31 agosto 2012

Ao estilo de message in a bottle (naquelas coisas de madeira na zona dos Couros)


Ainda ontem estava com um rio pelos joelhos


Foto: Pipoco Mais Salgado, Largo da Oliveira, Guimarães
 
As boas ideias são quase sempre simples, nesta ideia de um lado estão actores que dizem um texto belíssimo de José Luis Peixoto, do outro lado está quem passa. Eu ganhei o dia, estava ali só para tomar café e quem me disse Peixoto disse-mo nos olhos e espantou-me, logo a mim que quase nada me espanta.

Enquanto Jed Barahal atacava o preludio da Suite nº4 de Bach em Mi bemol, Wolfswinkel marcava um golo

Foto: Pipoco Mais Salgado, Igreja de S. Francisco, Guimarães

29 agosto 2012

As coisas são como são

Fiz-te entender os vinhos, aprendeste que não são todos iguais e há alturas certas para apreciar cada um deles, ensinei-te os livros, que havia mais para além dos chilenos e peruanos e mexicanos, que nem sempre os americanos são melhores que os russos, expliquei-te a música e aprendeste a gostar de Rossini e Verdi e Wagner, só não consegui que apreciasses as montanhas, nunca te preocupaste em compreender isto das montanhas e afinal era a única coisa que importava, gostar das montanhas importava, aliás, era a única coisa que no fim de contas realmente importava.

28 agosto 2012

Duas ou três coisinhas que quero dizer daqui onde me encontro

Uma das coisas boas disto de estar longe de casa, para além da barba de cinco dias e de tirar as botas no fim da descida, é não fazer ideia do que se estará a passar lá no sítio de onde venho, não sei se a Casa dos Segredos já começou, não faço ideia se a Troika sempre vai dar mais tempo ou não, não sei se o dólar estará a derreter o Euro ou se o Brent desceu qualquer coisinha que faça descer o preço do gasóleo, não faço ideia se o Rui Patrício sempre foi vendido, não sei se o António Borges deslizou outra vez na maionese.

Por agora, enquanto o banho quente me apazigua os músculos e enquanto me apronto para jantar, imagino que sim, que a crise acabou, que, não só o Rui Patrício ficou, como até se deu o caso de despacharmos o Izmailov, que, em chegando a Vilar Formoso compro a Bola e verei com satisfação que estamos em primeiro com dez pontos de avanço sobre o Braga, quinze sobre o Benfica e dezassete sobre o Porto.

24 agosto 2012

Que estás a fazer neste momento, Pipoco?


Foto: Pipoco Mais Salgado, Alpes
 
(Vim cá para fora, conforme me mandaram...)

23 agosto 2012

Que vês da tua janela Pipoco?



Foto: Pipoco Mais Salgado, Berna
 
Pipoco entra pela primeira vez (segunda, vá...) num Starbucks (no de Berna, por necessidade absoluta)

22 agosto 2012

Duas ou três coisas que quero dizer daqui onde me encontro

O primeiro capítulo de "O Cemitério de Pianos" de José Luis Peixoto é o mais bonito primeiro capítulo que li em muitos anos de livros.

21 agosto 2012

Que vês da tua janela, Pipoco?


Foto: Pipoco Mais Salgado
Abrigo de montanha Lammerenhutte, Alpes

18 agosto 2012

17 agosto 2012

Pipoco foi levantar dinheiro e sentiu-se como o árbitro alemão antes daquilo lhe acontecer

Foto: Pipoco Mais Salgado

Pipoco pede ajuda

Isto de ser homem não é fácil, habituamo-nos ao que gostamos e com a idade ficamos com mais rotinas e, tendo rotinas, acabamos por perder o que de bom tem desviarmo-nos do caminho de sempre. Com  isto dos blogs é a mesma coisa, um homem afeiçoa-se ali aos da direita e raramente segue caminhos alternativos e agora que alguns dos dali da direita estão a ficar barrigudos e preguiçosos, um homem quer saber quem é que realmente anda a escrever em condições e dá muito trabalho, vai daí, um homem tem que perguntar e pedir ajuda, logo duas coisas que um homem não aprecia, mas as coisas são como são e ele há alturas em que temos que nos focar num bem maior, assim sendo, quais são os bons blogs que eu devia estar a ler e que não estou porque nem sei que eles existem?

16 agosto 2012

Em verdade te digo, Ruben Patrick

Considera-a perdida para sempre quando ela já não se importar com os teus defeitos.

15 agosto 2012

Se a casa estivesse a arder, o que salvaria? (debriefing)

Salvas as pessoas e os animais, esse é o pressuposto inicial, tenho a certeza que não perderia muito tempo e salvaria apenas a carteira (só de pensar o tempo que demoraria a substiuir os documentos...), o passaporte e, naturalmente, a apólice de seguro. Faltou a chave do carro.

