30 abril 2016
28 abril 2016
Palmier, chega de ter com quem brincar?
No princípio criou Sansão, o pássaro-alfa, o Lago Tanganica. E o Lago era sem forma e vazio e havia trevas e Sansão, o pássaro-alfa, movia-se sobre a face das águas. E disse Sansão, o pássaro-alfa: Haja pássaras; e houve pássaras. E viu Sansão, o pássaro-alfa, que era boa a passarada. E foi o dia primeiro.
E disse Sansão, o pássaro-alfa: Haja pássaras preferidas. E houve, e Sansão, o pássaro-alfa, fez separação entre as preferidas e as menos preferidas e mandou cunhar medalhas e as pássaras deram muito valor à bugiganga e chamou-se à bugiganga "certificado de pássara preferida". E foi o dia segundo.
E disse Sansão, o pássaro-alfa: Juntem-se as pássaras debaixo dos céus num lugar; e assim foi. E as pássaras, vendo-se cada uma com sua bugiganga, questionaram muito Sansão, o pássaro-alfa e muito sofreram e se atormentaram; e viu Sansão, o pássaro-alfa que melhor teria sido se tivesse produzido erva verde, erva que desse semente, árvore frutífera que desse fruto segundo a sua espécie, cuja semente estivesse nela sobre a terra; mas era tarde para retroceder e viu Sansão, o pássaro-alfa que era era melhor fazer alguma coisa. E foi o dia terceiro.
E disse Sansão, o pássaro-alfa: Que as pássaras guerreiem para decidir qual delas fica como a mais preferidas das preferidas, que se amotinem em navios pirata, que cavalguem pelas margens do Lago Tanganica com óculos de massa preta e blusas brancas com generosos decotes, que formem alianças entre si, e que, de acordo com as escrituras, desfaçam essa aliança e formem uma nova, que raptem cães minúsculos, que convoquem pássaros da estirpe que não é pássaro-alfa para se iludirem com protagonistas menos capazes. E foi o dia quarto.
E disse Sansão, o pássaro-alfa: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus. E Sansão, o pássaro-alfa, criou as grandes baleias, e as baleias fizeram blogs de moda e todo o réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies, e os répteis fizeram blogs de maldizer; e viu Sansão, o pássaro-alfa que era bom e os abençoou, mesmo aos dos blogs fraquinhos e de poesias, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei as águas do Lago Tanganica. E foi o dia quinto.
E disse Sansão, o pássaro-alfa: que se façam pássaros-alfa à minha imagem, e que os pássaros-alfa dominem sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Sansão, o pássaro-alfa, o pássaro-alfa à sua imagem; pássaro-alfa e pássara-alfa os criou e abençoou, e Sansão, o pássaro-alfa, lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei o Lago Tanganica, e sujeitai-o; e dominai sobre os peixes do Lago e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre o Lago. E assim foi.
E viu Sansão, o pássaro-alfa, tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi o dia sexto.
E disse Sansão, o pássaro-alfa: Haja pássaras preferidas. E houve, e Sansão, o pássaro-alfa, fez separação entre as preferidas e as menos preferidas e mandou cunhar medalhas e as pássaras deram muito valor à bugiganga e chamou-se à bugiganga "certificado de pássara preferida". E foi o dia segundo.
E disse Sansão, o pássaro-alfa: Juntem-se as pássaras debaixo dos céus num lugar; e assim foi. E as pássaras, vendo-se cada uma com sua bugiganga, questionaram muito Sansão, o pássaro-alfa e muito sofreram e se atormentaram; e viu Sansão, o pássaro-alfa que melhor teria sido se tivesse produzido erva verde, erva que desse semente, árvore frutífera que desse fruto segundo a sua espécie, cuja semente estivesse nela sobre a terra; mas era tarde para retroceder e viu Sansão, o pássaro-alfa que era era melhor fazer alguma coisa. E foi o dia terceiro.
