17 setembro 2013

Isso do poder e dos blogs

O que não se deve confundir é a "sede de poder" com o exercício do poder. A "sede de poder" é para os wannabe da coisa, aos que ainda não estão lá e que se esforçam para lá chegar, quase sempre desajeitados, toda a gente sabe isto, a coisa não é para todos. Ter poder porque se tem dinheiro ou porque se está numa posição que dá mesmo aquela ilusão que se manda em pessoas não tem muita piada. É divertido nas primeiras semanas mas esgota-se em si mesmo. É um poder tácito, fácil, previsível, aborrecido, incontestado até um dia. O verdadeiro poder, aquele que leva aos píncaros da adrenalina, é poder mudar o rumo de uma discussão, é poder introduzir um ponto de vista diferente, é saber de antemão que reacções despertamos, adivinhar que posts comentarão as massas e que posts as massas passarão à frente, é estimular o respeitável público e no momento seguinte saber como aborrecê-lo de morte, é saber como inquietar quem lê e ter artes para provocar riso do lado de lá, é saber como se alinham as letras para que ninguém esmoreça antes do fim do post. Mal explicado, é este o poder que move alguns dos que escrevem nos blogs.

18 comentários:

  1. Entendido, puppet master :)

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  2. Tio Pipoco, imagino-o cheio de rendas e brocados. As coisas simples da vida aborrecem-no. Adora complicar. Poderia ter dito isto tudo em apenas 1 linha: Porque toda a acção tem uma reacção e dá um tremendo de um gozo!

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    1. É bastante mais divertido, trata-se de induzir a reacção.

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  3. Tio Pipoco, todas estas conclusões tão sabiamente concluídas, após serem esmiuçadas e analisadas até a exaustão e por fim expostas de uma forma tão intrínseca, fazem com que uma duvida aflore o meu pensamento:
    Será que Pipoco (Tio Pipoco), sempre tão correcto e assertivo nunca se permite ter uma atitude menos certa, isto e, fazer ou dizer qualquer coisa assim espontaneamente e a doida, sem pensar e só porque sim????

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  4. Anónimo17.9.13

    Espero que haja muitos comentadores imprevisiveis ou esse poder deve deve ser o mais aborrecido de todos.

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  5. por vezes, penso que anda por aí muita gente a sentir-se o Deus dos blogs... mas, para que é que isso importa?
    Beba lá o seu café (sem açúcar) e relaxe, com Mozart que o final da tarde não foi feito para este tipo de aborrecimentos...
    Eu vou beber um café de cápsula (marca branca de um qualquer super mercado) com açúcar, ouvir o Nick Drake e ler blogs de História porque isto dos interesses pode ser muito imprevisível...

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  6. Isso na perspetiva da defesa da natureza humana não correu bem. Seria quase tão mau que fosse o poder a mover os bloggers, como o dinheiro ou o interesse. Tenho para mim que a coisa é mais simples. Em regra, quem gosta de escrever gosta de ser lido porque é assim que se cumpre a comunicação. Ser lido por muita gente significa que há muita gente que, de entre todas as muitas coisas que pode estar a fazer, escolhe gastar o seu tempo a ler-nos. E acredito que a maioria dos bloggers seja movido pelo mistério que é o interesse que despertam. Paradoxalmente, o poder é todo dos leitores que, podendo deixar-nos a falar sozinhos, retiram o interesse à coisa.

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  7. (claro que para chegar a essa conclusão tive que imaginar como seria a coisa se tivesse mais de dois leitores)

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  8. E se uma pessoa tiver um blogue só naquela de puro divertimento, relax, hobbie? Se realmente não lhe interessar chegar a lugar algum? Essa coisa de estratégias e poder e coisa e tal, não retira o divertimento todo ao facto de se escrever só por gostarmos de escrever? Ainda que o que se escreva possa não ser de todo interessante.

    O que me move é realmente a parte que diverte. O gozo que dá. O resto é paisagem.

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  9. Não li o texto confesso...primeiro estou a rir-me por ter encontrado um pipoco mais salgado.

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  10. Anónimo17.9.13

    Magnífico caro amigo Salgado. Um texto que faz exactamente aquilo que diz que os seus textos na blogo pretendem fazer.
    Objecto e referência unidos num único elemento. Novamente as minhas congratulações. Nem sequer se me ocorre algo sarcástico neste momento, tão próxima da sua é a minha perspectiva do fenómeno, embora nunca tenha tido a coragem de aplicá-la no meu próprio cândido e tranquilo (e defunto) blog.

    O texto como acto político. O poder da palavra. E a sinceridade de reconhecê-lo sabendo que a argumentação que se seguirá dificilmente passará do anátema daquilo que diz para a compreensão do exemplo que pretende ilustrar.

    Circular, lindo, recorda-me a simplicidade libertadora do cubo de necker ou do jarro de klein.

    Parabéns Pá! Tens alguma irmã assim como tu, mas descomprometida, que goste de gajos meio patetas e tenha um carro como o teu em preto?

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  11. Criei um blogue para poder deixar memórias à minha filhota mais pequenina. E o PMS o que é que o move? ;)

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    1. Anónimo18.9.13

      As pernas enquanto peão, e o carro quando condutor.

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    2. Não não, caro amigo Salgado, o que nos move é a vontade.
      O resto decorre naturalmente disso.

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  12. Não se esqueça da análise daquela problemática "olhos nos olhos" (sem o sr. professor Medina à mistura).

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  13. Já colocava o escrito de hoje, não? É que já é a segunda vez que entro aqui hoje e está tudo igual. Importa-se? Não precisa de ser uma coisa muito elaborada, basta uma que seja diferente, ok? É para eu ler amanhã de manhã ao acordar. Grata pela atenção.

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    1. Eles ainda estão potestativos. Mais vale não incomodar...

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  14. O Tio Pipoco está com dois dias de atraso. Já sei este post de cor e salteado... Já pode colocar o próximo.

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