07 novembro 2013

Querida Margarida Rebelo Pinto

Eu, do fundo do meu infinitamente bom coração, acho-lhe piada, acho sempre interessante ir fazer ondas para um programa para as velhinhas que ficam em casa de manhã, todas elas ansiosas por lhe comprar o livro novo (era isto, não era? Sua malandreca...), talvez eu escolhesse melhor o programa, talvez ser entrevistada no Factor X ou na Casa dos Segredos fosse mais impactante, sempre é um programa que a rapaziada dos blogues vê com gosto, só pelo prazer de vir cá contar como foi a quem também viu e assim se passa um belo pedaço de amena cavaqueira, que nós estamos cá é pelo convívio.
A questão é que a menina sabe como irritar as pessoas de uma forma notável, uma mistura de presunção e arrogância, com um ligeiro toque altaneiro e uma dose bem medida daquilo que irrita as pessoas que é, não necessariamente por esta ordem, escrever livros e ganhar a vida com isso - ser razoavelmente bem-parecida e dizer o que lhe vai na alma sem grande filtro.
Esta capacidade de irritar pessoas é admirável, veja bem que nem eu consigo uma performance tão fantástica, bem me esforço por dizer as coisas com o meu melhor ar blasé, de quem se está nas tintas para tudo, fazendo de conta que nada me impacta, que sou um ser etéreo e superior, pairando em modo snob-chic (fui eu que inventei o conceito, cá beijinho...) sobre o mundo das pessoas normais.
Eu bem gostaria que as pessoas dos blogs me citassem "Já viste o que escreveu o Pipoco hoje? Oh, que arrogante...", e as mãos desenhariam um gesto de repulsa, e o tom de voz seria alterado, e o metro quadrado desvalorizaria lá no sítio onde eu moro, e as pessoas mudariam de passeio quando me avistassem em sentido contrário, e os restaurantes ficariam vazios sempre que se espalhasse a notícia da minha frequência, e passariam de boca em boca os meus escritos abomináveis, e seriam deturpadas as minhas palavras sábias e, finalmente, eu seria "Pipoco, a lenda viva" e ganharia a imortalidade daqules que, digam o que disserem, terão sempre gente à espreita para escalpelizar o meu pensamento, grupos de sábios para estraçalhar as suas ideias, tudo isto antes de passar ao próximo tipo que saia da manada e, ignomínia, diga o que lhe vai na alma, sem filtro.
Conta-me o seu segredo? (Em troca eu explico-lhe três ou quatro técnicas infalíveis para o nosso nome aparecer em primeiro no google)

17 comentários:

  1. Anónimo7.11.13

    De tudo isto apenas li que o seu nome aparece em primeiro no google, uma verdade que já comprovei várias vezes, sempre deliciada ! pelos vistos há um segredo. Quanto ao resto, creio que a repulsa tornou tudo invisivel.

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  2. Anónimo7.11.13

    BTW : não são as velhinhas que acham piada a essa pessoa. São pessoas novas que herdaram a escola do plágio e da facilidade.

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  3. Ups! Acabaram de me chamar velhinha, embora não tenha 50 anos. Dizem que quando chegamos ao patamar dos 50 ou dos 35 anos (não sei bem) que alcançamos o tal estatuto de velhinhas. Isto tudo, porque costumo ver este programa, o "Bom Dia Portugal", que não é um programa de entretenimento mas de informação, tal como a SIC Notícias, a TVI24 e por aí fora. faço-o enquanto tomo o pequeno-almoço e antes de sair de casa. Começa por volta das 6.30h. Achei que o deveria esclarecer porque não é velhinho e não vê este tipo de coisas (leia-se programas de informação).

    Caramba, uma pessoa nem sequer pode ser honesta e dizer que programa de informação vê de manhã enquanto toma o pequeno-almoço que nos rotulam logo de velhinhas. Lá terei de me aguentar.