E disse Sansão, o pássaro-alfa: Que as pássaras guerreiem para decidir qual delas fica como a mais preferidas das preferidas, que se amotinem em navios pirata, que cavalguem pelas margens do Lago Tanganica com óculos de massa preta e blusas brancas com generosos decotes, que formem alianças entre si, e que, de acordo com as escrituras, desfaçam essa aliança e formem uma nova, que raptem cães minúsculos, que convoquem pássaros da estirpe que não é pássaro-alfa para se iludirem com protagonistas menos capazes. E foi o dia quarto.
E disse Sansão, o pássaro-alfa: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus. E Sansão, o pássaro-alfa, criou as grandes baleias, e as baleias fizeram blogs de moda e todo o réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies, e os répteis fizeram blogs de maldizer; e viu Sansão, o pássaro-alfa que era bom e os abençoou, mesmo aos dos blogs fraquinhos e de poesias, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei as águas do Lago Tanganica. E foi o dia quinto.
E disse Sansão, o pássaro-alfa: que se façam pássaros-alfa à minha imagem, e que os pássaros-alfa dominem sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Sansão, o pássaro-alfa, o pássaro-alfa à sua imagem; pássaro-alfa e pássara-alfa os criou e abençoou, e Sansão, o pássaro-alfa, lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei o Lago Tanganica, e sujeitai-o; e dominai sobre os peixes do Lago e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre o Lago. E assim foi.
E viu Sansão, o pássaro-alfa, tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi o dia sexto.
27 abril 2016
Depois de ver a peça que vai no Teatro São Luís
Todos somos contadores de histórias, sejam elas nossas, inventadas por nós ou mudadas pelas histórias que ouvimos aos outros
(e passamos a ser portadores de uma nova história)
(e passamos a ser portadores de uma nova história)
Tanganica report
Sansão, o pássaro-alfa, planava nas alturas, aproveitando as correntes mais favoráveis, olhar fixo no horizonte, taciturno, circunspecto, antecipando o momento em que daria por terminado o seu momento de tranquilidade e desceria de novo sobre o Lago, apaziguando-as nos seus maus humores, apartando-as com gentileza, porém com vigor, tranquilizando-as nas suas pequenas dúvidas existenciais, mostrando-lhes o caminho da verdade e do bem.
Era um dia normal no Lago Tanganica, portanto.
Era um dia normal no Lago Tanganica, portanto.
26 abril 2016
A lenda do Lago Tanganica, outra vez
Diz a lenda que, deste tempos imemoriais havia nas margens do lago Tanganica uma colónia de passarada variada. Expostos a ambientes agrestes, quer fosse o tempo da mais extrema canícula, o lago Tanganica em chamas, a passarada menor afligindo-se com a tensão que emergia do fundo do lago, quer fosse o tempo do gelo em que os elementos eram inclementes e só os mais fortes sobreviviam, os habitantes do lago acostumaram-se a depender da gentileza de estranhos para sobreviver naquele meio inóspito. Todos? Não, Sansão, o pássaro-alfa planava nas alturas, indiferente aos humores meteorológicos, tudo supervisionando, abrigando uma flaminga menos resistente ali, salvando no último momento uma rouxinola acoli, resgatando à morte certa uma pardala mais à frente, sempre vigilante, sempre em voo picado sobre os alvos, altivo, sorrindo sempre com o que murmuravam sobre si os que voavam mais baixo, esperando o momento que todos sem excepção desejavam que nunca chegasse, o momento em que Sansão, o pássaro-alfa descansasse enfim da sua missão.
