30 dezembro 2012

Em verdade te digo, Ruben Patrick

Quando te quiserem fazer crer, meu caro Ruben Patrick, que não há como descer ao fundo dos infernos para, em sobrevivendo aos calores, regressar mais viçoso, regenerado, mais são, afinal é no sofrimento que nos reinventamos, é a dor que nos fortalece, em penando bastante, em rastejando por cima de arame farpado com o demo a deitar-nos álcool por cima, surgiremos impantes, capazes de devorar o mundo, quando te quiserem fazer crer em tal patranha, meu caro Ruben Patrick, diz que não, que o Tio Pipoco tem outra visão da coisa, que é sempre mais capaz de levar a coisa avante aquele que for menos sofrido, aquele a quem o pai tiver abraçado, aquele que sabe que no final tudo vai correr bem, aquele que tiver percebido qual era o caminho mais pedregoso e o tiver evitado, aquele que tiver sido amado sem reserva, aquele que se tiver agarrado para não cair, aquele que sabe que, em descendo aos infernos, quase nunca se regressa

10 comentários:

  1. Oh Pipoco tu tens mesmo jeito para estas coisas, e em boa verdade tens razão.
    Acho que as dificuldades absurdas acabam por nos tornar mais frios, falo por mim, e sei que seria certamente diferente se o percurso também o tivesse sido.
    "When you look at the devil, you don't change the devil. The devil changes you".

    ResponderEliminar
  2. Em verdade te informo piqueno RP, que não é preciso descer aos invernos para sofrer na pele as torturas dos calores... Além do mais "quando o Diabo está satisfeito, é boa pessoa", mas concordo com o teu tio quando reconhece o point of no return.

    ResponderEliminar
  3. pássaro viajeiro30.12.12

    Como o compreendo. Compreendo e solidarizo-me!!
    3 a 0 é difícil de tragar mesmo para quem faz disso o prato principal, mas 3 duma assentada também já são proteínas a mais.
    Enfim; corra-se a cortina da caridade já que a quadra propicia.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. é que já não há coração para aguentar tanta derrota... terrível, ontem...

      Eliminar
  4. pássaro viajeiro30.12.12

    Mas se, porventura, o assunto for mais sério, tenho a dizer-lhe que está enganado e nem todos lá ficam prisioneiros.
    Eu sou a prova viva. Desci ao inferno aos cinco anos, e mais doze até agora e sempre regressei.

    ResponderEliminar
  5. Anónimo30.12.12

    Ah! Finalmente foi iluminado e rendeu-se ao cartão azul.
    sc

    ResponderEliminar
  6. Anónimo30.12.12

    Não é necessariamente mais forte quem é amado. O amor é um engano que nos leva a pensar que a vida é simples. Dá-nos uma falsa segurança, uma falsa ideia de que somos fortes porque temos alguém que nos diz como somos bons, belos e perfeitos. E então vamos por aí fora, prontos para conquistar o Mundo a partir do conforto de uns braços apertados que nos amam. Mas... e quando esses braços falham? E nenhuns há que os substitua? E quando percebemos que a força não estava em nós, mas em quem nos abraçava, dando-nos a sua própria força? Então percebemos que não construímos defesas e que, sózinhos, nada podemos. Não era força o que tínhamos, era AUTO-ESTIMA. E a auto-estima permite-nos fazer conquistas, mas precisa de ser alimentada! Por outro lado, quem nunca foi amado torna-se revoltado, desconfiado, pode até fazer conquistas mas será (quase) sempre através da malícia, do engenho. Quem nunca foi amado aprende a sobreviver. Mas os mal amados não se deixam cair, provavelmente porque nunca estiveram no topo, nas nuvens, a sonhar, conhecendo, por isso, os truques necessários para não cairem no fundo, então agarram-se com todas as forças a um intermédio seguro. Os amados, por seu turno, não têm medo de cair, pois julgam haver sempre quem os ampare (talvez julguem até que nunca poderão cair). Os mal amados aprenderam a contar com eles mesmos, falta-lhes o conforto de um sono descansado, porque sabem que, no fundo, todos estamos sós.
    O ideal será certamente ser-se muito amado. Desde que esse amor nunca se esgote. E nunca devemos subestimar a sabedoria de quem se arrastou desde as trevas até à luz.

    (Filipa)

    ResponderEliminar
  7. Milagre. Não é que por uma vez concordo totalmente? As dificuldades e tragédias pessoais não nos tornam melhores, antes pelo contrário: mais amargos, mais cínicos, mais pessimistas, mais incapazes de viver sem medo. Infelizmente, nem sempre é possível evitar os caminhos difíceis, e temos apenas que tentar sobrevivê-los, o mais intactos possível.

    ResponderEliminar
  8. Luna, sempre acreditei na sua margem de progressão...

    ResponderEliminar