Há uma passagem em "Os Maias", quando Carlos da Maia, em pleno Chiado, espanca com umas bengaladas valentes o seu primo Basílio , acabadinho de regressar de Tormes, tudo por causa de umas dívidas de jogo em casa do Conde de Abranhos. Nessa passagem as mulheres tomam o partido de Basílio, que está no chão a esvair-se em sangue, condenando publicamente Carlos da Maia mas, ao mesmo tempo cochichando umas com as outras admirando-o secretamente pela virilidade das suas bengaladas, desferidas em defesa da sua honra, ao tempo um meio perfeitamente legítimo para umas bengaladas públicas.
É por isso que nunca perceberemos as mulheres, que nunca entenderemos as suas mensagens subliminares e o que querem dizer nas entrelinhas. Afinal é por isto que não conseguimos passar sem elas...
13 setembro 2012
Os problemas das mulheres
Ficarem desconcertadas e sem referências de navegação quando lhes damos plena razão numa discussão logo ao primeiro argumento que elas nos apresentam.
12 setembro 2012
Se o meu mundo fosse em "Cristianoronaldo mode"
Vinha o tipo das finanças e eu ficava com menos liquidez, depois eu fazia um negócio dos grandes, daqueles em bom, e em vez de dizer "YES! Conseguimos, somos enormes" e a seguir pagar whisky de malte à equipa, não comemorava, depois a Rita das fotocópias perguntava-me porque é que eu não estava a comemorar em condições e eu respondia-lhe que a minha vida era muito triste e quem não tinha carinho nenhum, depois vinha quem manda nisto e dava-me mimos e aumentava-me o ordenado para compensar o que o tipo das finanças me tinha levado e ainda me contratava até ao fim dos meus dias e eu ficava contente outra vez e já podia comemorar e condições com a rapaziada e havíamos de ir beber um whisky de malte, pagava eu.
11 setembro 2012
Caro Pedro
O meu caro não me terá reconhecido mas eu apresento-me, sou o Pipoco Mais Salgado e faço parte dos cada vez menos que estão a aguentar as pontas disto, não me agradeça, levante-se homem, por favor, temos que ser uns para os outros, não se desculpe, é normal não me ter reconhecido, sim estou mais magro, eu percebo, isto é muita gente e às tantas alguém como o meu caro baralha-se com tanta informação, é da sua natureza.
Saiba o meu caro que eu por cá continuo, sentado à mesa, bebendo um tinto de um ano cá do meu gosto, no final talvez acenda um Cohiba, ainda guardo alguns para o que der e vier. Não pense o meu caro que eu não tenho notado, lá por estar aqui em sossego e com o meu melhor ar de quem está a pensar nas coisas da filosofia e dos discos, não quer dizer que não esteja a interiorizar o que se está a passar, é só uma questão de processar informação e sistematizá-la, sou razoavelmente bom nisso, afinal é a minha vida, ainda é a minha vida.
Saiba o meu caro que cada vez há menos como eu a esta mesa, vão saindo de mansinho, fazem de conta que vão só lá fora fumar um cigarro e acabam por não voltar e eu, que estou habituado a estas coisas, sei que sou eu quem vai pagar a conta de todos, as coisas são como são e o meu caro, que é o dono do restaurante, aliás, tem a concessão, tem que ter as contas a bater certo, o meu caro fica descansado porque sabe que não há problema, eu estou cá para segurar as pontas, não sei se já lhe tinha dito, pode muito bem o meu caro meter como cozinheiro do restaurante aquele seu primo que é muito bom moço, que importa se já há três cozinheiros?, o rapaz merece e é lá da sua criação, e afinal eu pago tudo, a minha vida é isso, pode o meu caro não se preocupar se me servem o que eu estou a pagar, não importa se o chefe de mesa está de olhos na televisão e eu estou a fazer sinal que pode servir os cafés, afinal está a dar a bola e que é isso comparado com eu querer ser servido na justa medida do que pago?, pode o meu caro não se incomodar sobre se não será melhor fazer obras no restaurante, mudar a ementa, sei lá, alguma coisa que faça voltar os que podem pagar, sempre dividíamos a conta por todos e não ficava só eu para pagar tudo, não se mace o meu caro, afinal eu por cá continuo, o meu caro sabe que eu estou cá para pagar e que é só dizer que a conta voltou a subir, as coisas são como são, eu assentirei, que sim, que pode descontar o que tiver que ser.
