30 dezembro 2016

Combinei comigo próprio sair do boneco uma vez e meia a cada trezentos e sessenta e cinco dias

Comecei o ano a pedir desculpas e não doeu nada. Não repeti a experiência. Fui ao teatro mais vezes do que aterrei em Madrid. Aterrei mais de trinta vezes em Madrid. Decidi ir ver a final do Euro. Correu bem. Validei a ideia de que as pessoas têm um blog porque precisam. Eu não tenho um blog, isto é outra coisa qualquer. Tomei consciência de os meus pais precisarem agora mais de mim. O meu pai já me deixa ser eu a escolher o vinho e a minha mãe lembra-me mais vezes que eu não lhe telefono todos os dias. Fiz uma das viagens da minha vida. Fui feliz na Normandia. Validei a ideia de ser prudente não assumir que isto dos blogs serve para fazer amigos. Isto são só blogs, os amigos são outra coisa. Não terminei Ulisses, de Joyce. Um dia destes tive um estímulo adicional para terminar, não sei se será suficientemente forte. Tive um cão novo, aliás uma cadela. Temos uma boa química. Tive o meu momento alto nisto dos blogs. Foi aquilo de ouvir pessoas extraordinárias a declamar poemas. Não fiz amigos novos. Mas conheci pessoas que isto nunca se sabe. Deixei de fazer voluntariado a meio do ano. Troquei pelo Ioga. Acho que o blog que mais vezes me fez ler duas vezes o mesmo post foi o da Isabel Duarte Soares. Tive genuína pena de pessoas que escrevem em blogs. Não esquiei. Fez-me falta, é por isso que estou tão cansado.

22 comentários:

  1. Eu descobri, creio que de forma mais evidente este ano, que as pessoas têm blogs há séculos, mesmo que lhes chamem outras coisas. Talvez seja — sim — uma necessidade vital para alguns. Diverti-me genuinamente com o blog de Samuel Butler, escrito no século XIX. E sim, entendi este (o do caro PMS) como um blog, um bom blog, um dos que vale a visita a cada post (e acho que não falhei nenhum).

    Votos de um excelente dois mil e dezassete.

    (Shirshasana é o meu Ulisses: nunca lá chegarei).

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  2. Meu querido, quanta honra. Grande abraço e um bom ano para nós.

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  3. Muito bom, Pipoco. Penso que podia combinar mais vezes sair do boneco, digo eu que gostei muito de o ler, agora, em traje informal.
    Votos de um excelente 2017.

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  4. Cláudia Filipa30.12.16

    Nunca estou em boneco, a não ser quando venho dizer mais palermices que o habitual só para brincar consigo, bem, mas também é assim a minha maneira de brincar, digo e sou aqui nos blogs o que digo e sou com a família, com os amigos, com os colegas, mas, ao mesmo tempo, gosto do facto de nenhum deles visitar blogs e assim nenhum deles ler a Cláudia, gosto que isto seja uma coisa só minha, um prazer só meu que, entretanto, só faz sentido se também for um prazer para as pessoas que não conheço com as quais partilho este meu prazer, se não for assim ou quando deixar de ser assim está na altura de ir embora. Também sou prudente, muito mesmo e portanto também o que assumo é que isto são só blogs, os amigos são outra coisa, aqueles que abraçamos de verdade e não virtualmente, mas, estranhamente, sei que se tomasse conhecimento do seu falecimento, cara pessoa que hoje nos escreve, iria sentir-me verdadeiramente triste e então é por isso, não é só por ficar bem, é também por puro egoísmo, que desejo, sinceramente, que continue a ser imortal em 2017 e em condições de poder usufruir devidamente dessa imortalidade, por exemplo, espero que consiga esquiar para poder chegar ao fim de 2017 menos cansado.
    Durante este ano (já comecei)vou ler e terminar Ulisses, de Joyce, por puro divertimento, sei que tem um marketing fantástico, o bicho-papão da dificuldade da obra, não li rigorosamente nada dos interpretadores profissionais, vou apenas ler sem preocupar-me em perceber, estou a ver aquilo como uma tempestade cerebral/de ideias de alguém e a deixar-me levar e permitir-me interpretar à minha maneira, que é o mesmo que dizer que será dentro daquilo que os meus atuais conhecimentos possibilitarem, o que não conseguir alcançar, não alcancei, para facilitar, estou a imaginar o escritor a meter-se connosco, a dizer lá para com ele enquanto escrevia "vão ver-se gregos para perceber isto, é que isto está a sair-me assim e há alturas em que nem eu percebo o que estou para aqui a escrever" e é por isso que vou chegar ao fim, para além do estímulo adicional que é o de acabar primeiro que a pessoa que hoje nos escreve que por sua vez tem o estímulo de poder ser o responsável por alguém deixar de fumar, se for pessoa de palavra...se bem que é pirata...
    Isto já vai enorme, mas eu sei que sabe que isto não é só um comentário é também um abraço prudente que lhe dá esta pessoa que não é sua amiga. Que tenha um 2017 supimpa.

