31 outubro 2012

Breve teoria sobre os comentários que um post terá

Quando me ligares, que não seja para me perguntares como vai isto, vai sempre bem, que não seja para te queixares que o tempo por aí está frio, sabes como eu gosto do tempo frio, lembra-me castanhas assadas e vinho tinto e montanhas com neve, que não seja para me dizeres que já não te lembravas da minha voz, será sempre esta, às vezes ligeiramente rouca e grave, depende de ter estado em mangas de camisa a ler lá fora à noite e não ter dado conta do tempo passar, que não seja para me falares de ti, é coisa que me interessa pouco.

Se me ligares, aproveita bem os cinco segundos em que estarei desconcertado, que levarei a focar-me, que o meu cérebro demorará a processar a informação, para me dizeres exactamente o que deve ser dito.

(poucos comentários, o leitor percebe que é um texto pessoal e quase se desculpa por ter lido, quanto mais comentar. Talvez alguém mais insensível a estas coisas da privacidade se atreva a um "ela não vai ligar" ou a um "já me senti assim". Post para não mais de três comentários, com a "nuance" de este ter bastante mais só porque o autor crê que terá bastante menos, ilustrando uma espécie de jogo entre o blogger e o leitor que terá como epílogo que ninguém se atreva a comentar)

9 comentários:

  1. (adorei a adenda :) nem me atrevo a comentar :)

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  2. Isto de uma pessoa fazer uma coisa e de na cabeça se acenderem logo as luzinhas sobre todas as consequências da coisa e todas as possíveis reacções à coisa, e sabermos que vai ser assim também desta vez como de todas as outras e de que nos serve saber isto, de que nos serve a cabeça funcionar sem lhe pedirmos, de que nos serve esta capacidade quase mediúnica por vezes tão desnecessárias que nos assoberba e cansa, e cansa e cansa...

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  3. Lamurias, montanhas, frio e vinho tinto (again)... PS.: Isto não é um comentário, para não exceder o limite.

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  4. Anónimo31.10.12

    Jogo viciado, este!
    "Que não seja para me falares de ti, é coisa que me interessa pouco"- frase para muitos comentários...

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  5. E se não ligares, não sentirei a falta, de todas as formas não penso em ti.

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  6. Nunca passei por isso. Talvez por nunca ter conseguido ficar amigo de antigas(os) paixões e namoros. Cortei sempre eventuais cordões umbilicais.
    Hesitei bastante antes de escrever, mas convém haver uma opinião masculina para dar mais crédito ao rácio dos comentários deste post.

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  7. Anónimo31.10.12

    "Mantem os amigos perto e os inimigos ainda mais perto." Nao fica bem ignorar os primeiros e um risco ignorar os segundos. Portanto, um telefonema deve ser sempre bem atendido.

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  8. Psicologia invertida a esta hora Pipoco?
    Bem, é sempre uma boa hora, desde que temos 1 ano e começamos a perceber que esta coisa de querermos achar que fazemos o que nos apetece é só uma ilusão.
    Quanto a quem liga, dane-se se ligar, mais vale cair no esquecimento se é para arranjar desculpas para "aparecer".

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