Gosto de pensar que salvaria Ulysses, afinal é uma guerra que tenho em curso, mas talvez optasse por deixar arder, sempre teria uma boa desculpa para desistir, e salvaria Saramago, curiosamente escolhi o livro de Saramago que mais gosto e deixaria arder aquele que tem uma dedicatória do próprio Saramago. Gosto de gravatas, a que salvaria nem sequer é a minha preferida, mas alguém de que gosto muito trouxe-me esta gravata da Índia, pura seda, diz ele que a comprou ao artesão. Pink Floyd está ali porque "The Wall" marcou-me, tocou em repeat dezenas de vezes, durante muito tempo e "Carmen" é apenas a minha ópera favorita, já assisti a dezenas de versões, curiosamente Don Jose acaba sempre por matar Carmen no final. Ena Pá 2000 foi a banda sonora de muitos dias bons e remete-me para um dos melhores tempos da minha vida, em que os Irmãos Catita tocavam em Santos, eu não tinha que decidir nada na vida e era genuinamente feliz. Não consigo sair de casa sem óculos de sol e gosto muito destes Persol, coisas de família. O relógio também não é aquele que gosto mais, mas quem me ofereceu este (nunca comprei relógios nem telemóveis nem carros em toda a minha vida) não me oferecerá outro. Quem "faz" montanha sabe que umas boas botas são difíceis de encontrar e que é um suplício cada vez que se troca de botas. Tenhos estas há cinco anos e já subiram os Alpes franceses, suiços e italianos, os Pirinéus (dos dois lados), os Picos da Europa, com chuva, com neve e com muito calor. Finalmente o cachecol, o meu pai ofereceu-mo na penultima vez que o Sporting foi campeão, uso-o duas vezes por mês, pelo menos.

Se a casa estivesse a arder, o que salvaria? (versão pragmática)

Se a casa estivesse a arder, o que salvaria? (versão idealizada)

14 agosto 2012

The burning house

Há uma espécie de blog, o The Burning House, uma ideia genial de tão simples que é. Imagine-se a nossa casa a arder, temos poucos minutos para salvar o que consideramos essencial, aquilo de que nos custaria separar. Considerando que as pessoas e animais já estariam a salvo, do lado de fora da casa, seríamos mais pragmáticos e salvaríamos o dinheiro, os documentos e o computador portátil ou cederíamos aos sentimentos e optaríamos por salvar o urso de peluche que tem o nosso cheiro, o livro favorito ou o disco de vinil que herdámos do nosso pai?

(vou ali pensar nisto, estou capaz de prantar aqui um retrato com aquilo que me faria falta, esforçando-me para fugir ao cliché portátil-iPod-máquina fotográfica de rolo-livro do Eça-relógio que me ofereceram os meus amigos-botas de montanha-pés de gato de escalada-vinil dos Pink Floyd-passaporte)

(e não, não publicarei no Burning House, que eles pedem o nome e a idade e mais não sei quanta informação que não acrescenta nada à ideia)

Meus caros rapazes das canoas...

...antes de mais, agradecer-vos pela medalha, é bem bonita e reparei que vinha pendurada nos vossos pescoços e que a mostraram à rapaziada que estava no aeroporto a bater palmas e a dar-vos aquele apoio generoso que só se dá aos vencedores, é perguntar ao tipo do lançamento do peso se teve um apoio igual ao vosso e ele diz logo que não, nem pensar.

O que vos queria aconselhar é que não se excitem muito com a recepção de ontem, aquilo foi um fogacho e a partir de agora as vossas chegadas a aeroportos terão as mesmas pessoas à vossa espera que eu tenho, e toda a gente sabe que a mim ninguém me espera em aeroportos. Nestes quatro anos é meter a canoa no rio Ave e remar como se não houvesse amanhã, mesmo se estiver a chover ou o tempo estiver muito frio, talvez consigam mais umas medalhas nuns campeonatos europeus, mas não esperem mais que uma nota de rodapé na página quarenta e três do Record, não se queixem, as mulheres nuas estão na página quarenta e quatro e é possível que a rapaziada veja a notícia do vosso feito, pior seria a página vinte e dois que é onde estão os resultados dos distritais de ténis de mesa, de resto a primeira página estará reservada para uma provável aquisição de defesa esquerdo para o Benfica, um tipo que virá do Zaragoza a custo zero, o Nápoles tambem está interessado no tipo, daqui a quatro anos queremos que estejam finos no Rio de Janeiro, já não nos lembraremos de vós, afinal passaram quatro anos, mas havemos de querer que tragam a medalha e, se a trouxerem, havemos de lá estar no aeroporto, que nós gostamos de apoiar quem merece.

Athayde de Meyrelles e Rothschild

Fui jantar ontem com o Athayde de Meyrelles e Rothschild, um velho amigo, que foi pai de três belas meninas. O Athayde de Meyrelles e Rothschild contava-me, ainda perturbado, que tinha ficado congelado em frente aos berços com a terrível angústia de ter que escolher uma das filhas para abraçar em primeiro lugar.

E eu, que não sou de pensar em coisas, fiquei a pensar nisto.

13 agosto 2012

Pipoco não gosta de facebook

Enquanto as notícias online de sismos no Irão, guerra civil na Síria e incêndios no Algarve tiverem lá em baixo um polegar espetado para cima e a indicação de que "273 pessoas curtiram isso", eu terei a certeza que a decisão de não ter perfil no facebook é a coisa certa.