06 julho 2012

Facto

Dez em cada dez mulheres que olho nos olhos desviam o olhar antes de mim.

Como Pipoco Mais Salgado imagina que seja a tal da "Partícula de Deus"



Para acabar com a temática Primobaziliana

Enquanto existirem Luizas não faltarão os Primos Bazilios.

05 julho 2012

Eu ainda sou do tempo...



Pipoco também diz coisas sobre Carlos da Maia e Primo Bazilio

Bem podemos apreciar a dicotomia do canalha contra rapazinho educado pelos preceitos de seu avô, bem podemos discutir se elas preferem os maus rapazes ou os de fina estirpe para se entreterem, mas a minha embirração com o tal Primo Bazilio tem a ver com o facto de, lá no Grémio, enquanto jogava bilhar, o sacana ter uma boca grande no que respeita a vangloriar-se sobre os mulherengos feitos. Nós, os do género masculino, temos um código cá nosso que nos faz desprezar aqueles que não nos olham nos olhos enquanto nos cumprimentam com um aperto de mão firme e que nos faz ter vontade de exterminar os que se gabam dos feitos com mulheres,a coisa perdoa-se até à idade dos quinze anos e tolera-se se se falar em abstracto, quando toca à gabarolice explícita em relação a determinada mulher, como o fazia o Primo Bazílio nas conversas com o Conde enquanto dava umas tacadas de bilhar e antes de deglutir o tal bife no Grémio, apodera-se do ouvinte um misto de repugnância e pena, de maneiras que é por isto e por mais nada em especial que o Primo Bazilio não me fascina.

Pipoco mostra o que aprendeu nestes trinta anos de blogosfera

A fazer tracinhos por cima das rasurar palavras.

04 julho 2012

Carlos da Maia vs Primo Bazilio

Se tanto Carlos da Maia como o Primo Bazilio desinquietam mulheres casadas, se tanto Carlos da Maia como o Primo Bazilio são dois incorrigíveis ociosos, se tanto Carlos da Maia como o Primo Bazilio não se preocupam em degustar placidamente parentes próximas, porque razão tendemos a apreciar Carlos da Maia e a detestar o Primo Bazilio?

Nesta temporada de Pipoco ainda aqui não tinha colocado a minha música-fetiche, pois não?

Ich bin ein Leidenense

Estamos no quarto dia do mês de Julho, há nuvens cinzentas no céu, ameaça chover e isto está para o frescote.

03 julho 2012

Isto na verdade são dois posts

Quem anda nisto dos blogs há mais de trinta anos, como eu, percebe que há um padrão no que as pessoas escrevem, as dos baby-blogs (olá Pólo Norte...) descreverão sempre a mais básica habilidade dos seus rebentos como um feito heróico só ao alcance dos mais iluminados, as das roupas baratas descreverão sempre as suas saias feitas na Malásia como peças de alta costura, os da política não falharão com a interessante problemática de ter sido com o Sócrates que a coisa se desmoronou ou, pelo contrário, agora é que isto está como nunca esteve, os da bola verão penaltys a favor dos seus na zona do meio-campo e de mim, único representante dos snob-chic, poderão contar sempre com um apuradíssimo sentido de humor e inteligência superior.

A tribo que mais me intriga é a dos poemas da Florbela Espanca e das gravuras com espadas a dilacerar corações, a tribo das que acham que só com sofrimento se chega ao conhecimento, as que sorriem complacentes com isto de um homem andar contente com o que a vida lhe vai dando, as que acreditam realmente que se um homem anda com um sorriso rasgado é porque finge uma felicidade que não tem, as que se convencem que as pessoas realmente felizes são as que já foram atropeladas por uma retroescavadora das obras porque a seguir se levantaram e ainda deram uma sova no condutor daquilo.

Eu, que sou eu, aprendi cedo que quando as garrafas de litro de cerveja voavam pelo Gingão, ali ao Bairro Alto, talvez não fosse má ideia ir apanhar ar fresco, aprendi cedo que no futuro todas as mulheres tendem a parecer-se com as mães e que essa informação era relevante antes de assumir uma relação de longo prazo, aprendi cedo que se aprendesse matemática as probabilidades de beber Barca Velha uma vez por outra aumentariam substancialmente, aprendi cedo que isso do sofrimento não é uma fatalidade e que o caminho para a felicidade, seja lá isso o que seja, às vezes sou eu que escolho.

Coisas realmente relevantes

Sporting continua a ser o melhor clube português para a IFFHS.

Que vês da tua janela, Pipoco?

Porto, visto do AC Hotel.
(peço sempre para não me darem um quarto com vista para o Dragão...)

