)

08 março 2017

Dia da mulher

A coisa não vos aborrece?

05 março 2017

Em verdade te digo, Ruben Patrick

Afadigam-se elas com vertiginosos saltos, exuberantes decotes, ousadas transparências, recomendam-nos densos livros de poemas, ensaiam poses de mulher fatal, desenvolvem perfis de mulher misteriosa, e afinal, Ruben Patrick, nós só queremos delas aquilo que elas querem de nós: que nos façam rir.

(*)

02 março 2017

E depois...

...havíamos de chegar a Megève num carro com dois lugares e com uma bagageira minúscula, havíamos de nos instalar no M e tomaríamos um banho quente, jantaríamos num restaurante na praça, um que fosse bem aquecido, havíamos de beber um vinho que eu escolhesse e regressaríamos cedo ao hotel, para uma noite bem dormida, havíamos de nos levantar cedo e seríamos os primeiros a abrir as pistas, antes ainda da rapaziada das pranchas, havíamos de nos cansar e parar para tomar café num desses bares no fim das pistas encarnadas, e regressaríamos no fim da tarde, a tempo de um gin tónico e de uma boa partida de snooker a pares com duas mulheres demasiado bonitas que nos perguntariam se não nos importaríamos de jogar com elas, abandonaríamos então os nossos livros, o meu seria aquele cujo nome não posso pronunciar, e diríamos que sim, que seria um gosto, elas haviam de sorrir, havíamos de dançar a seguir ao jantar, havias de me ensinar de uma vez por todas a dançar o tango, havia de ser assim em vez da reunião com o Fonseca da tesouraria, e logo às oito da manhã.

01 março 2017

Às vezes, quando vejo pessoas desistir de pessoas, lembro-me deste final de livro

"- E até quando pensa o senhor que podemos continuar neste ir e vir dum caralho? - perguntou-lhe.

Florentino Ariza tinha a resposta preparada há já cinquenta e três anos, sete meses e onze dias com todas as suas noites.


- Toda a vida - disse."

28 fevereiro 2017

Fences

Era uma vez um grande filme, duas boas representações, uma história bem contada, depois veio o Denzel Washigton que decidiu foder tudo e inventou aqueles trinta segundos finais de filme.

E tu, que informação inútil guardas no teu cérebro?

O Cat Stevens agora chama-se Yusuf Islam, o Checkpoint Charlie dividia a Friedrichstrass, a Joana de Verona afinal não abandona a novela, a última vez que o Sporting foi campeão ganhou no último jogo ao Beira-Mar, os irmãos Dassler zangaram-se e um ficou com a Adidas e outro criou a Puma, a princesa Diana morreu no túnel da Pont d'Alma, o Pelé chama-se Edson Arantes do Nascimento, o navegador do Hannu Mikkola chamava-se Arne Hertz, a capital do Togo é Lomé, os Eurythmics eram a Annie Lennox e o Dave Stewart, a música do Jet Set Willy era o If I were a rich man, o Carlos Saleiro foi o primeiro bebé-proveta português.

27 fevereiro 2017

Pipoco pergunta

Se não existisse esta bizarria da melhor actriz e do melhor actor (onde é que está a Luna quando precisamos dela?) o prémio de melhor intérprete ia para a Emma Stone ou para o Casey Affleck?

Quiçá...

E se também se tiverem enganado a anunciar o Bob Dylan, só que na altura ninguém se quis aborrecer?

26 fevereiro 2017

Isto anda tudo ligado

Dos filmes que ganharam um Razzie, calhou-me ver o Batman vs Super-Homem. Fui lá pelo Batman.  Já não há jornais da tarde.

De cada vez que se comemora Zeca Afonso fico com pena de não ter ido ao concerto do Coliseu. A seguir dá-me vontade de ouvir Pink Floyd.

Hoje confundi Cage the Elephant com Vampire Weekend. Tocou Haydn no resto da viagem.

Rainieri foi despedido do Leicester. Nuno Markl faz parte do júri do Festival da Canção.

24 fevereiro 2017

Ontem ao almoço

Ela chegou a horas ao restaurante, que era perfeito o que ali nos trazia, vestia o vestido perfeito, razoavelmente decotado, de um desses criadores novos, disse as palavras perfeitas para a ocasião, incluíndo "Agile" e "Digital", deu-me as deixas perfeitas para eu colocar as perguntas inteligentes perfeitas, teve o timing perfeito na introdução das temáticas "qualidade da neve nos Alpes prevista para a próxima semana" e "último livro do Valter Hugo Mãe".

Eu fiquei o tempo todo a reparar na quase imperceptível marca de batom vermelho numa zona impossível de os lábios dela alcançarem.

23 fevereiro 2017

Lago Tanganica, enfim

Tempos houve em que as margens do lago Tanganica se agitavam com os pequenos nadas, esse era o tempo em que Sansão, o pássaro-alfa, com o seu vôo magnífico, apaziguava as tribos que se atropelavam nas margens férteis do lago, Sansão, o pássaro-alfa, aconselhava aqui, desbloqueava ali, admoestava mais além, as tribos aquietavam-se com a palavra sábia de Sansão, o pássaro-alfa, as pequenas picardias acabavam em bem, e Sansão, o pássaro-alfa, regressava em paz quando o sol se deitava na margem do Lago Tanganica, feliz por fazer o bem, tranquilo por verificar as pequenas traquinices se resolviam com saberes antigos.

Vieram então os tempos intranquilos, em que as várias tribos faziam e desfaziam alianças, um tempo sem lei, um tempo de monções agrestes. Sansão, o pássaro-alfa, planando superiormente sobre o Lago, taciturno e apreensivo, observava as tribos, umas dizimando-se a si próprias em lutas fraticidas, outras tentando equilibrar-se nas margens pantanosas do lado Nordeste do Lago, foi o tempo em que Sansão, o pássaro-alfa, migrou para Sul, levando a concórdia a lagos mais urgentes que o Lago Tanganica.

Sansão, o pássaro-alfa, regressa agora ao Lago, afinal trata-se do seu Lago, ainda vem longe e já nota os estandartes em farrapos, o pântano apaziguado com o sacrifício de tribos imprudentes, das tribos antigas já poucos restam, umas fazem os seus ninhos com maus barros mas não olvidando coloridas e esvoaçantes fitas de cetim, outras contam-nos histórias de pasmar das suas crias.

Sansão, o pássaro-alfa, poderoso e altivo, voa de novo sobre o Lago Tanganica. Oremos, pois.

(*)

22 fevereiro 2017

Post em tempo real

O primeiro canal da televisão do meu hotel tem a gravação de lenha a arder. Só isto, lenha a arder. É maravilhoso aumentar o volume só para simular que coloquei mais lenha. 

Estou fascinado. 



19 fevereiro 2017

Ainda dos filmes de Berlim

Há um pormenor do tal filme, o "Adiós Entusiasmo", que me anda a inquietar, o filme era sobre uma família num apartamento, uma mãe isolada dos três filhos, que comunicavam através de uma porta fechada, uma mãe a quem os filhos passavam comida através de um postigo, nunca o espectador via a mãe nem sabia a razão do isolamento, eram quase cruéis as cenas em que a mãe pedia ao filho mais novo que cantasse para ela junto à porta que os separava, era atroz quando se comemorou o aniversário da mãe com os convidados num quarto e a mãe isolada noutro. Eu já li um livro com esta ideia-base, a minha inquietação é não me lembrar que livro era.