...perder como sempre.
(mas a cerveja estava fresca e as moelas e o pica-pau estavam no ponto)
09 junho 2012
08 junho 2012
Onde Pipoco fala sobre política parecendo que fala sobre bola
A história da Grécia é isto, a Polónia, que é uma espécie de Alemanha, só que uma Alemanha há setenta anos atrás, a sufocá-los, a Grécia a definhar, quando tudo parecia piorar, passam a jogar em inferioridade, tudo parecia acabado, os primeiros a sair do Euro, de repente uma golpada de sorte, um balão de oxigénio, parece que se aguentam, olha, vão ultrapassar a coisa, um penalty deve servir-lhes para virar o jogo, afinal não, olha viraram mesmo, afinal não, foi anulado, ficaram na mesma, parece que se aguentam no Euro. Ou então não.
07 junho 2012
Em verdade te digo, Ruben Patrick
Depois de quinto gin tónico, ela vai parecer-te fantástica, sim tu também és fantástico e nada te será impossível, esses indivíduos grandes que te tiraram de cima do balcão, tu a imitar aquilo da Kim Basinger ao som do You can leave your hat on, são uns invejosos, eles não sabem que o David Guetta às vezes soa como Joe Cocker, depois do quinto gin toda ela irradia luz, que sensualidade, que saber estar, o problema, Ruben Patrick, é que na manhã seguinte ela te vai aparecer como realmente é, as coisas são como são.
06 junho 2012
Que vês da tua janela, Pipoco?
As senhoras sabem de quem eu estou a falar
Toda a gente sabe que há mulheres que se apaixonam por um homem só por aquilo que ele escreve, é assim como a bolha imobiliária nos anos dourados de Marbella, as pessoas compravam casas de praia sem ver, nos blogs é igual, um homem escreve com o coração nas mãos e é senti-las a suspirar, que coração sensível tem o rapaz, elas a imaginá-lo ajoelhado em frente à amada, numa urgência de lhe declarar o amor por ela que não o deixa descansar, coração palpitante, olhos faiscantes e ele, a essa hora, na esplanada do Santa Bizarria, copo de imperial na mão a dar pontuação de um a dez das caixas abdominais das suecas que por ali passam, depois o rapaz escreve sobre um livro que anda a ler, uma página por semana, e elas imaginam um espírito inquieto, um homem de letras, elas com a cabecinha deitada no colo dele, mantinha por cima das pernas, deleitadas a olhá-lo nos olhos e ele devorando livros que lhe há-de explicar com aquele olhar alheado das coisas que só está ao alcance dos iluminados e afinal ele não passou da página cinquenta do tal livro, o mais que lê é o jornal desportivo e mesmo assim só se lá vierem escritas as contratações certas do Sporting, ele escreve sobre vinhos e elas logo se apaixonam pelo fino requinte, a sensibilidade de conjugar néctares com comida, o saber ancestral de distinguir um touriga nacional de um Syrah, o imaginário a remeter para um vinho raro bebido junto à lareira de uma casa do século dezoito, um Jaguar do tempo em que eram feitos em Inglaterra estacionado lá fora e afinal o rapaz varia entre o Duas Quintas e o Esteva, na verdade acompanha as sardinhas assadas com coca-cola, disseram-lhe que facilita a digestão.
Agora, complicado, mas mesmo muito complicado, é quando um homem se apaixona por aquilo que uma mulher escreve e, em verdade vos digo, está prestes a acontecer comigo.
Agora, complicado, mas mesmo muito complicado, é quando um homem se apaixona por aquilo que uma mulher escreve e, em verdade vos digo, está prestes a acontecer comigo.