    O caro Pipoco diz: "cá beijinho"? Hummm... algo aqui não joga.

    A MRP sabe vender-se muito bem. Puro Marketing. Acho eu, mas não tenho bem a certeza. E agora vou pesquisar e ouvir o video da polémica.

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  4. Anónimo7.11.13

    Hoje em dia todos se têm que mostrar indignados mas têm que ter muito cuidado com o lado da barricada em que estão. Só são permitidas indignações num sentido!

    Sofia

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    1. Anónimo7.11.13

      Certo e errado. Uma parte (da barricada) indigna-se e a outra parte (da barricada) indigna-se com os indignados. É pois certo que "todos se têm que mostrar indignados", é errado que "só são permitidas indignações num sentido".
      rita

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  5. ora, se não fosse a existência destas alminhas assim quiduxas...que seria de nós que só somos loiras à custa dos esforços da L'oreal ou Vidal Sassoon, por exemplo?

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  6. Anónimo7.11.13

    Não suporto o tipo de comentários que fizeram à escritora por ela ter dado a opinião dela.
    Tanto preconceito e raiva juntos. Para a raiva ainda há vacina, já para o preconceito...

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  7. Se as iniciais da Senhora tivessem mais um Pê, a minha memória voaria até ao tempo do saudoso Arnaldo de Matos, de quem se dizia com bonomia que era o irmão, o Júlio, quem lhe escrevia os discursos, pessoa de ideologias fixas, o mais sem filtro possível, mas muito fiel a si próprio. Por isso não, não tem o tal Pê que falta.

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  8. De todo este assunto, o que me despertou mais a atenção foi pesquisar no google e sim, confirma-se Tio Pipoco logo à cabeça!

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  9. Correndo o risco de repetir algo que disse algures, recordo-me da MRP no Independente (salvo erro como Miss X). Por lá terá estudado a versão original do curso de "snob-chic", com os Verdadeiros Mestres (MEC e PP). Entretanto, diria que refinou na Northwestern com Kotler os seus "skills" (um termo adequado no caso) -- se não o fez, estudou por correspondência (ainda não havia Khan Academy na altura). A senhora é uma "marketeer", que apenas por acaso estudou em Letras e foi jornalista. Quando descobriu a verdadeira vocação foi vê-la voar. Não é literatura nem jornalismo: é "fast moving consumer goods". É isso que os livros dela são -- e nisso não fica atrás da P&G.

    Boa noite :)

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  10. é que é isso mesmo: vive de escrever e diz o que lhe vem à cabeça. Na mouche

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  11. Um dia, Pipoco, O Mais Salgado, há-de vir a público explicar como conseguiu ultrapassar Pipoco o Sertanejo nessa coisa do Google search...

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  12. Tio Pipoco, lamento informá-lo, mas a sua snobeira-chic causa simpatia ao contrário da que ostenta a dita senhora e essas impressões, meu caro, são as primeiras e como toda a gente sabe são bem difíceis de mudar.

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    1. Anónimo8.11.13

      Concordo em absoluto consigo. E acrescento, por minha conta, que escrever Querido Pipoco Mais Salgado é completamente diferente de escrever Querida Margarida Rebelo Pinto.( arrepia)

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  13. Anónimo8.11.13

    Aquilo foi o nervosismo de estar na televisão. Como comentadora.

    O que me faz confusão na Margarida Rebelo Pinto é mesmo o Afonso Vilela, caramba.

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  14. que violência! não se bate assim numa senhora. nem se bate numa senhora, excepto se for seu desejo, e sempre com amorosa gentileza.

    (o que terá passado pela cabeça do amigo Salgado para se pôr a ouvir a Margarida? não diga que também ouve o professor Marcelo sem vontade de sorrir)

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  15. Eu cito-te, caro Pipoco. http://opiniaodeumalady.blogspot.pt/2013/11/ha-quem-calce-sapatos-dois-numeros.html

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