20 setembro 2010

Das dificuldades da vida pipoquiana

Parecendo que não, a minha vida é extremamente difícil principalmente no que concerne à componente de ser o proprietário de um blog snob-chic, uma vez que praticamente não há material de referência para fazer um blog que cumpra as mínimas condições exigidas por este nicho de mercado, tivesse eu um baby-blog e sim senhores, havia temática de sobra, ora agora falava sobre a depressão pós-parto, ora a seguir falava sobre a coloração e consistência dos esfíncteres, o respeitável público havia de se comprazer com os temas e havia de me fornecer toda a informação necessária para levar a bom porto os cuidados a ter com a criança, tudo isto sob a forma de comentários, tivesse eu um blog cor de rosa (e estive assim, a esta distância, de ter um...) e haveria de debater a temática da viscosidade dos vernizes, aconselhando uma corrida à roupa da Zara como se de um bem raro se tratasse, como se as edições fossem numeradas e assinadas pelo autor, sapatos de plástico produzidos em Makakong-ling.chu, sim senhores, mas assinados pelo operador da máquina do turno de produção, tivesse eu um blog da categoria "selinhos e tal" e não me faltaria material, ora agora uns poemas da minha autoria em que amor rimasse com dor, um clássico, ora agora uns vídeos engraçados com pessoas a cair de skate e de bicicleta, se eu tivesse um blog da temática desportiva, havia de escalpelizar a falta de profundidade do futebol do João Pereira no jogo de ontem, só justificada pelo facto de lhe ter calhado em sorte o Coentrão, com um leve remoque ao adiantamento do Rui Patrício no segundo golo e, claro, uma referência jocosa ao discurso do Jorge Jesus, áquilo do virar frangos, tivesse eu um blog sobre política e era só escolher o lado da barricada, argumentaria com os números da OCDE versus os do INE, compararia a iletracia no Azerbeijão com a de Cuba e traçaria paralelo com os países do norte da Europa, invocaria os meus conhecimentos dos meandros do poder e atemorizaria os outros escribas, num jogo de "não me obriguem a dizer tudo o que sei porque é capaz de ser desagradável", logo fui escolher este caminho do blog snob-chic, uma carga de trabalhos que me obriga a fazer tudo sozinho, não há literatura disponível, o caminho tem que ser desbravado todos os dias, como eu dizia no princípio, e por aqui podereis verificar a minha coerência editorial, digo o mesmo no princípio e no fim do post, parecendo que não, a minha vida é extremamente difícil.

10 comentários:

  1. Anónimo20.9.10

    Pá, tu deves ser o único gajo a quem admito escrever sem dizer nada, pelo que me fazes rir com o que escreves.

    Rita

    ResponderEliminar
  2. Sugestões:

    A relação leveza/resistência dos fios que lã que compõem os tecidos Zegna vs Cerruti.
    A preferência pelo quadrado multicolorido nos casacos desportivos de cashmere/casimira (relembrando Eça) em tamanho pequeno anos 70 ou macro anos 40.
    O predomínio das marcas fashionistas que não sendo relojoeiras se pagam como tal e o orgulho de quem as adquire convencidos que têm Patek Phillppe no pulso.
    A música barroca alemã como precursora do orgulho germânico.
    A subtileza de ser popular sem ser popularucho.
    Introdução à heráldica minhota e leonesa.

    Só algumas ideias que gostava de ver debatidas por uma mente pipoquiana.

    ResponderEliminar
  3. oh, oh, oh...que conversa é essa? O meu é um blog snob-chique!!

    ResponderEliminar
  4. Nada o satisfaz, tudo é uma seca e, no entanto, falta-lhe o rasgo que marque a diferença. Está quase, quase lá. Mas nunca chega...

    ResponderEliminar
  5. Desliguei quando chegou à parte do João Pereira.

    ResponderEliminar
  6. Não desejo para mim o seu trágico fado, meu Caro. Eu aconselhá-lo-ía a falar da problemática do corte de pulsos, cuja dor se torna mais tolerável em contacto com a água tépida; ou até do corte da jugular ou ingestão de soda cáustica. Caso prefira algo mais limpo, envenenamento por gás butano, parece-me uma excelente solução.

    Tenho cá para mim que o seu grande problema continuam a ser os paraguaios. Mas podemos sempre pedir ao nosso Governo que siga o exemplo dos nossos amigos Franceses.

    ResponderEliminar
  7. Sandra20.9.10

    Confirma-se Pipoco. Blog mais snob-chic que o da Cuca não há. Já há fonte de inspiração. ;-)

    ResponderEliminar
  8. Deixe lá, assim já fica.
    É tipo a doutrina, ou até mesmo a jurisprudência inovadora.

    ResponderEliminar
  9. E quando falas nunca mais acabas :D
    Gosto!

    ResponderEliminar
  10. e o meu blogue é o que?

    ResponderEliminar