O problema, meu caro Pedro, são os que foram saindo por já não poderem pagar. Esses estão lá fora e não estão muito contentes, se é que o meu caro me entende. E esses estão a caminho, zangados e com vontade de lhe partir o restaurante, depois as coisas são como são, vão virar-lhe isto tudo do avesso, em calhando ainda são capazes de causar transtorno ao meu caro, às vezes as pessoas organizam-se e é uma maçada, lembre-se daquilo de vestir de branco por causa de Timor ou das bandeiras na janela porque o Scolari pediu, às vezes as pessoas são estranhas e fazem coisas estranhas, principalmente se não tiverem o que dar de comer aos filhos ou se a noite estiver mais frescota ou se o Benfica desatar a perder jogos uns atrás dos outros. Está o meu caro avisado, mesmo podendo sempre contar comigo para pagar o que o meu caro entender, pondere lá isso de os que já sairam da mesa se poderem aborrecer, que isto em as pessoas se aborrecendo às vezes é o cabo dos trabalhos.
Sempre seu, Pipoco Mais Salgado (não me agradeça, que é isso, então? levante-se, não gosto de o ver assim ajoelhado à minha frente)
Saiba o meu caro que eu por cá continuo, sentado à mesa, bebendo um tinto de um ano cá do meu gosto, no final talvez acenda um Cohiba, ainda guardo alguns para o que der e vier. Não pense o meu caro que eu não tenho notado, lá por estar aqui em sossego e com o meu melhor ar de quem está a pensar nas coisas da filosofia e dos discos, não quer dizer que não esteja a interiorizar o que se está a passar, é só uma questão de processar informação e sistematizá-la, sou razoavelmente bom nisso, afinal é a minha vida, ainda é a minha vida.
Saiba o meu caro que cada vez há menos como eu a esta mesa, vão saindo de mansinho, fazem de conta que vão só lá fora fumar um cigarro e acabam por não voltar e eu, que estou habituado a estas coisas, sei que sou eu quem vai pagar a conta de todos, as coisas são como são e o meu caro, que é o dono do restaurante, aliás, tem a concessão, tem que ter as contas a bater certo, o meu caro fica descansado porque sabe que não há problema, eu estou cá para segurar as pontas, não sei se já lhe tinha dito, pode muito bem o meu caro meter como cozinheiro do restaurante aquele seu primo que é muito bom moço, que importa se já há três cozinheiros?, o rapaz merece e é lá da sua criação, e afinal eu pago tudo, a minha vida é isso, pode o meu caro não se preocupar se me servem o que eu estou a pagar, não importa se o chefe de mesa está de olhos na televisão e eu estou a fazer sinal que pode servir os cafés, afinal está a dar a bola e que é isso comparado com eu querer ser servido na justa medida do que pago?, pode o meu caro não se incomodar sobre se não será melhor fazer obras no restaurante, mudar a ementa, sei lá, alguma coisa que faça voltar os que podem pagar, sempre dividíamos a conta por todos e não ficava só eu para pagar tudo, não se mace o meu caro, afinal eu por cá continuo, o meu caro sabe que eu estou cá para pagar e que é só dizer que a conta voltou a subir, as coisas são como são, eu assentirei, que sim, que pode descontar o que tiver que ser.
O problema, meu caro Pedro, são os que foram saindo por já não poderem pagar. Esses estão lá fora e não estão muito contentes, se é que o meu caro me entende. E esses estão a caminho, zangados e com vontade de lhe partir o restaurante, depois as coisas são como são, vão virar-lhe isto tudo do avesso, em calhando ainda são capazes de causar transtorno ao meu caro, às vezes as pessoas organizam-se e é uma maçada, lembre-se daquilo de vestir de branco por causa de Timor ou das bandeiras na janela porque o Scolari pediu, às vezes as pessoas são estranhas e fazem coisas estranhas, principalmente se não tiverem o que dar de comer aos filhos ou se a noite estiver mais frescota ou se o Benfica desatar a perder jogos uns atrás dos outros. Está o meu caro avisado, mesmo podendo sempre contar comigo para pagar o que o meu caro entender, pondere lá isso de os que já sairam da mesa se poderem aborrecer, que isto em as pessoas se aborrecendo às vezes é o cabo dos trabalhos.