Maria Lucinda agora é a Lucy
A Maria Lucinda era o patinho feio da turma do décimo segundo bê da Dom Pedro Quinto, era uma espécie daquela rodela de coisa verde que vem com os hamburgers, a rapaziada comia tudo o que lhe aparecia à frente, mas em chegando àquilo verde, que em sentido figurado era a Maria Lucinda, o pessoal deixava de lado, talvez uma ligeira lambidela para tirar o ketchup que a coisa vegetal verde tem por cima e bastava.
Ontem, num desses eventos com rissóis e pessoas de copo na mão que acenam com movimentos a cabeça umas para as outras quando se cruzam, a Maria Lucinda veio ter comigo, tantos anos, caramba, estás igual, isto disse-me ela, que era a Lucy, agora chamam-lhe assim, não sei que coisa fez o criador à Maria Lucinda, aliás, à Lucy, mas dei por mim a conversar com ela mais tempo do que aquele que lhe dediquei em todo aquele glorioso décimo segundo ano, ela a recordar como eu a ajudava com aquilo dos integrais e com os números imaginários, isso de eu apreciar números imaginários é coisa para me acompanhar até ao fim dos dias, eu a tentar perceber de onde lhe tinham aparecido aquelas formas e a pensar que aquela pouca roupa lhe assentava muito bem, ela a sorrir-me no final e a dizer que temos que ir tomar um café, eu a pensar que se calhar é melhor não.
Ontem, num desses eventos com rissóis e pessoas de copo na mão que acenam com movimentos a cabeça umas para as outras quando se cruzam, a Maria Lucinda veio ter comigo, tantos anos, caramba, estás igual, isto disse-me ela, que era a Lucy, agora chamam-lhe assim, não sei que coisa fez o criador à Maria Lucinda, aliás, à Lucy, mas dei por mim a conversar com ela mais tempo do que aquele que lhe dediquei em todo aquele glorioso décimo segundo ano, ela a recordar como eu a ajudava com aquilo dos integrais e com os números imaginários, isso de eu apreciar números imaginários é coisa para me acompanhar até ao fim dos dias, eu a tentar perceber de onde lhe tinham aparecido aquelas formas e a pensar que aquela pouca roupa lhe assentava muito bem, ela a sorrir-me no final e a dizer que temos que ir tomar um café, eu a pensar que se calhar é melhor não.
05 junho 2012
Ruben Patrick, em verdade te digo
Se nem te ocorreu que o Sporting jogava exactamente à mesma hora em que ela te está a pedir conselho sobre se deve comprar os sapatos azuis ou os amarelos, se dás por ti a jantar sushi regado a sumo de frutas natural e recebes uma chamada do Cajó a perguntar se ainda demoras muito para a churrascada, informando-te que já vão na quarta rodada de imperiais e tu voltas à mesa e quando ela pergunta quer era tu respondes que era engano, se trocaste os bilhetes dos Mettalica por outros do Bryan Adams, se começaste a preocupar-te com o corte das tuas unhas, se achas que a Angelina Jolie é uma mulher normal, se te parece que o Lago dos Cisnes é melhor programa que o combate de wrestling do Mad Joe contra o Animal Jack, se de repente dás por ti a saber distinguir cheiros de cabelo, então, meu caro Ruben Patrick, considera a possibilidade de estares ligeiramente apaixonado.
Esta noite sonhei com um (e apenas um) Lamborghini roxo
Transformei em projecto de vida isso da leitura de Ulysses, avanço uma página por semana, a este ritmo estou capaz de terminar a coisa na casa com lareira e vista de mar onde passarei os últimos dias, provavelmente na ilha das Flores, leio uma página por semana, cuidadosamente entremeada com coisas ligeiras, hoje um Lobo Antunes, amanhã um Pamuk, às vezes volto atrás, a página que avancei esta semana não faz sentido se não perceber exactamente a página que li na terceira semana de Abril, nesse caso volto atrás e recomeço, sinto um respeito das pessoas que viajam nos lugares junto ao meu, é sempre no lugar 6A, uma velha mania, eles às voltas com os seus iPad, usados até à exaustão e só desligados à terceira advertência da assistente de bordo, lançando-me olhares invejosos, eles a preparar os últimos números para apresentar a quem manda, eu a debater-me com toda a tranquilidade com Ulysses, mas o que eu queria realmente partilhar com o vasto auditório é que voltei a sonhar com um Lambirghini roxo e toda a gente sabe o que acontece quando sonho com um Lamborghini roxo, certo?
