17 agosto 2018

Da empatia e outras histórias

Durante duas ou três semanas por ano, eu sou o tipo que calcorreia as Alfamas e as Madragoas das cidades onde escolho ir acordar.

É por isso que gosto de os ver na minha cidade, afinal somos da mesma tribo, também eu os aborreço com os meus retratos, também eu lhes tiro lugar no restaurante favorito, também eu escuto histórias inventadas dos lugares que me mostram e, às vezes, acredito.

5 comentários:

  1. Cláudia Filipa17.8.18

    Nos últimos três anos quis ser, e tenho sido, turista (viajante, vá, viajante, mapa na mão a palmilhar as ruas) numa data de cidades europeias, algumas estão a abarrotar, mas mesmo a abarrotar, pensei várias vezes no aborrecimento que aquilo deve ser para os nativos, por exemplo, a que estava a rebentar mais pelas costuras quando lá estive, Praga, que acho uma maravilha de tão bela que é, adoro Praga, mas é impressionante, "nas Alfamas e nas Madragoas" de Praga, às vezes, quando levantamos um pé, corremos o risco de não voltar a arranjar espaço no chão para ele.
    Podia contar muitas histórias, eu como elemento perturbador de tão entusiasmada em terra alheia e a perder totalmente a moral para qualquer praguejamento aqui no meu país, vou optar por esta, penso que vai muito bem com este seu post:
    Dizia-me há muito pouco tempo uma amiga que não se podia em Lisboa com tanto turista, que, às vezes, pareciam baratas tontas, que até se esqueciam que estavam no meio de uma estrada e paravam para tirar fotografias e depois olhavam muito espantados quando os carros apitavam, como se não fosse suposto existirem carros nas estradas, então, contei-lhe isto, que agora vou contar-lhe a si (e a quem quiser ler), aconteceu precisamente este ano, eu encantada com um determinado lugar, a ter que capturar aquilo e tinha de ser num determinado ângulo, e lá estava a saracotear-me em busca do ângulo perfeito, depois da captura volto-me toda contente e, acredite que isto foi mesmo tudo tal qual assim, dou de caras com um senhor com um ar muito executivo e muito sério, todo o ar de quem tinha de ir trabalhar em coisas muito importantes e assim, porém, resignado com aquela situação, parado ao volante do seu potente carro alemão, a aguardar, e sem uma única apitadela nem nada, então, eu estava no meio de uma estrada, secundária, com pouco movimento, é certo, mas no meio de uma estrada, completamente esquecida de tudo naquele momento que não fosse o retrato desejado. Gesticulei da forma mais simpática que consegui em jeito de pedido de desculpa e agradecimento ao senhor pela paciência com aquele meu abuso disparatado e acho que me perdoou que o ar taciturno afastou-se transformado num sorriso de não tem importância, talvez este senhor já tivesse feito algo parecido nas Alfamas e Mourarias alheias e, por isso, eu fui beneficiária da sua empatia...

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    1. Os cavalheiros executivos, que trabalham em coisas muito importantes, apesar do seu ar taciturno, também sabem empatizar.

      (apesar de não parecer...)

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    2. Cláudia Filipa17.8.18

      (eu agora não devia vir aqui dizer que não tenho dúvidas disso e, mais, até parece e tudo, que assim é que me sujeito a um surto de taciturnice sem precedentes, mas assim também não seria eu, não é? E claro que fiquei toda contente por poder brincar consigo com uma história real e tudo...)

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  2. Gosto desse seu relativizar a forma como encara a onda de turistas que invade as principais cidade do país. Sobretudo nesta altura do ano. Há que deixar de sermos egoístas...e criar empatia com os demais. Sabe que comecei a gostar deveras deste novo Mr. Pipoco? Mais acessível, compreensivo e humano...:)

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    1. Ora, Maria Antonieta, eu sou o Bowie dos blogs, não tarda e aborreço-me desta fase de convívio com o público e volto ao mesmo bom velho Pipoco, pedante e misógino...

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