19 outubro 2010

Disso, da autoridade moral

Ruben Patrick está perdidamente apaixonado por Cátia Vanessa, que vive numa ilha vulcânica, a meia hora de viagem de barco da costa onde está a cidade que Ruben Patrick habita. Ontem, Cátia Vanessa telefonou a Ruben Patrick, chorosa, em pânico, informando que estava a fugir da lava que escorria montanha abaixo. No meio dos gritos aflitivos da população em fuga, a chamada cai, deixando Ruben Patrick em desespero. Sem perder tempo, Ruben Patrick corre para casa de Soraia Matilde, a única pessoa que conhece que tem um barco. Soraia Matilde, louca de amores por Ruben Patrick, informa-o que só lhe empresta o barco se ele fizer amor com ela. Ruben Patrick rejeita, transtornado, e tenta arranjar outro barco. Infelizmente, todos os outros barcos estão já a caminho da ilha, para as operações de salvamento, e é certo que não serão suficientes para evacuar toda a ilha. Ruben Patrick acaba por voltar a casa de Soraia Matilde e aceita a sua proposta, sentindo que ela nada significa para ele.

Já na ilha, Ruben Patrick corre ao encontro de Cátia Vanessa e encontra-a a festejar na rua, a erupção tinha parado. Ruben Patrick conta a Cátia Vanessa toda a sua saga para chegar ali, sacrificando até a sua dignidade. Cátia Vanessa fica horrorizada e diz-lhe que nunca mais o quer ver.

(se eu fosse disso das psicologias, perguntaria "Quem teve a postura moral mais elevada"?)

20 comentários:

  1. Pobrezinho .. ou não ...

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  2. é como eu sempre digo...o excesso de informação faz muito mal!!

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  3. A Soraia Matilde é que foi a que teve maior moral, não foi contra nenhuma convicção sua à priori. Se a resposta certa calhar ser outra alguém me informe que eu venho aqui, apago e tento de novo.

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  4. Anónimo19.10.10

    Ele, claro. Qual é a dúvida?

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  5. que cenário mais trágico ... :|
    a mais elevada não sei, mas a menos é da Soraia Matilde. que devia curar o amor-próprio em vez de impor-se a alguém que não a queria :)

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  6. Uma não questão. Podemos aferir a "autoridade moral" de Marguerite Gautier (violetta) e Armand Duval (alfredo), (em termos afectivos, claro),construindo indicadores de "autoridade moral", mensurá-los? Faz sentido? Não faz, para ninguém. Eu entendo o seu ponto de vista e a alegoria que sugere, a "ideia de relativismo emocional" subjacente, mas o Pipoco sabe que essa extrapolação carece de algum "rigor", digamos assim.

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  7. Parvalhona essa Cátia Vanessa :P

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  8. Eu admito: O ruben patrick.

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  9. Também o puseram às voltas com o Kolhberg? Foram dias em cheio esses às ordens dos psicólogos.

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  10. Anónimo19.10.10

    Leonor, "autoridade moral em termos afectivos", entre Violetta e Alfredo?Não entendi; se colocasse a questão da "autoridade moral" entre Germont (pai) e a pobre tuberculosa creio que faria mais sentido.
    O que quererá dizer com a "autoridade moral em termos afectivos"?
    E não se sentirá amofinada se lhe contar que não faço ideia do que será o "relativismo emocional", pois não?

    Maria Helena

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  11. A mais "moralista" foi a Cátia Vanessa. Tomou a decisão "puritana" de acordo com os "bons costumes".

    A Soraia Matilde chantageou o Ruben Patrick por isso não tem grande prova de moralidade.

    O Ruben optou por um sacrificio em prol de algo maior. O Ruben terá a moral mais elevada no caso, embora a maioria das senhoras vá considerar que um homem nunca tem "sexo de obrigação" porque está sempre pronto para isso (será entendido como um bónus pelo empréstimo do barco).

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  12. A Cátia Vanessa é uma mete nojo ;-)

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  13. Da autoridade moral não sei, mas sei que a cátia vanessa foi parvinha. Ruben patrick ama-a de certeza, a fazer sacrificios como esses.

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  14. Maria Helena, o que eu quis dizer foi que não faz sentido falar em autoridade moral se o tema são os afectos vividos no limite, na dádiva absoluta - sejam os intervenientes ruben patrick/ cátia vanessa ou alfredo/ violetta.
    A metáfora do Pipoco remete para um sacrifício. Por amor. Como o de Violetta ao mentir a Alfredo e a ceder à corte de outros homens. É esse o (inesperado, admito) parelelismo. São personagens que muito amam e que, por esse motivo, se dispõem a negociar a "dignidade" por aquilo que consideram ser o melhor para o objecto do seu amor.
    Mas isto é a expressão de amor em circunstâncias excepcionais. Em casos de vida/ morte ou honra/ desonra do amado, não é o que podemos tomar como quotidiano amoroso, digamos. Como a realidade dos amores que vivemos. Como a realidade, precisamente.
    E claro que não fico amofinada com a sua revelação, pelo contrário, gosto de conversar consigo, de debater, de aprender.
    Relativismo emocional, para mim, é uma ideia bem "do nosso tempo" que tende à apreciação casuística, alicerçando-se no princípio de que as emoções - e a sua expressão - podem ser dissociadas de valores. Princípio que me é simpático, mas cujo uso pode ser facilmente manipulado - por aqueles que detêm mais instrumentos, ou seja, são (pelos modelos sociais dominantes) considerados mais fortes/ mais ágeis/ mais argutos, etc.

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  15. As vezes os comentadores quase me fazem ter a ilusão de que tenho um blog a sério. (Obrigado, Leonor e Maria Helena)

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  16. Anónimo19.10.10

    Desatei a correr e mergulhei logo em Wagner, Leonor.
    Quanto ao último parágrafo se 'sou eu e a minha circunstância' a questão que se coloca é 'e que faço eu da minha circunstância?'. O tal 'relativismo moral' cheira-me a branqueamento e selvajaria.
    Vou sair do mergulho a pensar nos verbos cativar e seduzir.
    Obrigada.
    De resto, o bom gosto e generosidade desta sala são da exclusiva responsabilidade do anfitrião.

    Maria Helena

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  17. O prémio postura moral vai para a Soraia Matilde, obviamente.
    Revelou tenacidade ao lutar pelo seu ruben e independência, ao ter o seu próprio barco.

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  18. Eu acho que deviam ser moralmente desautorizados os padrinhos destas personagens.

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  19. Anónimo19.10.10

    "As vezes os comentadores quase me fazem ter a ilusão de que tenho um blog a sério. (Obrigado, Leonor e Maria Helena)"
    Como?!? O único que chegou mais perto foi o Êne de Nuno.
    Esta situação é a mesma que um homem tem a mulher doente e sabendo que não tem dinheiro para pagar o medicamento, assalta um banco, correndo o risco de ir preso (ou ele próprio se entrega). Sacrificou-se em prol de outrem. Mas, claro, estes conceitos arriscam-se a ser estranhos para muitos. Poucos são aqueles que atingem este patamar. Ou seja, estar acima da moral.

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  20. Omitir nao é mentir kkk
    Adorei seu blog
    Inteligente e bem humorado

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