30 abril 2020

Um post por dia até eu me aborrecer com um post por dia - Dia 46

De todas as coisas bizarras que acontecem por estes tempos, a que mais me diverte são os cidadãos que os canais de televisão convocam para comentar situações variadas, vamos designá-los por cidadãos da categoria "Eu não sou especialista, mas...", acontece que o cidadão, pouco habituado a isto de ter uma câmara apontada, até começa com um bom discurso, coerente, perceptível e assertivo, bastante fundamentado, quando anuncia "Eu não sou especialista", o problema é que, à beira do abismo decide dar um passo em frente e avança, o cidadão sente a pressão de ter que ter alguma coisa para opinar, sai-lhe então o fatídico "mas...", é aqui que perdemos o cidadão, na voragem do momento, sabendo que amigos e familiares o estão a ver na televisão, o cidadão diz coisas e, dizendo coisas, aventura-se por caminhos que não domina, acontece a catástrofe, o cidadão entusiasma-se consigo próprio, imagina factos, e, inevitavelmente, apesar da carinha sorridente, apesar de nos imaginar imbecis, esbardalha-se até ao plano final de poker face da entrevistadora a tomar nota mental para jamais convocar de novo aquele cidadão, sentimos vergonha alheia do pouco saber do cidadão, mas pouco importa, tão certo como nascer o sol, amanhã teremos um novo carregamento  de cidadãos a dizer coisas e a não resistir ao "mas...".

13 comentários:

  1. Olhe, gostei deste post. MAS... gostei mesmo muito.

    Bom dia, sô pipoco

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  2. Caro Pipoco, então, com sua licença, aceite só um apontamentozito de alguém que também gosta de opinar e, às vezes, tantas vezes, também se esbardalha. ( com a diferença de que o reconhece sem qualquer problema)

    Esses cidadãos que se afirmam não ser especialistas na área para o qual foram convocados a botar palavra, vão prevenindo que não são especialistas, logo, sujeitos a errar e a culpa do esbardalhamento fica por conta de quem os convidou. Mainada! Saem sempre de consciência limpa. Já quem os critica quantas vezes se esbardalha, mas...não o admite nem assume, né? E a mais não foram convidados para ser críticos nem comentadores, mas...

    Fique bem e sinta-se à vontade para 'postar' sempre e quando lhe aprouver, mas...não venha mais lançar desafios sem antes ter ponderado bem a responsabilidade da coisa, viu? Vá, que eu tive o bom senso de não entrar na fila, senão...

    ( isto é um exemplo que dou acerca de esbardalhamentos. :-P )

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    1. Janita, tem toda a razão. Para a próxima reflectirei longamente antes de aventurar em tal responsabilidade, ainda para mais porque galvanizei terceiros para esta ideia tresloucada (todos os dias me regozijo por a menina não embarcar em aventuras deste gabarito, não me perdoaria ter que a encarar, olhos nos olhos, a voz a falhar-me, eu a dizer, "Janita, lamento, acompanhou-me nesta frente de batalha e agora abandono-a à sua sorte, os nossos caminhos separam-se e eu, fatigado da caminhada, resigno", repito-me, mas vale a pena dizer-lhe que não repetirei a imprudência, mas, que quer?, na altura pareceu-me coisa para um par de dias, não vislumbrei mais longe, não cuidei que a jornada fosse tão longa.

      Dê-me outra oportunidade, não desista já de mim, apesar desta minha fraqueza, suplico-lhe.

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    2. Ah, meu Deus!!!..E não é que já descobriu o meu calcanhar de Aquiles?

      Como desistir de alguém que assim desnuda a alma, numa tão humilde súplica? Jamais o abandonarei, caro Pipoco, jamais. Prometo!

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  3. Pois... li e sempre digo: Confesso que não sou especialista, mas ...

