30 junho 2012

Que estás a fazer neste momento, Pipoco?



(à espera de um sargo grelhado, no Clube Náutico de Faro)

Quase no fim do Sul

O sul que eu gosto é o de finais de Junho, senhoras antigas com netos pela mão, equipadas com chinelos de praia marca Beach Time, ficam-se pela borda de água e deixam o mar todo para mim, senhores que gozam as delícias da reforma e chegam cedo ao areal, equipados de livros com marcas de pó e humidade de sótãos, às vezes atendem os telefones e falam para longe, são os pais dos netos que querem saber se tudo está bem, eles confirmam com o olhar que sim, que o Ivan e a Constança estão felizes, a brincar com os seus baldes e omitem a bola de berlim que acabaram de lhes ofertar, em Junho não tenho que esperar pela minha vez para me servirem um café e posso ler livros enquanto espero pelo jantar que é sempre peixe grelhado, "peixe de mar, senhor Pipoco, disto não encontra na sua cidade", eu confirmo ao velho Julião que sim, que a dourada que me apresenta é coisa em condições, este é o tempo em que o sul se suporta, um sul tranquilo e doce, em Junho até eu sou o mais bonito da praia.

29 junho 2012

Tudo está no seu lugar...

...quando um homem equilibra com duas horas de blackjack o que perdeu num mês de facebook.

28 junho 2012

Agora do meu Sul

De volta ao sul do meu lado da fronteira, meto conversa com o autor de"Abelhas Assassinas", um romance de cinquenta e seis páginas onde todas as palavras começam com a letra "A". O autor, que curiosamente não se chama Abel Alves ou André Athayde, olha-me nos olhos e diz-me que "você só é derrotado quando desistir", assim mesmo, à laia de lema de vida, uma espécie de bom conselho de homem vivido. Nygel Filho diz-me que eu só serei derrotado quando desistir e eu cumprimento-o com um sorriso e penso que, claramente, o autor não sabe com quem fala.

27 junho 2012

O que mais me irrita nisto do prolongamento do jogo...

...é que estou numa fase crucial do Lituma nos Andes e está a custar-me ter que esperar mais mais hora para entender como é que aquilo afinal se desenvolve.

("saque de banda" também é divertido)

Oitenta minutos

E em verdade vos digo que estes tipos da Tele5 são muito piores que os comentadores da SIC, não calam a matraca.

(mas afinal é divertido isto do "segundo palo" e do "corner para Portugal").

Preocupação pipoqueana primeira

Quando da edição d' "O Primo Bazilio", o pai de Eça de Queirós escreve-lhe uma carta dando-lhe conta das reacções em Lisboa ao livro. O último parágrafo termina com um pedido, "Recomendo-te só que em tudo o escreveres evites descrições que senhoras não possam ler sem corar".

Post grande, afinal estou de férias

Daqui a pouco, depois daquilo dos hinos, eu de pé, mão esquerda junto ao coração e a voz projectada no meio dos infiéis que se sentirão menorizados por não ter um hino com letra, uma coisa cantabile, o tipo que manda na realização a mandar parar a imagem no detalhe do penteado do Cristiano Ronaldo, também ele de pé, cairá dos céus aquilo que se chama a sportinguização da equipa, uma espécie de fenómeno transcendental que consiste, e isto agora sou eu a traduzir em palavras simples o elaborado fenómeno que é a sportinguização de uma equipa, num bloqueio mental que tem como resultado final um sentimento de quase, um quase estar lá mas afinal não. Este fenómeno, amplamente trabalhado por gerações de treinadores da bola ao serviço dessa instituição de esforço, dedicação, devoção e glória, com um ligeiro interregno quando do Malcolm Alisson, que era maluco, persegue as equipas desde o tempo em que empatávamos com a Escócia e era um bom resultado, eu sou desses tempos, em que era um feito o Sporting despachar o Southampton e a selecção perder por poucos com a Bélgica, era uma coisa honesta, toda a gente sabia ao que ia, não existia cá isso de acharmos que podíamos ganhar a qualquer um. Depois veio a sportinguização, juntavam-se jogadores geniais uns a jogar com os outros, tu jogas a defesa central e chamas-te Peixe, tu aí, rodas baixas, tu jogas na posição sete e distribuis jogo, chamas-te João Moutinho, e era assim que se passavam as coisas, eles jogavam muito à bola e no fim ganhavam os outros, injustamente, mas ganhavam os outros. Ora este processo foi-se sedimentando, os Figos e os Moutinhos e os Cristianos e até mesmo os Simões Sabrosa e Quaresmas desta vida foram pelo mundo, espalharam a boa nova e alguns chegaram mesmo a sportinguizar as equipas por onde passaram, veja-se o caso do Figo no Real Madrid. Outros, menos robustos no domínio do conceito, sucumbiram e definharam e levantaram bem alto os troféus que as equipas ganharam com eles, apesar deles. Ora daqui a pouco, numa espécie de reencontro de amigos de Alex, todos esses porta-estandarte da sportinguização, essa ciência do quase ganhar, subirão ao relvado, liderados por um senhor das artes de sportinguizar qualquer um, aliás, só batido pelo Mestre Peseiro, jogaremos como uns heróis, garbosos e com triangulações rápidas mas lá pelo minuto setenta os outros estarão capazes de se aborrecer e, impulsionados pelas perdidas do Cristiano, mai-las bolas no poste do Moutinho, mai-las saídas fora de tempo do Patrício vislumbrarão ali a sportinguização da equipa a descer devagarinho, como uma névoa mansinha, os jogadores não sportinguizáveis, como o Pepe, que fez a formação no Desportivo de Minas Gerais, a perceber que a coisa se está a dar, eles todos a tentar lutar contra a força maligna, o Bruno Alves a tentar os truques de expelliarmus, uma coisa que ele viu no Harry Potter, mas nada resultar, o Paulo Bento a substituir de uma assentada três jogadores de campo das escolas do Sporting por outros três da universidade sénior do Besiktas, a coisa a não resultar porque também ele, Paulo Bento, está possuído, o Iniesta a ver tudo isto a acontecer, a fazer um sinal ao Casillas para lhe colocar a bola directa e já está, os nossos a ser recebidos na Portela, caramba, estivemos quase, faltou ali uma pontinha de sorte e eu a ver as coisas, que, uma vez mais, são como são.

