03 novembro 2012

Política Pipoquana de Comentários (isto não é um post, é uma organização de pensamento para minha consulta)

Quase nunca comento outros blogs. Leio, gosto ou não gosto e é tudo. Se autor do post escreveu o que escreveu é porque acha que as coisas se passaram exactamente assim. A mim é-me reservado o direito de gostar ou não do que li. Depois decido se concordo e se me apetece voltar a ler aquele blog. Não preciso de dizer se gostei, basta-me voltar se tiver gostado. Comentar é acrescentar valor ao que o blogger escrever. Quase nunca acrescento valor, se o blog é de moda não tenho nada a acrescentar, visto-me sempre da mesma forma e tenho uma ideia precisa do que fica bem ou não numa mulher. Se o fashion blog acha que botas de borracha de duzentos euros com leggings e camisas com apliques metálicos é uma trend line, está certo. Nada a acrescentar. Se a blogger nos conta como passou o dia, que a criança chorou na escola e que o chefe a desconsiderou, não tenho nada a acrescentar. Além disso, o tempo é o meu bem mais escasso, os meus comentários são sempre feitos em quartos de hotel em fim de noite ou em tempos mortos do meu dia, quando estou no trânsito ou entre reuniões, sem nada mais divertido e estimulante para fazer.

Se gosto que comentem o que escrevo? Sim, gosto, continuo a espantar-me que algumas pessoas sejam suficientemente generosas ao ponto de partilharem comigo o que pensam sobre o que escrevi. Já me perguntaram porque aceito comentários anónimos e eu fico a pensar que será porque há quem precise de desabafar. Aceitar comentários anónimos é a minha forma de ajudar as pessoas, fico sempre a pensar que depois de desabafarem as pessoas sentem-se melhor e isso quer dizer que espalhei o bem. Não aceito todos os comentários. Rejeito liminarmente os que tratam mal outros comentadores os bloggers. Não quer dizer que eu trate bem todos os comentadores ou bloggers, mas eu sou eu e os comentadores são os comentadores. Este blog não é uma democracia. Antes de comentar ou de escrever um post, devíamos fazer um rascunho e pensar se a nossa mãe ou os nossos filhos gostariam de ler o que escrevemos. Em caso de dúvida, não deveríamos publicar. Já publiquei posts que não gostaria que a minha mãe ou os meus filhos lessem, mas, mais uma vez, eu sou eu. Não me lembro de nenhum comentário que tenha publicado que a minha mãe ou os meus filhos não pudessem ler.

Aprendi que não vale a pena debater ideias, não nos blogs. A experiência ensinou-me que as pessoas não estão preparadas para que não concordem com elas e eu tendo a não concordar demasiadas vezes. Gostava de ter mais pessoas que aguentassem uma boa discussão nas caixas de comentários, mas talvez seja porque eu acabo por não responder, afinal os posts escrevem-se e raramente surgem bons comentários na janela temporal em que estou disponível para responder.

Gosto de pessoas, sempre gostei. Às vezes não tenho razão e há alturas em que mudo de ideias porque alguém me mostrou uma perspectiva melhor que a minha. É raro, não gosto de mudar, muito menos as minhas ideias e sei que há alturas em que não tenho razão e continuo a discussão só pelo gozo de defender um ponto de vista diferente, ainda que já não seja meu.

Divirto-me a escrever estes posts compridos, sei que quase ninguém chega ao fim, as pessoas não são diferentes de mim e não têm tempo para ler posts grandes, ainda para mais quando são escritos à meia noite e meia de um sábado, quando todos se estão a divertir e eu não consigo decidir-me entre Bach e Mozart para me acompanhar na leitura que vem a seguir.

33 comentários:

  1. ahahahahaha! (cheguei ao fim! Toma, toma!)

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  2. Liszt poderá ser uma boa 3ª opção

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  3. eu tb li todo. Gosto de comentar e de ver os meus post serem comentados porque é sempre bom saber que nos lêem e que gostam do que escrevemos. Por isso no pouco tempo que tenho para dedicar à blogosfera, leio um pouco de tudo e comento alguma coisa, afinal quem dá o que tem a mais não é obrigado. E até não me posso queixar muito, afinal já tive o privilégio de ter um comentário do pipoco :) Agradecida, beijo e bom fim de semana.

