18 agosto 2017

Uma coisa nova por dia

Boleia na pá de um tractor.

(eu não pedi, mas o velho basco que conduzia o tractor deve ter-se comovido com a meu ar de cachorrinho abandonado depois de quinze quilómetros de chuva, e sempre a subir ...)

Que estás a fazer neste momento, Pipoco?


11 agosto 2017

Pipoco procura o post perfeito

Qual será o post perfeito para ficar aqui prantado uns pares de semanas, coisa que o respeitável público passe por cá para ler e diga, sim senhor, que belas palavras Pipoco aqui tem, não me canso de absorver a grandeza de tamanho saber, tudo isto sem se aborrecer por não haver por cá escritos novos, uma espécie de famous last words que perdurarão até ao fim do ano Pipoqueano, enquanto Pipoco calcorreia montanhas muito altas com o seu Nokia de fazer chamadas, que para pouco lhe servirá porquanto nas montanhas muito altas o conceito de ter rede é uma coisa abstracta, que tanto pode haver como não?

09 agosto 2017

Ruben Patrick arrasta-se até às férias. Enfim, como os piolhos...

Nem Ruben Patrick, que, notem bem, é Ruben Patrick, se lembraria de prantar o seu rico filho num retrato a segurar um remédio para os piolhos num anúncio que diz duas vezes lá nas letras pequeninas que aquilo é coisa para manter fora da vista e do alcance das crianças.

Um horror, mesmo para Ruben Patrick.

Ruben Patrick tenta movimentar-se no centro comercial Colombo. Por entre indivíduos que envergam maioritariamente camisolas do glorioso. Enquanto arrastam sacos da Primark. E ingerem hambúrgueres do Mc Donalds. E se chamam uns aos outros em voz alta. E falam francês.

08 agosto 2017

Fui ao interior e ouvi rádios regionais

Há na obra de José Cid toda uma afronta às mulheres, coisa merecedora de se transformar no ponto de mira das nossas infatigáveis tribos feministas, vejamos, Cid em "A cabana junto à praia" transporta-nos para o mais mítico de todos os fetiches masculinos, o da mulher que aparece à porta da cabana enquanto um homem fuma um cigarro mas que, e é aqui que está a beleza da coisa, intuímos que ela se vai embora mal nasce o sol, em termos de imaginário masculino isto é material sagrado, muito melhor que trigémeas enfermeiras, mas é este mesmo Cid, o homem taciturno que tem uma cabana na praia, que imaginamos tenha apenas meia dúzia de livros de Hemingway e Bukowski, whisky de malte e uma caixa de charutos, talvez uma cana de pesca e uma boa camisola de gola alta, é este mesmo Cid , dizia eu, que vive uma prazenteira vida a dois em "Favas com Chouriço", onde não falta um emprego das nove às cinco, crianças que dormem a sono solto logo a seguir ao jantar carinhosamente cozinhado pela esposa que, mal tocam as badaladas das cinco da tarde, já está a ligar para Cid, indagando se ele se demora muito, talvez esta seja a mulher que com quem ia brincar depois das contas de multiplicar, uma relação nascida na inocência da infância, que Cid promete só findar quando forem velhinhos, é este amor eterno que Cid delapida, saindo de casa nos subúrbios durante a noite, enquanto a esposa dedicada dorme em lençóis de linho aspergidos com  aroma de jasmim e as crianças sonham com anjinhos protectores, enquanto Cid, ignorando o Renaut 5 estacionado junto ao passeio, arranca veloz numa Kawasaki 900 Enduro, rumando à cabana junto à praia, cabelos ao vento, sem capacete, colocando em risco um eventual prémio de seguro de vida em caso de acidente fatal, pensando apenas na volúpia, regressando de madrugada a casa, enquanto a dedicada mulher lhe sorri, feliz, quando ele explica que saiu apenas para lhe trazer uma flor silvestre, que ela colocará no cabelo ... (podia estar nisto o dia inteiro)

07 agosto 2017

Sobre aquilo da mama

Em Alvalade há muito melhor.

E sem aquele anel inenarrável no dedinho...

06 agosto 2017

Uma coisa nova por dia


(ou uma espécie de "O que vês da tua janela, Pipoco?" no Bugio)

03 agosto 2017

Daquilo lá do restaurante

O que mais me chocou foi eles escreverem "perzuto" nas facturas.

02 agosto 2017

Recados para uma montanha que vai ficar com Pipoco alguns dias em agosto


  • Pipoco não come dessas barritas de fruta concentrada que dão um boost de energia, diz que lhe ficam a trabalhar no estômago. Providencia amoras nas altitudes até mil metros e ele há-de arranjar-se com nozes e amêndoas quando o levares acima dos dois mil metros.
  • Pipoco é obcecado com o peso que leva às costas, sempre foi assim e não está a melhorar com a idade. Por isso Pipoco estará quase sempre em autonomia, sê gentil com os horários dos pontos em que se poderá comprar presunto pata negra e vinho de Bordéus durante o trilho.
  • Pipoco está mesmo a precisar destes dias de paz. Apesar de ter decidido levar um Nokia desses que só fazem e recebem chamadas, providencia que não haja rede em nenhum ponto do percurso.
  • Pipoco não é adepto de bebidas isotónicas e só leva dois litros de água, por isso faz com que surjam pontos de água potável a cada quatro horas de caminho.
  • Faz com que os abrigos de montanha sejam acolhedores e com gente interessante com quem se possa falar um par de horas quando o sol cair. Se não for pedir muito, providencia gente que não ressone nem maluquinhos da escalada que se levantam às quatro da manhã.
  • Faz com que não chova nem faça muito calor. Um tempo de céu encoberto com esporádicas abertas e uma temperatura entre os vinte e os vinte e dois graus Celsius estará muito bem.
  • Trata de que não haja gente muito faladora durante o percurso, que seja só daqueles que dizem "hello", perguntam de onde somos, digam que já estiveram um par de vezes no Algarve e sigam o seu caminho.
  • Elimina do percurso os caminhantes que desatem a falar do Cristiano Ronaldo quando vêem a pequena bandeira portuguesa da mochila.
  • No final dos dias de montanha, que o hotel tenha rigorosamente tudo aquilo que anuncia. Incluindo as massagens e o chuletón de buey.