27 novembro 2016

Acabou de acontecer

Era uma dessas mulheres que às vezes encontramos nos anúncios Chanel, mas esta estava numa livraria das que não são em centros comerciais, procurávamos livros nos mesmos cinco metros quadrados, suficientemente próximos para lhe sentir o odor a Poison e para que notasse quão demasiado bonita era, depois ela pegou no Vaticanum e acabou-se a magia, talvez ela tenha notado porque olhou para mim e, com um meio sorriso, disse "Não é para mim", mas era demasiado tarde.

35 comentários:

  1. Isto já um daqueles anúncios de perfumes para o Natal, não é?

    (Não consigo imaginar nada pior que um livro do JRS a cheirar a Poison...)

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    1. (um livro de Paulo Coelho a cheirar a Anais Anais?...)

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    2. Por Deus, Pipoco, isso é um golpe baixo!

      (de vingança deixo-o com um livro da Elena Ferrante a cheirar a Opium)

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    3. Donde se prova que há muito mérito na escolha das armas que se levam à guerra :D

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    4. Ganhou.

      (tive uma vez uma situação desfavorável que transformou Opium numa recordação nefasta)

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    5. Acabei de me sentir desfalecer!!!!!!!!! Ó sorte nefasta, ó vida inglória! Não é que, apesar de nunca ter lido Ferrante (já ouvi judiar, já ouvi elogiar, neste momento prendem-me outras leituras, mais técnicas), não é que me encontro desde verdes anos presa ao odor inebriante do Opium clássico?!? E agora, que faço? Retiro-me envergonhada da legião de fãs do tio que vivem com a esperança de eventualmente com ele se cruzar numa qualquer avenida desta vida?!? Mudar de identidade olfactiva e viver perdida sem me reconhecer na minha tão estimada personagem social?!? O horror...

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    1. Sim, uma mulher muito bonita, demasiado, inclusive, preocupada com a imagem que ia causar no cavalheiro por estar a comprar um livro pouco digno desse nome chega a enternecer-me...

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    2. É um ponto de vista que me interessa, o seu. Eu achei desconcertante a necessidade de explicação.

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    3. Claro, mas V. Exa. é homem, é natural... :)

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    4. Enquanto homem havia de a querer segura, quiçá um pouco displicente, desafiadora, até, num misto de: o que foi? estou segura quanto ao facto de ter isto na mão, sei que não me define, talvez demonstre que não é para mim, ou pegue noutro que tenha mais a ver comigo. Na caixa, talvez diga que é para presente, uma encomenda... Ou finja falar com alguém, para me certificar de que era aquilo que me tinham pedido, em jeito de favor, já que ia à livraria. Manter-me-ei firme, sem vacilar. Como não foi o que aconteceu, a fantasia que se desenrolou na sua cabeça morreu com a justificação dela.

      Já eu, enquanto mulher, achei querido. As mulheres bonitas são muitas vezes intimidantes, mas todas sabemos que têm as suas inseguranças, a partir de uma determinada idade, é até querido, pelo menos para mim, a quem a humanidade e a fragilidade ainda comovem. E se ela sentiu necessidade de se justificar, foi porque o Pipoco de alguma forma a interessou, caso contrário não demonstraria essa insegurança, ou então sofre do síndroma das mulheres demasiado bonitas, que se sentem espicaçadas se algum homem não as venera, concentrando-se nele (nisso, somos iguais a vocês...) E ou foi imatura na reação ou teve um mau momento num segundo crucial, acontece. Nem sempre as mulheres se sentem matadoras, mesmo as demasiado bonitas. atente também para o facto de as mulheres demasiado bonitas terem a beleza por garantida, isso talvez já não mexa tanto com elas, mas eventualmente precisam de garantir ao mundo que o seu lado intelectual é tão incrível quanto a sua beleza, hence, a justificação: sou bonita mas não sou burra... Nã valho apenas pelo meu aspeto físico... :)

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  3. Cláudia Filipa27.11.16

    Acabou de acontecer

    Era uma dessas mulheres que nunca encontramos nos anúncios Chanel, estava em casa e foi ver se o Pipoco Mais Salgado tinha um post novo, não tinha, até que de visita a outro blog viu a magia acontecer, alguém tinha passado para lugar cimeiro na lateral desse blog e cá está a mulher a ler o post com um meio sorriso, pelo post e porque aqui ninguém vai reparar quão demasiado feia é.

