13 janeiro 2016

Mascarenhas de Athayde

No tempo em que eu ainda não sabia que cheirava a Spanish Riding School no final das tardes de verão a jogar à bola, já o Mascarenhas de Athayde usava Drakkar Noir, uma categoria, de cada vez que eu, um aceitável extremo-direito, passava como o vento pelo Mascarenhas de Athayde, defesa-esquerdo, aspirava aquele perfume, na janela temporal que decorria entre eu saltar por cima do Mascarenhas de Athayde, que entrava sempre às canelas, e fintar o Jacinto, que era o guarda redes e demorava muito tempo a mexer-se para um guarda-redes que quisesse realmente evitar que eu lhe marcasse golos.

Do Drakkar Noir o Mascarenhas de Athayde passou para o Tabac, isto até um dia a Isabel, que naquele tempo era o troféu maior e entretanto transformou-se nesse tipo de mulher que usa fato de treino ao fim de semana e tem um carro coreano, disse ao Mascarenhas de Athayde a sucessão de palavras "Cheiras ao meu pai", o que implicou que o Mascarenhas de Athayde voltasse ao bom velho Drakkar Noir, precisamente quando eu me começava a habituar ao novo cheiro do movimento "aí vem ele de carrinho, salta Pipoco, finta o gordo e lá vai disto".

Almocei hoje com o Mascarenhas de Athayde, o ano novo tem destas coisas dos reencontros, senti-lhe a falta do Drakkar Noir e pensei cá para comigo que um homem que se reformou antes dos quarenta anos porque ficou com marcas de stress por ter ganho muito dinheiro a investir o dinheiro dos outros, talvez merecesse melhor que deixar um odor a CK One. 

13 comentários:


  1. No retrato imaginário que fui fazendo do seu Mascarenhas, sempre o julguei um homem de Boucheron. O CK One trocou-me as voltas...

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    1. Esse é o Burnay de Mennezes, Ana...

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  2. Eu sei que não, não pode ser, mas este post cheirou-me a Old Spice. Podia seria Brut, :DDDD
    (ando a abusar eu sei)

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    1. Não incomoda nada, Mirone. Já não saberia viver sem o suave odor Anais Anais que se desprende dos seus comentários...

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    2. Podia ser o Loulou.
      (Não percebeu nada, pois não?)

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  3. Anónimo14.1.16

    Drakkar Noir... Oh, que memórias!

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  4. CK One masculino é assim tão horribilis?
    Pipoco, agora senti-me uma nulidade..."não pescas nada do assunto no que toca a comprar perfumes para o teu filho teen" :)

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  5. Pipoco mais uma questão; e se for uma senhora a usar CK - no feminino, óbvio - também é assim para lá de mau...péssimo, falta de gosto ou de atitude ou sei lá...
    Agora deixou-me a matutar! Quer estragar-me o dia!? :)

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  6. Anónimo14.1.16

    Não há CK One feminino ou masculino, é por isso que se chama One.

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    1. Claro que há!
      CK One Shock (gel de banho - desodorizante - perfume). Daí ter mencionado "masculino".
      Mais tarde posso enviar uma foto...para confirmar, se necessário.

      Esclareço, também, quanto ao meu segundo comentário, onde se lê "feminino" refiro-me a perfume CK que não One.

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  7. Vert Sauvage.
    Acqua di Parma.

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  8. Anónimo14.1.16

    O tio pipoco tem um nariz para perfumes que deixa este anónimo desconcertado. Grande memória olfactiva! Actualmente apercebo-me de um certo desdém por fragâncias que incorporam os métodos e regras da antiga perfumaria e especial aversão a madeiras, almíscar, âmbar e especiarias.

    Eu, que não passo de um/a anónimo/a simplório/a não me passaria pela cabeça andar por aí a cheirar a chocolate, limas, laranjas, limões e baunilha e outros disparates da perfumaria contemporânea que se evaporam ao menor toque de vento e cheira tudo, todos e todas, ao mesmo miasma sensaborão de "frutas".

    Façam um perfume de "arroz de pato", já agora. Enfim.

    Gabo-lhe a memória desse olfacto.

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