18 maio 2016
E a ti, o que te trouxeram os blogs?
A escrita de J. Rentes de Carvalho, aprender de uma vez por todas a escrever "privilégio", a não gastar mais palavras que as estritamente necessárias, que é mesmo verdade aquela situação de as mulheres serem mesmo ruinzinhas umas para as outras, que mais tarde ou mais cedo acontecerá esquecer fazer "log off" antes de comentar anonimamente, que há quem ache mesmo que isto dos blogs é coisa de muito valor.
17 maio 2016
Hemingway
Posso ver agora o mundo com um olhar mais cínico, posso já não acreditar em tudo o que me dizem, posso saber que esperar que as coisas aconteçam também é uma opção, posso já não ser a melhor escolha para jogar a extremo esquerdo, posso precisar de anotar aquilo que não me é conveniente esquecer, posso já não conseguir fazer mil quilómetros de carro durante a noite e estar a esquiar às nove da manhã, posso ter aprendido a fazer cara de jogador de poker, posso já ser imune ao poder das mulheres demasiado bonitas.
...mas continuo a deslumbrar-me com o que leio em livros.
...mas continuo a deslumbrar-me com o que leio em livros.
16 maio 2016
15 maio 2016
Ruben Patrick também diz coisas sobre a bola
O Tio Pipoco está ali em sofrimento, o Old Bushmills deu-lhe para ser magnânimo e o caralho, põe-se para ali a distribuir cumprimentos pelos lampiões, e até se me deram os nervos por ver "amigos" e benfiquistas" na mesma frase. Felizmente ainda há quem tenha alguma visão das situações e enquanto eu escrever neste blog cada vez mais abichanadão e politicamente correcto, as saudades que tenho do tempo em que o Tio Pipoco afiambrava nas dos blogues cor de rosa e dava oxigénio às lá daquilo das ironias, enquanto eu escrever aqui, dizia eu, não há cá merdas de sermos todos amiguinhos, não me chame eu Ruben Patrick, estava eu aqui a ver as cenas dos lampiões a sair do estádio lá deles e aquilo é uma dor de alma, parecem todos o Emplastro, todos com um ar de suburbanos que dá dó, ou então só escolhem os que têm mais cara de otários e não sabem dizer "batata" duas vezes seguidas, o que há para dizer é que nós, apesar do Bruno de Carvalho e do Jorge Jesus, do Octávio e do Inácio, merecíamos aquele caneco, não me fodam.
Aos meus amigos benfiquistas
Divertimo-nos este ano como há muito não nos divertíamos, não foi?
Parabéns, rapaziada.
Parabéns, rapaziada.
À atenção de Jorge Jesus
Ainda que em Lisboa se marque o 4-3 aos noventa e sete minutos, não ajoelhes. Ainda que em Braga se marque o 2-2 final com um penalty inexistente contra nós, não ajoelhes.
Aconteça o que acontecer, não ajoelhes.
É que nós não estamos habituados...
Aconteça o que acontecer, não ajoelhes.
É que nós não estamos habituados...
14 maio 2016
12 maio 2016
Da felicidade e outras banalidades
Nestes dias de viagens consecutivas, em que me sento para jantar em sítios que não conheço e encomendo vinho de Bordéus e Rioja, em que o queijo pode ser Emmental ou Gouda ou Cabrales, em que leio ao pequeno-almoço os jornais locais e não conheço nenhuma das notícias, em que falo numa língua que é diferente da que falei ontem e da que falarei amanhã e nenhuma delas é a minha, em que passeio a pé sem destino depois de reuniões demoradas, em que tomo consciência que noutro tempo não me custava tanto acostumar-me a novas almofadas, em que cheiro a aeroporto e a fatos passados a ferro durante a noite, em que tenho que parar para pensar em que cidade estou, são dias felizes. Estupidamente felizes.
10 maio 2016
08 maio 2016
O estranho caso dos personagens que desapareciam da história
O homem cansou-se de tirar retratos e deixou de usar rolo da máquina, naquele tempo usavam-se rolos nas máquina de retirar retratos. A partir desse dia, o homem decidiu contar os retratos com palavras, "aqui está um retrato tirado ao entardecer em Sainte-Mère-Église, reparem no paraquedista pendurado na torre da igreja, é uma homenagem a John Steele, que ficou preso na torre no Dia D e só saiu dali quando os Aliados o retiraram, ali à esquerda estão a Maria do Carmo e o Sebastião, de mão dada e ao lado está o Renault 5 que alugámos", e eram só palavras a descrever o retrato que tinha sido tirado numa máquina sem rolo.
Com o tempo a memória do homem ficou mais fraca e alguns dos personagens dos retratos desapareceram da história.
(a visão é minha, a história original é da Palmier)
Com o tempo a memória do homem ficou mais fraca e alguns dos personagens dos retratos desapareceram da história.
