31 maio 2015

E foi assim que tudo aconteceu

Post em tempo real

Isto está a correr tão mal que nem apetece prantar aqui retratos.

(mas tenho cá a minha fé que vamos ganhar isto)

Dos fins de semana perfeitos

Volvo Ocean Race, Feira do Livro, Final da Taça.

30 maio 2015

Pipoco também dá conselhos para vidas felizes

Corre pela manhã. De preferência com o sol a nascer à tua frente no caminho de regresso a casa.

Muda-te para o campo. Mas continua a trabalhar na cidade.

Aprende o nome das estrelas. E das constelações. Isso vai fazer-te sábio perante as mulheres.

Lê livros. Muitos, ao mesmo tempo. Espalha-os pela casa para que nunca te faltem.

Pede conselho aos teus pais. Não os sigas quase nunca. Mas pede-os.

Tira fotografias. E não percas o hábito de as pendurar nas paredes.

Não acredites em tudo o que te dizem. Confia no instinto. No teu.

Usa mapas. São muito melhores que qualquer GPS e têm a vantagem de te levar mesmo ao sítio certo.

Adopta um cão. Ou dois.

Telefona aos teus amigos. Convida-os para almoçar. Cozinha para eles. Nada se compara a cozinhar para os nossos amigos.

Senta-te sempre de costas para a parede. Se os antigos o faziam, alguma razão havia.

Aceita o que generosamente te dão. Não ficas em dívida.

Trata todos com cortesia. Mesmo os que não merecem a tua cortesia. Isso irrita-os e só por isso vale bem a pena.

Aprende palavras novas. E usa-as.

Aprende a jogar xadrez. Não encontrarás jogo mais útil que o xadrez.

Aprende a gostar de ópera. Um dia explico-te porquê.


28 maio 2015

Setenta anos de blogs

Por entre um Partagas e uma aguardente Adega Velha para moer o jantar, uma salada de rúcula bem apaladada, sentado no meu telheiro, a olhar para as estrelas e a pensar em coisas cá minhas, revi estes setenta anos de blogues, sorrindo, nostálgico quando contemplava os primórdios desta coisa do lado menos luminoso dos blogs, que sempre existiu, não se inventou ontem. Revi o lendário aborrecimento da Pipoca Mais Doce e da Kitty Fane e sorri, a coisa teve o seu glamour, está bem que eram só umas miúdas à bulha por causa de coisas não sei quê, e nós ali, divertidos, a olhar para aquilo, tudo ao vivo, não havia cá facebooks a fazer de amplificador, eram só umas miúdas a fazer uma chinfrineira e nada mais. Depois lembrei-me do hate-blogs daquele tempo, aquilo é que era, maldicência em estado puro, não havia cá caixas de comentários moderadas nem posts a fazer de conta que a autora tinha uma cultura geral mínima, aquilo era outra categoria, blogs parasitas como manda a lei, sabia-se bem ao que se ia, de vez em quando quase se descobria a autora da má-língua, especulava-se que se sabia quem era a marota, que já se sabia o IP, tudo tremia, caramba, elas sabiam o IP umas das outras, dali até acabar o fartote e acabar tudo na esquadra havia de ser coisa que se fizesse em menos de nada. Depois lembrei-me dos blogs que marcavam a época, trezentas visitas por dia era uma marca que se invejava, não era para qualquer um, as caixas de comentários eram uma coisa interminável, uma espécie de chat desorganizado, a coisa acabava quase sempre nos lendários jantarinhos de bloggers, uma coisa sem jeito nenhum que só servia para nunca mais pormos os pés no blog da gorda que escrevia como se fosse a Miss Venezuela, aquele era o tempo em que se trocavam ligações, se tu tens uma ligação para o meu blog eu retribuo. Ah, que tempos eram aqueles...

26 maio 2015

Déjà vu, outra vez

Normalmente sou um tipo paciente. Ouço-as com atenção, interrompendo cirurgicamente quando penso que tenho alguma coisa a acrescentar à ideia que estão a desenvolver ou quando não captei algum pormenor. Tento percebê-las, interesso-me pelos pequenos nadas que lhes atormentam os dias, a amiga que disse que ela está com bom aspecto, mas de certeza que o queria realmente dizer é que o os sapatos de salto alto lhe assentam mal, o amigo do facebook (o que quer que seja o facebook) que lhes pede conselho para evitar uma catástrofe qualquer e elas lhes respondem com uma imagem de sapatos que era para enviar à amiga, com quem também estavam no facebook e o amigo acaba por ofender-se, ouço-as mesmo, sei que é importante que tenham atenção indisputada.

Normalmente sou um tipo paciente. Outras vezes, nem por isso.

Subindo no Blogometro

Eco, Umberto Eco, um dos meus favoritos escreve no seu livro novo sobre a inquietação de um jornal poder servir para outra coisa que não informar e uma notícia poder de facto não ter acontecido.

O Correio da Manhã não precisava desta publicidade de Umberto Eco.

25 maio 2015

Quem és tu, Pipoco?