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  4. Claire de Lune acompanha bem qualquer leitura.

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  5. Estou desolada por não poder ajudar... é que, tendo em conta o meu limitado gosto musical, teria de ir acordar o meu Ruben Patrick para me dar bons conselhos (permitindo, assim que eu fizesse boa figura) e, estou em crer, que ele não iria gostar....

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  6. enganas-te em diversos pontos. começo pelo o último. a um sábado à meia noite e meia, quem está em casa e começou a ler o teu post é porque não lhe falta tempo e disponibilidade para o ler até ao fim - quanto mais comentar - mesmo que continuasses a produzir parágrafos, a lapidar o tema até produzires um tratado e o carrossel do argumento estivesse já a rodopiar descontrolado nos pequenos cérebros dos teus leitores, como aquelas bolas fluorescentes que os gays e os jovens de província usam para fortalecer o antebraço e que acredito que têm potencial para substituir-se aos combustíveis fósseis enquanto gays e jovens de província não faltarem. não sei como se chamam essas bolas, qualquer coisa como powerball ou masturball, algum destes jovens de província deve saber. mas espera, acrescento, com elevada experiência, que a partir do momento em que fizeste parágrafos (carregaste no enter) convidaste as pessoas a ler o texto. ao passo que escrevendo assim, em bloco maciço, as probabilidades de alguém pegar nisto são praticamente nulas. mais do que não gostar de ler, as pessoas não gostam de ficar com dores de cabeça. mas se alguém lhe pegou, aqui já está a ver a luz ao fundo do túnel, e já não presta um caralho de atenção ao que está a ler, excepto na palavra caralho, assim como se ensina os putos a ler na escola, fazendo a ligação directa entre os olhos e as cordas vocais. os outros pontos em que te enganas, este não é o local nem a época para os abordar a todos. a bom tempo lhes voltaremos.

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    1. Meu caro Zé, tendo a concordar. Estatisticamente, um post comprido escrito no início de uma noite de sábado não seria lido. Este foi, talvez porque não tinha as tais manchas de texto, densas e justificadas, que só funcionam se tiverem lá dentro palavras-chave, daquelas que retêm a atenção de quem lê em diagonal. Voltemos então aos outros temas, quando for o tempo de a eles voltar.

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    2. Anónimo3.11.12

      Lindo?

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  7. E é por isso que raramente comento aqui. Quando concordo, raramente tenho algo a acrescentar (e olhe que eu não sou de ficar calada) e quando discordo, bem quando discordo, vou à minha vidinha (fica bem parecer uma pessoa ocupada).

    Contudo, continua a divertir-me e continuo a cá vir, quase todos os dias (porque sou uma pessoa ocupada).

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  8. Bach...hoje comentei,falta-me algo melhor para fazer.

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  9. Leio sempre até ao fim. Não comento tantas vezes quantas gostaria. Mas gosto e volto sempre. Gosto mais duns do que outros, é normal.

    Também eu tenho a "mania" de escrever textos longos. Maiores que este. E por isso acho que muita gente não os lê. Não quer dizer que muita gente me lê, que não lê, mas acredito que matade que lá vão parar, acabam por nem ler.
    Mas gosto dalgumas coisas que escrevo. É suposto, acho.

    Caro Pipoco Mais Salgado, aguardo pelo dia em que terei a sorte de ter um seu comentário no meu tasco. Mas que não seja por favor. Se quiser escrever algo, vai ter de esperar cerca de 24 meses, só para eu não desconfiar que foi "a pedido", tal como um amarelo pedido contra o Javi Garcia.

    Um abraço.

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  10. Pipoco, pela primeira vez só não (lhe) tiro o chapéu, porque a Sandy mo levou...
    ;)

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  11. Ray Lamontagne, Pipoco. Ou então Zero Seven. Isto não é generosidade, nem sequer uma tentativa de o fazer mudar de opinião. É apenas ums sugestão para uma reading out of the box ;)

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  12. Escreve-se leggings. E em blogs sobre moda há muito mais do que apenas imagens de "looks". A não ser claro, que estejamos numas de generalizar.

