Vila Viçosa, vista da Pousada D. João IV
(Previsível, eu sei...)
13 outubro 2012
12 outubro 2012
Meu caro Tolan, muitas felicidades
Quem, como eu, anda vai para cinquenta anos nesta vida dos blogs, acaba por se afeiçoar aos companheiros de caminho, àqueles que abnegadamente, um dia depois do outro nos vão mostrando outras visões do mundo. Acabamos por ficar mais perto uns dos outros, o mundo fica um lugar melhor e mais fraterno e os problemas reduzem-se à sua insignificante dimensão quando os comparamos com o infortúnio do outro, daquele a quem acompanhámos nesta jornada.
Vem isto a propósito da feliz notícia que Tolan, esse companheiro de caminho, esse abnegado contador de histórias, esse génio das ideias, vai ser pai de uma linda menina, Tolan, uma minha referência nisto da arte de escrever razoavelmente, vai enfim poder gozar os prazeres da paternidade, ele e a sua Plaft, numa celebração ao amor, num desafio à estatística da má fortuna dos tempos que temos pela frente, Tolan não vacila e, ainda que seja num cenário de não programação do feliz acontecimento, Tolan lacrimeja, a sua mão forte e sábia na mãozita inocente da pequena Vanessa Plaft-Tolan, numa ode ao amor, numa simbiose perfeita, numa felicidade que não ousaremos questionar.
Meu caro, é com emoção que o parebenizo, terei certamente saudades de o ter como companheiro de luta no desbravar deste nicho de mercado que era o nosso e que agora, derivado de (na caixa de comentários vão referir que não é aceitável este "derivado de") o meu caro enveredar pelos caminhos ínvios do baby-blogusimo, um caminho tão respeitável como qualquer outro, por mim por cá continuarei nesta cruzada de levar palavras sábias a corações dilacerados e carentes de, lá está, palavras sábias, com um leve pontinha de inveja sempre que imaginar o meu caro a trocar fraldas, a empurrar baloiços e a usar a sua palma da mão para verificar a temperatura do leite Actamil puro cálcio aditivado com vitamina H5 e eu, pobre de mim, olhando indolente a espiral que sai do Cohiba Lanceros, segurando numa mão um straight flush e na outra um Old Bushmills sem gelo, olhando com inveja os comentários que as outras mamãs deixarão em tolanbaranduna.blospot.com, com experiências de introdução de proteína nas sopas ou programas para sábados de manhã no parque infantil da Serafina, enquanto que eu não passarei dos habituais comentários sobre se o três de Mayo do Goya será superior ao Rapaz com maçã na mão de Van Gogh ou sobre as diferenças elementares entre Haydn e Zofiriteli.
Vem isto a propósito da feliz notícia que Tolan, esse companheiro de caminho, esse abnegado contador de histórias, esse génio das ideias, vai ser pai de uma linda menina, Tolan, uma minha referência nisto da arte de escrever razoavelmente, vai enfim poder gozar os prazeres da paternidade, ele e a sua Plaft, numa celebração ao amor, num desafio à estatística da má fortuna dos tempos que temos pela frente, Tolan não vacila e, ainda que seja num cenário de não programação do feliz acontecimento, Tolan lacrimeja, a sua mão forte e sábia na mãozita inocente da pequena Vanessa Plaft-Tolan, numa ode ao amor, numa simbiose perfeita, numa felicidade que não ousaremos questionar.
Meu caro, é com emoção que o parebenizo, terei certamente saudades de o ter como companheiro de luta no desbravar deste nicho de mercado que era o nosso e que agora, derivado de (na caixa de comentários vão referir que não é aceitável este "derivado de") o meu caro enveredar pelos caminhos ínvios do baby-blogusimo, um caminho tão respeitável como qualquer outro, por mim por cá continuarei nesta cruzada de levar palavras sábias a corações dilacerados e carentes de, lá está, palavras sábias, com um leve pontinha de inveja sempre que imaginar o meu caro a trocar fraldas, a empurrar baloiços e a usar a sua palma da mão para verificar a temperatura do leite Actamil puro cálcio aditivado com vitamina H5 e eu, pobre de mim, olhando indolente a espiral que sai do Cohiba Lanceros, segurando numa mão um straight flush e na outra um Old Bushmills sem gelo, olhando com inveja os comentários que as outras mamãs deixarão em tolanbaranduna.blospot.com, com experiências de introdução de proteína nas sopas ou programas para sábados de manhã no parque infantil da Serafina, enquanto que eu não passarei dos habituais comentários sobre se o três de Mayo do Goya será superior ao Rapaz com maçã na mão de Van Gogh ou sobre as diferenças elementares entre Haydn e Zofiriteli.
