05 fevereiro 2020

Ontem, numa área de serviço

A agente da autoridade que me interroga com severidade pergunta-me primeiro pelo nome de pai e mãe, tenho um momento de pânico, espero que a agente não se vá queixar de mim a nenhum deles, não me apetece que os meus pais fiquem em cuidados por causa de temas que envolvem agentes de autoridade, a seguir pergunta pela minha profissão, resisto a dizer o que realmente faço, a autoridade não havia de gostar que eu respondesse “contador de histórias”, apesar de ser a mais pura das verdades, preferi dizer o que está escrito nos papéis da escola, a agente da autoridade distende-se, quase sorri, partilha que é a profissão que o seu filho vai escolher, eu incentivo, digo que é uma bela profissão, omito apenas que ser contador de histórias é muito melhor.

11 comentários:

  1. Há tantos doutores e engenheiros que descobriram que afinal a felicidade passava por serem carpinteiros ou agricultores, porque não lutar pelo que realmente se gosta e ser "contador de histórias"? O importante é gostar daquilo que se faz e ser feliz. Boa sorte ;)

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  2. Cláudia Filipa5.2.20

    Para mim, este é um post particularmente bonito. Quis dizer. E é só.
    Afinal, não é só, é que, agora, lembrei-me do contador de histórias da Cuca, que trocava uma história por uma moeda, também tinha um fraquinho por ele, "inho", é pouca coisa, um fraco.

    Coisa mais bonita, ser-se contador de histórias.
    Anexa-se sorriso distendido.

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  3. Vamos lá por partes: Primeiro; quem, em seu perfeito juízo, vai acreditar que um/a agente da autoridade, vulgo, polícia, aborda um cidadão, com cãs e barba a simular um ligeiro desleixo, porém, bem aparada, levemente grisalha, o que indicia ser ele pessoa adulta e de boa posição social/económica e, ao invés de lhe pedir que se identifique, lhe pergunta qual a sua filiação?

    Oh, Ruben Patrick, quando for o menino a escrever os postais, use a sua conta. E saiba que ser contador de histórias, é uma profissão linda, mas requer objectividade e muito respeito por quem o lê ou ouve. Não pode meter os pés pelas mãos, há que dizer a bota com a perdigota.
    Não faça como uma que eu conheço que se armou em valente, mas o tiro saiu-lhe pela culatra. Quis escrever oito e saiu oitenta, mas no sentido inverso ao bom... :)

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    1. Cláudia Filipa6.2.20

      A minha primeira recordação marcante, no que a histórias diz respeito, é o Noddy, um brinquedo que tinha vida, tal como um menino, e um barrete com um guizo e, ainda, com aquela idade, conduzia um carro amarelo. Por falar em brinquedo feito menino, lembrei-me do Pinóquio, e a esse também crescia o nariz cada vez que dizia uma mentira. Já nem vamos falar da Bela e do Monstro, da outra Bela, a adormecida, da Cinderela (aqui, um dos meus momentos de objectividade preferidos, é aquele em que os ratinhos ajudam a Cinderela a fazer um vestido para levar ao baile), a Branca de Neve e os sete anões, e o Capuchinho Vermelho? bem, nesse caso, mesmo bem criancinha, não conseguia deixar-me levar pelas asas da fantasia, não me conformava com aquela situação, achava o Capuchinho mesmo parvo, como era possível não topar logo que aquela criatura que estava depois na cama já não era a avozinha e se punha com aquela patetice: "Por que tens uns olhos tão grandes e por aí fora até chegar à altura da resposta da comezaina. E a Alice no país das maravilhas? Bem, fico por aqui, penso que já deu para perceber como começamos logo, desde pequeninos, a aprender da importância da objectividade nas histórias.

      Independentemente das considerações que tece sobre a veracidade ou não do post do Pipoco, coisa que, para mais, não sendo eu agente da autoridade em geral, nem de blogs em particular, não tenho nada que ver com isso, mas não resisti a comentar, é que, se me permite, penso que quando diz: "E saiba que ser contador de histórias...requer objectividade...não pode meter os pés pelas mãos, há que dizer a bota com a perdigota." penso que está a confundir contadores de histórias com jornalistas.

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  4. Desde que voltei o Pipoco tem postado com mais regularidade, o contador de histórias voltou, com toda a sua elegância!

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  5. Ah pois...pipoca que é pipoca, faz saltar a tampa a qualquer panela.

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  6. Querido Pipoco isto de voltar foi obviamente uman boa brincadeira, como já tinha dito agora tenho mais coisas interessantes para fazer e muito trabalho, de qualquer maneira é sempre bom verificar que ainda me recebe tão bem no seu requintado espaço, vou andando por onde me apetecer, até qualquer dia.

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  7. Eu gosto muito quando conta histórias, como esta e a do post anterior. E outras.

    E também gosto de ver a Pipoca Arrumadinha de regresso!

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  8. Só um guardador de sonhos conta estórias. Uma estória, duas estórias, três estórias...
    Só um funcionário público tem a tarde livre à 6.a feira. "Boa, boa brincadeira. Uns na guerra outros na feira..."

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  9. Bravo. E ontem foi divertido, histórias muito boas

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  10. Cláudia Filipa19.2.20

    Caso este Blog estivesse em momento de pausa num outro post, deixaria o Blogger descansado, juro, (claro que estou a fazer figas) mas é que posso jurar mesmo que deixaria, até porque, como o Blogger já nos disse, escrever este Blog, dá uma trabalheira de uma parte da anatomia masculina, e, sim, não é nada, mas mesmo nada, difícil perceber a razão. Acontece que, este Blog, parou num momento de problemática com uma agente da autoridade, ora uma pessoa começa a pensar: "Ai! Terá o nosso contador de histórias sido encarcerado por uma agente da autoridade deveras má? Estará agora com o "Naifas" e com o "Cicatrizes para que vos quero"?. E foi então que também pensei, como não sei se fuma, para além de que isso só lhe faria mal à saúde, vou oferecer-lhe um comentário, nada de mais, por todos os momentos de descontracção prazerosa que já me proporcionou com os seus posts/histórias, para além de que, se este comentário aparecer, fica-se a saber que, a agente, continua a permitir-lhe o uso de tecnologias, menos mal, talvez a coisa não seja assim tão terrível.
    Bem, espero que não esteja metido em terríveis problemáticas mas sim viçoso e a contar histórias a toda a gente menos a nós (pontada de um dos maus sentimentos humanos, aqui)

    (obrigada por me aturar e até sempre)

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