02 julho 2012

Mais um desgosto que levo em vinte anos de blogosfera (fim da trilogia)

O último desgosto é não ter amiguinhos da blogosfera, não tenho ninguém que me mande um selinho a dizer que "este blog é do melhor" ou "sim senhor, é um bom blog", não há quem me atire ao menos um selinho de "blog fofinho" que eu pudesse pespegar ali ao lado, uma coisa com os selinhos todos a passar em slow-motion e eu a olhar para aquilo e a pensar que sim senhores, tenho quem goste de mim.
(ah e os inquéritos a perguntar coisas, se gosto mais de chocolate ou de gelado de baunilha, se prefiro cinema ou concertos de música sacra, nunca ninguém se preocupou em saber a minha opinião sobre os assuntos, logo eu que sei coisas, que tenho estudos).

Outro desgosto em vinte anos que levo a escrever blogs...

...é que nunca tive oportunidade de escrever um post a mostrar ao mundo os ínvios caminhos que trazem pessoas a este blog, todos os dias monitorizo com redobrada atenção as palavras que as pessoas escrevem nos motores de busca e ninguém aqui chega depois de digitar "bom amigo e confidente atento" ou "rapaz novo e extremamente viril", nem sequer um "profundo conhecedor dos melhores vinhos tintos para acompanhar enguias com açorda". Nada, o google envia-me para cá quem digita "Pipoco Mais Salgado", ocasionalmente algum excêntrico vem cá dar pela via de "O Pipoco Mais Salgado", nada mais que isto, ou seja, quem cá vem não vem ao engano, desejou vir cá ter porque era exactamente isto que procurava, as coisas são como são e eu perco uma boa oportunidade para fazer um belo post da categoria enchedora de chouriços.

Em vinte anos de vida de blogs...

...o meu maior desgosto é não saber fazer aquilo do traço por cima das palavras, a coisa fica tão bonita, fica uma espécie de mensagem subliminar, escreve-se uma coisa e quem lê fica a saber que não, que afinal queríamos dizer outra coisa, quase sempre menos civilizada e mais vernácula, é como se um diabinho e um anjo imaginários nos segredassem os posts, primeiro o diabinho e escrevemos palavrões e muitas coisas que não são de gente de bem, a seguir vem o anjinho e risca as más palavras e troca-as por outras, mais aceitáveis e fica toda a gente contente, o fiel leitor porque percebe que quem escreve é uma alma amargurada, um vagabundo de cabelos ao vento que escreve o que o sangue quante lhe manda, mas, apesar disso é pessoa de bem, respeitadora da eventual sensibilidade de quem lê, o autor do texto também fica feliz, afinal o mundo fica a saber que os seus saberes de escrita são bidimensionais, foda-se, aliás, com a breca, gostava mesmo de saber como é que se faz isso do tracinho em cima da palavra foda-se.

Estive a isto de prantar aqui um retrato meu

Se eu realmente quisesse um ror de visitas aqui nisto do Pipoco prantava por cá um retrato que resume o que são uns dias a sul, lá estou eu, barba grande e guedelhas desgrenhadas, estava vento, mais o Tavares de Telles e o Menezes de Athayde, nós os três a fazer uma saúde aos dias vindouros, confiantes, copos de vinho branco ao alto, sorrisos largos, o sol na pele a fazer conjunto com as t-shirts brancas, mar por detrás, não fosse o Tavares de Telles ter uma pulseira étnica que comprou no Botswana e que lhe dá um ar abichanado e era certo que prantava aqui o retrato a preto e branco, prantava sim.

01 julho 2012

E então meninas?...

No fim do jogo emocionaram-se mais com o "El Niño" Torres com os filhos às cavalitas ou com o Chiellini em lágrimas?...

Chegou então ao fim isto do Sul

E ainda bem, isto do sol e do sal e do mar e dos livros desconcentra-me, reduzo voluntariamente as defesas, os níveis de cinismo e de cepticismo descem para mínimos históricos e todo eu sou sorrisos e compreensão e poesia e bons propósitos.


Felizmente, quando se vai a semana de sul, tenho de volta a adrenalina de jogar com o binómio do dólar e dos futuros, a ter por que combater, regressam as reuniões na sala de crise onde se pode morrer de colapso ou sair vitorioso, botões de punho desapertados e o nó da gravata ligeiramente torcido e o melhor é que amanhã isto torna a ser um blog snob-chic.

Coisas que parecem que são e afinal não

Durante muitos anos, mais de vinte, não conheci o final de "Birds", de Hitchcock. Gravei-o em fita (naquele tempo os filmes gravavam-se em fita) e deu-se o caso de o final do filme quase coincidir com o fim da fita. Sempre acreditei que havia mais filme, que infelizmente a fita não tinha sido suficiente para gravar todo o filme e isto sempre me angustiou, aliás, foi isto do Birds e foi nunca ter lido a primeira parte do Vinte Mil Léguas Submarinas, alguém me ofereceu a segunda parte do livro, uma coisa das Edições Europa-América, e até hoje carreguei comigo esta espécie de trauma por nunca ter lido a primeira parte do livro e nunca ter visto a última parte do filme.

Hoje vi Birds, de novo. Afinal tinha visto o filme todo.