    Gostei muito de ler
    .
    Cumprimentos
    Cuide-se

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  4. Cláudia Filipa30.4.20

    Não fosse aquele título (yupiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!) e as coisas poderiam ter sido assim:

    E foi então que passámos da emergência de ter um post diário para a calamidade "acabou-se a pêra doce".
    Portanto, anos mais tarde, os investigadores concluiriam que, relacionando com o estado de emergência, o estado de calamidade havia sido bem mais penoso.
    Em declarações ao Jornal da época, Liberte o especialista que há em si, pode ler-se, por exemplo, a seguinte declaração de uma verdadeira especialista, sensata, assertiva, e que, de forma deveras irritante, tinha quase sempre razão, Cláudia Filipa, de seu nome:
    "Tudo teria ficado melhor se, o Blogger Pipoco Mais Salgado, tivesse criado o Movimento: "Um post por dia até esse momento aziago do meu falecimento". Inventando-se e reinventando-se por longos e bons anos, mas, as coisas são como são e esta especialista deseja ao Blogger, neste tipo de matérias, bons momentos e não obrigações." Acrescentou que, por exemplo, muito havia ainda ficado por dizer sobre a problemática das mulheres e dos maus rapazes, fora todas as variantes possíveis de todas as outras temáticas. Aliás, a propósito da temática mulheres/maus rapazes, vide, por exemplo, o post da Blogger Mãe Preocupada, retratando, precisamente, lá está, no extremo oposto, o tipo de bons rapazes pelos quais, esta especialista, também tem muito pouco apreço.
    Disse ainda esta magnífica especialista que, nos tempos da pandemia, cresceria ainda, aos seres irritantes, uma grande verruga, com pêlos, na ponta do nariz, tornando-se muito fácil identificá-los, seriam os que, no futuro, com a situação já resolvida, continuariam de máscara (hoje, já no futuro, podemos confirmar, esta especialista, mais uma vez, acertou).

    Escrito Posteriormente: Não é segredo, as carradas que gosto deste Blog, a cada maluco a sua mania. Para além do pedaço de prazer diário, que é vir ver o que "está aqui desta vez", igual à fumegante e vital caneca de café guardada para o momento de descontracção, igual ao quadrado de chocolate com mais de setenta por cem de cacau, também gosto de comentá-lo, mas, durante estes dias destes tempos, e, sinceramente, nem eu sei por que razão, gostei particularmente de deixar aqui os meus comentários e de partilhar o que partilhei, quer o que pensei alto a escrever, quer factos da minha vida, e, em momento algum, me senti devassada. Por isto, da minha parte, muito obrigada, pelo Blog, e, pelas consequências.

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  5. "e, sinceramente, nem eu sei por que razão, gostei particularmente de deixar aqui os meus comentários e de partilhar o que partilhei, quer o que pensei alto a escrever, quer factos da minha vida, e, em momento algum, me senti devassada."


    Fiz já o copy-past/ transcrição que é para não me esquecer:

    porque a CF (vá, why not?) fala fala fala, e eu por vezes olho o comentário assim ao de longe, mesmo com óculos, e penso: olha-me esta, mais blá blá blá inteligente, leio depois. Aconteceu com este comentário: olha-Me esta, mais um testamento sobre quase nada. Mas depois li, leio sempre :)

    e de tudo o que a CF (why not?) escreveu sobressaiu o que transcrevi. Porque pessoalmente procuro nos blogues, muito mais do que literaturas e artes e escritas mui belas, o que neles revela de quem lá está, mas revela mesmo, pode até ser com conta peso e medida, pode ser sem nomes, sem fotos, mas interessa-me a partilha daquilo que é preciso não ter vergonha para partilhar. Interessa-me a vida, isso do que fujo desde que me lembro. A existir "movimento" que me interessasse inaugurar, ou seguir, seria qualquer coisa como "conta-nos a tua intimidade", a qual, como sabemos, não tem a ver com as quecas que damos, mas com aquilo que nos toca (pode ser uma queca, desde que) realmente.

    Do Pipoco, já que aqui estamos, tenho a lamentar a superficialidade, por mais interesse que a sua ironia e subtileza suscitem, que suscitam, mas só fico com os olhos em bico quando ele refere ora o cão, ora os pais, ora pouquíssimo mais, viagens e vinhos não são intimidade.
    Mas expor na net a nossa intimidade será uma atitude responsável? ou coisa de maus rapazes?

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    1. Kina, isto são só blogs. Há quem os tenha para partilhar poesia, para nos contar o que fez no seu dia, para nos tentar vender coisas. Eu já os tive com amigos espalhados cada um por seu canto do mundo, já os tive colectivos, já os tive só com uma pessoa para contarmos uma história que um continuava no ponto onde o outro tinha terminado, já os tive para discutir política, já os tive parecidos com este. Em nenhum deles tive um propósito que me movesse, diverte-me brincar com as palavras, alinhá-las de forma a que a ideia fique o mais apetecível possível, só isso.