No café cá da terra: aquele, o do BMW Citroën Audi Jaguar, Mercedes preto verde preto, cinzento, que nunca quer açucar no café, não sabes? o que lê o Diário de Notícias quando tem vago o Record, tu sabes quem é, aquele que vem sempre de gravata menos aos sábados que vem de bicicleta, claro que sabes, só não estás a ver quem é, o que encomenda no quiosque os jornais estrangeiros a imprensa estrangeira, isso, esse.

Para os vizinhos: o que corre com o cão à chuva.

Para o Senhor Ribeiro lá do sítio onde compro coisas : o dos vinhos que nunca temos.

Para elas, as do blog: Ohhhhh, o Pipoco!!! (minha visão da coisa)

Para elas, as do blog: Pff, o Pipoco... (visão mais aderente à realidade)

Como a Luna e a Izzie já não escrevem em blogues, este é um post sem risco

A inteligência emocional com que as mulheres se comportam nas redes sociais é capaz de atrasar bastante aquela ideia lá delas de dominarem o mundo, ou lá o que é que elas pretendem.

24 maio 2015

Resumo da semana dos blogs

Amanhã teremos só posts de valor sobre os trapos dos Globos de Ouro, que estava tudo muito compostinho, sim senhores, os outfit "parecia uma vaca gorda" serão elevados à categoria de "escolha menos adequada", os "prémio Maga Patalógika" serão afinal "vestido demasiado escuro".

E nós a ver que não...

23 maio 2015

Grande cena

Talvez a melhor cena de cinema seja a de Marlon Brando, o Padrinho, pois claro, quando tranquiliza Johnny Fontane que o lugar será dele, afinal Don Corleone fez uma oferta que ele, um tal Woltz, não poderá recusar, não é só uma grande frase, bastante corrente em reuniões de Conselho de Administração em que o CEO já não tem mais ideias, mais tarde havíamos de saber que o tal Woltz teve que escolher entre ter os seus próprios miolos ou o nome de Fontane no contrato, percebe-se aqui que o tal Woltz tinha miolos e soube escolher, retenho da cena um Don Corleone com uma gravata papillon desalinhada e a testa de Don Corleone, sem rugas até ao momento em que Fontane, descrente dos poderes que são o que são, ousa dizer que é demasiado tarde e é nesse preciso momento que a testa de Don Corleone se enruga, não querendo crer, esta é um dos meus alinhamentos de frases favoritos, querendo crer, não querendo crer, dizia eu, que Fontane, um afilhado, tivesse acabado de proferir palavras insensatas, "it's too late", nesse momento a testa de Don Corleone sinaliza que Fontane passou das marcas, fosse eu Don Corleone e talvez deixasse que Fontane tivesse razão, que fosse demasiado tarde para fazer uma oferta irrecusável.

Teaser

Um destes dias o grande Lourenço Bray contava-nos qual era o melhor exemplo de representação que lhe tinha passado sob as vistas e eu fiquei a pensar na situação, os meus posts ficam em rascunho numa parte do meu cérebro que também é usada para guardar letras de velhas músicas de José Cid e Quim Barreiros, a diferença entre estalactites e estalagmites, quem era o avançado do Sporting na temporada 85-86 ou como se chama a capital do Quirguistão.

E eu também tenho a minha cena favorita de filme. Previsível.

19 maio 2015

Déjà vu

Em boa verdade eu nem sei se a Carmen desejava mesmo o Escamillo, as mulheres bonitas são assim, fazem de conta que preferem os maus rapazes e o Escamillo, Toreador, era um mau rapaz, só os maus rapazes é que frequentam locais como a taberna do Lillas Pastia, acredito que a Carmen acabaria por se fartar do Escamillo, nenhuma mulher, e aqui falamos de mulheres bonitas, suportaria muito tempo a trilogia torero/mulheres/taberna do Lillas Pastia, acredito que a Carmen gostasse de fazer ver às outras mulheres que era poderosa, tão poderosa que conseguia os favores de Escamillo, marcação de território, nisso as mulheres bonitas são excelentes, mas no fim as mulheres bonitas acabam todas por ficar com tipos como Don Jose, um tipo recomendável, casa-trabalho-casa, emprego seguro como cabo do exército, a farda, sempre a farda, era só Don Jose ter aguentado a pressão e a coisa duraria dias, tenho a certeza, e acabaria por ficar com Carmen, não havia necessidade de lhe ter espetado a faca no peito, foi uma maçada, os maus rapazes acabam todos por morrer cedo, de cancro no fígado e restam os Don Jose, fiáveis e honestos, eu nem sei se a Carmen queria mesmo ficar com o Escamillo, não sei se já tinha dito.

16 maio 2015

Um homem percebe que iniciou o seu declínio. ..

...quando abre a porta do frigorífico e constata que lá dentro há mais garrafas de Água das Pedras do que de Super Bock.

15 maio 2015

Não deve ser isso, pois não?...

Com um par de posts que não são grandes geradores de tráfego (embora sejam posts bem escritos, com grande actualidade e de qualidade bastante acima da média), o dia de hoje está a ser o dia de maior tráfego de que me lembro.

Não deve ser por causa daquilo de tirar a roupa, pois não?