(a visão é minha, a história original é da Palmier)
07 maio 2016
Pink Froid
E, vinda do nada, a mulher que conduzia um desses carros vulgares, um Nissan Qashqai ou um Renault Megane, acertou-me mesmo em cheio, podia dizer que a última coisa que recordo vagamente foi o som do chiar de travões mas agora os automóveis já não têm travões que chiem, eu estava a escrever no telefone os livros que me apetece comprar na feira do livro e atravessei a estrada enquanto escrevia "Vozes de Chernobyl", estava indeciso entre escrever Chernobyl com "y" ou com "i", uma senhora com duas crianças louras pela mão ainda me gritou "Cuidado!" mas a mulher do carro vulgar já pouco podia fazer, fiquei ali a olhar para mim, a dar um salto no ar e a cair no chão mais à frente, quase acertava no miúdo da Vespa, vi a senhora a virar a cabeça das crianças louras para o outro lado e o meu telemóvel a saltar-me da mão e eu a pensar que o telemóvel não é meu, e não me apetece ir duas vezes no mesmo mês pedir um telemóvel novo, depois o senhor do quiosque foi acalmar a senhora do carro vulgar e alguém estava a telefonar para o cento e doze e eu a olhar para aquilo e a pensar nas pessoas que vão chegar tarde aos empregos por causa de eu estar a escrever no telefone os livros que me apetece comprar na feira do livro, talvez alguém pegue no telefone e leia o que eu estava a escrever e se comova por os meus últimos pensamentos terem ido para livros e as pessoas da fila se apaziguem, pelo menos não estava a espreitar coisas ruins no telefone, um rapaz que me conhecia de vista despiu o casaco, um casaco desses da Massimo Dutti, pouco se perdeu, e tapou-me a cara com o casaco, foi nesta parte que eu fui à minha vida, afinal estava a chegar uma ambulância e eu pouco podia ajudar, estas coisas é melhor serem feitas por profissionais, mas o que eu queria mesmo dizer-te é que me não me esqueci do que me disseste, que tinha que nascer outra vez para ganhar este nosso jogo, vamos então a isso.
05 maio 2016
Os problemas das mulheres
Deterem o poder de, em lhes apetecendo, e só em lhes apetecendo, transformarem um momento vulgar do nosso dia em algo de absolutamente extraordinário.
03 maio 2016
Dizei-me cá
Se não pendesse sobre a minha pessoa esta pressão tremenda de me obrigar a escrever a título gracioso um bom post por dia, se, de cada vez que aqui não escrevo, não tivesse defronte de mim a imagem do quadro do menino da lágrima e o menino é o leitor que, aqui chegado, se depara com o requentado post de ontem, se não me preocupasse em escancarar posts mesmo bons para que o brilho dos vossos comentários refulja, igualzinho ao que fez ontem o guarda-redes do Braga ao jogador não sei quê do Benfica para aquilo da taça lá deles, teria muito mais tempo para pensar em problemáticas realmente relevantes, nomeadamente sobre o facto de, chegado ao mês de Maio, eu ainda andar em círculos, cogitando sobre se este ano é que vou fazer o percurso que se iniciará algures na costa da Normandia, a zona do desembarque, e tem o seu terminus em Auschwitz ou, pelo contrário, é desta que desembarco na Cidade do Cabo e conduzo até ao Kruger ou ainda se resolvo de vez fazer uma outra viagem que me está atravessada desde po tempo em que não dispunha de recursos finaceiros para a fazer e consiste em fazer a Escócia de comboio, com paragens cirúrgicas para degustar os néctares das Higlands, preparados com a puríssima água da região, isto para além de, em me sobrando tempo, que sobraria, tratar de perceber porque é a Palmier Encoberto, que se vê à distância que é mulher de gostar do que é seu, apesar do seu pendor místico-irreverente, nunca mudar de relógio, está certo que é um Bulgari, mas nem um Bulgari se aguenta nas mais variadas situações antropologico-sazonais, é que até o próprio Ruben Patrick ostenta um Casio dourado ou um Swatch Casinha do Gil, conforme as ocasiões o aconselham.
Em verdade te digo, Ruben Patrick
Se algum dia tiveres que escolher um dos meus ensinamentos, Ruben Patrick, apenas um, escolhe aquele que agora te deixo em legado: não jogues futebol com os teus sobrinhos jovens adultos às três da tarde no primeiro domingo de calor do ano, com a rede de rega ligada para arrefecer, depois de teres inaugurado a época dos grelhados no carvão acompanhados por cerveja fria.
A não ser que queiras ficar com uma faringite...
A não ser que queiras ficar com uma faringite...
02 maio 2016
Eu já
Eu já li Nicholas Sparks e o pior de Paul Auster. Já li o livro inacabado de Saramago e a versão de Gonçalo M. Tavares para a continuação de "Os Maias". Já li Poirot sem Agatha Christie e Astérix sem Goscinny nem Uderzo. Já li "O Principezinho" e as primeiras páginas de "As cinquenta sombras de Grey".
Estarei preparado para Elena Ferrante?
Estarei preparado para Elena Ferrante?
01 maio 2016
Olá mãe
Claro que consegues. Senta-te direito. Sai do sol ou põe um chapéu. É preciso estares sempre a gozar? Não vou dar cinco contos por uns ténis. Gosto tanto que gostes de ler. Eu hei-de ser capaz de te ensinar a fazer contas. Não sei como consegues estudar com a música tão alta. Telefona se chegares tarde. Isso passa. Não estás bem, pois não? Gostava que não escolhesses Direito. Não fumaste, pois não? Estás contente só com um catorze? Não precisas de dinheiro? A escolha é tua. Não comas só porcarias. Isso não é perigoso? Obrigada. O tempo é o melhor presente que me podes dar. Não fiques a jogar até tão tarde. Eu não disse que conseguias?
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