30 outubro 2013

Houve um tempo em que ir ao cinema era uma boa experiência

Não foi apenas isso da crise que tirou 1,8 milhões de pessoas às salas de cinema em 2012 e até Outubro deste ano ainda conseguiu tirar mais setecentas mil. O que acontece é que ir ao cinema passou a ser uma experiência grotesca, a que só se vai em casos extremos e em que se sofre por antecipação a tensão que teremos naquelas duas horas de filme. A sala de cinema passou de sítio mágico para um local mal frequentado, onde ninguém se importa que lhes vendam publicidade em doses industriais, onde ninguém se incomoda com o mastigar das pipocas e com o barulho dos sacos de gomas, onde se sorvem refrigerantes, onde se mandam mensagens e se atendem telefonemas, tudo isto dentro de centros comerciais onde nunca se chega a pé. É isto que está a matar o cinema. E, parecendo que não, tenho pena.

25 comentários:

  1. Fellini bem dizia que o cinema era um modo divino de actualizar a vida. Ai está.
    Também tenho imensa pena.

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  2. Vá à sessão da meia noite (se for domingo, o mais certo será ter a sala toda para si). Isso não o livrará do cheiro a pipocas impregnado nas alcatifas nem das doses massivas de publicidade, mas já ajuda.

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  3. eduardo30.10.13

    ainda ha cinemas onde não ha pipocas, nem gente pouco civilizada. Parecendo que não, é uma questao de escolher melhor o sitio.

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  4. Alvaláxia. Geralmente está vazio.

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  5. É engraçado como o Sr. Pipoco (rezo a Deus para que tenha um nome decente), sabendo perfeitamente que o eduardo ali de cima tem toda a razão, gosta de vir aqui largar bombas só para entreter as pessoas.
    Gosto desta atenção.

    [E conseguiu escrever tudo sem ser de empreitada. Noto-lhe ali uns pontos finais...
    Está a perder o vigor, ou quê?]

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  6. Nada como ter o maior televisor LED que se encontrou numa pesquisa pelas melhores lojas do género. Nada como um daqueles sofás que até dão para uma pessoa se deitar em várias posições, do melhor e mais confortável material alguma vez fabricado. Depois, há toda uma série de coisas e artefactos que podemos juntar a gosto. Por companhia só quem nós escolhermos, ou então sem companhia que também é muito bom. Quanto a filmes, encontra-se sempre o que se pretende, basta ter um pouco de engenho e voilá!
    Não entendo tanta nostalgia do tempo que já passou. No tempo em que não havia pipocas nas salas de cinema havia pastilhas elásticas a voarem para as cadeiras mais abaixo... (e eu sei do que falo, hein?). E nem haviam televisores gigantes, LED, LCD, Plasma... Agora é que é bom!

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  7. É por tudo o que já foi dito e outras coisas que eu prefiro o cinema em casa! E agora que o frio está a chegar, com lareira acesa e um bom tinto no copo... há lá coisa melhor?

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  8. concordo que a maioria dos cinemas são como descreve. e é uma tristeza. o mesmo acontece com grande parte das salas de teatro e de concertos. ainda há algumas salas de cinema sem pipocas e afins. Em Lisboa: King e Cinemateca (mas - não é novidade - que não são os mesmos filmes que se encontram nas salas dos cinemas de centros comerciais). O Monumental é, para mim, melhor do que a maioria, apesar de também ser um centro comercial.

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  9. OCorvo30.10.13

    Aprender até morrer! Mais uma para para a vastidão da igorância, mas esta vou reter!
    As Pipocas comem-se no cinema.

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    1. ...e fazem barulho quando estão a ser comidas (crunch cranch...)

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    2. OCorvo30.10.13

      Então não é; nham nham nham...srrrrluuuup?

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    3. Nham nham nham... srrrluuuup é o barulho de quem come! Crunch cranch das pipocas a serem comidas.
      (Que falta de atenção, OCorvo!)