Sempre seu, Pipoco Mais Salgado (não me agradeça, que é isso, então? levante-se, não gosto de o ver assim ajoelhado à minha frente)
07 setembro 2012
Manobra de diversão
Há uma cena no Le Havre, do Aki Kaurismäki, em que o inspector de polícia entra no bar do porto, uma coisa de má fama, com marinheiros a olhar de viés e o inspector tem um ananás nos braços, um enorme ananás que atrai os olhares dos tipos mal-encarados e os desvia da figura do inspector, nunca um ananás pareceu tão deslocado num cenário.
Sobre aquilo da Clara Ferreira Alves, que as mulheres são umas tontas e não sei quê
Andava a blogosfera, principamente a que tem maior desvio relativamente ao peso apropriado à altura, a bater na Margarida Rebelo Pinto e estava eu , e só eu, a ler o que escreveu a Clara Ferreira Alves. E escrevia a Clara em título, dirigindo-se a mim, isto acredito eu, "Tu queres é uma palmadas", lá está, mais um artigo a desancar na pobrezinha da velhota que escreveu aquilo do Grey e dizia a Clara que "Meio mundo (incuindo eu (e este "eu" é ela, a Clara, sempre gostei de parêntesis dentro de parêntesis)) escreveu a dar cabo de E.L.James...", acho isto delicioso, a Clara começa por desdenhar a temática mas, e isto é notável, ao mesmo tempo lamenta "Só posso dizer que tenho pena de nunca me ter ocorrido escrever coisas destas em vez de labutar em textos que nunca mencionam a palavra vagina". Traduzindo, a boa da Clara desejava o filet mignon da coisa, o sucesso e os dólares, mas sem o dirty job, cuidava a Clara que podia escrever sobre coisas sérias e de bom tom e ter três best-seller de rajada. E continua a Clara a malhar no tema, invocando a favor do que articula que o livro é o favorito da Victoria Beckham, piscando-nos o olho, uma espécie de "if you know what I mean", um corolário só ao alcance de quem domina todo o processo e sabe estabelecer uma causa efeito entre livro favorito da Beckham e má literatura.
Mas afinal, e para acabar, que se me está a acabar a bateria e já chamaram para a porta de embarque, o que a Clara quer mesmo é dar uma palmadas nas mulheres que compram livros, invocando que a lista do top 10 do "NY Times", sim que a Clara não quer saber da lista da Bertrand, está cheia de autoras mulheres e todas elas escrevem tão mal como a do Grey e quem lê são mulheres e por isso as mulheres são culpadas deste estado de coisas porque são umas tontas que compram livros de palmadas e dá-se o caso de quem dá as palmadas são os homens e isso é um sinal da subjugação e eu, que não percebo nada de mulheres e dá-se o caso de cada vez perceber menos, acho que é por causa das Claras Ferreira Alves deste mundo que as mulheres, apesar de sorrirem muito umas para as outras e irem aos pares à casa de banho, nunca serão solidárias.
Mas afinal, e para acabar, que se me está a acabar a bateria e já chamaram para a porta de embarque, o que a Clara quer mesmo é dar uma palmadas nas mulheres que compram livros, invocando que a lista do top 10 do "NY Times", sim que a Clara não quer saber da lista da Bertrand, está cheia de autoras mulheres e todas elas escrevem tão mal como a do Grey e quem lê são mulheres e por isso as mulheres são culpadas deste estado de coisas porque são umas tontas que compram livros de palmadas e dá-se o caso de quem dá as palmadas são os homens e isso é um sinal da subjugação e eu, que não percebo nada de mulheres e dá-se o caso de cada vez perceber menos, acho que é por causa das Claras Ferreira Alves deste mundo que as mulheres, apesar de sorrirem muito umas para as outras e irem aos pares à casa de banho, nunca serão solidárias.
