26 outubro 2014

Plácidos Domingos

Às vezes os domingos são assim, eu deitado na cadeira de lona verde, com um livro junto de mim, fechado por ser impossível ler com sol de frente, Ulisses, o cão, deitado aos meus pés, eu mando-o sentar e ele deita-se aos meus pés, os cães rafeiros têm este hábito de fazer a coisa certa pelo caminho errado, são os cães rafeiros e as pessoas, e o sol força-me a fechar os olhos e, com os olhos fechados, ouve-se perfeitamente o sino das aldeias aqui perto, cada uma à vez, é conforme o vento, e ouvem-se os pássaros e a respiração de Ulisses, o cão, e, quando abro os olhos, vejo umas pintinhas hexagonais que, quando desaparecem e o meu olhar se foca de novo, não eu, que eu estou constantemente focado, quando o olhar se foca de novo, vejo cegonhas a voar lá em cima, ou serão águias?, e volto a fechar os olhos e está tudo muito bem assim, e sim, Calvin&Hobbes.

9 comentários:

  1. Bill Watterson apreciaria a tradução portuguesa. Francamente melhor que o original. Raro, mas é possível.

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  2. Sem dúvida, um tenor fora de série. Talvez o melhor...

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  3. Em momentos assim nada nos invade senão a tranquilidade. O mundo segue o seu curso e deixamo-nos ficar, apenas. Tão bom.

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  4. tendo o cão, o rafeiro, um nome mitológico, dorme quando tem os olhos abertos, ou tem os olhos fechados quando está acordado? como se deita quando o mandam sentar...

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  5. A parte desconfortável destes domingos, suponho seja estar deitado numa cadeira... Ou será tio Pipoco um plácido contorcionista de circo aos domingos?

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  6. Antes plácidos Domingos que Domingos flácidos... (Ainda que adivinhe uma relação de causa efeito entre os dois, mas bom... Implicações menores!)

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  7. Literatura de qualidade... Ajuda a formar o carácter ;)

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  8. Eu que sou uma fraca rendi-me logo com o cão. O Calvin foi a piéce de resistance!

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