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  13. Não sei se deva comentar porque isto é um post mas li-o todo. Se algum dia fores ao meu blog e não fizeres lá nada avisa-me :P

    DESBOCADO!

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  14. Eu gosto de ler os seus posts. O Senhor escreve bem, é mordaz QB e é raro ter um post sem segundos sentidos, que nem sempre se alcançam às primeiras impressões. Como gosto de ler calhamaços, nada me custa ler um texto de metro e meio bem construído, onde não é necessário o uso de linguagem vernacular, erros ortográficos ou falta de pontuação para prender a atenção. Por vezes torna-se repetitivo, mas como só vem cá ler quem quer... e é muito mais natural estar-se no blogger até às tantas nas noites de fim de semana, do que nas outras em que algum descanso é imperativo para quem trabalha. Os clássicos são sempre os clássicos, mas novos tempos requerem novos interesses. Eu, que sou garantidamente mais velha, sou fan de Punk Rock e estou a escrever com Green Day a tocar uma balada... mas isto sou só eu, e as coisas são como são...Abraço.D

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  15. Efeito Double 07?
    Um Pipoco com sentimentos?
    P.S. - Mozart vai sempre bem com qualquer leitura; questão só de escolher a peça.

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    1. Muito bem associado, sexo e a idade. Excelente comentário. (diz-se de Mozart que é o alfa e o omega dos memorandos, os iniciados gostam muito e os experimentados também)

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  16. As elites estão de facto em todo o lado, nem os blogues escapam. Aquilo que me parece é que no inicio se comentam todos os blogues, e quando se ganha estatuto já só se moderam comentários. Isto desagrada-me de alguma forma.

    http://alguemquemecale.blogspot.pt/

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  17. "Antes de comentar ou de escrever um post, devíamos fazer um rascunho e pensar se a nossa mãe ou os nossos filhos gostariam de ler o que escrevemos."

    Eu poderia ter escrito/dito exactamente isto, aliás, creio já ter dito algo semelhante - já não me lembro onde nem quando. Por vezes, ao ler certos comentários anónimos especialmente ofensivos/maldosos, e penso na enorme vergonha que aquelas pessoas sentiriam se as suas mães descobrissem que o que tinham escrito.

    No meu caso, o meu pai lê o meu blog, pelo que conscientemente publico apenas o que considero que não o envergonharia.

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    1. Anónimo3.11.12

      Não vá nessa onda, Luna, isso é a coisa mais bimba, provinciana e parola que ouvi! Era só o que faltava, sermos reféns dos pais e dos filhos! Aos filhos temos de ensinar uma filosofia de vida e uma moral, não estar a pensar "ah e tal que gostariam as crianças que eu escrevesse?" WTF?!

      Quanto aos pais, se a Luna faz esse exercício mental está a laborar num erro e no fim do dia vai acabar por se transformar no seu pai... É isso que quer? Acha que o Henry Miller se preocupava se a mãezinha ou o paizinho iam gostar de ler os livros dele? E acho que a mãe do Saramago nem devia saber ler quanto mais... lol Estava ele bem arranjado se estivesse a tentar pensar pela cabeça da mãe quando escrevia...

      Siga o seu caminho, liberte-se da sombra do seu pai (por muito boa que ache que é), deixe de ser menina do papá, cresça interiormente e no dia em que for o seu pai a pensar se a Luna iria gostar do que ele escreve, chegou lá.

      Aliás pense que o que aconselha às jovens islâmicas e muito bem é que se libertem do jugo dos pais retrógrados. Por isso não pode ser contraditória: se elas aplicassem o que disse no comentário, fariam só o que os pais gostariam que fizessem, logo aceitariam toda a Sharia, como boas meninas... Não Luna, não embarque nesse canto de sereia.

      A Luna é a Luna, o seu pai é o seu pai, a sua mãe era a sua mãe, os seus filhos serão os seus filhos (se os tiver, claro) e deseje que a venham a contestar e que sejam independentes, pensando pela cabeça deles.