04 junho 2012
Pipoco aconselha Ronaldo, Cristiano Ronaldo
Esteja à vontade, meu caro Cristiano, sente-se um pouco nessa poltrona, Coral?, sim, mando servir, não, eu prefiro um Cardhu sem gelo, chamei-o aqui, bem sei que o seu tempo é escasso, sim, concordo, o meu ainda o é mais, tem toda a razão o meu caro, o tempo é o nosso bem mais precioso, seja como for agradeço-lhe ter vindo, aqui tem a sua Coral, Ezequiel pode retirar-se, não incomode o senhor Cristiano com isso dos autógrafos, pois meu caro Cristiano, chamei-o aqui, não se importa que eu fume um Montecristo?, cai-me bem com o malte, pois, conforme lhe dizia chamei-o cá para lhe falar da problemática desse seu cabelo, que ideia foi essa meu caro? esse é o cabelo que o Tom Saywer usava quando a Tia Polly o mandou pintar a cerca, quem é a Tia Polly?, bem, meu caro, era uma senhora que tomava conta de um rapaz, mal comparando é uma espécie da senhora sua mãe, mas sem aquele chapéu cor-de-rosa, bem sei que lhe explicaram como se deve comportar com as câmaras, quando o meu caro prepara os livres directos nota-se que lhe disseram para recuar cinco passos, depois colocar as mãos nas ancas e depois, quando as câmaras lhe fizerem um zoom ao rosto, deverá o meu caro expirar profundamente, um sopro bem medido, e partir para a bola, aquilo resulta razoavelmente, meu caro, é como um concerto dos Xutos, já se sabe o que vem a seguir, a terceira música é o "Vou correndo para ti Maria", a meio do concerto o Kalu canta o "Ai a minha Vida", prolongando o grito do "Aaaaaaaaaaaai!", pede às pessoas para abanarem as mãos e acaba com um "Ai a puta da minha vida!" e um solo final de bateria, depois entra o "Circo de Feras" e acaba com a "Minha casinha", com os livres é igual, sendo que a encenação às vezes acaba com a bola lá dentro, infelizmente não tantas vezes como as que acabaria se não houvesse encenação, as nossas energias são o que são e, em as canalizando para o que não é essencial, leu o Principezinho?, a coisa dá-se como convém, mas o que lhe queria mesmo dizer, caro Cristiano, é que tem que resolver o problema desse penteado, Ezequiel, acompanhe o senhor Cristiano à porta, não me agradeça meu caro Cristiano, estou cá para isto, para espalhar o bem, veja lá isso do penteado e darei por bem gasto o meu tempo.
Por outro lado
E se afinal eu fosse um tipo que prefere transportes públicos a carros alemães? E se afinal eu fosse um tipo que prefere cerveja bebida pela garrafa a vinho de Bordéus servido à temperatura certa? E se afinal eu fosse um tipo que aprecia mulheres que calçam ténis All Star em vez das que calçam sapatos com sola vermelha? E se afinal eu fosse um tipo que prefere caminhar nos Açores a ópera em Milão? E se afinal eu fosse um tipo que na maioria dos dias vê sempre o mesmo da sua janela? E se afinal eu preferisse frases curtas em vez de um único parágrafo com as vírgulas onde eu acho que elas pertencem? E se eu passasse a usar isto como um diário de bordo onde contasse a minha vidinha em vez de isto ser como é?
Ficava aqui a falar sozinho, não era?
Ficava aqui a falar sozinho, não era?
