19 setembro 2010

(Oh não, Pipoco reflecte outra vez...)

O post da Polo Norte, este aqui, fez-me reflectir na coisa, e quando eu reflicto sobre o que leio na blogosfera é porque alguma coisa não está bem, mas a verdade é que fiquei a reflectir sobre o que li e eu, em reflectindo, concluo sempre coisas e as coisas são estas:

i) As pessoas normalmente gostam de mim, nada a fazer, uns dirão que é presunção a mais, outros que é arrogância, mas a vida é assim mesmo, o que acontece é que, não precisando de fazer muito para que as pessoas gostem de mim, acaba por me sobrar mais tempo para o que realmente me motiva, que é eu dedicar-me a gostar de pessoas, e isso, meus caros, é o que verdadeiramente dá luta, imaginemos que nos cruzamos, eu e o meu caro leitor, a empatia não é imediata, é aqui que se inicia o meu projecto de gostar de pessoas, tentar descobrir o que de fascinante terá o caro leitor, tem sempre, isso aprendi eu desde cedo, mais tarde ou mais cedo acabo por gostar de si e o mais interessante neste jogo é que, em se gostando de pessoas, as pessoas acabam por gostar de nós, elas e as que estão à volta e que percebem que nós gostamos de pessoas, além de que, dando mais trabalho, é muito mais divertido do que ficar à espera que as pessoas gostem de mim só porque sim (e aqui ia escrever, "só porque eu mereço", mas era capaz de contaminar a ideia-final da Pólo, que é uma boa ideia no contexto do seu post).

ii) Verdadeiramente, não relevo muito o que as pessoas que lêem o blog pensam de mim, o Pipoco não sou eu (desculpem, minhas senhoras...) e sei que não sou nem o expoente supremo da ironia, fruto de uma inteligência superior nem sou o arrogante-mor do reino, imbecil, desinteressante e snob até à quinta geração, desculpar-me-ão os fiéis leitores, mas isto é só um blog, o Pipoco não existe e para me conhecerem veradeiramente teriam que me olhar nos olhos, sentir a firmeza do meu aperto de mão, verificar se falo com a boca cheia e perguntar-me o que penso eu sobre a expulsão dos ciganos, se faço voluntariado, como trato os meus amigos e a minha família e essas pistas eu nunca dou, apesar de às vezes ser eu quem aqui escreve e não o Pipoco, não são vezes suficientes para que me tracem um perfil. A maioria de nós são pessoas normais, com coisas boas e más nas suas vidas, porque haveria eu de ser diferente?

iii) Outra coisa que aprendi a ter é a noção das proporções, vamos imaginar que um milhão e meio de pessoas lê blogs neste país, tendo um blog mil e quinhentas visitas diárias, isso quer dizer que apenas 0,1% dos leitores de blogs contemplam com os seus favores esse blog. Admitindo que apenas 15 pessoas comentam o post diário, isso significa que apenas 1% das pessoas se sentiu de tal forma tocada pelo post que o comentou (e, para facilitar, vamos admitir que o único motivo das pessoas comentarem é o interesse genuíno em contribuir com a sua opinião). É deste grupo residual que saem os que não gostam verdadeiramente de nós, a tal ponto que têm que o expressar explicitamente e aqui não, não me esqueci daqueles que não gostam do que escrevemos e, pura e simplesmente, não voltam nunca mais. Quero dizer que a base é curta, onão vale a pena valorizar demasiado os poucos qua não gostam de nós.

iv) De tudo o que escrevi antes, não se conclua que me é indiferente a interacção, não foi isso que eu disse. A maioria das vezes o feedback do que escrevo é absolutamente em linha com o esperado, sei que emoções gera um post, sei que um post com fotos pessoais dispara o número de visitantes, sei que se perguntar quais são os vossos blogs preferidos terei o Pipoco na lista da maioria dos comentários, afinal estou a perguntar a quem me lê, é como perguntar à porta da entrada do sector dos sócios do estádio da luz qual é o clube da simpatia do entrevistado, sei como se vira do avesso uma caixa de comentários daquelas em que todos estão a seguir um raciocínio e, em havendo quem proponha um ponto de vista diferente se vira o sentido dos comentários e muitas vezes se vira do avesso a ideia do post, sei que este post, publicado a um domingo, será lido por um terço das pessoas que o leria se fosse publicado amanhã, e é mesmo isso que eu desejo, o Pipoco é o Pipoco e no Pipoco não há lugar para reflexões sobre a blogosfera.
v) Ainda reflecti mais coisas, sobre quem comenta anonimamente. Fica para um dia destes.

18 comentários:

  1. Caramba! Tão grande! :s

    Pera aí...

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  2. Anónimo19.9.10

    Não podes fazer um resumo de cinco linhas deste post?
    Hoje estás, especialmente, chato. E comprido, como a espada de D. Afonso Henriques.