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    2. Caro anónimo (ou possivelmente não tão anónimo assim, mas dou o benefício da dúvida)

      começo por lhe dizer que tem razão em tudo o que diz, e que provavelmente não fui clara no meu comentário.

      não creio que as nossas ideias devam ser reféns de pais e filhos, nem que tenhamos de pensar no que outros gostassem que escrevêssemos, mas falei de "envergonhar". e nesse sentido referia-me concretamente a comentários anónimos que já recebi, a gozar com a morte da minha mãe, por exemplo, ou comentários a desejar a morte dos filhos de bloggers famosas, como já aconteceu. muito dificilmente estas pessoas escreveriam estes comentários abjectos se soubessem que os seus entes mais queridos os leriam.

      discordo do meu pai em vários assuntos, e nunca me inibi de defender a minha posição e de discutir com ele quando não concordamos. no entanto, evito escrever e dizer coisas a pessoas me fariam ter vergonha de mim enquanto ser humano - e neste ambito usam-se pais/filhos como exemplos de pessoas mais próximas que geralmente admiramos e junto a quem nos sentiríamos mais envergonhados se apanhados em falta, e foi neste contexto que escrevi o comentário.

      talvez devesse corrigir o comentário para "publico apenas o que considero que não ME envergonha perante o meu pai e/ou pessoas que admiro". espero que perceba a subtileza da diferença entre ambos os cenários.

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  18. ..."tempos mortos do meu dia (...) sem nada mais divertido e estimulante para fazer."
    Queres desenvolver?
    (gosto de te contrariar...)

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  19. eu cheguei até ao fim, e acho que deves escolher bach :)

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  20. Chopin3.11.12

    Se tivesse começado o post por "não consigo decidir-me entre Bach e Mozart para me acompanhar na leitura que vem a seguir", o mais provável era que a maior parte não o lesse até ao fim.
    Afinal de contas esta frase é que realmente interessa, o resto é paisagem.

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  21. Cheguei ao fim viste? e desta vez comento para dizer apenas: Subscrevo! :D Inté!

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  22. De repente senti-me privilegiada por pertencer ao escasso grupo daqueles que merecem um comentário.
    Obrigada!

    (Curiosamente, e correndo desde já o risco de parecer ingrata, ainda não decidi se gosto do seu blog ou não. Tem demasiado mistério. Mesmo não conhecendo os rostos, consigo muitas vezes traçar um perfil de quem leio. No seu caso... há uma imensa névoa e isso atrapalha-me os sentidos. Mas sou mulher, por isso volto aqui, todos os dias, à procura de quem está aí por trás).

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  23. Fiquei aqui a pensar que o facto de não comentar outros blogs, ou de, raramente, responder aos comentários, não passa propriamente pelo facto de não lhes querer acrescentar valor ou de os seus comentadores não estarem preparados para debater ideias... sabe bem o tio Pipoco que, assim, cria uma aura de superioridade que nos leva a nós, comuns mortais, a aguardar, em suspense, pelo dia em que teremos direito a uma resposta (dias bons esses...) para nos sentirmos distinguidos(?)...
    Apesar do atraso (e agora devidamente informada):
    Bach - Concertos para violino por Julia Fischer and the Academy of St. Martin in the fields :)

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  24. Penso que é a primeira vez que comento, não acrescento nada é certo mas assim o Pipoco fica a saber que não é o único que lê sem comentar.
    Quanto à banda sonora das leituras, optaria por Bach um amor de longa data.

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  25. Anónimo3.11.12

    Dizer-lhe apenas que dia não é dia sem pelo menos uma visita ao seu blog. Uns têem confort food, outros refúgios na TVI, no fb na zara etc. Tudo escolhas validas, cada um escolhe o que quer...

    Um abraço e obrigado por tudo

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  26. Cheguei ao fim, o que é raro em mim, nos tempos que correm os post têm que ser curtos e concisos.

    10 points!

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  27. Raramente tenho tempo (e paciência) para escrever posts longos. Da mesma forma, raramente tenho tempo (e paciência) para comentar.
    É muito mais fácil e prático haver um pipoco que escreve (e bem melhor do que nós) o que pensamos.

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