09 setembro 2010

Pipoco reflecte sobre a temática blogosferiana do momento

As coisas são tão simples que às vezes até se me dá os nervos por ter que as explicar, mas a vida é assim mesmo, de forma que vamos lá a isto:

i) O facto de ter um blog com acesso não restrito e a possibilidade de os amáveis leitores me brindarem com os seus comentários tem um retorno, que é todos poderem ter opinião sobre o que escrevo e gostarem ou não da persona Pipoco (não de mim). É um jogo, se eu não quisesse que me lessem faria um blog privado, se não quisesse que me comentassem retiraria essa possibilidade. Mais, o facto de ter caixa de comentários e endereço de e-mail à vista, convida exactamente a um feedback que é incentivado e, já agora, apreciado.

ii) Por outro lado, este blog não é propriamente uma democracia. Com a moderação de comentários, posso seleccionar os comentários que me convem publicar, sendo meu o critério, que poderá flutuar de acordo com a minha disponibilidade mental ou com o meu melhor ou pior humor na hora de decidir publicar. Neste contexto, posso optar por publicar apenas os comentários que me são favoráveis, por exemplo, embora o retorno que terei é que as pessoas, a prazo, deixarão de comentar. O critério que tento seguir é não alimentar guerras nas caixas de comentários (isto é, alguém insultar quem comentou antes ou insultar outros bloggers) e, naturalmente, não publicar comentários que eu considero deselegantes e fora de contexto do que escrevi. Mais uma vez, o critério é meu, mais uma vez, este blog não é uma democracia.

iii) Tenho que assumir que o que escrevo e o que me exponho tem uma consequência, quem me lê acaba por fazer uma imagem de mim (e agora, mais perigoso, já não falamos da persona Pipoco, falamos de mim), umas vezes simpático, outras vezes arrogante, outras gordo e careca, outras um tipo interessante, outras ainda um tipo com bom ar. Faz parte do jogo, eu cá me aguento, garanto-vos.

iv) Na maioria dos casos, tenho consideração por quem escreve. Valorizo quem se dá ao trabalho de publicar, de exercitar a escrita, tendo sempre a simpatizar com quem gosta de escrever. Por outro lado, os blogs surgem pelas mais diversas razões e há pessoas que têm um blog porque estão em fases sensíveis das suas vidas particulares e isso merece-me todo o respeito na hora de comentar. A razão porque quase não comento (e garanto-vos que sou muito melhor comentador que blogger) é porque nunca encontro feedback para troca de ideias e, pior, não reconheço estrutura mental para aguentar críticas a muitos dos bloggers que aprecio.

v) Há blogs fraquinhos, há quem escreva mal, há quem verta as mágoas no blog, há quem se exponha no blog. Eu não gosto. Como não gosto, dou-lhes o mesmo tratamento que às favas com chouriço que às vezes surgem no menu. Normalmente não peço as favas com chouriço, só para dizer que detesto favas com chouriço, isso levar-me-ía tempo (teria que escolher outro prato a seguir) e não acrescentaria valor ao meu dia (eu já sei que detesto favas com chouriço). Faço o mesmo com os blogs deprimidos, demasiado pessoais ou com muitos selinhos. Naturalmente (mais uma vez faz parte das regras do jogo) não me faz confusão que nem toda a gente goste do meu estilo e que passe ao blog seguinte.

vi) As opiniões das pessoas têm uma importância relativa. Se me dizem que o que escrevo feriu alguém, isso sim preocupa-me (é por isso que tenho um blog absolutamente inócuo, quase sempre neutro). De resto, uns dirão sempre que sou genial a escrever e outros dirão que este blog é monocordico. Ambos terão razão e eu sei exactamente quais os posts realmente bons que escrevo (é fácil, são os que são menos comentados). Por exemplo, amanhã estará aqui um post absolutamente menor. E amanhã será um dia de muitas visitas. Faz parte do jogo, uma vez mais.

vii) Para concluir, isto são só blogs, isso é certo. O problema é que os blogs têm pessoas por detrás. E, com as pessoas, é preciso cuidado. E respeito.

39 comentários:

  1. Touché!
    Até agora, a melhor exposição que já li sobre o tema.

    É claro que o facto de ser uma apreciadora de Sarah Silverman, George Carlin ou Bill Hicks (atenção, não me estou a comparar, nem servia para lhes engraxar o calçado) faz com que passe por cima, invariavelmente, do último ponto. Mas aguento-me à bronca com eventuais consequências. Na boa. Há sempre hacklers, onde quer que se vá, nesta vida. E quem tem uma persona desagradável, sujeita-se a respostas desagradáveis. Quem não tem poder de encaixe, ou muda de persona ou retira-se.

    (kudos por haver alguém que saiba o que é uma persona e o distinga de pessoa)

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  2. Anónimo9.9.10

    Narcisista! :}

    maria s

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  3. Anónimo9.9.10

    Excelente resumo. E deixe-me dizer-lhe que gosto muito mais de o ler neste registo sério e capaz de reflectir. Aliás, já tinha saudades de o ler assim.