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    4. discordo.
      aproxima-se mais de ó-ó-ó-...-óoooooo.... (adstrito à qualidade da pipoca).

      adoro.
      a ideia da doce Palavras, a intimidade doméstica, o sofá para várias posições, o ecrã gigante e o hi-fi topo de gama, válvulas a dardejar, o filme em grande formato garantindo o pormenor, um leitor de VHS se possível, a trufa e o morango suprimindo o som da pipoca.

      concordo.
      a coisa deixou de ser uma experiência imersiva para se tornar no triste espectáculo de adolescentes possuídos por espíritos animais, sem progenitores de boa educação. sugiro a primeira sessão (ainda estão a dormir da noitada no facebook), a partir das 16h as coisas complicam-se.

      e temos aqueles enlatados publicitários, o nosso brinde de 20 minutos por termos pago o bilhete de acesso, que poderiam ter começado 20 minutos antes das letrinhas impressas no horário para poupar-nos a tanta imbecilidade e, pior, suscitar o bocejo e a vontade de fugir. felizmente é algo que podemos facilmente saltar com cuidadoso planeamento.

      não há experiência como o cinema, o espaço, o frémito do inesperado longe do conforto de casa que estimula a sensação de presença, o meio idealizado pelo autor para veicular a obra, o esforço para apreender simbolismos à primeira sem rewind, porque aquilo que se perdeu ficou perdido, o fluxo único e belo, contínuo, tanto sentido como pensado, a memória que fica da experiência, a reconstituição pessoal imaginada, a vida que a obra tem em si própria e no cinéfilo.

      enfim, tem-se o possível, é ler joyce em papel de jornal tingido pela mancha de gordura e rabiscado pelo idiota que o leu antes.
      é a vida. também acontece com as relações afectivas.

      as minhas desculpas, dia estranho.

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    5. OCorvo31.10.13

      Ou isso! Desde que não venha esmifrar os miolos ao pacato cidadão com a tautologia, cada um que coma a pipoca como lhe aprouver e lhe der mais jeito, com maior ou menor ruído de mastigação, ou como a prudência o aconselhar a degustá-la .

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  10. e pessoas que falam, que falam no meio do filme, fazem comentários como se estivessem no sofá de casa. Irrita-me profundamente. A sala de cinema é sagrada, o cinema é uma arte, fico doente...

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  11. Anónimo30.10.13

    Está visto que V. Exa. perdeu a festa do cinema francês, no cinema São Jorge. Devia ter vergonha.

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  12. susana30.10.13

    Houve uma altura em que tive esperança que só nos filmes mais comerciais é que isso acontecesse. Mas agora que deu tudo para ser intelectual, até no "Hannah Arendt", eu ouvi gente a atender telefonemas.

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  13. Anónimo30.10.13

    pois eu sinto falta do Londres...um abraço

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  14. Ainda assim gosto muito de cinema, mas já foi melhor!

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  15. Sobre cinema : o meu aniversário é em Agosto (até agora, tudo a ver,claro) . As filhas levaram-me ao cinema. O ar condicionado estava glacial. O tipo ao meu lado tinha um odor a transpiração que rivalizava com exploração pecuária, um grupinho na fila de trás passou o filme todo ás piadas e aos pontapés nas cadeiras da fila da frente, malgrado lhes ter pedido para se portarem como gente por mais duma vez. Não vi metade do filme. Fui internada com pneumonia. Nunca mais fui ao cinema. Agora há esta coisa do Imax.... Pode ser, veremos...

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    1. Faltou-me dizer que o sucedido se passou há uns bons 8 anos. Feliz de mim que tenho sempre DVDs, a net e o VOD para saciar o meu vício de cinéfila inverterada. Não é a mesma coisa? Pois não, não tem nada a ver, mas é o possível, para ver uma fita em condições e confortavelmente.

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  16. Também contribui para isso o facto de nalgumas capitais de distrito não existir nenhuma sala de cinema - Bragança é um exemplo. Por mais que até se quisesse ir ao cinema, não há como...

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  17. Por aqui (Centros Comerciais no Porto e à volta, V.N.Gaia, Matosinhos, Rio Tinto) continuo a ter a sorte de apanhar sessões em que tudo corre bem (e só vamos para a sala com 10 minutos de atraso para perdermos a publicidade)

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  18. Se gosta tanto de centro comerciais, el corte inglés às 11:30 de domingo. Nunca tem mais de 6 pessoas por sala.

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  19. Penso que, nos dias de hoje, já é de aplaudir quem vai ao cinema, em vez de fazer o download.

    Idiotas encontram-se em todas as salas, desde a Cinemateca ao Corte Inglés, e são de todas as idades, tb.

    Não entendo o preconceito contra os cinemas de centros comerciais, mesmo porque, agora há mais cinema independente e não-alinhado no Corte Inglés do que no King, e até mesmo na Zon Lusomundo se pode ver o Hannah Arendt.

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