11 outubro 2012
Em verdade te digo, Ruben Patrick
Quando te afirmarem que o dinheiro não traz a felicidade, não o creias, Ruben Patrick, pois se é o dinheiro que paga quem te passe as camisas e quem te corte a relva nos dias em que não te apetece cortá-la, isso é tempo, Ruben Patrick, tempo que o dinheiro te oferece, tempo que podes usar com os teus livros ou com os teus discos ou com os que te querem bem, além disso é o dinheiro que permite que te faças à estrada sempre que te apetece, só porque no fim da estrada está um amigo que queres rever ou uns revueltos de setas que te disseram que são uma coisa em bom ou um aeroporto que é o ponto de partida para cidades que não conheces e isso é liberdade, Ruben Patrick, e afinal que mais é a felicidade senão tempo e liberdade?
10 outubro 2012
Post das oito
Nas semanas em que me ocorre que é urgente sair daqui, que o mundo é a minha casa e que do outro lado do mundo a vida podia ser igual, só que em muito melhor, nessas semanas meto uma muda de roupa na mala que está sempre pronta e tem Eça e Saramago lá dentro, faço-me à nacional cento e catorze, páro em Vendas Novas para uma bifana e uma cerveja que me aguentem por mais duas horas de bons caminhos e só volto a parar em Vila Viçosa, mesmo a tempo dos concertos na Igreja do Paço nas últimas sexta feira de cada mês, depois são umas migas com carne do alguidar e uns enchidos de porco preto que estão capazes de acompanhar meia garrafa de tinto do Redondo, depois há a pousada, o quarto com mesas cá fora, ler ao sol, a visita ao Paço à primeira hora da manhã, deliciar-me com os frescos no tecto, voltar aos livros e à sopa de cação, voltar para a cidade grande e pensar que afinal é capaz de ser melhor ficar por cá e ajudar a levantar isto de uma vez por todas.
09 outubro 2012
É a economia, estúpido!
O que importa é manter o dinheiro a correr, meu caro Gaspar, em correndo o dinheiro a coisa dá-se e todos ficamos felizes, ele há uma história que se conta aos do primeiro anos de Economia que ilustra a coisa, é um tipo que chega a um hotel e o quarto custa cem euros, o tipo deixa a nota de cem euros em cima do balcão da recepção e pede para ver o quarto, se não gostar recolhe a nota, e ali está a nota de cem euros e o tipo do hotel diz à recepcionista para pegar nos cem euros e ir a correr pagar ao tipo do talho que não entregará os bifes se o tipo do hotel não pagar a dívida de cem euros que lá tem e a recepcionista sai a correr e paga ao tipo do talho que por sua vez usa aqueles cem euros para pagar ao tipo que lhe estava a arranjar o sistema de frio que, com os cem euros na mão, se lembra de que ficou a dever cem euros ontem no hotel, uma coisa com uma loura que agora não vem ao caso, e segue para o hotel para pagar a dívida e, no preciso momento em que entrega os cem euros, chega o tipo que foi ver o quarto, afinal não gostou e o gerente, sorriso nos lábios devolve-lhe a nota dos cem euros e é assim que a coisa se dá, meu caro Gaspar.
De maneiras que era isto
Nestes dias como o de ontem em que o avião de Madrid não se atrasa e eu consigo chegar a casa com tempo de me apetecer um gin tónico de fim de tarde, bebido de frente para o por do sol, nestes dias, dizia eu, costumo acender um Partagas e coloco o vinil dos Waterboys, aquilo do This is the sea, e dou por mim a pensar que não há muitos discos que tenham músicas para single do princípio ao fim, isto se tirarmos o Brother in Arms e o Gold Ballads, ambos razoavelmente maus, e o Barbeiro de Sevilha, este com demasiadas músicas de anúncio de detergente, fico ali a matutar naquilo até chegar à última música e depois fico zangado porque estive a perder tempo com Waterboys quando podia perfeitamente ter tirado o papel celofane a uma coisa de Bach que me ofereceram e que me disseram que é muito bom, uma Paixão Segundo São João que é uma coisa superior, afinal Waterboys teve um tempo para ser ouvido, era o tempo em que tudo se passava muito devagar, ela usava Anais-Anais, nunca mais suportei coisas da Cacharel, ninguém merece inalar Anais-Anais durante quase dois meses, é certo que ela era extraordinariamente bonita, três campeonatos acima do meu, isto naquele tempo, agora isso de três campeonatos acima do meu é conceito que não existe, agora elas valorizam o sentido de humor e um homem ler livros e isso beneficia-me em toda a linha, fico a pensar que será feito dela, provavelmente teve sete filhos e a lei da gravidade não foi complacente com ela, nunca saberei por onde andará, é por isso que não tenho facebook, não quero saber de quem não quero saber, em dias como o de ontem em que o avião de Madrid não se atrasa há tempo para pensar em tantas coisas que nem sei se não será melhor que o avião de Madrid se atrase.