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  3. Sandra19.9.10

    E eu gosto essencialmente daquilo que escreve. E não me interessa saber se é ou não uma "boa" pessoa. E pela escrita que aqui venho quase desde o início e continuarei a vir. (Uma admiradora antiga, que deixou o blog a descansar).

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  4. i) Se há coisa de que tenho a certeza é de que contigo poucos sentirão uma empatia imediata. Presumo que haja mais a vontade de te pregar um estalo do que outra coisa qualquer.
    Esse teu recente acesso de filantropia, presumo que se filtre a uma fatia mínima de quem por aí anda... vero?
    Nem sequer entendo isso de querer que gostem de nós e nós gostarmos dos outros só porque sim. É que nem vejo sentido prático nisso, a menos que se seja uma pessoa muito carente e com baixa auto-estima.

    ii) Mas como este blog não é sobre ti, é sobre o Pipoco.
    E não dás pistas não... ao ler este ponto uma pessoa até fica a pensar que só te falta ser missionário ou o caray. -.-'

    iii) Posso desde já afiançar-te que motivo de eu comentar não é de todo um interesse genuíno em contribuir com a minha opinião. :D
    Comento por mim. If you know what I mean...

    iv) És um gajo esperto. Tipo raposa.
    Estás a ver aquela fábula de La Fontaine, O Corvo e a Raposa? Tal e qual. És muito sabido, tu.

    v) Então está bem.

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  5. E não me voltes a postar coisas deste tamanho a um Domingo de manhã. Haja piedade.

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  6. Este era um Post que há muito esperava de si.
    Respondeu-me, em parte, à pergunta que lhe fiz sem me dar música, desta vez!

    Cadês
    Almofariza

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  7. Eis um post escrito pelo dono do Pipoco.
    Quanto à essência do assunto, acho que a chave é mesmo essa: relativização. Bom Domingo.

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  8. De repente achava que estava no blogue do capitão.

    cada um com a sua ideia, mas não penses tanto. escreves o dobro.

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  9. Lição #1 do MKT: definir um target e ir ao seu encontro.

    That's what this blog is all about.

    Confessa lá, caro amigo, quando tu vês o feedback dos leitores e conferes as stats do blog, pensas para ti: I still got it!

    Agarras o alvo e fideliza-lo, tipo uma assistência contínua pós venda, a seguir à apresentação do teu "produto".

    E tu fá-lo bem.

    Cumprimentos

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  10. Homem, este blog nasceu de uma aposta. E o meu caro, com este seu comentário, quase me faz crer que estava na mesa quando a aposta foi feita.

    (e si, tudo o que fizeres, fá-lo de forma sublime)

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  11. Anouc,
    i) Confunde-me a mim com a persona, não se incomode, está sempre a acontecer. O que eu disse é que eu consigo empatias imediatas, o Pipoco quase se esforça pelo contrário.
    ii) Isso da sua hipótese de a minha autoestima poder ser baixa revela que não conhece toda a minha vasta obra literária, senão já saberia que eu sabia que os meus pais me seguravam quando me mandavam ao ar.

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  12. Parece-me que a última reflexão é a mais importante. Não concebo que os bloggers tenham metido na cabeça que não se podem dar ao luxo de dizer abertamente que não gostam de um blog. O direito à liberdade de expressão deu demasiado trabalho a ser conquistado para que as pessoas prescindam de o usar.

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  13. Só não percebi uma parte: se o Pipoco não reflecte amiúde sobre a blogosfera, quem é que lhe anda a escrever os posts do último mês?

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  14. Isto é que foi uma reflexão e pêras Pipoco :)

    Pois é, tão boa que me deixou sem palavras (até porque a estas horas e com 10 horas de trabalho em cima, 4 horas de sono, e 5 horas na noite passada, a minha cabeça está ko) Se voltar a este post noutro dia pode ser que me saia alguma coisa de jeito desta cabecinha :p

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  15. Bah! Tanta ressalva e justificação. A malta só aqui vem porque, entre outras coisas, você é snob e cagão e toda a gente gosta de um tipo snob e cagão (mesmo que digam o inverso), mais que não seja porque lhe admiram a capacidade de o ser. O seu blog tem piada. Diz aqui umas quantas coisa engraçadas sobre as mulheres. Voltarei. Foda-se, agora parecia os Anjos. Apre! Já passou.

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  16. Admirável Sissi, volte sempre.

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  17. E é depois de ler posts deste género que penso "que pena que vai acabar num ápice".


    Concluindo, só posso dizer que me sinto mais culta a ler o que o Pipoco (ou o seu criador) escreve.

    Cumprimentos, Fi

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  18. Admirável Sissi? Oh Diabo, onde é que eu já ouvi isto...? Tu queres ver Sissi, tu queres ver que conheces o Pipoco, pá?

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