06 setembro 2012
Les jeux sont faits
Fechados os comentários para a coisa ali de baixo, as coisas são como são.
Falamos então da crónica da Clara Ferreira Alves? Vamos a isso?
Falamos então da crónica da Clara Ferreira Alves? Vamos a isso?
Pipoco também quer dissertar acerca de rapazes com queixos esfacelados (ou isto não só primas Joaquinas)
Já se sabe que para os artistas, aqueles que aparecem nas novelas das oito, se quiserem ser jurados em programas de miudagem a cantar, convém-lhes, uns meses antes, abrir as portas de sua casa e mostrar a sala de estar com uma estante branca com eniclopédias em fundo cuidadosamente alinhadas, será mesmo de bom tom que estejam a passar por um processo especialmente violento de divórcio litigioso, uma coisa em bom, bem documentada pela imprensa especializada, eventualmente que, ao mesmo tempo que acontece o tal divórcio violento, se apaixonem por um personagem improvável, a Luisa Beirão pelo Herman José, a Diana Chaves pelo Castelo Branco, a Cláudia Vieira pelo Eusébio e todas pelo Pinto da Costa, faz parte do circo e todos sabem as regras do jogo, é claro que ele há alturas em que a coisa perde o controlo, é como ter a sogra a viver lá em casa, sempre toma conta dos miúdos e prepara o jantar, mas há um dia em que aparecem uns naperons manufacturados em cima da televisão e um homem engole em seco, afinal a sogra faz um empadão de mirtilhos com caramelo que é coisa fina, só que a sogra, incentivada pelo silêncio e consciente do poder que tem, vai subindo na hierarquia da casa e um dia damos por ela a dizer que as coisas são como são e são como ele acha que devem ser, o que é sempre uma maçada, parecendo que não. De qualquer forma, nisto dos artistas a coisa é gerida por profissionais e os danos são quase sempre bem calculados (excepto aquela que não me lembro o nome e que rebentou com a casa) e os ganhos compensam as maçadas ou então não.
Nos blogs devia ser diferente, em princípio a coisa não nos paga o sustento, isto são só blogs, nunca perder este facto de vista, e servem para um homem se entreter quando o tempo lhe sobra, não deveria ser como nas telenovelas. No entanto, em se começando a ter anúncios a piscar ali à direita e em se começando a escrever que o Dacia é um automóvel que é uma maravilha ou que o Freeport é um sítio bom para se comprar coisas em geral, o blogger ganha uma espécie de aura, como se tivesse caído em pequenino no caldeirão da intocabilidade e acredita que impossible is nothing, que só existe o infinito e mais além, as caixas de comentários transformam-se em chorrilhos de coisas bonitas, que a criancinha é linda e nós a ver que não, que a pessoa é tão feliz e nós a perceber que se fosse feliz não escrevia em blogs, passava o tempo a usufruir da felicidade, nessa altura, dizia eu, quem escreve nesses blogs começa a tratar os leitores como visitas lá de casa, são uma espécie de prima Joaquina que mora lá na terra e a quem desejamos mostrar os dentes do mais novo, o risco que um malandro nos fez no carro, o salmão com doce de gila que não há lá na terra, a prima Joaquina há-de lamber-se toda e, como é claro, as primas Joaquinas fazem o que é suposto as primas Joaquinas fazerem, que sim senhores, que lindo está o miúdo, que saboroso deve estar o salmão, que rica vida tens tu, vê-se logo que tens estudos, e tudo fica na paz do senhor, quem escreve abre cada vez mais o coração e mostra o detalhe das obras lá do prédio, diz para onde vai de férias e mostra que tal está o tempo, as primas Joaquinas abrem a boca de espanto e mostram respeito e escrevem coisas profundas na caixa de comentários ("lol, que giro", "as melhoras", "já me senti assim", "nunca me atrevi a comentar mas é só para lhe dizer que é uma grande mulher", "também quero um igual"), entremeia-se a coisa com uns anúncios a cremes que diz que são muito bons para as bexigas, acredita-se que as primas Joaquinas compram aquilo e tudo fica na paz do Senhor.