08 outubro 2012
Os problemas das mulheres
Não conseguir dissimular a ansiedade quando perguntam "E que disse ele de mim?".
07 outubro 2012
Para além do óbvio, disso de a nação estar de ponta-cabeça
E nós deste lado da televisão a gritar-lhes que a bandeira estava ao contrário e eles, todos eles, com cara de basbaque a ver o mesmo que nós, a bandeira ao contrário e não há nenhum deles que tenha um rasgo, um assomo de clarividência que pare aquilo, a nenhum ocorre que a coisa certa seja parar e começar de novo, a bandeira sobe ao contrário e eles estão a ver o mesmo que nós e continuam como se nada fosse, não lhes importa o que lhes gritamos deste lado, e isto explica tanta coisa, tanta coisa.
05 outubro 2012
04 outubro 2012
03 outubro 2012
Vinte e três por cento de posse de bola
Sentes-te como se tivesses ganho a final da Champions League, ou a Xômpislig na versão Jorgejesuística, estavas a perder por dois zero aos oitenta e nove minutos e ganhaste o jogo, é bem verdade que foste massacrado durante toda a tarde e que merecias estar a perder, mas depois há aquilo da inspiração, sempre foi a inspiração que te salvou, talvez pudesses ser mais constante e levar a coisa empatada até aos oitenta minutos, mas não, a coisa tem outro sabor quando te desfocas do que estás ali a fazer e voltas à realidade no último momento, estava quente no Algarve, o peixe grelhado a acompanhar Neruda fez-te pensar nisso da felicidade, pagavas para não estar naquela sala de hotel a discutir números, eles falavam e tu pensavas no sol lá fora e que podias ir dar um mergulho ou pescar ou correr na praia, quando te focas o jogo inverte-se e acabas por ganhar, as coisas são como são, são cinco e meia da tarde e pensas que mereces um gin tónico antes de te fazeres à estrada, pensas que talvez não devesses confiar tanto no instinto, o número de vezes que te aconteceu ganhar o jogo nos últimos minutos é improvável, não devias desafiar as probabilidades, a adrenalina faz-te falta mas um dia vai correr mal e não vais gostar de estar lá, por agora mereces este gin, olhas para o carro alemão e sentes saudades do carro italiano, era o carro certo para agora te fazeres à estrada, escolhes a música, rejeitas Wagner e Carlos do Carmo e Aznavour, pedes ao sistema que te dê Cebola Mol, o Samba Roulotte, aceleras, abres os vidros e segues pela estrada nacional enquanto te apetecer, sorris enquanto pensas que a tua amiga psicóloga vai dissecar o acabaste de escrever, hoje foi um dia bom.
Pipoco ensina-o a ser uma sumidade na escolha de vinhos
O primeiro passo do processo é não aceitar a sugestão do empregado de mesa, convirá decliná-la com elegância, questionando-o sobre a origem do "vinho da casa" e, admitindo que o empregado nos sabe elucidar, fazer um ar agastado à menção de ser um vinho particular de um senhor ali da zona de Pegões, recusando ainda as propostas que o empregado nos fará, primeiro um Esteva, depois um Marquês de Borba, para terminar num Monte Velho. Fazer um gesto de recusa enérgico com a mão, mostrar uma cara agastada e solicitar enfaticamente "traga-me a carta de vinhos por favor".
Com a carta de vinhos na mão, estudá-la aparentando um ar entendido, com uma eventual menção à maçada que é a carta incluir Ermelinda de Freitas Reserva, mas do ano de 2005, se fosse do ano de 2008 a coisa seria mais composta, mas o ano de 2005 não foi fantástico para a casa. Sugerir aos comensais um monocasta Syrah, isto admitindo que todos alinharão nas tirinhas de porco preto, que, toda a gente sabe, é o que melhor vai com um monocasta Syrah, o que será imediatamente aceite, de igual forma seria aceite uma mistura de Touriga Nacional e Malvasia, afinal o entendido é você e só o facto de ter recusado à partida um vinho sugerido pelo empregado e saber que a monocasta Syrah acompanha bem com as tirinhas de porco preto que todos irão escolher, mesmo que alguns se inclinassem para os filetes de pescada ou para o cozido à portuguesa, afinal você acabou de os convencer que as tirinhas de porco preto é que é, combinam tão bem com o tal monocasta Syrah, foi você quem disse.
