18 junho 2016

Nós por cá

A meio da tarde atendi o telefone e era o Menezzes de Vasconcellos, "estás cá, não estás?", e eu não precisei de perguntas para saber que cá era aqui e disse que sim e logo ali se apalavrou jantar no Le Procope e acabámos a fumar Partagas numa esplanada nos Campos Elíseos, segurando na mão um cálice de bom conhaque e ficando, sem querer, nos retratos tirados por paus de selfie de chineses sorridentes, que quase imediatamente os colocarão em redes sociais onde nem eu nem o Menezzes de Vasconcellos escolhemos estar, nós silenciosos, pensando que a vida não é tão má como alguns a pintam.

15 junho 2016

O Euro é uma espécie de Festival da Canção

Antes de a coisa acontecer somos sempre favoritos, parece que este ano é que é, pois se até os do Liechenstein confidenciaram nos bastidores que sim senhores, este ano tínhamos ali bom material, pois se o artista levantou o polegar e sorriu, tudo bons indicadores...

(e depois acontece a chamada vida real)

14 junho 2016

Pipoco acaba de decidir

Vou a Paris ver o próximo jogo, aquela rapaziada precisa de mim.

Ainda da Ferrante

A única coisa que me prendeu a atenção foi o último parágrafo do livro, aquela situação do tipo que entra por ali dentro com os tais sapatos.

Atendendo a que eu não aguento outra dose de Ferrante, não haverá alguma alma caridosa que me informe se aquilo  fica assim, como se nada se tivesse passado, ou se ela despacha imediatamente o mamífero que não cumpriu com a palavra dada?

Súmula disto dos blogs - A Pipoca mais doce

É sobre uma rapariga que escrevia coisas lá da vida dela e as pessoas gostavam tanto daquelas tropelias que a rapariga agora tem a vida toda patrocinada e as pessoas continuam a gostar. Cada vez menos, mas ainda assim, a gostar. Cá estaremos daqui a quarenta anos, quando a nossa Pipoca mais Doce for uma marca com a patine de uma Pasta Medicinal Couto ou um Restaurador Olex e nos vender fraldas para incontinentes e pomadas para o reumatismo, sempre escrevendo em pareceria com, obviamente.

12 junho 2016

Da essência dos blogs

Conversa de praia

Este ano eles voltam a usar ao pescoço cordões com crucifixo de ouro em vez dos de prata, pólos Ralph Lauren em vez de Massimo Dutti e chegam com ar de quem pode outra vez, o cabelo puxado para trás com gel, atendem o telefone com ar mais descontraído.

Elas voltam a usar óculos de sol Dior e percebe-se que fizeram alguma coisa às ancas e usam vestidos de saída de praia em seda, voltam a falar de Nova Iorque e Paris e não é a viagem de há dez anos.

Nota-se que a vida está a melhorar.

10 junho 2016

Súmula de coisas várias - A música do Abrunhosa de apoio à Selecção da bola

É sobre um tipo que está a tomar um café ao lado de uma miúda que já bebeu uma meia de leite e agora está a ler o Expresso e a televisão está a dar uma entrevista do Fernando Santos e ninguém está a ligar àquilo mas afinal o tipo tem uma epifania ao ouvir o Fernando Santos dizer o que dizem os treinadores da bola, podia ser que temos que levantar a cabeça e seguir em frente ou que o nosso objectivo é ir o mais longe possível mas afinal é sobre sermos onze mais onze milhões, onze milhões e onze, portanto, e o tipo e a miúda colocam cachecóis do Continente ao pescoço e quando estão naquela posição em que os noivos comem a primeira fatia de bolo de casamento e parece que tipo a vai beijar, afinal o tipo tem uma ideia melhor e sai dali e a miúda em vez de dizer "Quéssamerda, não sirvo para ti?" até fica contente e aliviada e o tipo monta-se numa Famel e faz de conta que uma Famel é capaz de subir as ruas de Monsanto e chega ao Arco do Triunfo com a Famel a puxar cachecóis e ninguém reclama, não há um gendarme que o mande parar e o multe e o tipo, que ainda tem a mesma roupa de quando estava a tomar café em Portugal, entra de Famel no treino da selecção, não há barreira antiterrorista que o detenha e entrega os cachecóis ao Fernando Santos que está com cara de quem já não se lembra do que disse na televisão, aquilo dos onde milhões e onze, e não percebe nada do que ali está a acontecer, é uma coisa que acontece muito aos treinadores e é por isso que eles depois dizem que temos que seguir em frente e levantar a cabeça, e o Abrunhosa vai dizendo que tudo o que ele nos dá nós lhe damos a ele e eu fico a pensar nas coisas tão melhores que se podem fazem em vez de ver dez vezes seguidas o vídeo só para vir cá dizer qual é a súmula daquilo.