O problema é que isto dos blogs é um espaço aberto e ele há ocasiões em que não é só a prima Joaquina que lê aquilo e, se há alturas em que nos exasperamos com quem escreve (pelo menos comigo as pessoas exasperam-se todos os dias e isso é delicioso), há dias em que nos rimos porque o tipo escreve mesmo bem, há outros dias em que olhamos para aquilo, nem queremos acreditar que seja verdade, há dias em que fechamos os olhos piedosamente, levantamos os braços aos céus e sentimos a pior das vergonhas, a vergonha alheia.
Nos blogs devia ser diferente, em princípio a coisa não nos paga o sustento, isto são só blogs, nunca perder este facto de vista, e servem para um homem se entreter quando o tempo lhe sobra, não deveria ser como nas telenovelas. No entanto, em se começando a ter anúncios a piscar ali à direita e em se começando a escrever que o Dacia é um automóvel que é uma maravilha ou que o Freeport é um sítio bom para se comprar coisas em geral, o blogger ganha uma espécie de aura, como se tivesse caído em pequenino no caldeirão da intocabilidade e acredita que impossible is nothing, que só existe o infinito e mais além, as caixas de comentários transformam-se em chorrilhos de coisas bonitas, que a criancinha é linda e nós a ver que não, que a pessoa é tão feliz e nós a perceber que se fosse feliz não escrevia em blogs, passava o tempo a usufruir da felicidade, nessa altura, dizia eu, quem escreve nesses blogs começa a tratar os leitores como visitas lá de casa, são uma espécie de prima Joaquina que mora lá na terra e a quem desejamos mostrar os dentes do mais novo, o risco que um malandro nos fez no carro, o salmão com doce de gila que não há lá na terra, a prima Joaquina há-de lamber-se toda e, como é claro, as primas Joaquinas fazem o que é suposto as primas Joaquinas fazerem, que sim senhores, que lindo está o miúdo, que saboroso deve estar o salmão, que rica vida tens tu, vê-se logo que tens estudos, e tudo fica na paz do senhor, quem escreve abre cada vez mais o coração e mostra o detalhe das obras lá do prédio, diz para onde vai de férias e mostra que tal está o tempo, as primas Joaquinas abrem a boca de espanto e mostram respeito e escrevem coisas profundas na caixa de comentários ("lol, que giro", "as melhoras", "já me senti assim", "nunca me atrevi a comentar mas é só para lhe dizer que é uma grande mulher", "também quero um igual"), entremeia-se a coisa com uns anúncios a cremes que diz que são muito bons para as bexigas, acredita-se que as primas Joaquinas compram aquilo e tudo fica na paz do Senhor.
O problema é que isto dos blogs é um espaço aberto e ele há ocasiões em que não é só a prima Joaquina que lê aquilo e, se há alturas em que nos exasperamos com quem escreve (pelo menos comigo as pessoas exasperam-se todos os dias e isso é delicioso), há dias em que nos rimos porque o tipo escreve mesmo bem, há outros dias em que olhamos para aquilo, nem queremos acreditar que seja verdade, há dias em que fechamos os olhos piedosamente, levantamos os braços aos céus e sentimos a pior das vergonhas, a vergonha alheia.
O leitor decide
No post das duas da tarde, dará Pipoco a sua opinião sobre o caso Cocó na Fralda, emitindo uma opinião definitiva sobre o que pensa de retratos de filhos com queixos esfacelados, arruinando para sempre o seu estatuto incontestável de snob-chic ou escreverá Pipoco sobre o sentimento que lhe suscita a nona de Beethoven?
Sim, estive na exposição que está na Fábrica ASA
Gostava muito de ter um social airbag, uma coisa que se insuflasse nos jantares de ostras e champanhe, em se acercando as pessoas de mim, o social airbag era imediatamente accionado e garantia espaço vital.
05 setembro 2012
Porque lês tu blogues, Pipoco?