Estava o lago Tanganica numa dessas quietudes que deixavam Sansão, o pássaro-alfa, em estado de vigilância reforçada, quando uma das flamingas mais antigas, uma referência para as flamingas por ser a mais palradora de todas, interpretando uma pequena atenção de Sansão, o pássaro-alfa, que, nobre e gentil, a tinha encaminhado para uma das portas de embarque para o voo migratório nas margens do Lago Tanganica, se deslumbrou com a força que emanava a presença de Sansão, o pássaro-alfa, e logo ali tratou de se destacar das demais e proclamou a quem a quis ouvir que era a sua preferida, tentando atormentar as suas iguais, lançando a dúvida sobre a lendária imparcialidade de Sansão, o pássaro-alfa e desejando para si as atenções que judiciosamente e com um rigor geométrico, Sansão, o pássaro-alfa, distribuía equitativamente.
Estava lançado o caos.
Estava o lago Tanganica numa dessas quietudes que deixavam Sansão, o pássaro-alfa, em estado de vigilância reforçada, quando uma das flamingas mais antigas, uma referência para as flamingas por ser a mais palradora de todas, interpretando uma pequena atenção de Sansão, o pássaro-alfa, que, nobre e gentil, a tinha encaminhado para uma das portas de embarque para o voo migratório nas margens do Lago Tanganica, se deslumbrou com a força que emanava a presença de Sansão, o pássaro-alfa, e logo ali tratou de se destacar das demais e proclamou a quem a quis ouvir que era a sua preferida, tentando atormentar as suas iguais, lançando a dúvida sobre a lendária imparcialidade de Sansão, o pássaro-alfa e desejando para si as atenções que judiciosamente e com um rigor geométrico, Sansão, o pássaro-alfa, distribuía equitativamente.
Estava lançado o caos.
Gaveta dos retratos da casa dos meus pais
E este sou eu de calções a abraçar o meu irmão, aquele era o tempo em que eu ainda era mais alto que o meu irmão, e este sou eu de gorro a correr atrás das pombas no Rossio, a minha mãe ficou no canto da fotografia a rir, este sou eu deitado numa rocha alta, a mão que quase não se vê é do meu pai, não fosse dar-se o caso de eu cair, este sou eu a jogar à bola na final de um campeonato, perdemos por um-zero porque a bola me bateu na mão e foi penalty, este sou a fumar charuto num fim de ano muito frio, aqueles olhos era porque já tinha nascido a manhã e tínhamos estado a comer chouriço assado e a beber Macieira durante toda a noite, este sou eu a aquecer as mãos numa fogueira em Arganil, dali a nada havia de passar o Hannu Mikkola, este sou eu a caminhar na ilha das Flores e na de Santo Antão, no Gerês e no Monte Branco, este sou eu de fato e gravata, dez amigos abraçados no casamento de um deles, alguns já não são meus amigos e outros já cá não estão, este sou eu na praia com o meu polo cor-de-rosa, é sempre bom saber que já tive um polo cor-de-rosa, este sou eu a jogar poker numa véspera de exame de Complementos de Matemática II e mesmo assim tive treze, este sou eu abraçado ao meu primeiro cão, que era uma cadela grande e preta e estava com muitas feridas e muita fome no primeiro dia que nos vimos, este sou eu com pés de gato e cordas à cintura a escalar uma parede fácil no Montejunto, este sou eu a segurar a minha sobrinha e ela tem uns binóculos e ainda nos lembramos os dois do que vimos nesse dia, este sou eu de barba de quinze dias e t-shirt branca a ler Pamuk.
25 abril 2016
Dupond & Dupont
Menir, a caminho do cromeleque dos Almendres
23 abril 2016
Pipoco observa os comensais à hora do pequeno-almoço
Podia dizer, um por um, quem vai pagar com vales Santander Totta...
22 abril 2016
Gloriosos Anos Oitenta
Depois de Bowie e Prince, quem se seguirá? Spandau Ballet? Alphaville? Ou Manuel João Vieira?