      Também defini algumas regras para que o espaço seja o mais alinhado possível com o que me interessa: raramente respondo a comentários, ou porque não tenho nada a acrescentar e uma resposta que nada acrescenta é o maior dos insultos a quem tem a generosidade de comentar ou porque aprendi que quem comenta raramente aceita o contraditório e prefere a saída indignada quando a argumentação começa a aquecer. Também me preocupo em fazer uma selecção razoável de comentários, serão umas dezenas por semana aqueles que escolho não publicar, seja porque são desrespeitosos para quem por cá passa, seja porque me reservo o direito de admissão para manter o ambiente geral que é mais do meu agrado.

      Ora isto que acabei de lhe contar não pode deixar de resultar em superficialidade. É verdade que estive nos sítios, que li os livros, que ouvi as músicas, mas, escolhendo omitir com quem estive, se tenho ou não filhos, eliminando da equação se vivo com homem ou mulher ou sozinho, se sou mais ou menos velho ou o que faço na vida, é claro que se perdem várias dimensões que me dariam a complexidade que escolhi omitir.

      Mas, sabe? A Kina continua a ler tudo até ao fim e isso é que merece ser explicado...

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    2. kina1.5.20

      Não tendo agora agora vagar para mais, queria agradecer-lhe por este comentário, que acrescenta alguma coisa àquilo que atabalhoadamente eu disse à CF.
      Mas também lhe digo que o Pipoco já é como o outro que mesmo que diga verdade todos lhe dizem que mente, ou o poeta que inventa o que deveras sente, ou, principalmente, como aqueles humoristas de quem gostamos mas a quem nos é extremamente difícil levar a sério, mesmo quando eles não estão a brincar.

      Bom feriado
      :)

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  6. Cláudia Filipa2.5.20

    Kina, (e, claro que pode ser CF, why not?) esta sua conversa com o Pipoco está aqui é muito bem assim, por isso, pelo menos ontem, não disse nada. Agora, quero muito dizer isto que vou dizer;

    Para mim, poucas coisas são mais íntimas do que saber como as pessoas pensam, o resto é ficha técnica.
    A maioria das conversas entre as pessoas, esgota-se aí. Já viu o que seria um filme que não passasse daí, ou, sempre, o célebre "ecrã preto"? Na maioria das vezes, congelo um sorriso apropriado à situação e viajo dali para fora;

    O que faz, vive sozinha ou acompanhada, como estamos em termos de prole e de ascendência, vive numa barraca ou numa casa em condições. Ok, a Segurança Social também faz as mesmas perguntas, para avaliar se é caso para atribuição de um subsídio, por exemplo, e fica a Segurança Social a saber tanto daquela pessoa como eu ou a Kina, normalmente, a seguir, a pessoa até vira número;

    Da mesma forma, quando me der ganas de espreitar por buracos de fechaduras, vejo o Big Brother;

    Antes de vir descobrir os blogs, já a minha ideia sobre os blogs era uma coisa absolutamente romântica. Para mim, nas redes sociais, nada se compararia a um Blog. Lá está, o romantismo estava na ideia de ver gente a realizar-se em ser tudo o que não se esgota na tal ficha técnica, ver gente a voar para outra dimensão da vida, a ser o que era ou o que quisesse ser, isso sim, para mim, é intimidade. As pessoas a serem para além da roda dos dias do ratinho em conversas de circunstância e a mostrarem os retratos, anteriormente nas carteiras, agora nos objectos tecnológicos.
    Os blogs seriam como se, de repente, alguém lhes perguntasse, está bem, agora, diz-me, quem também és, para além disso?

    A minha ideia romântica dos blogs, veio a verificar-se pelos lugares que visitei, que visito, é que, mesmo quando as pessoas se baseiam na ficha técnica, aqui, fazem-no de uma forma diferente e muitas vezes divertida, aparece como uma espécie de trampolim, como um ponto de partida bom, libertador de criatividade, de vontade de escrever, de pensar, de fazer macacada gira, lá está, cada qual com a sua ficha técnica, mas a ser, também, filme.

