19 agosto 2013

Pipoco vs J. Rentes de Carvalho, Grand Finale

Caro Dom Pipoco,

Surpreendente, a elegância antiga das suas frases, generoso o modo como, tendo vencido, se dá aparências de derrotado e propõe tréguas.
Ao saber que o acaso me fizera aventurar no seu território, logo voz amiga me preveniu: "Não te metas com o Pipoco! Parecendo todo delicadezas estraçalha-te antes de poderes dizer ai. E se desdenhar de fazê-lo, encarregam-se do serviço as amazonas que o veneram, que as tem às centenas, dedicadas como as que rodeavam o ditador da Líbia, ou as que nas tribos africanas impedem que se toque no soba." Sussurrou-me outra: "Sai enquanto é tempo. Esse Pipoco e a turba de damas que nele tudo adora, desde a postura chique e o fraseado oitocentista ao corte das suas camisas, da cor das peúgas à distinção das suas gravatas, são haute-volée, gente capaz de vergonhosamente te escorraçar a pontapés no derrière."
Dou-me por feliz de ter escapado com ligeiros arranhões e aprendido que de facto é bem verdade, um macaco pode invejar os de cima, mas deve saber acomodar-se no galho que lhe cabe.
Isto dito, e acenando já a despedida, confesso que me sinto privilegiado pela oportunidade que me deu e o que de elegantes dizeres e ademanes consigo aprendi. No que respeita um eventual encontro tenho ideia que dificilmente acontecerá. Além de tímido por natureza, sei que tropeçaria na forma e nas fórmulas, iria dar-me em espectáculo, risco que prefiro não correr.
Mas com gosto retribuo o grande abraço com que me honrou.

J. Rentes de Carvalho

9 comentários:

  1. E quando a pessoa pensa que a contenda está decidida e comenta para o lado que sim senhor, que o Tio Pipoco esteve muito bem, que outra coisa não era de esperar, vem J. Rentes de Carvalho e, de um sopro, deixa-nos a nós, às amazonas, guerreiras de D. Pipoco por natureza, inseguras e vacilantes...

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  2. (Com uma lagrima da tristeza e saudade porque a contenda soube a pouco)
    o Grand Finale não foi apoteótico, mas foi simplesmente magnífico.
    Ao nosso Senhor, espero encontrá-lo por sua casa todos os dias a brindar-nos com a sua perspicácia habitual. Ao notável Sr. jRC, temos encontro marcado esta semana n Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia. Verba mollia ét efficacia

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  3. muito obrigado a ambos. foi um verdadeiro prazer.
    a forma como ambos embrulham o dom em humildade, torna-nos pequenos

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  4. Inesperadamente, eis um dos grandes momentos blogoesféricos dos últimos tempos. A minha vénia :)

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  5. Estou verde de inveja, o que eu não dava para ter este tipo de génio literário.

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  6. Anónimo19.8.13

    Pipoco nunca desilude!!

    Uma sua fiel amazona.

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  7. Sheila Carina19.8.13

    OH! Senhor JRC! Pelejou muito bem, mas analisou pessimamente.
    Então não sabe que as belicistas e ferozes amazonas se mutilavam dos seus mais belos atributos para sobreporem a prevalência Feminina em desprimor da Masculina? Só se amavam entre elas e odiavam os homens.
    Eu não sou Amazona, não quero ser, nem morta!
    Mas já tem razão e concordo com o senhor no imensurável apoio feminino ao Pipoco, mas também masculino embora numa escala mais reduzida, e o senhor JRC não sabe porquê porque só fala nas amazonas, mas talvez devesse saber porque é um homem vivido e galante, que o mundo feminino vai mais pelo divertimento e simpatia de trato do que pelo racional masculino.
    Eu sou só seguidora, apenas, parecido ao da Madalena e Cristo, mas com menos pecados e muiiiiiiito menos devoção.

    Sheila Carina

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  8. Amazona é uma mulher que ama muito, né? Uma espécie de contrário de mázona. Eu sou! Tenho muito amor para dar. Ando nisto tudo, blogues, vida, trabalho, por amor. Também é por amor ao bom gosto que venho aqui quando em vez. Já que dão por terminado o "duelo" podem agora começar outra coisa qualquer? Uma tertúlia, por exemplo. É que me aborrece andar por aí à procura de coisas que me apeteçam. Sou uma comodista, preguiçosa mesmo. Vá... continuem a trocar letras. Está visto que a vossa troca de correspondência alegra os olhos a várias pessoas. Não nos deixem assim, à deriva, ok? Respeitosos beijos na testa.

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  9. Anónimo20.8.13

    Comecei a ler J. Rentes de Carvalho há muito pouco tempo, por insistência de uma amiga que já tinha lido quase tudo o que foi editado em Portugal. Adorei o que já li e faço conta de ler tudo o que falta. Obrigada JRC por ter tentado incutir alguma humildade a este menino snob-chic. Não o terá conseguido (espero eu), mas proporcionou-nos momentos de leitura ímpares.
    Maria Flausina

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