26 junho 2012

Mais uma coisa que me preocupa por estes dias

Saber se sempre se confirma uma melhoria das condições meteorológicas lá para os lados de Leiden.

(ele há ocasiões em que me parece que a minha missão no mundo é fazer do bom povo Leidenense pessoas felizes...)

Outra coisa que me preocupa por estes dias...

...é a forma como vou ver o jogo, nunca vi um jogo da selecção em casa do adversário. Por um lado, posso ver o jogo no conforto do quarto, tranquilamente, mas sei que me aborrecerei de morte, os jogos da selecção não devem ser vistos num quarto, ainda para mais na versão em que os comentários serão inflamados de cada vez que La Roja passar a linha do meio-campo, além disso não me parece divertido ouvir os golos do CR7 comentados em tom de velório. Por outro lado, ver o jogo no bar pode parecer desagradável para os presentes, eles de mãos na cabeça sem perceber que hecatombe lhes está a acontecer e eu a vibrar, sem pressentir que o Chef haverá de castigar-me mais tarde, seleccionando os pimientos de Padrón certos para me servir. Que fazer, senhores, que fazer?

Daqui onde me encontro...

...enquanto aguardo que me sirvam o encomendado gin tónico, antes da siesta, percebo que estas pessoas têm mais trinta anos do que eu, irei encontrar as senhoras na praia de Mazagon, com os seus penteados louros armados com laca, lendo a Hola, os cavalheiros passearão pela praia, rentes à água, em grupos de três, os cabelos puxados para trás, crucifixo de ouro pendurado ao pescoço, ar grave de quem discute coisas de política, fumando Ducados de manhã ou Montecristo depois das seis da tarde, calções de riscas verticais, lerão o El Pais quando nos encontrarmos na esplanada, enquanto aguardamos que sejam horas de nos servirem o jantar, para o qual nos vestiremos a preceito, calças de linho ou algodão, camisas brancas de manga comprida, cuidadosamente arregaçadas, sapatos leves, havemos de nos cumprimentar civilizadamente com um leve aceno de cabeça, eles e elas desculpando-me a barba de três dias.

25 junho 2012

Também tenho as minhas preocupações, como toda a gente

A maior preocupação nestes dias de sul é eu gostar de ler blogs que não estão na lista ali do lado e ter que lhes aceder por via de um terceiro blog que não leio.

(poderia eu próprio ter uma ligação directa aos blogs que leio, mas isso obrigava-me a tirar alguns dos que lá estão e as pessoas ficam tristes quando eu lhes retiro as ligações)

(por outro lado, da maneira como vão enchendo chouriços, há três blogs da lista ali do lado que se estão a habilitar...)

Do sul, outra vez

Todos os anos, por esta altura, sigo para sul. Mais que o início do ano civil ou o meu aniversário, é este tempo a sul, por entre água salgada no corpo, cerveja fria e conquilhas, que apanho os cacos do ano que passou e projecto onde quero estar da próxima vez que estiver a sul, aqui decido que livros ficarão por ler e quais os que migrarão para o novo ano, é neste tempo de sul que arrumo num sótão as relações que não quero reatar e é neste tempo de sul que penso com nostalgia no que perdi por não ter feito a coisa certa no tempo certo. É neste tempo de sul, em que as havaianas compradas no Rio substituem os sapatos engraxados, as t-shirts brancas substituem os fatos às riscas, a Bola substitui os relatórios com gráficos e a barba com sol e sal ocupa o rosto que voltará a estar escanhoado um destes dias, que faço o balanço, é neste tempo que os meus olhos mudam de cor, é a sul que relativizo a minha vida.