Para aprender como é possível um homem vestir-se dos pés à cabeça por vinte contos, para saber se o tal paper final sempre foi entregue, para me inteirar de quando o irmão do Zé vai cair (acidentalmente, é claro...) pelas escadas lá do prédio abaixo, para me congratular por verificar que os pés na praia foram substituídos pelas bolas de Berlim na mão, para saber tudo o que há para saber sobre pequenos-almoços de pura fibra, para saber para que é que lhe deu hoje e verificar que lhe dá sempre para o mesmo e isso não é necessariamente bom, para ver em pormenor que tal fica a gandulagem com as fuças partidas, para me inteirar que toda a gente dos blogs continua a ser bailarina ou criativa ou jornalista e, naturalmente, para ler o Tolan, o Maradona e o Zé do "Vendo-me".
Ruben Patrick reflecte
O Tio Pipoco é um indívuduo que reflecte sobre temáticas lá dele, os vinhos, os charutos, os livros e aquelas músicas que ele ouve e, sendo pouco ousado na abertura do espectro de interesses, acaba por descurar questões importantes, acaba por não abordar aquilo que verdadeiramente preocupa as pessoas, não estuda com profundidade a essência das problemáticas, por exemplo não se debruça sobre a integral de José Cid, nunca se incomodou em estudar a questão essencial que está por detrás da estrofe "A Anita não é bonita mas acredita que a noite cai".
Temos aqui um exemplo épico de como as pessoas, não tendo realçada uma qualidade essencial (no caso da Anita, a beleza), não será caso para as ignorarmos e as retirarmos do grupo de indivíduos válidos na sociedade. A Anita não é bonita, mas, lá está, a Anita assume uma condição superior, a de pertencer ao número de pessoas que acredita que a noite cai, o que lhe confere uma dimensão superior na escala das pessoas que, não sendo bonitas, são ainda assim válidas para o seu próximo, de tal forma que esta Anita chega mesmo a captar a atenção do Zé, Poderia o autor invocar outros atributos válidos de Anita, por exemplo "A Anita não é bonita, mas gosta de mousse de morango com mostarda de Dijon" ou mesmo "A Anita não é bonita, mas tem uma camisola do Rui Patrício autografada pelo próprio" e de igual forma relevaria que não é por causa da beleza que a pessoa perde a sua dignidade, há que ver mais longe, há que saber que o essencial é invisível para a vista, como diria o Principezinho, que, lá está, não era bonito mas falava com raposas, isto para além de o Zé, em chegando ao Café Central e enfrentando os amigos que, jocosos, desedenhariam da sua capacidade de conquista, atirando-lhe, em risada alta, "Olha lá, Zé, a Anita, não é bonita!", ao que Zé, reflexivo, tolerante, ponderado, dotado da calma concedida aos que conseguem ver mais além, lhe retorquiria "É certo, mas atentai, rapazes, ela acredita que a noite cai", ao que se seguiria um silêncio pesado, em que os rapazes, meio envergonhados por não terem sido capazes de vislumbrar o evidente, assentariam "Bem visto, sim senhores", enquanto pagariam uma mini Super-Bock ao Zé, que coçaria o seu queixo, pensativo, é assim que fazem os sábios.
Temos aqui um exemplo épico de como as pessoas, não tendo realçada uma qualidade essencial (no caso da Anita, a beleza), não será caso para as ignorarmos e as retirarmos do grupo de indivíduos válidos na sociedade. A Anita não é bonita, mas, lá está, a Anita assume uma condição superior, a de pertencer ao número de pessoas que acredita que a noite cai, o que lhe confere uma dimensão superior na escala das pessoas que, não sendo bonitas, são ainda assim válidas para o seu próximo, de tal forma que esta Anita chega mesmo a captar a atenção do Zé, Poderia o autor invocar outros atributos válidos de Anita, por exemplo "A Anita não é bonita, mas gosta de mousse de morango com mostarda de Dijon" ou mesmo "A Anita não é bonita, mas tem uma camisola do Rui Patrício autografada pelo próprio" e de igual forma relevaria que não é por causa da beleza que a pessoa perde a sua dignidade, há que ver mais longe, há que saber que o essencial é invisível para a vista, como diria o Principezinho, que, lá está, não era bonito mas falava com raposas, isto para além de o Zé, em chegando ao Café Central e enfrentando os amigos que, jocosos, desedenhariam da sua capacidade de conquista, atirando-lhe, em risada alta, "Olha lá, Zé, a Anita, não é bonita!", ao que Zé, reflexivo, tolerante, ponderado, dotado da calma concedida aos que conseguem ver mais além, lhe retorquiria "É certo, mas atentai, rapazes, ela acredita que a noite cai", ao que se seguiria um silêncio pesado, em que os rapazes, meio envergonhados por não terem sido capazes de vislumbrar o evidente, assentariam "Bem visto, sim senhores", enquanto pagariam uma mini Super-Bock ao Zé, que coçaria o seu queixo, pensativo, é assim que fazem os sábios.
