11 outubro 2015

Outro bom post, para desenjoar

No princípio era o verbo, foi pelo verbo que eles se notaram, primeiro os comentários bem abastecidos de saberes, vinhos e o povo sumério, lugares e o pensamento de Balzac, depois foi o tempo das entrelinhas, das reticências, dos dizeres que tanto podiam significar farra da grossa como remeter para um poema sobre a vida campestre, numa ocasião ela arriscou um mail, ele respondeu um par de dias depois, não tardou nada e já se perguntavam o que estava o outro a pensar, num instante escreviam o que fariam se se tivessem um ao outro nesse preciso momento, desvergonhas, é claro, não resistiram a marcar um café em fim de tarde, junto ao rio, pagou ele, e também foi ele que a acompanhou ao carro, até lhe abriu a porta e tudo, diz-se que agora mandam um ao outro links para assinar petições para os refugiados e para salvar cães de abate certo no canil.

25 comentários:

  1. Anónimo11.10.15

    História verídica?

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    1. Há ali um pormenor para preservar a privacidade das pessoas: na verdade eles só mandam desses mails que dá azar e morrem golfinhos se não os enviarmos na próxima hora.

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    2. Anónimo12.10.15

      Que pena, assim tenho de lançar a moeda ao ar: Pirata ou Palmier Encoberta? *Plim!* Borges leva-me a apostar na Pirata mas toda a cena bucólica de águas correntes e não marinhas conduzem a aposta a favor de Palmier.

      A moeda gira lá no alto, tio. Em que ficamos?

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  2. Acabou de escrever um post tão bom, mas tão bom que até me apetece enviar-lhe já o link da petição dos refugiados!!!

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    1. Cuca, Cuca, o que havemos de fazer consigo?...

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  3. Um mãos largas, este "cavalheiro andante", vejam lá que até lhe pagou um café. É mesmo de quem troca e-mails com petições para salvar animais

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  4. Anónimo11.10.15

    Se alguém me mandasse links para assinar petições para os refugiados e para salvar cães de abate , eu faria ghosting a essa pessoa imediatamente. Era pessoa para até mudar de identidade para não voltar a ser encontrada.

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  5. Anónimo12.10.15

    Adoro quando manda tudo às malvas e usa essa ironia fininha que leva muitos a tomar o verosímil pelo verdadeiro. Estou mesmo fã, caro Pipoco!

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  6. Cláudia Filipa12.10.15

    (Mas é que foram mesmo dois bons post seguidos)
    Notaram-se pelo verbo, descobriram gostos em comum, depois, digo eu, precipitaram-se com as "desvergonhas", então, precipitaram-se porquê? por acaso pensava que toda a gente concordava comigo nisto, que para haver "desvergonha" tem de existir química, atração física entre as pessoas, sim, quando estão efetivamente uma ao pé da outra, ou não há vinhos, nem povo sumério, nem lugares, nem pensamento de Balzac, nem entrelinhas, nem reticências que acudam. E como pelos vistos as "desvergonhas" eram o principal, ou mesmo o único propósito do café, não se verificando o condimento principal para as ditas, a tão importante atração, é natural que depois apenas restem os tais links.

    (Peço desculpa por me ter apoderado da palavra desvergonha/s e pela quantidade de vezes que a utilizei)

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    1. Claudia, permite-me discordar. Para haver desvergonhas (sexo sem compromisso, sem justificações, sem cobranças) só tem de haver vontade, a atração física vem por arrasto (se quiseres muito nem o nariz mais feio, os dentes mais tortos, ou o pneu mais balofo te demovem). Inversamente, faltando a vontade nem o mais perfeito dos corpos opera o milagre da atração.
      Acredito que quem decide passar das desvergonhas virtuais às reais esteja preparado para este desprendimento. Se não for assim é melhor nem tentarem e ficarem-se pela virtualidade.