03 junho 2012
Vanessa Silva, anda cá ao Tio Pipoco
Vanessa, contaram-me numa caixa de comentários ali para baixo que aquilo que ontem se passou à frente dos meus olhos afinal não se passou como eu vi. Acontece, Vanessa, que eu me ando a esforçar por duas situações e uma delas é para ser um bocadinho menos céptico. Acreditei mesmo a sério que aquilo foi um momento Susan Boyle, e há tantas parecenças físicas com a Susan, por Deus, acreditei mesmo que qualquer Vanessa Silva pode ser chamada ao palco, aleatoriamente, e a coisa correr bem. De forma que, Vanessa, se a coisa não se passou como eu vi que passou, fico aborrecido. E aborrece-me ficar aborrecido, Vanessa.
Ao jeito do Bruce Springsteen a chamar a miúda para o palco no teledisco do "Dancing in the dark"
Está ali à minha frente uma miúda com uma t-shirt preta a cantar com o Bryan Adams, com uma cara de felicidade que não se consegue contar. São estas coisas quem me fazem ter fé na humanidade.
Era só isto.
Era só isto.
02 junho 2012
Aprendi hoje
Que "paella" é uma contracção de "para ella", ou seja, é um prato para ser feito por homens. Estou com as mãos na massa e um avental preto, portanto. (mas há quem me traga cerveja fresca, nada está perdido)
01 junho 2012
Não sei se é dos meus olhos...
...mas parece-me que são cada vez mais os que escrevem tudo num único parágrafo com as vírgulas dispostas como calha, os que dizem que em verdade nos dizem que as coisas são como são, e, apesar de isto ser só um blog, nada mais que um blog, começa a engrossar a fileira dos que anseiam comunicar-nos o que estão a fazer neste momento.
Não consigo precisar o exacto momento em que me transformei num céptico,
...foi certamente antes daquele jogo em que o jogador dos Paços de Ferreira meteu golo com a mão e isso nos tirou o campeonato, talvez tenha sido quando a Rita, que era de um campeonato claramente acima do meu, me convidou para ir ver o mar e afinal era para se aconselhar comigo no que respeitava a dar o primeiro passo para convidar o Carlão, que jogava nos juvenis do Estrela da Amadora, para dar um salto ao Frágil, naquele tempo usava-se ir ao Frágil, mesmo com a Guida Gorda a fazer de generala à porta.
Na verdade nem há razões para me ter transformado num céptico, afinal o meu pai pegava-me ao colo e mandava-me ao ar e eu sabia que ele me seguraria sempre e essa certeza de que há sempre uma rede quando me lanço no vazio acompanhou-me todos os dias da minha vida, mesmo quando a todos parece que não há rede nenhuma, eu sei que sim, é uma rede invisível mas está lá, talvez seja uma rede que só eu veja, talvez de facto ela não estivesse lá no início do salto e alguém, no último milésimo de segundo, a tivesse colocado lá, só para que eu não deixasse de me lembrar que o meu pai, quando me pegava ao colo e me atirava ao ar, segurava-me sempre.
Talvez eu seja um céptico fraquinho, se calhar é isso.
Na verdade nem há razões para me ter transformado num céptico, afinal o meu pai pegava-me ao colo e mandava-me ao ar e eu sabia que ele me seguraria sempre e essa certeza de que há sempre uma rede quando me lanço no vazio acompanhou-me todos os dias da minha vida, mesmo quando a todos parece que não há rede nenhuma, eu sei que sim, é uma rede invisível mas está lá, talvez seja uma rede que só eu veja, talvez de facto ela não estivesse lá no início do salto e alguém, no último milésimo de segundo, a tivesse colocado lá, só para que eu não deixasse de me lembrar que o meu pai, quando me pegava ao colo e me atirava ao ar, segurava-me sempre.
Talvez eu seja um céptico fraquinho, se calhar é isso.
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