    Creio que isto será mais do que sabido, que, grande parte dos azedumes, das raivas, mais ou menos contidas, do tentar dar cabo "da festa" dos outros, do definhar, na parte do mundo que tem a cevada a picar-lhe na barriga, vem da impossibilidade de, na maioria das vezes, as pessoas andarem castradas com muito pouca oportunidade de realizarem-se em filme;

    Agora imagine o que foi, ter encontrado mesmo aqui uma personagem, para além do filme. Olhe, pois é, nunca tinha explicado, desta maneira, porque me aninhei neste Blog, mas é isto, aquilo do "às carradas", é também por isto. É eu imaginar alguém a despir-se dos factos e das gravatas e vir aqui um bocadinho ser realizador de cinema, e, pela óptica de realizador, vir cumprir-se, também, um pedacinho, num outro pedaço de vida, dos muitos pedaços que, neste caso, a sua vida conterá. Na minha maneira, pelos vistos, bem estranha de ver, isto é largar a superfície, para mim, isto é mergulhar.

    A Kina, o próprio Pipoco, pensarão que, também eu, ao não revelar a ficha técnica, estive sempre a concretizar, em pleno, o "Isto são só blogs". Provavelmente será encarado como distanciamento social, mesmo sem vírus nenhum, e, lá está, como superficialidade, mas, na maneira como vejo as coisas, aquilo que faço, quando digo coisas, é tentar, o melhor que posso e sei, oferecer o que é para mim uma das coisas mais intimas em relação a alguém, a forma como pensa, como vê as coisas, a sua perspectiva, o que, realmente, a fascina. Ao mostrar como penso, sem medo do que os outros possam pensar daquilo que penso, estou a oferecer, para o bem e para o mal, quem sou.

    Se, desta vez, Kina e Pipoco, não leram até ao fim, não ficarão a saber que, este comentário, foi escrito com a participação das vísceras e um dos que mais gozo me deu escrever. Agora prometo, irei estar um tempo, só a assistir, caladinha.

    Bom tudo, para ambos (e sorriso anexado)

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    1. kina2.5.20

      Fui reler o meu primeiro comentário, não fosse ter escrito alguma coisa de que não me lembrava. De facto lá não está intimidade como sinónimo de "O que faz, vive sozinha ou acompanhada, como estamos em termos de prole e de ascendência, vive numa barraca ou numa casa em condições." Quando refiro "o cão" ou "os pais" tem a ver com a minha maneira de ler o Pipoco e com a minha maneira de entender que aqui neste blogue, nos mais de milhares de posts, raras são as ocasiões em que o mencionado representa para o autor um pouco mais do que uma brincadeira, uma chalaça, uma provocação. Posso fazer um blogue onde conto com detalhe aquilo que faço desde que me levanto até que me deito, qual tal Big Brother escrito, e isso revelar ZERO da minha intimidade, sendo superficialidade pura, estamos de acordo, foi precisamente o que pensei teria ficado claro com "intimidade não são as quecas que damos".

      Para mais, eu também gosto e me entretenho com blogues de várias cores e feitios, vários filmes, se quiser, o meu zapping diário contempla canais para quase todos os gostos, uns menos pornográficos do que outros.
      Curioso, mas curioso mesmo, é ambos terem associado intimidade a ficha técnica, dizendo ao mesmo tempo a CF que isso não é verdadeira intimidade... já parece aqueles que não são racistas mas.

      "Ao mostrar como penso, sem medo do que os outros possam pensar daquilo que penso, estou a oferecer, para o bem e para o mal, quem sou." - é verdade, e não se esqueça que o meu comentário surgiu de algo muito parecido com isto que a CF disse lá em cima. Acrescentaria talvez o "sinto" ao "penso": mostrar como penso e sinto.

      Isto são só blogues e, CF, pasme se quiser, eu nem gosto de blogues ;)

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  7. kina2.5.20

    Ainda sobre o assunto:

    Em um dos blogues mais "íntimos" que tenho o grato prazer de acompanhar, realizou-se há tempos o assim pela autora denominado "desafio insano" - das coisas mais belas que tenho visto acontecer, dentro e fora dos blogues, e corajosas em recíproco, pois que a Flor se desnudando ia descobrindo outros. Só não participei por medo, sim medo, do espelho.

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  8. Infelizmente, caro Pips, também os 'especialistas' raramente são mesmo especialistas. Que quer? Vivemos na era dos tele-evangelistas.

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