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    1. Não há mulheres feias, Cláudia Filipa.

      (acabei de ver um episódio de South Park que me ensinou isso...)

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    2. Cláudia Filipa27.11.16

      Há pessoas que nós achamos feias e penso que temos todo o direito a isso, o que também costuma acontecer é uma pessoa que à primeira vista achamos feia vir a transformar-se por uma série de outras características que nos cativam numa pessoa demasiado bonita.
      (a resposta foi querida, não se preocupe, o post é giro e eu sei que não sou feia quanto mais demasiado)

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    3. Cláudia Filipa27.11.16

      (eu sei, seria incapaz de deixá-lo nessa inquietação...)

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    4. Quando escreveu que era demasiado feia, quase definhei.

      (hoje eu terei sempre a última palavra nos comentários deste post...)

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    5. Cláudia Filipa27.11.16

      Que bom! É que, para além dessa grande verdade que é a de eu não ser feia, mais uma grande verdade é isto assim ser muito mais giro/interessante consigo aqui e a ter a última palavra. E por ser para si até vou facilitar-lhe isso,
      Tenha uma muito boa noite, Pipoco...

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    6. Boa noite, Cláudia Filipa. Durma muito bem.

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  4. que diabo meu caro!

    uma rapariga assim, que, sentindo o seu interesse, se justifica, não merece o imediato e incondicional afecto do meu caro?

    coisas destas acontecem duas vezes numa mesma vida. na livraria e na paragem de autocarro. e não me parece que o meu caro utilize transportes públicos.

    e o mais triste é que, muito provavelmente, o potencial amor da sua vida estava prestes a terminar quando o feitiço se quebrou:
    "não é para mim. é para a minha lareira."

    nós homens somos uns tristes.

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    1. Há situações e situações, meu caro. Nos livros e nos sítios onde elas me levam a almoçar sou demasiado severo...

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  5. Bolas, Maria Antonieta, paguei o seu comentário sem querer. Pode repeti-lo? Por favor?

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    1. E eu lá me lembro, tim-tim por tim-tim, o que escrevi?
      Bem, vou tentar, por ser para si.
      Sabe bem que a segunda vez nunca é tão perfeita quanto a primeira.

      Pois, creio, que, dizia eu, que o meu caro não tem sorte com as mulheres, mas não era bem assim, sabe? Foi algo mais elaborado.
      Lembrava-lhe, inclusive, aquela sua outra paixão, arrebatadora, em que o seu entusiasmo se esfumou no preciso momento em que notou o desinteresse e desconhecimento da sua amada pela música de Cohen.
      Ora bolas! Não imagina quão angustiante é para mim, ter de repetir algo que escrevi, inspirada e com extrema dedicação...
      Em menos palavras, creio que disse muito mais..
      Ah, lembrei-me; também dizia que a escolha de um livro define a sensibilidade e o bom-gosto de uma mulher.

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    2. Tem razão, o comentário original era muito melhor que este.

      (eu tenho imensa sorte com as mulheres)

      (com as mulheres certas, bem entendido...)

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    3. Ah, isso é crueldade e pura maldade!
      Se leu o que escrevi primeiro, respondia sem me pedir para repetir.

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    4. Li, gostei muito e apaguei por engano.

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  6. Tss tss mulheres demasiado bonitas em livrarias fora do circuito é um mito urbano.

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    1. (pois é, mas livrarias fora do circuito dão outro ambiente aos posts...)

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  7. Não lhe pediu o contacto, está mais que visto. Uma pena. Podia facultar-mo mediante um envio de um Sartre. Julgo que eu e essa amável senhora acabaríamos por nos entender muito bem. O que uns não querem, aproveitam os outros. Ai, esta elite, esta elite... =P

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    1. (sabemos sempre como encontrar quem nos interessa, meu caro)

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  8. Mas ela ainda falou consigo, o que demonstra alguma forma de simpatia.

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