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    2. Mirone, indo para o real tem de haver atracção. É a atracção ou a química que leva "haver vontade". E quando há atracção bem pode o nariz ser mais feio ou o pneu mais balofo...
      Concordo mais com a Cláudia.

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    3. Bom parece que estamos perante um impasse... Como é que ficamos? A taça tem de ser entregue a alguém. Estou a brincar, acho que nestes assuntos não há uma solução inequívoca, haverá, sim, tantas soluções quantas vivências pessoais.
      Se eu me predisponho a passar da desvergonha virtual com uma pessoa que nunca vi, se decido avançar para o plano físico, é porque a química existe. Se condiciono a possibilidade de um envolvimento físico à uma condição física que me agrade é mesmo melhor manter-me atrás do ecrã e não dar um passo para o qual não tenho arcaboiço, disponibilidade mental, o que quer que seja.

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    4. ahh há uma taça? Para mim pode ser com vinho tinto...:) tou a brincar.
      A única solução que vejo é, o mundo divide-se... (mas na boa, cada um sabe de si).

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    5. Cláudia Filipa12.10.15

      Mirone, o exemplo hipotético do post, que é o que estamos a comentar, acho que não tem nada que ver com sexo só porque se tem vontade independentemente da pessoa em questão, é precisamente o contrário disso, se bem percebi. As pessoas começarem por sentir vontade de se conhecer melhor porque foram descobrindo uma série de afinidades que despertou essa curiosidade e na decorrência disso é que surge a vontade das “desvergonhas”, palavra que me dá vontade de rir, não lhe ligo ao sentido pejorativo nem faço juízos de valor. Mesmo havendo disponibilidade para, a química, a atração física, claro que é importante, e na relação virtual falta essa componente, que não tem nada que ver com perfeição física, condição física que agrade nem modelos de capa de revista, tal como diz e bem a Té, acho que toda a gente sabe que acontece ou não acontece, tão simples como isso, e sem grande fundamento, ou mesmo sem fundamento nenhum. Acho que o que o Pipoco quer salientar é que pode criar-se uma ilusão de apaixonamento no mundo virtual que uma vez transposta para a realidade pode desvanecer-se, porque quando as pessoas estão uma em frente da outra sem os ecrãs a coisa pode não funcionar e depois também acaba a partilha virtual que provavelmente seria gratificante para ambos. Claro que se colocamos a hipótese de correr mal também devemos colocar a hipótese de correr bem, mas lá está, como consequência da conjugação de uma série de fatores que poderão verificar-se ou não, e não como ponto de partida.
      E Mirone, não posso discordar mais dessa ideia de que basta a vontade e qualquer pessoa serve, e nem é por puritanismo, aliás, nem tenho grande simpatia por puritanos.

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    6. Claudia, voltemos então ao conteúdo e contexto do post. Duas pessoas que começaram por sentir alguma empatia e que partilham gostos e interesses comuns e que entretanto entram em desvergonhas virtuais. Atrás de um computador, com o Google à distância de um click, somos todos conhecedores e cultos, uns sedutores de mão cheia. Presencialmente, bom, presencialmente as coisas não são bem assim, não podemos não publicar uma frase infeliz que nos saiu. Não podemos ensaiar respostas, a fluência do diálogo depende da prontidão e espontaneidade com que as damos. Duas pessoas estão dispostas a transpor o mundo virtual, desejam muito um envolvimento físico, é porque essa química, como lhe chamas (eu chamei vontade) já existe e é independente do aspecto físico da pessoa. Não, não estou a dizer que havendo vontade qualquer pessoa serve. O que disse foi antes o oposto. Havendo vontade aquela pessoa, é só aquela pessoa, a que nos despertou interesse e com quem chegamos ao ponto das desvergonhas virtuais, só aquela, repito, serve. Se não houver vontade, se não se quiser passar da virtualidade à fisicalidade, pois minha amiga, nada feito. Daí eu dizer que não se estando preparados para fazer essa transposição é melhor manterem-se no plano virtual.