09 junho 2016

É para ter saudades? Vamos a isso...

Tenho saudades do tempo em que ninguém tinha maneira de saber de mim.

07 junho 2016

Súmula disto dos blogs (edição zero)

Pipoco, em mais uma manifestação de dedicação ao próximo, propõe-se iluminar caminhos e explicar em meia dúzia de linhas de que trata cada um dos blogs que por aí andam. Pipoco identificou um nicho de mercado de leitores que não têm tempo para ler blogs e necessita de saber de que trata o blog antes de decidir se vale a pena perder tempo com a coisa e aventurar-se em leituras que parece que prometem e afinal não, o leitor precisa de um farol, alguém que, de forma séria e informada, explique a essência de cada blog.

Esse alguém é Pipoco, diante de quem setenta e nove anos vos contemplam.

Começamos por qual?

06 junho 2016

Breve história das redes sociais (I)

Diz o que te vai na alma, afinal és como és e isso é que importa.

(mas quando a turba te cair em cima porque te espalhaste, não te esqueças de pedir muitas desculpas)

05 junho 2016

Em verdade vos digo

O monólogo do convite de casamento, no Arte, de Yasmina Reza, feito pelo Adriano Luz, não é inferior ao que fazia o Miguel Guilherme.

Pipoco foi ver o último Tim Burton

Não podemos mudar o passado.

03 junho 2016

Não queiram ter a minha vida

Na segunda quis ir almoçar ao Belcanto mas esqueci-me que o Belcanto fecha às segundas, na terça fodi um tornozelo porque a sacana da cadela viu um coelho e atravessou-se-me à frente, na quarta enganei-me no terminal em Madrid e quase perdi o avião, na quinta dois dos amigos com quem ia ver um jogo do Euro acagaçaram-se com não sei quê do terrorismo e desistiram de ir, o dia de hoje ainda não acabou.

Breve exemplo da imperfeição do mundo

Lá na terra onde eu moro posso escolher entre tomar café num sítio que tem a televisão permanentemente sintonizada na Correio da Manhã TV, num volume demasiado alto, e serve um café absolutamente magnífico, de qualidade, bem tirado, com espuma cremosa, ou tomar café num sítio que tem a televisão sintonizada na SIC Notícias, em modo silêncio, com música jazz a sair das colunas num volume aceitável, mas que tem um café sofrível, tirado sem arte e sempre servido com açúcar a acompanhar, apesar de saberem que o meu café deverá ser servido sem açúcar.

02 junho 2016

Chegaram as férias, miudagem!

E agora é jogar à bola mesmo a sério, sem ser com um comando na mão, é chamar os amigos para ir andar de bicicleta, chamar mesmo a sério, sem ser por telemóvel, é comprar bandas desenhadas da Marvel na Feira da Ladra para a mesada render mais, é ir acampar até o dinheiro se vos acabar, é ir ao cinema sem comprar pipocas nem sorver refrigerantes, é ler livros lá fora, na rua, é jogar às cartas sem ser a dinheiro, é ficarem apaixonados o verão todo e contarem-lhe quase no fim das férias e ainda ser a tempo, é visitarem os vossos avós e afinal ser um dia fantástico, é ver os jogos da selecção com os amigos e gritar se Portugal marcar um golo, é não fazerem rigorosamente nada se vos apetecer, é apreciar cada segundo sem as vossas mãezinhas ao vosso lado a perguntar-vos em que ano conquistámos Ceuta.

Pipoco pergunta

Será coisa de perigo estar-se dentro do sonho de outra pessoa?