22 abril 2018

Mais um da série "oh, tão bonito..."

O amor, Ruben Patrick, não é aquilo que vem escrito nos livros do Nicholas Sparks, não são os close-up em plano fechado do tipo de calças de ganga arregaçadas e camisa branca correndo na praia, à beira-mar, para os braços da miúda de caracóis negros, a imagem em câmara lenta, os lábios que se tocam, os dentes perfeitos, o sol poente em fundo, a escala de sépias a potenciar o momento, não é o tipo a carregar a cesta de piquenique da carrinha Volvo das grandes, os filhos vestidos de igual a estender na relva a toalha aos quadrados azuis encarnados e brancos, não é o capítulo treze da carta de Paulo aos Coríntios, o amor é descalçar os sapatos para não a acordares quando se atrasa o último voo do Funchal, é beber sangria de frutos vermelhos ao jantar porque só vendem um jarro inteiro, é não te esqueceres de trazer alho francês nem courgette, é não passar dos cento e quarenta na autoestrada para o Algarve mesmo que ela esteja a dormir, é ser moderadamente efusivo quando o Sporting ganha ao Benfica, é ficar a olhar para o mar sem dizer nada durante meia hora e isso não ser um problema.

15 comentários:

  1. Anónimo22.4.18

    ali a parte da toalha é que devia ser vermelha e branca; piquenique que é piquenique...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Vou alterar. Não quero estar aqui a dizer coisas ao rapaz e depois não adere à realidade...

      Eliminar
  2. Respostas
    1. A métrica está tão certinha, não está Capitã?...

      (permita-me um pergunta: os piratas sabem alguma coisa sobre o amor?)

      Eliminar
    2. os piratas sabem tudo sobre o amor!
      é conquistado pela força a gume de espada.
      não vai simplesmente ter com eles pela argúcia do cálamo!

      poças...
      é sabido...

      Eliminar
  3. E não é que concordo com essa visão do amor?! Gostei especialmente das courgetes e do alho francês:) Também eu trago leite e vinho para o meu amor, duas coisas que não consumo.
    ~CC~

    ResponderEliminar
  4. Cláudia Filipa22.4.18

    - Como aconteceu? Foi de repente ou já não andava bem?
    - Dizem, eu não sei, que chegou aqui num intervalo da leitura do Gabriel García Márquez, ora, já vinha muito sensível, deparou-se com este post, agora olha, está ali assim "oh!...oh!...oh!" e não passa dali.
    - E é aquela que, quando comenta, escreve, escreve, escreve, não é?
    - Pois é. Cá para mim até é por causa disso que, o PMS, agora, tem de afastar as ementas para ver o que lá está escrito, é do esforço que tem feito para conseguir ler aqueles comentários enormes. Agora, olha como ela está, olhos fixos no horizonte e só consegue dizer "oh!...oh!...oh!".
    - É o que eu digo, não somos nada.

    (Eu sei que me desculpa esta patetice que me apeteceu escrever num post que, é mesmo "oh! tão bonito", por definir tão bem o que é o Amor)

    ResponderEliminar
  5. "é ficar a olhar para o mar sem dizer nada e isso não ser um problema"
    seráfico.

    no resto parece apenas "consideração".


    ...
    continua a crise dos quarenta ladrões? ainda não comprou o amg-gt roadster para ultrapassar essa fase?
    o problema de um homem aos 40 não é a mulher - é o maldito carro.
    .

    ResponderEliminar
  6. Anónimo22.4.18

    ahahahahahha!!! nunca pensei... :-D

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Anónimo23.4.18

      (esta foi ali para a substituição cromática)

      Eliminar
  7. É muito muito isto :) e para se escrever coisas "oh tão bonitas" assim, é preciso saber mesmo do que se está a falar (é preciso sentir).

    Uma boa semana!

    ResponderEliminar
  8. Oh, tão bonito!...

    (É destes (posts) que eu gosto )

    ResponderEliminar
  9. Os Piratas, meu amigo, sabem o suficiente do amor para o temerem mais do que a todas as outras coisas.

    ResponderEliminar
  10. Anónimo26.4.18

    tio, porque riscou "azuis"? É algum trauma?
    vw

    ResponderEliminar
  11. O amor, no meu humilde entender, é saber partilhar tudo, que muitas vezes nem é nada, e desfrutar sempre da partilha.

    ResponderEliminar