11 novembro 2014

Se queres ser alguém nisto dos blogues

Não te deslumbres se uma sumidade da blogosfera te citar ou comentar o teu blogue. Faz de conta que estás entre iguais - não estando, é claro... - e não caias no elogio fácil ao ilustre visitante, fica sabendo que nos agrada uma postura humilde mas não servil.

Nunca expliques o que escreveste. Nunca.

Se um post não te render comentários, não inventes um comentador anónimo, a quem darás conversa. Isso nota-se e é motivo de risota.

Não dês os parabéns na caixa de comentários ao aniversariante. Aliás, não escrevas posts a apelar ao comentário a informar que é o teu dia de aniversário.

Se não tiveres nada a dizer - quase nunca terás - sossega. Os teus "ahahahah", "lol" e "já me senti assim" nada acrescentam à evolução da humanidade.

Não pedinches visitas ao teu blog. Por cada pedinchice cai uma sequóia gigante em cima de um ninho de pandas bebés, esborrachando-os.

Há quem não mude de ideias. Assume que, da mesma forma que o teu amigo com preferências sexuais alternativas nunca te olhará com lascívia, também o blogger marreta não verá a luz. Por mais que argumentes.

Assume que haverá sempre maus blogues, sejam de paz interior ou de má roupa. Deixa-os lá naquela vidinha deles.

Da mesma forma que a porteira que ganhou o Euromilhões demorará a ser convidada para as melhores festas, também as que estão na parte cimeira do Blogómetro (quase ninguém está no blogómetro, nunca te esqueças...) demorarão o seu tempo a tu sabes o quê.

Nunca escrevas sobre alguém aquilo que não ousarias dizer a esse alguém, se o encontrasses.

Se tiveres dúvidas sobre se é acertado o que escreveste, pergunta-te se a tua mãe gostaria de o ler. Se tiveres dúvidas, não publiques.

Escreve sempre o mesmo post. As pessoas gostam de previsibilidade.

23 comentários:

  1. Caro Pipoco, tem de nos avisar quando for o lançamento do livro, para não faltarmos a tão magnífico evento.
    Está claro como água que todos estes excelentes conselhos (e não estou a ser irónica, pelo menos não neste ponto... ups! já estou a infrigir uma das regras... ao explicar demasiado...) vão dar origem a um best-seller, com direito a percorrer o país e tudo! Quais workshops quais quê!

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  2. Chec-list demasiada exigente para cabecinhas despreocupadas.
    Isso exige demasiado esforço pensante e duvido muito que estejam para aí viradas.
    Conteúdo e consequente esforço neurónico, ou displicência platinada?
    Um dilema de proporções homéricas.

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  3. Caro Corvo... proporções "ulisseanas"

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    1. Ou isso! Ou melhor! Preferencialmente isso!

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  4. Ora... quando é que é mesmo o workshop supê na moda e coiso e tal e aposto até que tem uma parceria ou outra com as outras dos blogs dos workshops das coisas da vida num sítio para lá de finérrimo e hipster e quase exclusivo a esses do topo do blogómetro ?

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  5. Tio Pipoco frequentou o curso.
    Mas olhe que às vezes uma reverência não é graxa, bem como o respeito pela escrita de outros não equivale a estarmos sempre de acordo.

    Noutra nota: Tio Pipoco quando escreve assim lembra-me o ilustre Poirot.
    Não sei se é bom ou mau.

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  6. Comentando o penúltimo ponto: a minha mãe é leitora do meu blog, e sei que nem sempre escrevo coisas que ela gostaria de ler vindas de mim, mas como se pode viver a vida ao máximo sem ter um blog público que possa causar motivos de vergonha e desespero da nossa santa mãezinha? Como viver sem a adrenalina de saber se seremos deserdados via hate comment?

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    1. Caro Rui Pi.
      Por acaso tenho para mim que para metermos as nossas mãezinhas em vergonha não precisamos dos blogs para nada.
      Avento até que nessa grande problemática das vergonhas com que as agraciamos, os blogs são os veiculos mais inofensivos.
      Quer dizer; acho, cogito.

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    2. Bem, no meu caso, o Rui do blog não é o Rui da vida real, nem o do Facebook, nem o do email do trabalho, nem o dos sites porno (ups!). Não são Ruis mutuamente exclusivos, mas vários lados da mesma pessoa. Mas sim, é um facto, o blog não é dois piores sítios para se ser Rui.

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  7. Tantas coisas, mas o principal será gostar do próprio blog desfrutando dele ao máximo se possível!

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  8. Cláudia11.11.14

    Este post fez-me lembrar um livro que eu quero comprar, é de Mário de Carvalho e chama-se "Quem disser o contrário é porque tem razão" da capa consta também esta frase "letras sem tretas". Seleccionei uns bocadinhos da sinopse: "... O texto ficcional. Dilemas, enigmas e perplexidades. Nada do que parece é. O «assertivismo» é um charlatanismo. A valsa dança-se aos pares: escrita e leitura, autor e leitor, personagem e acção, causalidade e verosimilhança, contar e mostrar, o dentro e o fora, a superfície e o fundo.... Por onde começar? Com que começar? Com quem começar? A manutenção do interesse. Não há regra sem senão; não há bela sem razão. Ou o oposto. Riscos, cautelas e relutâncias."
    Achei que podia ser um bom resumo do que se passa com quem escreve, seja qual for a plataforma.

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  9. Pobre Ruben. Um novo exigente capítulo na sua descomunal cartilha maternal.
    Apoio inequivocamente a corrente humana para salvar o panda bebé.

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  10. O parágrafo da sequóia sobre os pandas bebés...É tão... quadripolar?

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  11. Anónimo12.11.14

    Estive a encaixar cada item em blogguers da nossa praça. Assentam que nem uma roupa feita por medida.

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    1. Prudência meu caro! Corre o risco de profanar a 1.a sura, "fica sabendo que nos agrada uma postura humilde mas não servil".

      (*blogguers* foi para disfarçar não foi?)

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  12. Assim sendo, restam dois ou três...

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  13. Tenho quase a certeza que os pandas não fazem ninhos.

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  14. Ainda que mal pergunte: o que é uma "sumidade da blogosfera"?

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  15. a minha mãe sempre me disse que eu ainda havia de ser alguém na vida, não me explicou foi exatamente a direção a seguir;quando tivemos esta conversa ainda se passava tudo com varinha mágica.

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  16. Então meu caro, está tudo em ordem?
    Abraço.

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    1. Também me começo a preocupar.
      Um desertor chega, que Diabo!

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  17. Bom dia, caro Pipoco.
    Venho apenas desejar-lhe um bom fim de semana e deixar um abraço.

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