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  4. Isso não é a temática do momento. A temática do momento é muito mais objectiva que isso: pode-se brincar, "criticar" ou fazer chalaºa com isildas, margaridas do clube das virgens e outras patarecas que se põem a jeito. Não se pode brincar, criticar ou fazer chalaça com bloggers sensíveis, que estejam grávidas ou em vias de ou que sejam simplesmente fofas. Gotta love the good old female objectivity and unbelievably balanced and fair sense of humour :)

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  5. Anónimo9.9.10

    Olha, o Pipoco sabe escrever coisas a sério!

    (parabéns, é "O" resumo)

    Rita S.

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  6. onde é que se assina?
    :)

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  7. Tens toda a razão. Realmente há blogs mais ou menos interessantes, mais ou menos engraçados. O meu não é particularmente engraçado nem interessante. Quem quiser, critique. Eu também critico os que são sempre tristes, sempre com dores de amor, sempre com vernizes ou sapatos, sempre com parvoices.

    É a vida. Aqui toda a gente diz o que pensa, porque os outros não vêem a nossa cara. E quem não gostar, que modere os comentários.

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  8. Meu caro Capitão, já neste registo pipoquiano, tive oportunidade de verificar que, nas raras vezes que comentei blogs femininos, um comentário fora do registo "concordo absolutamente" faz mossa. Ainda por cima eu não uso lol's ou sorrisinhos com parêntesis, o que me retira carga irónica ou descontraída ao comentário. Por isso, opto por não comentar de todo.

    (No caso da Isilda foi diferente, a moça chamou anonimamente a atenção dos visados para o facto de terem sido considerados maus blogs. Provocou, sem ter a certeza de que se aguentaria ao balanço. E, naturalmente, houve exageros, não é relevante se a moça é bonita ou feia, apenas resulta que é completamente desprovida de cérebro. O que, a meu ver, é bastante pior)

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  9. Sr. Pipoco. Concordo com o que diz. Os blogues são locais de expressão. E mesmo a expressão mais intimista ou pessoal até poderá não o ser, até poderá ser só uma invenção. E porque não? E se a famosa mãmã afinal fosse um homem que se estivesse neste momento a rir disto tudo e a pensar : txxi estas gajas são do pior! ...isto são meras suposições. Seria estranho... sinistro? Não! Não seria a primeira vez que teria acontecido.. Portanto, cada qual diz o que quiser, escreve o que quiser e cada qual depreende daí o que bem entender. Blogues à para todos os gostos e só ve quem quer. É como dizer que quero um café com adoçante e um pastel de nata. E que ? problema meu. Gostei do seu post. Parabéns

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  10. i) Isto da
    ii) numeração romana dá-lhe
    iii) uma certa
    iv) pompa.

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  11. Eu cá acho este resumo horrível.

    :)

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  12. Maya, como ousa fazer-me isto?

    (deplorável...)

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  13. Não sei do que gostei mais de ler, se este texto tão coerente, se a opinião do CM: "Gotta love the good old female objectivity and unbelievably balanced and fair sense of humour "
    Muito bons!

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  14. Anónimo9.9.10

    Tragam o pipoco de volta, já.

    (quem quer o pipoco a reflectir?eu não)

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  15. "E, com as pessoas, é preciso cuidado. E respeito."

    Merci por resumir.

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  16. finalmente alguma coisa boa desta blogosfera...

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  17. Pipoco tenho a dizer-te que acertaste na mouche. Assino por baixo.
    A blogosfera é imensa, não há razão para haver por cá malta arreliada. Há blogs para todos os gostos, é escolher. Eu detesto espinafres e, por isso, não os como. Esta grande filosofia podia ser transportada por muito boa gente no que diz respeito a visitar blogs. Algo como: não gosto do blog x, portanto não o visito. Seria mais fácil assim.
    Depois também tocaste num ponto bastante interessante: os comentários. Eu também sou da opinião que um comentário deve estar dirigido ao post. Já me deparei várias vezes com comentários que não são mais do que auto-promoção do blog da pessoa. Não gosto dessa atitude. Se o blog for bom falará por si, não será necessária tanta publicidade.

    Ao contrário de alguns eu gostei de te ler num registo mais sério. De vez enquando é preciso.

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  18. Sabes uma coisa? Tens vindo a ganhar terreno na minha lista de blogues de leituras diárias...
    :)

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  19. "Se me dizem que o que escrevo feriu alguém, isso sim preocupa-me "
    Essa é uma das razões porque gosto de o ler. Consegue fazer humor evitando ferir os outros. Essa deveria ser a máxima de quem por aqui anda. Porque há tanto sobre o que escrever, não há necessidade de humilhar sempre o elo mais fraco.

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  20. :)

    Respeitinho é bonito. E eu gosto. :)

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  21. Anónimo9.9.10

    Pipoco, és um deus caramba!