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    7. Cláudia Filipa12.10.15

      Mirone, vamos voltar a discordar, e não faz mal nenhum, somos apenas duas pessoas com uma opinião diferente sobre um mesmo assunto, por isso mesmo este é o meu último comentário sobre isto. Dizer a uma pessoa à distância que te fazia isto e aquilo como brinca ali o Pipoco no post, as tais desvergonhas, e na altura até estarem convencidos que sim que faziam mesmo isto e aquilo, não é o mesmo que estar efetivamente em frente à pessoa e ter vontade de fazer o tal isto e aquilo, pode olhar para a pessoa e perder imediatamente a vontade, simplesmente não acontecer, ou pelo menos não acontecer de forma imediata como estariam à espera, sei lá eu. Então mas agora as pessoas porque se dedicaram "à sem vergonhice virtual" são obrigadas a concretizações se forem beber um café? caramba, então mas as pessoas não podem só chegar à conclusão que afinal não e irem descansadas da sua vida sem pesos na consciência cada um para sua casa e pronto assunto arrumado. Até na vida que não é virtual isso acontece, aí até pode ser precisamente o contrário, existir inicialmente a atração e depois o resto ser tão desmotivante que não há atração física que resista. Caramba Mirone, as pessoas enganam-se, têm dúvidas, e no mundo em geral e no dos sentimentos em particular fartam-se de meter os pés pelas mãos.

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    8. Não, Cláudia, claro que duas pessoas não são obrigadas a passar das desvergonhas virtuais às desvergonhas reais. Isso só acontece se houver vontade, que é o que estou a dizer desde o início. Às vezes a única vontade que existe é a de manter desvergonhas virtuais, por isso sou da opinião que não se sabendo se se querem desvergonhas reais (e não ter vontade é não querer) não vale a pena forçar, é melhor manterem-se no plano virtual.
      E sim, as pessoas enganam-se, têm dúvidas, desmotivam-se, metem os pés pelas mãos. Por isso é que gosto de não misturar o virtual com a realidade (tendo a acreditar que isto são só blogs).

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    9. Anónimo12.10.15

      Dear Mirone, estou de acordo consigo. Mas a Cláudia sabe interpretar tão bem o tio....que acaba por fazer esquecer a virtualidade. Bom, eu não expliquei muito bem....



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    10. Anónimo13.10.15

      A Claudia não interpreta mesmo nada bem o tio, pelo menos não neste particular.
      Concordo com a Mirone, a química está toda na cabeça. Só não acontece se um dos dois for fisicamente repulsivo.

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  7. Lady Kina12.10.15

    Tinha associado este post ao axioma "nos blogs não há amigos".

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  8. Anónimo12.10.15

    Na verdade, minhas caras pessoas, o virtual é a fantasia. Quando se ultrapassa a fronteira da fantasia e se passa para a realidade, de um modo geral, dá-se de caras com a decepção. Não porque a outra pessoa é decepcionante mas, tão só e apenas, porque o que era bom era o acto de fantasiar. Fiz-me entender? Olhem que eu sei do que estou a falar. (piscadela de olho)

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  9. Ruben Patrick, o tio deu-te autorização para administrares a caixa de comentários? Olha que estão aqui uns que o seu crivo não deixaria passar. Vê lá isso, RP, vê lá, antes que o tio te ponha de castigo.

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  10. Anónimo13.10.15

    Tio, sem "desvergonhas", pensei em tempos enviar-lhe um link de petição á interrupção de abate de toupeiras do relvado do meu vizinho. Felizmente, já não é necessário pois ofereci-lhe um aparelho que os afasta, mas não mata. Se quiser eu, reticencias, envio-lhe o site.
    VW (sem poluentes)

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  11. Tio Pipoco, já bebi três águas das pedras. Faça outro post (um bocadinho menos enjoativo, se puder).

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  12. Anónimo9.12.15

    O pessoal que aqui vem "comentar" é do planeta Terra? Não serão...

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