24 junho 2012

Que vês da tua janela, Pipoco?

Praia de Mazagon, vista do Parador de Mazagon

23 junho 2012

Ruben Patrick diz que os Alemães...

...podem ter ganho aquilo aos Gregos, que sim senhores, ganharam e bem ganho, mas também é bem verdade que ter que ver a Merkel enfiada naquele vestido verde de mau corte, aos pulinhos e com aquele mau ar que nosso senhor lhe deu, os olhinhos esbugalhados, é coisa que não enche de orgulho nenhum povo.

(para além daqule cabelinho à foda-se do treinador, podemos dizer que é um cabelo tipo Paulo Bento, mas em mau)

22 junho 2012

Ruben Patrick fala sobre beijos em aeroportos

Derivado de situações cá da minha vida, passei boa parte do dia num aeroporto, do lado das chegadas, derivado de ser a zona em que o café é melhor. Maneiras que, derivado dessa situação, estive a olhar para pessoas que chegavam e vi muitos homens e mulheres que chegavam e tinham mulheres e homens à espera. Reparei que as mulheres beijam como se não houvesse mais ninguém no mundo, abraçam o homem que têm à espera, fecham os olhos e não se importam com mais nada, nada mais importa, nem os tipos que têm que se desviar do par que se beija no meio do corredor. Eles beijam mal, de olhos abertos, tentando perceber se estão a olhar para eles, quase pedindo desculpa com o olhar por estarem ali a ser beijados por uma mulher que os esperava, desconfortáveis, tentando apressar o fim do beijo.

Fiquei contente porque, em centenas de chegadas a aeroportos, nunca tive ninguém que me esperasse.

Ruben Patrick disserta sobre montaditos de tortilla

E lá estava eu, sossegadinho da minha vida, derivado de estar a apanhar o primeiro sol do Verão tinha uma Super Bock na mão, passando os olhos pelas gordas do "Record", e chega-se uma senhora espanhola à mesa do lado e pede ao rapaz das mesas um montadito de tortilla e vai o rapaz e diz que montadito não tinha, e vai a senhora espanhola, já de idade, são sempre as senhoras de idade que se sentam nas mesas à beira da minha, e, dizia eu, a senhora espanhola abespinha-se e faz por meter conversa comigo, que não se compreende que não exista um montadito de tortilla para lhe ser servido e eu levantei os olhos das gordas e disse à senhora que lhes vamos ganhar por três na quarta-feira e a senhora ficou a modos que aborrecida por eu não ter conversado com ela sobre a temática de não haver montaditos de tortilla numa esplanada da minha cidade e eu fiquei a pensar no que será que motiva estas pessoas a viajar.

21 junho 2012

Ruben Patrick toma conta disto

Com o Tio Pipoco fora de cena (há quem diga que foi à Polónia ver um jogo da bola, há quem diga que foi para Sul e que estará a esta hora a beber um gin tónico e lê mais umas linhas do Ulysses enquanto espera pelo sol), fico eu a tomar conta disto e cabe-me a mim dizer coisas cá da minha vida, nomeadamente a problemática que é encontrar a mulher média, essa verdadeira preciosidade, isto derivado de um homem nunca estar contente, se escolhe uma mulher demasiado fácil a coisa não dá luta, ainda estamos a tentar decorar-lhe o nome e já a situação está incontrolável e ela nos puxa para um canto do elevador e nos mostra como é que se faz, se ela é demasiado difícil dá-se o caso de perdermos o nosso tempo, podíamos estar a fazer uma coisa em condições e afinal ainda não passámos da fase disso da sedução, um homem a dizer-lhe que ela cheira muito bem do cabelo e que tem um sorriso lindo e ela nada, nem abre uma brecha, chega-se ao fim do tempo que gentilmente lhe diponibilizámos e a coisa ainda está naquela indefinição que nos faz lembrar o Postiga ali nas fintas a maio caminho entre a linha final e a zona de pontapé de canto, sem ângulo para chutar à baliza e afinal é mesmo disto que eu queria falar, do jogo de hoje, um homem anda aqui às voltas com a temática do amor mas lá no fundo todos os posts que um homem escreve são posts de bola

20 junho 2012

Ruben Patrick, uma vida dedicada a fazer as pessoas felizes

Ele há dias em que passo pelo quiosque e compro uma revista, Depois enrolo a revista e meto-a no bolso e esqueço-me, só me volto a lembrar da revista quando vejo a cara de assombro da Carina Suzete e da Cátia Rossana a mirar-me quando eu chego à máquina das fotocópias, tão contentes por me verem, minhas ricas meninas.

19 junho 2012

Ruben Patrick is in the house

A grande vantagem de escrever num blog como este do Tio Pipoco é que não tenho que dizer que o Dacia Duster é um automóvel fantástico...