11 julho 2016

Segue jogo

Ainda com ostras e champanhe a perturbar-me a memória de longo prazo, ou no hipotálamo, ou lá o que é que as ostras e os champanhe perturbam, cofiando a barba de três dias, no ritmo possível a quem dormiu cinco horas nas últimas setenta e duas, matuto nos ensinamentos que esta nova condição de campeões da Europa da bola contribuirá para que o nosso futuro comum seja mais alinhado com desígnios grandiosos, que nos unam como povo, que nos transformem no farol da nações, detenho-me na mensagem tremenda que há num "se falharmos, que se foda", nessa ousadia que será a nossa nova marca no mundo, vamos a isto, a coisa está mais ou menos orientada, é arriscar, se falharmos, olha, que se foda, acontece, reflicto ainda na profundidade que há na estratégia de jogar pouco e ainda assim ganhar, o ganhar ser aquilo que realmente importa, finalmente penso na história do patinho feio que se transformou num cisne maravilhoso, o jogador desajeitado que jogava a avançado e que tinha o problema desagradável de, não só não marcar golos, como falhá-los artisticamente nas suas múltiplas variantes e, ainda assim, marcar o golo que me fez abraçar desconhecidos que estavam na fila de trás, enquanto proclamava as jubilosas e sábias palavras "caralho, é desta!", e foi mesmo.

Depois, reflicto melhor e penso que o Correio da Manhã continuará a sair todos os dias, que as pessoas continuarão a ir de fato de treino e camisola de alças passear no centro comercial em dias de sol, que o Jorge Jesus continuará a dizer bizarrias, e acendo um Cohiba, coloco os óculos escuros, e penso que isto é como um livro de Eça, nada há a temer, as coisas continuarão a ser como são.

10 comentários:

  1. Mas claro que são...

    Não será isto que nos faz mudar de mentalidade, certamente!
    Um consul romano falava dos Lusos como "esse povo que não se governa nem deixa governar) em missiva para Júlio César...
    ...e desde lá para cá não mudamos muito!
    Sempre fomos grandes pela visão de muito poucos, nunca pela aspiração de muitos! E se calhar é esse o nosso drama...

    :)

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  2. A verdade é que o desemprego continua, atente-se na multidão que hoje está na rua para ver a selecção nacional passar (ou então a CM Lisboa - que deu tolerância de ponto dos seus funcionários esta tarde - tem manifestamente pessoal a mais).

    (se tivessem ficado em 2º lugar seria igual, de maneira que é aproveitar, que para triste já basta o fado)

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    1. Anónimo11.7.16

      Os funcionários do município lisboeta teve a tarde para poderem ir receber a selecção. E não acho mal, na verdade.

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    2. Nem eu.
      (era ironia, como se todas as pessoas que estão nas ruas a receber a selecção fossem funcionários da CM Lisboa)

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    3. Anónimo11.7.16

      *Tiveram, peço desculpa

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  3. Anónimo11.7.16

    Sabia-o velho, não o sabia da Geração de 70!...

    PC

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  4. Permita-se festejar, meu querido, e celebrar. somos campeões, somos grandes, conseguimos, #QSFD. Beijo.

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  5. Cláudia Filipa11.7.16

    Depois da alegria da Pipoqueana voz a vibrar como todos os mortais (adoro conhecer a humanidade dessa condição das pessoas que estão para lá dos muros dos ecrãs) segue jogo com um Pipoqueano texto do princípio ao fim, e agora até vou ser picuinhas e pedir-lhe para, se possível, alterar "não só marca golos" para "não só não marca golos" claro que, como está, percebemos na mesma, mas este Pipoqueano é daqueles que não merece mácula a modificar-lhe, sem querer, o sentido, nem por um bocadinho.

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