17 julho 2018

Dando provimento a uns rascunhos que tenho para aqui (I de III)

Aparecesse um génio, desses que têm uma lâmpada mágica, e dissesse-me o génio que, em vez dos clássicos três desejos, me concedia a graça de ser personagem de um livro durante um mês e eu havia de escolher ser Zorbas, o gato grande, preto, gordo e de olhos amarelos que ensina uma gaivota a voar, uma bela alternativa ao Principezinho, fiquem sabendo, havia de demorar o meu mês Zorbático a beber Hoegaarden no porto de Hamburgo, talvez me lembrasse de Aznavour e dos marinheiros que falam de mulheres e de amor, havia de mostrar que não há impossíveis quando se trata de cumprir uma promessa feita a um desconhecido, e sabem os céus que eu tenho a minha dose de promessas impossíveis, havia de explicar à pequena Ditosa as artes do primeiro voo, uma especialidade minha isso de estar sempre a aprender a voar, mais que o Júlio dos "Famosos Cinco" ou o Gordo da colecção "Mistério", mais que Florentino Ariza, o homem capaz de saber esperar pelo amor original, mais que João da Ega ou o Capitão Nemo, Zorbas, o gato grande, preto, gordo e de olhos amarelos seria a minha escolha perfeita.

(respondendo a um desafio da Cláudia Filipa, ainda era Março)

9 comentários:

  1. Não conheço o Zorbas, mas vou investigar...

    ... agora o Aznavour... hum, não seria Brèl a cantar sobre o porto de Amesterdão? :)

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    1. Anónimo18.7.18

      Era uma referência a "Emmenez moi". :)

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    2. Nem lembrei essa... Fala-se em marinheiros e portos e mulheres e amores e fico brelizada! Obrigada :)

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  2. Mas... Já somos personagens de um Livro, com a ilusão de não sei quê, quando e porquê... E o meu caro queria estar dentro de um livro dentro do Livro, escrito por sabe-se lá quem, repleto de estranhas referências, quem sabe se em qualquer empoeirada estante na companhia do excelso Tomás Noronha, solitário numa cápsula cruzando os céus em busca de O Sentido da Vida?!

    Eu, quando me dá isso, ponho pomada na perna e coloco a cassete do glorioso no vhs.

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  3. Cláudia Filipa18.7.18

    Estou fora de Portugal, num sítio com uma péssima rede WiFi, vou tentar que receba agora o comentário que tentei enviar-lhe, ontem, umas quantas vezes, sem sucesso:

    Ai, tenho de dizer mais vezes que sou discriminada e assim...

    Que coisa tão bonita! Existem os textos "só" bem escritos, e, depois, existem aqueles que, pelo que escolhemos escrever, pelo que nos lembramos, passam a ter a riqueza do que não é "apenas" um texto bem escrito.

    Muito obrigada, "gato grande, preto, gordo e de olhos amarelos", é que, sabe, esta desconhecida, considera que, este post, é um presente de grande valor.

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    1. Ora, Cláudia Rita, estou cá para a agradar...

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    2. Anónimo19.7.18

      Adorei a escolha :) gostei tanto desse gato na minha adolescência...

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  4. Arre, gaita!! Tantos salamaleques até enjoam...e pensava eu que esta gente chique era mais pé-no-chão, do que galinha em terreiro...

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