Sonhei outra vez com Lamborghinis roxos
Talvez fosse por estranhar a almofada de hotel, a minha vida agora é isto, beber menos café e estranhar coisas que estranho estranhar, talvez fosse por ter ceado uma selecção de queijos e vinho Rioja, mas a verdade é que sonhei outra vez com Lamborghinis roxos, eu entrava no Lamborghini roxo e arrancava depressa demais, em vez de seleccionar o modo automático, garantia de arranques suaves, tinha escolhido o manual, coisa só ao alcance de quem tem mãozinhas para aquilo, e eu tenho, mas não depois de cear queijo e vinho, e fiquei a matutar nisto, nos Lamborhinis roxos, tal como com as pessoas é sempre melhor arrancar com suavidade, as pessoas cada vez se importam menos que seja em modo automático.
21 abril 2016
Post das oito e meia
Cofiando a barba, munido do meu melhor ar taciturno, interrompo a leitura de Joyce, James Joyce, levanto-me da minha poltrona favorita, acendo um Cohiba Lanceros e sirvo a mim próprio um cognac em balão aquecido, enquanto descanso os olhos na caixa de comentários e verifico que Lady Kina implora um gesto meu, algo que ilumine o mundo dos blogs, uma força, uma visão.
E eu, apesar de estar a apreciar este remanso, a começar a acostumar-me aos dias longos de livros e viagens, a apreciar as verdadeiras coisas boas da vida, não posso ficar indiferente a tal apelo, à vaga de fundo, não posso observar o estertor de apostas que pareciam talhadas ao sucesso fácil, não posso ficar indiferente à temática das comparações de quem tem mais cavalos ou de que é possuidor de mais centímetros, não posso pactuar, como se não fosse nada comigo, com o deteriorar do conceito de blog de homem, um segredo passado de geração em geração, de pai para filho.
Mas depois, Lady Kina? Depois passa-me a vontade e volto a Joyce, James Joyce...
E eu, apesar de estar a apreciar este remanso, a começar a acostumar-me aos dias longos de livros e viagens, a apreciar as verdadeiras coisas boas da vida, não posso ficar indiferente a tal apelo, à vaga de fundo, não posso observar o estertor de apostas que pareciam talhadas ao sucesso fácil, não posso ficar indiferente à temática das comparações de quem tem mais cavalos ou de que é possuidor de mais centímetros, não posso pactuar, como se não fosse nada comigo, com o deteriorar do conceito de blog de homem, um segredo passado de geração em geração, de pai para filho.
Mas depois, Lady Kina? Depois passa-me a vontade e volto a Joyce, James Joyce...
20 abril 2016
19 abril 2016
Teremos sempre a Lezíria
E hoje de manhã, ainda não eram sete horas, enquanto caminhava para o carro, documentos por assinar debaixo do braço, os óculos encavalitados na testa, a chave do carro na mão, o iPod pendurado ao pescoço, a minha cadela nova a tentar mordiscar os atacadores dos meus sapatos e o nó da gravata ainda por apertar, percebi que o damasqueiro está a começar a florir. Fui ver e ofereci a mim próprio trinta segundos de olhos fechados, o sol a bater-me na cara, o aroma da flor do damasqueiro a entrar-me pelas narinas.
Não fosse ter que ir comprar atacadores novos para os sapatos e diria que foram os melhores trinta segundos da semana.
Não fosse ter que ir comprar atacadores novos para os sapatos e diria que foram os melhores trinta segundos da semana.
18 abril 2016
Pipoco dava dinheiro...
...para participar numa dessas sessões de brain-storming de onde saem as propostas do Bloco de Esquerda.
Cinco bons blogs, a escolha final
Das sugestões de blogues que generosamente me apresentaram, o difícil foi escolher cinco, mas as coisas são como são, se imponho regras tenho que ser o primeiro a dar o exemplo, com grande pesar meu tive que escolher, até tive insónias tão forte foi o afrontamento de poder não estar a escolher os cinco certos, mas finalmente a escolha está feita e escolhidas as cinco melhores sugestões.
Sejam então bem vindos à minha exclusiva, selectiva e praticamente inatingível lista de bons blogs meus caros Impontual, Gina G, Maria Eu, hmbf, Manel Mau-Tempo, Flor e Grão de Milho.
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