04 setembro 2012
Relendo o Amor em Tempos de Cólera
Ninguém espera cinquenta e um anos, nove meses e quatro dias por alguém.
Só mesmo num livro.
Só mesmo num livro.
Pipoco também tem um "Eu já..."
Eu já comi pastéis de Belém em Belém, já bebi vinho do Porto no Porto, já comi leitão de Negrais em Negrais, já comi feijoada à trasmontana em Trás-os-Montes, já bebi vinho de Bordéus em Bordéus, já comi pimentos de Padrón em Padrón, já bebi champagne na região de Champagne, já comi cozido à Portuguesa em Portugal, já comi lulas à sevilhana em Sevilha, já comi picanha brasileira no Brasil, já comi queijo de Nisa em Nisa e de Azeitão em Azeitão, já bebi água Evian em Evian, água do Luso no Luso, água do Caramulo no Caramulo e água Serra da Estrela na Serra da Estrela.
03 setembro 2012
Em verdade vos digo
E falando ainda desse tal pior filme de sempre do Woody Allen, mesmo considerando que visualizei o Midnight in Paris, há uma altura em que o Woody Allen consegue sacar a Julia Roberts, que é uma coisa que está sempre a acontecer, as Julias Robert costumam interessar-se por Woody Allens, as mulheres bonitas têm um sacrossanto dom de preservação da espécie que as faz interessar-se por tipos com óculos, é a mesma coisa com tipos que escrevem em blogs, basta-lhes um certo ar distante e uma vaga referência a livros e a coisas que as mulheres apreciam, música sacra, por exemplo, e é vê-las com o seu pequeno coração a palpitar, mas, dizia eu, nessa película aziaga o Woody Allen consegue que a Julia Roberts lhe conceda os seus favores porque faz exactamente aquilo que o Julia gostaria que um homem fizesse, não vou aqui contar que o Woody tem acesso à informação porque a sua filha espreita a Julia no psicólogo através de um furo na parede e assim acede a informação vital, a Julia gosta de homens que apreciem Mahler?, pois o bom do Woody torna-se o apreciador número um de Mahler, a Julia aprecia Tintoretto?, pois o bom do Woody devora toda a literatura Tintoretteana, mas a moral da história, era aqui que eu queria chegar, é que não é coisa boa um homem mudar-se por causa de uma mulher, vão por mim que sei destas coisas, tivesse o Woody perguntado a minha opinião e não sofreria por a Julia o ter despachado em três tempos.
Em calhando é por isso que este é um blog feliz
Há ali uma cena, algures no pior filme de sempre do Woody Allen, em que o avô morre e a família desfia os clichets todos, que é aproveitar a vida enquanto cá andamos, que isto nunca se sabe, um dia estamos a vender saúde e no dia seguinte dá-nos um enfarte do miocárdio que nos leva desta para melhor, que de nada vale poupar os tostões, afinal a vida são dois dias, que ninguém sabe para o que está guardado, há essa tal cena, dizia eu, que é a minha cena preferida do filme porque eu lembro-me todos os dias desses clichets todos sem ser preciso morrer-me ninguém.
02 setembro 2012
Voltamos então ao normal, aos posts só de letras
De volta a isto da vida tal como ela é, sorriso aberto por amanhã ser dia de trabalho, igualzinho ao sorriso aberto de hoje por ser dia de férias, dou uma leitura rápida pelas notícias atrasadas e demoro-me na minha lista de blogs, quero perceber o que fizeram nestes meus dias de montanhas e de Guimarães, se escreveram coisas em condições ou nem por isso, das notícias do país e do mundo retenho que o Sporting ganhou por cinco a não sei quem, pelo que depreendo que está tudo nos conformes e que as coisas continuam a ser como são.
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