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  22. Uma pergunta:
    Para quê tantos pontos quando 'disseste' tudo nas últimas 3 linhas?
    x x x

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  23. Concordo com a maioria das coisas escritas neste post.

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  24. Anónimo9.9.10

    Um blog que leio diariamente, mas que nunca comentei.
    Pela primeira vez, estou a ler algo com pés e cabeça acerca desta confusão toda que se passa na blogosfera - que a mim, sinceramente, me passa ao lado, já que só leio blogs que me interessam e, pelos vistos, de todos os que leio, nenhum se anda a meter em porradas quase de faca e alguidar.
    Outra coisa: o silêncio muitas vezes é uma coisa preciosa. Quando não temos nada a acrescentar ou, simplesmente, não gostamos e ninguém está à espera da nossa opinião, para quê comentar e para dizer mal?
    Assim se ganha respeito: respeitando.
    Ah!
    E gosto do Pipoco nos vários registos.

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  25. eu sei que "isto" não é uma democracia, mas posso sempre fazer o "número" da censurada, não é? Sendo assim, acho que o Pipoco acabou de fazer a explicação da blogosfera "às crianças e ao povo". Atitude louvável, dado alguns estados de exaltação atingidos. Mas, nesse seu relativismo, tão politicamente correcto, pouco referiu sobre a questão central: os limites.
    E a sua postura, paternalista, deixou escapar alguma sobranceria -"A razão porque quase não comento (...) é porque nunca encontro feedback para troca de ideias e, pior, não reconheço estrutura mental para aguentar críticas a muitos dos bloggers que aprecio."
    Mas está bem, posso adoptar uma postura "pipóquica" e dizer que sim, foi um bom esforço.

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  26. ah Pipoco mas eu, quando disse que era entradote e gordo estava a brincar...não leve as coisas tão a sério. (e agora não há sorrisos nem piscadelas que é para o deixar da dúvida sobre a real disposição de quem tece o comentário)

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  27. Eu não diria melhor!!!

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  28. Depois de ter lido os demais comentários, pergunto-me se as pessoas falam de respeito ou respeitinho. A pontos de me questionar se o Pipoco, na última alínea, também não confunde as duas realidades.
    E quais os limites? O Bruno Nogueira, falta ao respeito aos seus visados? E o Vasco Pulido Valente?
    É se é verdade que à vezes o silêncio é de ouro, muitas outras calar é pactuar com um status quo com que não nos queremos identificar.

    (e gostava que muitas das virgens ofendidas tivessem memória. porque a visada, tenho que o dizer, nunca calou as suas críticas a esta e aquela que faziam assim e assado. mas ela podia, pois é. já me esquecia.)

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  29. A dualidade de critérios de que fala o Capitão Microondas é indiscutível. Tive oportunidade de assistir ao massacre Isilda e não vi esta retórica ser aplicada.

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  30. Caraças....o post anterior sobre o tempo então foi a "piéce de resistance", não Pipoco? 9 comentários...terá sido, provavelmente, o melhor post que já escreveste?

    Não precisas da modéstia. Escreves como poucos e a malta aprecia. Quem não apreciar...que não apareça. É assim que se faz. Sendo certo que este blogue não será uma democracia (nenhum o é) o mesmo não se poderá aplicar à internet em geral e assim sendo...só lê o que escreves quem quer. Portanto, não se queixem.

    Abraço

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  31. Ora nem mais!
    Eu não li "o acontecimento blogoesférico" do ano porque não gosto!
    Já li as discussões porque acho fantásticas as pseudo-dissertações sobre a natureza humana.
    Simples? Não?

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  32. E voilá... Qual Robin Hood acertaste em cheio no alvo. :)

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  33. Sempre sábio!

    Assino em baixo.

    (ah! deixo um smiley para não me tomarem por uma pessoa séria)

    :)

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  34. Anónimo10.9.10

    Tanta conversa para se chegar ao busílis da questão: favas? são abomináveis.

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  35. Eu não percebi nada deste post porque lá está sou também completamente desprovida de cérebro e também por isso pergunto:

    Caro Pipoco, o que é um blog "inóquo"?

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  36. « Ambos terão razão e eu sei exactamente quais os posts realmente bons que escrevo (é fácil, são os que são menos comentados).»

    - subscrevo (comigo também é assim)

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  37. Anónimo14.9.10

    Exm.º Sr. "Pipoco":

    Na tentativa de não causar incómodo com um comentário extenso e pouco sucinto, esclareço que gosto imenso do blogue:

    Não só pelo nível cultural demonstrado, como também pela originalidade, e boa disposição - a qual me faz, por vezes, soltar saudáveis gargalhadas. Num Portugal "cinzento", é de louvar!
    Gostei MUITO deste seu "resumo"/comentário generalista.
    Obrigada pelo blogue e pela partilha de si, através do Sr. Pipoco...

    Anabela.

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  38. Anónimo14.9.10

    P.S.: Também gostei mt da numeração romana (mais uma vez, só demonstra cultura e bom gosto).

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