Na hora de provar o vinho, rode o copo e diga alguma coisa sobre a lágrima. Prove o vinho levando-o levemente aos lábios e aparente um semblante carregado, impenetrável, deixando a mesa em suspenso sobre o seu veredicto final. Antes de emitir opinião, pergunte ao empregado se o vinho estava guardado na posição vertical ou horizontal e diga "hummm..." qualquer que seja a resposta. Informe finalmente que o vinho está bom, pode servir, mas aconselhe os comensais que devem deixar respirar o vinho um par de minutos no copo, de forma a libertar os taninos e equilibrar a temperatura com a temperatura ambiente. Isto não serve rigorosamente para nada mas dará credibilidade aos seus saberes. Quando passarem dois minutos, autorize então que o vinho seja bebido, não sem antes dar um último conselho, que os comensais preparem o palato degustando uma pequena porção de pão alentejano com queijo de Azeitão, que é o que vai bem antes de um monocasta Syrah e é o grande segredo para que o palato esteja finalmente preparado para as tirinhas de porco preto. Delicie-se com as caras de respeito e reverência pela sua doutrina e decida que amanhã será dia de aconselhar um Cabernet Sauvignon a acompanhar trouxas de ovos.
Recoste-se e sorria , brindando à longa vida dos presentes. Tão fácil, não é?...
Com a carta de vinhos na mão, estudá-la aparentando um ar entendido, com uma eventual menção à maçada que é a carta incluir Ermelinda de Freitas Reserva, mas do ano de 2005, se fosse do ano de 2008 a coisa seria mais composta, mas o ano de 2005 não foi fantástico para a casa. Sugerir aos comensais um monocasta Syrah, isto admitindo que todos alinharão nas tirinhas de porco preto, que, toda a gente sabe, é o que melhor vai com um monocasta Syrah, o que será imediatamente aceite, de igual forma seria aceite uma mistura de Touriga Nacional e Malvasia, afinal o entendido é você e só o facto de ter recusado à partida um vinho sugerido pelo empregado e saber que a monocasta Syrah acompanha bem com as tirinhas de porco preto que todos irão escolher, mesmo que alguns se inclinassem para os filetes de pescada ou para o cozido à portuguesa, afinal você acabou de os convencer que as tirinhas de porco preto é que é, combinam tão bem com o tal monocasta Syrah, foi você quem disse.
Na hora de provar o vinho, rode o copo e diga alguma coisa sobre a lágrima. Prove o vinho levando-o levemente aos lábios e aparente um semblante carregado, impenetrável, deixando a mesa em suspenso sobre o seu veredicto final. Antes de emitir opinião, pergunte ao empregado se o vinho estava guardado na posição vertical ou horizontal e diga "hummm..." qualquer que seja a resposta. Informe finalmente que o vinho está bom, pode servir, mas aconselhe os comensais que devem deixar respirar o vinho um par de minutos no copo, de forma a libertar os taninos e equilibrar a temperatura com a temperatura ambiente. Isto não serve rigorosamente para nada mas dará credibilidade aos seus saberes. Quando passarem dois minutos, autorize então que o vinho seja bebido, não sem antes dar um último conselho, que os comensais preparem o palato degustando uma pequena porção de pão alentejano com queijo de Azeitão, que é o que vai bem antes de um monocasta Syrah e é o grande segredo para que o palato esteja finalmente preparado para as tirinhas de porco preto. Delicie-se com as caras de respeito e reverência pela sua doutrina e decida que amanhã será dia de aconselhar um Cabernet Sauvignon a acompanhar trouxas de ovos.
Recoste-se e sorria , brindando à longa vida dos presentes. Tão fácil, não é?...
02 outubro 2012
Quando não conseguires decidir, Ruben Patrick, quando se te afigurar que ambas são perfeitas, quando pensares que é inevitável morrer de amor por cada uma delas, quando o teu coração chegar a um tal estado de atabalhoamento que te impossibilite a escolha, quando já as tiveres feito passar pelo teste do xadrez e ambas tenham passado com distinção, quando chegares ao ponto em que te seja impossível decidir racionalmente, quando te perderes no caminho porque o teu pensamento está com cada uma delas, nessa altura, Ruben Patrick, fala comigo e eu ensino-te uma regra infalível para que não falhes na tua escolha.
01 outubro 2012
Escuta os mais velhos, Ruben Patrick
"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo", assim começa o grande Vargas Llosa, figura maior das letras argentinas, o seu fantástico Vivir para Contarla, uma história de vida contada com uma sensibilidade que só encontraria igual em Julio Cortazar no autobiográfico "O Velho que lia romances de amor", ilustrando que a solução para o que quer que seja passará sempre por ouvir os mais velhos, esses sábios que ninguém quer escutar porque desconhecem tecnologias, como se fosse relevante dominá-las para transmitir saberes antigos, talvez o coronel Aureliano Buendía nunca tivesse que enfrentar o pelotão de fuzilamento se tivesse escutado o seu velho pai nessa remota tarde em que conheceu o gelo.
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