Que nunca tinha visto Baremboim tão pouco exuberante, talvez fosse o coração venezuelano a empatizar com o sofrimento do seu povo, comentava-me o cavalheiro que me calhou em sorte no banco ao lado do meu enquanto batíamos frenéticas palmas entre os dois últimos andamentos da Décima de Beethoven, o perfil do homem,
papillon a condizer com o lenço de seda que trazia ao pescoço, fez-me lembrar o Grito, a obra-prima de Goya, talvez vos lembreis melhor se vos disser que inspira a máscara dos activistas do Anonymous, quando finalmente Baremboim conseguiu voltar a palco para dirigir um último
encore da sinfonia, convidou-me para um Rusty Nail no bar do La Fenice, infelizmente estou numa fase em que dispenso o gin, coisa passageira, espero eu, a última vez que deixei de gostar de gin ainda o gin se pagava em escudos, foi no dia em que perdemos o Euro para a Grécia, o típico beber para esquecer, tal foi a revolta naquela final de Alvalade que nunca mais pus os pés em solo grego, eu que, tirando as lutas de gladiadores, sempre me deslumbrei com a civilização grega, eu que sempre preferi Baco a Dionísio, mas isto vai longa a conversa e o que realmente queria dizer-vos é que este ano não há quem ganhe ao meu Sporting!