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  5. É a Idade meu caro. Como é estranho medir o Tempo em anos, nós que nem sequer sabemos se chegamos a amanhã. Um bom dia caro Pipoco.

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  6. Gostei muito de o ver terminar o ano e começar um novo que não em Setembro.
    Na certeza porém de que isto continuarão a ser apenas blogs... com gente à janela.

    Um abraço, caro Pipoco.

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  7. Só não se fazem amigos nos blogues se não deixarmos. A beleza das pessoas pode ver-se muito claramente através das suas palavras e da sua atitude, mesmo que estejam na cobertura de um boneco. Se assim não fosse, como poderíamos sentir carinho, admiração, este bem-querer?
    Desejo-lhe um ano inspirador e feliz. A si e aos seus, querido PMS.

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  8. estimado Pipoco, um abraço e votos de um bom ano.

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  9. Vim aqui desejar-lhe um excelente 2018!

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  10. Felicidade, é o que lhe desejo. Quando se é feliz, tudo o resto está bem!

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  11. Lady Kina1.1.17

    Se tivesse que estudar este texto e só pudesse sublinhar duas frases:

    "Deixei de fazer voluntariado a meio do ano. Troquei pelo Ioga."

    Elucidar-me-ia o suficiente quando fosse responder à questão:
    - Comente a perspectiva do autor sobre os blogues em geral e pessoas em particular.

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  12. e já não foi mau, um ano sem revés.

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  13. Anónimo1.1.17

    Teve pena de pessoas que escrevem em blogues?
    Explique lá isso.

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    1. As coisas não se passam assim, anónima, não é largar um Explique lá isso e esperar que suceda magia, não pode ser assim a frio, tem que pedir com delicadeza, sustentar o pedido, explicitar as razões que a levam a pedir, enfim, há um processo, agora assim, sem um carinho, sem eloquência, sem um fundamento?

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    2. Anónimo1.1.17

      Ai céus... E eu com tão pouca paciência para puxar o lustro.
      Mas gostei da parte da detecção do género, como quem não quer a coisa.
      Pois vamos lá :
      Por favor, Sr. Pipoco (sempre achei isto uma palermice), se for de seu agrado, e disponibilidade, diga-me, por que razão se sentiu genuinamente triste, ou com pena, de alguns bloguers?
      Porque o que me intrigou foi a palavra pena. Foi pena de "'tadinhos" ou pena de piedade, compaixão, empatia para com a dor do outro?
      E é isto. Saí-me bem?

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    3. Saiu-se razoavelmente, suficiente mais.

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    4. Anónimo1.1.17

      Isto parece o tempo em que eu andava em sites de encontros.
      Noite dentro a trocar mensagens em que não se dizia nada só para manter o mistério... E depois ia-se a ver e não havia encanto nenhum.
      Continuo à espera da resposta porque acredito que tem uma boa resposta para dar.

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    5. Sites de encontros? Lá se foi o encanto...

      (mas, de facto, não se enganava: tenho mesmo uma boa resposta)

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    6. Anónimo1.1.17

      E eu não sei?
      (vá, despache-se lá com isso. Eu até lhe gostava de dizer que estou quase a acabar qualquer coisa de Camus e tenho de regressar mas, em boa verdade, o Titanic está quase a começar... E eu sei que também quer ver.)
      Desisti dos encontros. Penso que dá para perceber porquê.

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    7. Anónimo1.1.17

      Nem posso crer que me deixou pendurada.
      Não era preciso um post sobre a minha questão - que era honesta - bastava mesmo aquela boa resposta que tinha em mente.
      Voltarei então a Camus.
      Uma boa noite e, já agora, um 2017 tranquilo.

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